Mina de Sal - Gema
Um caminho de 230 milhões de anos em 230 segundos
Por Bússola Estudantil
Há 250 milhões de anos o local onde está hoje a mina de sal-gema de Loulé era mar. Aquando da mutação geológica que resultou na separação entre a Europa e África, que criou o atual Mar Mediterrânico, a cobertura de uma enorme massa de água salgada pela terra num período relativamente curto (a nível geológico) resultou numa enorme massa de pelo menos um quilómetro de profundidade que hoje se estende a Leste de Loulé e não se sabe onde acaba.
Nos anos 50 o dono deste terreno fez um furo à procura de água e descobriu que esta era salgada. Curioso, resolveu investigar o porquê e, com as prospeções feitas, concluiu-se que havia ali um dolmo.
A mina tem cerca de 100 hectares de área explorada ao dia de hoje e um filão de sal branco 99,9 NaCl puríssimo mas que não pode ser explorado porque: não há em quantidade suficiente e porque existem bolsas de CO2 no interior desse veio que torna demasiado perigosa a sua exploração; se uma dessas for atingida libertará o CO2 de uma forma tão violenta (com um intensidade quase igual à de uma explosão) que arrastará máquinas e pessoas.
Todas as galerias estão marcadas topograficamente em relação às coordenadas de Portugal Continental que tem o seu ponto 0 no marco geodésico de Vila de Rei. Esta marcação interna não admite mais do que 3 cm de erro em relação a este ponto
O início da mina deu-se em 1963 com a abertura dos 2 poços verticais que, depois de unidos numa galeria a 30 metros abaixo do nível do mar permitiu a circulação de ar e consequentemente a exploração da mina.
Os terrenos à superfície estão à cota 200, a viagem de elevador leva-nos ao longo de 230m, o que significa que 30 são abaixo do nível do mar. E esse é o primeiro nível da mina.
A exploração da mina, nesta altura, faz-se com dinamite, picaretas e martelos pneumáticos. De cada vez que se dinamitava um local para abrir buracos parecia que havia um tremor de terra na então vila de Loulé.
Por volta de 1982, a mina é comprada pela empresa CLONA e trabalha quase em exclusivo para a fábrica de Estarreja (da Quimigal, hoje CUF) para fazer cloro. O grupo CLONA investe na alteração da maneira de extração e, atualmente, a extração de sal é feita com uma máquina de perfuração a que os trabalhadores chamam “roçadora” que tritura, criva e põe o sal em condições de ser lançado às estradas a fim de as tornar circuláveis quando estão cobertas de gelo.
A temperatura ambiente rondava os 24º C, fazia contraste com a temperatura acima do subsolo. Ali estávamos nós altamente preparados, cumprindo todas as regras de segurança que tinham sido impostas (desde o capacete até à luz de segurança que se manteve acesa durante todo o percurso). Nunca esquecendo a prioridade que os camiões têm, iniciámos assimo caminho, como se de uma aventura do Indiana Jones se tratasse, acompanhados por Alexandre Andrade, engenheiro geólogo da Mina de Sal-Gema.
Observámos todos os processos que a mina realiza. Explorada por empresas privadas, todo o minério é do Estado, necessitando assim a sua autorização. Desde o desmonte, tratamento, extração e expedição. Todos estes processos envolvem máquinas e camiões que, totalmente desmontados, entram pela mina através do poço 1 e todo o minério recolhido sai da mina através do poço 2. O nível altamente qualificado e seguro da mina está sempre presente. Por todos aqueles túneis, que não nos permitem andar a pé, devido à sua grandeza, falámos com todos aqueles que fazem da mina a sua segunda casa: mecânicos, que tratam das máquinas e camiões que são necessários para pôr aquela mina a funcionar e mineiros de nacionalidade estrangeira que vêm o trabalho da mina como muito mais do que um mero trabalho de extração. Já foram 170 trabalhadores, hoje são apenas 17. Estes homens trabalham cerca de 8 horas por dia, debaixo do solo que todos os dias pisamos. Confessam um amor tremendo pela mina, aquela profissão à qual dedicam a alma e o coração. Desde o Sr. Orlando Gregório, com 59 anos de idade e 42 anos de trabalho na mina, que começou a trabalhar com 17 anos. Confessa-nos, bem como todos os outros, que não troca aquele trabalho por nenhum outro e que é ali que se sente seguro; sente-se na mina como se ela fosse uma espécie de bunker privado. Afirmam não sofrer de quaisquer problemas de saúde devido ao trabalho na mina.
A mina é a alimentação de muito daquilo que consumimos e necessitamos para o dia a-dia, desde máquinas fotográficas, papel, detergentes, água da rede pública, estando assim presente em cerca de 14 mil produtos. No entanto, a Europa nos anos 90 esqueceu-se das minas, preocupando-se apenas com uma Europa mais verde.
Com um escoamento muito maior que a produção, de cerca 15 a 20 mil toneladas por ano, serve um grande leque de indústrias; a indústria química lidera a lista, sucedem-se a segurança rodoviária, a alimentação, a medicina (soro) e por fim os fertilizantes. O Canadá é o maior consumidor de sal do mundo.
A grandeza da Mina de sal-gema de Loulé é notória, tendo sido palco de vários eventos, em nome do projecto Allgarve, que encheram de orgulho os corações louletanos; a mina já recebeu cerca de 40 mil pessoas, sem que isso afetasse o trabalho da mesma. Não está previsto nenhum evento durante os próximos anos, embora se deseje fortemente que um projeto desta envergadura consiga continuar e sobretudo espera-se que aumente o seu escoamento, permitindo assim criar mais postos de trabalho no Algarve e, quem sabe, um projeto que abra a porta a muitos outros que, tal como nós, consigam marcar presença nesta mina.
Estuário dos rios Minho e Coura: um berço de biodiversidade
Por Miguel Magalhães, Amélia Barros e Sara Cunha

Caminha vista do monte de Santa Tecla
O rio Minho, desde há milhares de anos que estabelece uma ponte de ligação entre Portugal e Espanha. Nasce na serra da Meira (Galiza) e após percorrer quase 300 quilómetros, atravessando montes e vales, funde-se ao rio Coura já em Caminha, e por fim, juntos, abraçam o extenso oceano Atlântico. Separador de países, do ponto de vista paisagístico, o estuário tem-se tornado cada vez mais um berço de biodiversidade ao longo de quase 3400 hectares, envolvendo a cidade de Valença e os concelhos de Vila Nova de Cerveira e Caminha.
Um olhar atento sobre esta tela natural

Foz do rio Minho
O leve brilho da tarde abrange uma vasta área onde se pode vislumbrar o imenso horizonte, lá bem alto, do Monte de Santa Tecla. A vista é de cortar a respiração: os dois rios encontram-se formando um cenário perfeito. O estuário é protagonista de um enredo em que os elementos naturais se sobrepõem à pequena vila de pescadores, numa relação de simbiose em que o Homem e a Natureza se encontram lado a lado, separados apenas por dois rios. Entre estas duas margens, onde estes dois cursos de água se juntam, há plantas aconchegadas e verdejantes sobre os sedimentos que ali repousam graças ao caudal tranquilo das águas que ainda não escutam a maresia.

Tufos despenteados do estuário
É difícil resistir à vastidão dos verdes e azuis que compõem esta tela natural. Todo o sapal é dominado por juncos que ocupam grande parte da extensão dos rios e ainda alguns tufos despenteados que se revelam verdadeiros portos de abrigo para as aves migratórias que ali se alimentam e repousam. Este denso espaço é um berço de biodiversidade nos mais variados sentidos. Falamos de uma área muito rica para a pesca, onde podemos encontrar os mais variados peixes, e muitas aves aquáticas. O estuário é por isso o local privilegiado onde decorrem os ciclos de vida de alguns animais marinhos. Uns utilizam-no como local de desova, outros, como o sável ou o salmão, vêm do mar e utilizam-no como meio de passagem. As plantas do sapal são também esconderijos perfeitos e funcionam como maternidade para os peixes juvenis, que se refugiam dos seus predadores, nos meandros dos caules .
Este ecossistema, engloba as mais diversas espécies de animais e plantas tornando assim, o estuário, um local singular para o estudo e compreensão da fauna e flora desta região do noroeste português.
Como estás Sapal dos rios Minho e Coura?
Alunos do curso de ciências e tecnologias da escola de Caminha desenvolvem trabalhos de pesquisa com o intuito de determinar as características físicas e químicas das águas do sapal, assim como a sua biodiversidade e caracterização dos solos.
Tudo começou com uma notícia do JN, a 30 de Julho de 2010 na qual se lia: Centenas de peixes mortos apareceram no rio Coura, (…), entre a praia da Levada e a ponte românica de Vilar de Mouros. Trutas, bogas, enguias, mujos e lampreias a boiar sem vida (…). Tal facto deixou a população caminhense perplexa e rapidamente foram desenvolvidos esforços para impedir a propagação da poluição, que aparentemente estava a afectar a qualidade da água e a perturbar este ecossistema.
Neste projecto investigou-se se o Sapal dos rios Minho e Coura foi de alguma forma afectado. Realizaram-se diversas actividades laboratoriais de biologia e de química, além de várias sessões de observação, recolhas e análises no próprio Sapal, divididas em duas etapas: uma recolha no Inverno e outra na Primavera.
As quatro turmas envolvidas, coordenadas pelos professores Agostinho Oliveira, Alberta Gonçalves e Natália Silva, professores de Química e de Biologia, analisaram vários parâmetros, entre os quais se destacam: recolha de amostras de solos e a sua caracterização em laboratório, recolha de amostras de águas; análise química das amostras de água no laboratório; registo fotográfico e identificação de aves observadas durante as sessões de recolha de amostras; observação e registo da flora predominante no sapal e identificação, em laboratório, de macroinvertebrados existentes nas amostras de solo utilizando guias de identificação.
A actividade prática de recolha foi espectacular: os alunos levaram galochas, luvas, diverso equipamento científico de recolha de amostras, vários aparelhos de medida e tabelas de registo de dados. A maré estava particularmente baixa, o que facilitou a deslocação através dos terrenos alagadiços do Sapal. Foram recolhidas amostras de águas em três locais A, B e C; recolheram-se também várias amostras de solos nesses e noutros locais, onde foram avistados e identificados alguns exemplares de aves, nomeadamente garças brancas-pequenas e patos-reais e avistaram-se inúmeros peixes e caranguejos. Mediram-se ainda, parâmetros como: temperatura, pH, condutividade eléctrica/TDS e teor de oxigénio dissolvido. Procedeu-se à análise, no laboratório, dos parâmetros físico-químicos das amostras de água recolhidas no Sapal - nomeadamente, as concentrações de sílica, nitritos, nitratos, fosfatos, cloretos e amónio e medição da dureza em carbonato de cálcio.
Após um longo trabalho de pesquisa e tratamento dos resultados, tanto as análises físico-químicas das águas como as espécies animais e vegetais observadas e identificadas permitiram afirmar, que em termos gerais, a qualidade ambiental do sapal dos rios Minho e Coura não ficou afectada pelo incidente ocorrido no Verão anterior, que se pensa ter sido provocado por uma descarga ilegal de resíduos de suínos.

Caracterização de macroinvertebrados e do tipo de solo
Todo este trabalho científico envolveu muita dedicação e empenho, tanto da parte de alunos como professores; motivou a necessidade de adquirir equipamentos e material específicos por parte da escola e, o mais importante, possibilitou a realização de um projecto de investigação entre alunos do curso de ciências e tecnologias que se envolveram de forma criativa e determinante na preservação do estuário.
Os projectos de investigação científica desenvolvidos, não só pelas entidades responsáveis, bem como pela comunidade escolar e população local são extremamente importantes para determinar as condições ambientais ideais para a sua sustentabilidade. É fulcral unir esforços e sensibilizar a população para a necessidade de proteger e conservar este ecossistema tão precioso, mas frágil, que tão bem caracteriza o concelho de Caminha.
PERFIL GENÉTICO: CONDENAÇÃO OU LIBERDADE?
Helena Machado estuda a opinião de reclusos portugueses
Por Daniela Soares, Raquel Alves e Sofia Marques (texto e fotos)

Helena Machado, professora do Departamento de Sociologia da UMinho
Helena Machado, doutorada em Sociologia, integra a equipa de investigadores do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra que, em 2010, realizou um estudo acerca da base de dados genéticos, vigente em Portugal desde o ano de 2008, bem como as suas implicações.Com publicação prevista para 2013, o livro "Tracing Technologies: Prisoners' Views in the Era of CSI" da cientista social britânica Barbara Prainsack e da socióloga Helena Machado, reúne resultados do estudo "Base de dados de perfis de ADN com propósitos forenses em Portugal - Questões atuais de âmbito ético, prático e político", conduzido pela socióloga em associação com investigadores do CES da Universidade de Coimbra. Este baseou-se na opinião de reclusos de Braga, Guimarães e Paços de Ferreira relativamente à existência de uma base de dados genéticos com fins forenses. Ao contrário do espectável, o feedback recolhido foi surpreendente…
A socióloga concluiu que os portugueses aceitariam a introdução do perfil de ADN no Cartão de Cidadão/Bilhete de Identidade, seguindo, assim, a tendência internacional.
É importante esclarecer que já se encontra em vigor, em Portugal, uma base de dados genéticos, criada em 2008, a qual pretendia, inicialmente, pautar-se pela universalidade, no sentido de incluir toda a população portuguesa. Assim, aproveitando a amostra recolhida aquando do teste de Guthrie, mais usualmente conhecido como “teste do pezinho”, seria traçado o perfil genético de todos indivíduos nascidos em Portugal, o qual seria, posteriormente, inserido na referida base de dados e constaria no Cartão de Cidadão de cada indivíduo. Contudo, a lei aprovada a 1 de Fevereiro de 2008 atribui a esta base de dados fins exclusivamente forenses, pelo que se limita a reunir os perfis genéticos de indivíduos envolvidos em processos criminais.
A Legislação Portuguesa
ADN não codificante
A legislação portuguesa apenas permite a obtenção de ADN não codificante. Este tipo de ADN constitui o nosso património genético que não codifica nenhuma proteína responsável pelas nossas características fenotípicas, apenas serve de referência para posteriores comparações com outras amostras.
Impõe-se, assim, a questão: quais as condições para que um determinado perfil genético seja incluído nesta mesma base de dados? Em primeira instância, admite-se “a recolha de amostras em pessoas para fins de identificação civil, designadamente em parentes de pessoas desaparecidas”, o qual “carece de consentimento livre, informado e escrito”. Assim, proceder-se-ia à comparação da pessoa em questão, após o seu aparecimento, com o seu alegado parente, de modo a comprovar-se, ou não, a sua identidade.

A legislação que regula a base de dados genéticos portuguesa foi aprovada pela Assembleia da República a 1 de Fevereiro de 2008
Contudo, a legislação portuguesa difere da inglesa, usada como referência no estudo da socióloga Helena Machado, num ponto fulcral: se por um lado a legislação britânica prevê a conservação de perfis de ADN e dados pessoais de qualquer indivíduo considerado suspeito, inclusive de delitos menores, a sua congénere portuguesa apenas admite a conservação e consequente admissão numa base de dados de perfis genéticos “de pessoas condenadas em processo-crime, por decisão judicial transitada em julgado”. Assim, de acordo com a opinião de Helena Machado, “a lei portuguesa compromete a eficácia da base de dados porque a restringe demasiado”, verificando-se um “desrespeito pelo direito da igualdade”.

Outras condicionantes prendem-se com a falta de informação por parte dos magistrados e os preços inflacionados praticados pelas entidades competentes pela recolha das amostras e seu tratamento laboratorial, designadamente o Laboratório de Polícia Científica da Polícia Judiciária e o Instituto Nacional de Medicina Legal (INML), com sede em Coimbra. O reduzido número de ações de formação para os juízes, as quais são pagas e apenas acessíveis a magistrados com um determinado número de anos de carreira, impõem-se como obstáculos ao eficaz funcionamento da base de dados. Para além destes, uma outra condicionante resulta do facto dos laboratórios responsáveis pelas análises laboratoriais encararem este serviço público como uma oportunidade de negócio, pelo que o preço da obtenção e tratamento da amostra atinge, facilmente, os 200 euros para uma análise simples e os 700 euros no caso de a amostra ser mais reduzida ou de difícil análise. Como termo de comparação, a socióloga refere os preços praticados em Inglaterra, onde o preço tabelado para a recolha e análise de uma amostra simples ronda os 35 euros, e Israel, onde, contrariamente ao que se poderia pensar, igual prática apresenta, como preço máximo, 50 euros.
Opiniões “atrás das grades”

Com o objectivo de divulgar os resultados do estudo, foi criado o site http://dnadatabase.ces.uc.pt/
Numa segunda fase, a socióloga procedeu à entrevista de 31 reclusos dos estabelecimentos prisionais de Braga, Guimarães e Paços de Ferreira sobre a sua perceção da base de dados genéticos criada em 2008. Foi nesta fase que Helena Machado chegou a conclusões inesperadas: “eu prefiro que o meu perfil nunca seja removido da base de dados”, afirmou a maioria dos reclusos, contrariando a perspetiva atual, na qual os perfis genéticos que constam da base de dados são removidos “no termo do processo-crime ou no fim do prazo máximo de prescrição do procedimento criminal”.
“Os presos têm uma visão muito negativa dos tribunais, dos juízes, dos advogados e também do trabalho policial, e dizem que, uma vez condenados pela prática de um crime, vão ser sempre os suspeitos do costume”, revela Helena Machado. Esta é, assim, a justificação apresentada pelos reclusos, que reiteram a sua opinião afirmando “Se o meu perfil estiver na base de dados, posso provar a minha inocência. Isso protege-me das práticas incriminatórias da polícia”.
Perspectivas para o Futuro
Embora, atualmente, a base de dados esteja a ser encarada unicamente como um instrumento punitivo, o estudo da socióloga Helena Machado vem alargar horizontes e introduz uma nova perspetiva: a nossa impressão genética não serve apenas para nos incriminar, mas, também, para provar a nossa inocência.
Esta mudança de paradigma veio despertar consciências, no sentido da necessidade de uma desburocratização do processo de inserção de perfis genéticos na base de dados. Contudo, no atual contexto económico nacional, a revisão da atual lei é relegada para segundo plano.
Tendo em conta que esta é uma questão que se relaciona com o respeito pela liberdade individual de todo e qualquer cidadão, não deveria esta discussão ser alargada à sociedade civil?
Do Mimo ao Machine to Machine
A PT Inovação surgiu em 1999 como uma empresa individualizada, contudo, a sua história data muito antes desse ano. Com quase 50 anos de experiência, a PT Inovação investiu desde cedo na investigação e desenvolvimento das telecomunicações. Com sede em Aveiro, o seu principal lema é a promoção e justificação do futuro e alia a Inovação ao Conhecimento através do desenvolvimento de novos produtos, da implementação de novos processos e da criação de novos mercados. É em 1995 que a TMN (uma das divisões da PT) lança o MIMO, o primeiro caso de sucesso da PT Inovação. O MIMO foi o primeiro cartão pré-pago do Mundo e foi um contributo essencial para o desenvolvimento dos telemóveis.
O mercado da PT não se restringe apenas a Portugal. De facto, em Portugal o número de clientes (cerca de 7 milhões) é muito reduzido comparativamente ao que acontece no Brasil. Com cerca de 60 milhões de clientes, a “Oi!” é uma das empresas estrangeiras geridas pela PT. Outros países se juntam à lista, como o Equador, a Venezuela e a Argélia.
De facto, a investigação e desenvolvimento constituem um fator fundamental no Grupo PT, uma vez que este é o centro de todo o progresso tecnológico. Relativamente à investigação, os projetos da PT Inovação – projetos comunitários, projetos de IST (Information Society Technologies) e programas nacionais que incentivam a inovação – procuram alcançar algo nunca antes visto. Todos os avanços até agora concretizados pela PT Inovação não seriam possíveis sem o auxílio das suas parcerias, nomeadamente o INESC (Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores) e o Instituto Telecomunicações.
Na área da investigação, a Comunicação Máquina com Máquina (Machine to Machine) proporciona o uso da Internet de forma que seja possível programar outras máquinas para algum funcionamento específico. Temos como exemplo os sensores que estão localizados dentro de casa e que medem a temperatura do interior e do exterior. Através do acesso à Internet, é possível estabelecer a temperatura pretendida no interior de casa.
Assim, é possível afirmar que este sistema melhora o bem-estar através da manipulação de outros aparelhos para que funcionem de acordo com o que se deseja. Não só o uso da Internet se encontra presente neste âmbito em concreto, mas também noutros dispositivos para além dos computadores como por exemplo, telemóveis, televisões, frigoríficos e, futuramente, consolas. Deste modo, a qualquer momento e onde quer que se esteja a Internet está sempre presente.
Um serviço inovador da PT Inovação e que continua a evoluir no âmbito da investigação é o MEO. Sendo um serviço cuja publicidade tem a intervenção do grupo de comediantes ‘Gato Fedorento’, o MEO tem um papel essencial na PT Inovação, pois existe cada vez mais adesão por parte das pessoas, ultrapassando 1 milhão de clientes.
O MEO está disponível em quatro tecnologias que permitem o acesso à Internet e à Televisão: MEO Fibra, MEO ADSL, MEO Satélite e MEO GO!, sendo este último o mais recente. Os últimos serviços do MEO lançados no mercado foram os seguintes: o MEO Jogos, que permite aos clientes da fibra ótica MEO ou Sapo obter diversos jogos de alta qualidade a baixo custo; o Restart TV que assegura aos clientes a visualização de um programa num horário que considerem conveniente, mesmo que este já tenha sido emitido e o MEO Online que garante o acesso à televisão MEO a qualquer computador com banda larga.
Estes novos serviços proporcionam entretenimento de forma eficaz, conveniente e inovadora.
Como cidadãos preocupados com o ambiente que nos rodeia, é do nosso interesse os assuntos que estão relacionados com a sustentabilidade ambiental e as formas de a promover.
Por ser considerada uma empresa responsável no domínio da sustentabilidade ambiental, a Portugal Telecom foi destacada no Dow Jones Sustainability World Index devido aos vários projetos concretizados nesse âmbito. Entre eles, os principais são a adoção de sistemas de ‘free cooling’, que têm como principal objetivo a redução dos consumos energéticos evitando o funcionamento de máquinas de ar condicionado por longos períodos de tempo; a alteração dos sistemas de iluminação é outro dos projetos que substitui lâmpadas de incandescência por lâmpadas economizadoras com níveis de ajuste de intensidade e deteção de presença. Por fim, o controlo do consumo de água pretende reduzir o consumo da água até 70% através da instalação de sistemas de regulação de caudal e temporizados.
A PT Inovação percorreu um caminho de muitos avanços nos últimos 50 anos, procurando melhorar a vida de todos, desde Portugal ao Brasil, da Venezuela ao Equador. Esta empresa que tem contribuído para o desenvolvimento tecnológico partiu de algo tão simples como o mimo para alcançar a grandeza do machine-to-machine, criou muito em muito pouco tempo, interagindo com tudo e todos, desde a MEO à TMN.
No entanto, o que permitiu que esta empresa alcançasse o inesperado, foi a sua capacidade inovativa, foi a inovação, foi a arte de criar algo diferente.
Assim nasceu e se perpetuou uma das empresas mais importantes em termos tecnológicos do nosso país, inovou e venceu todas as barreiras inexistentes e existentes, alcançou aquilo que poucos alcançaram: o melhoramento da vida dos outros, conseguindo tudo em prol do bem comum. E é através da investigação e das suas parcerias que tudo o que conseguiu até hoje foi possível.
Do Mimo ao Machine-to-Machine
Por Letras Científicas
Escondida num dos muitos edifícios do Tagus Park, encontra-se a PT inovação, uma empresa empenhada em provar que o que vemos nos filmes de ficção científica se pode tornar realidade através da sua complexa investigação desde 1999.
Rio Caima - Uma beleza natural ou um perigo para a saúde pública?
Uma reportagem sobre o problema ambiental do rio Caima, em Oliveira de Azeméis.
Um grupo de jovens da Soares Basto, decidiu investigar as condições ambientais do rio Caima com o objectivo de identificar possíveis anomalias ambientais. Este rio nasce na Serra da Freita, na freguesia de Albergaria da Serra e desagua na margem do rio Vouga.
Rio Caima - Uma beleza natural ou um perigo para a saúde pública?
Uma reportagem sobre o problema ambiental do rio Caima, em Oliveira de Azeméis.
17 de Novembro de 2011
15:00h
Um grupo de jovens da Soares Basto, decidiu investigar as condições ambientais do rio Caima com o objectivo de identificar possíveis anomalias ambientais. Este rio nasce na Serra da Freita, na freguesia de Albergaria da Serra e desagua na margem do rio Vouga. Depois de uma viagem atribulada pelas densas florestas de Palmaz, freguesia de Oliveira de Azeméis, os investigadores encontraram o hotel “Vale do Rio”, conhecido pelo seu contributo na preservação do rio, que passa por este estabelecimento hoteleiro.
15:32h
Fig. 2 – Barragem do rio Caima
Depois de terem apreciado a arquitectura paisagística do hotel, os exploradores seguiram o curso do rio, passando por uma pequena barragem abandonada, onde se depararam com os primeiros indícios de poluição do rio. Foram encontrados objectos de uso quotidiano, como simples sacos de plástico até peças de vestuário.
15:52h
Fig. 2 – “Praia fluvial” de Ossela
Fig. 3 – Praia fluvial de Ossela
Após o choque inicial, o grupo, prosseguiu com a exploração detalhada das redondezas do rio, até à freguesia de Ossela, onde encontrou uma “praia fluvial” num estado degradante, no entanto muito utilizada pelos habitantes locais durante a época balnear. O rio que passava pela praia fluvial tinha um caudal reduzido e as margens estavam com lixo. O grupo decidiu acabar então o seu percurso “ambiental” e decidiram contactar com os responsáveis da monitorização do ambiente para encontrar causas e soluções para os problemas encontrados.
No dia 24 de Novembro, pelas 14:30h, o grupo entrevistou a Sr.ª Eng.ª Ândrea da Silva da Divisão Municipal do Ambiente e Conservação da Natureza, da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, responsável pelo cumprimento das leis no âmbito da biopreservação do espaço natural do concelho. A seguinte entrevista é um excerto daquilo que foi discutido com a Sr.ª Eng.ª.
P – Alunos
R – Sr.ª Eng.ª Ândrea da Silva
P - Qual o grau de poluição do rio Caima?
R - (…) Em termos ecológicos e da qualidade da água, eles [indivíduos do Plano de bacia hidrográfica do Vouga] classificavam que não era muito bom. Mas ao longo dos anos, as cargas industriais têm vindo a diminuir, pois havia muitas, principalmente na altura das férias. Nós inicialmente tivemos algumas denúncias e detectamos algumas situações, mas ultimamente não.
Neste Verão não foram detectadas nenhumas situações no rio Caima. Infelizmente, também há umas cargas domésticas, pois onde não existem saneamentos, as pessoas não se limpam e por acaso naquela zona não há muita cobertura de saneamento, ou seja, tem que haver tratamento próprio através de fossas e, muitas vezes, as pessoas descarregam para a rede de águas fluviais para não ter que pagar a externa e ao descarregar para as redes de águas fluviais, esta vai ser canalizada para o rio. Por isso acho que a população necessita muito de ser sensibilizada… Mas é muito difícil detectarmos, pois temos que andar a investigar quando há descargas e quando chega ao rio a descarga já acabou no ponto de origem sendo um processo muito demoroso.
P - A construção do hotel influenciou a preservação do rio Caima?
R - (…) É uma mais-valia no sentido em que houve uma parte das margens que foram reparadas que estavam ao abandono que é o mal da maior parte… o hotel vai produzir esgotos e têm um ETAR que terá que funcionar para fazer o tratamento desses esgotos e depois descarregar no rio. Até agora não identificamos um foco poluidor, por isso posso dizer até agora que foi uma mais-valia.
P - Qual a sua opinião sobre a “praia fluvial” em Ossela?
R - Bem, aquilo não é uma praia fluvial. Para ser uma praia fluvial precisa de preencher um certos requisitos, tem que ser feitas análises ao longo do tempo e provar que tem qualidade para ser uma praia fluvial. Esse é um dos projectos do Presidente da Junta de Freguesia de Ossela que, desde há muitos anos, pretende que seja feito… mas para isso tem que ter infra-estruturas, condições, autorizações, entidades específicas, o que torna tudo um processo demoroso, mas sei que é uma das intenções do Presidente da Junta (…) e em relação ao turismo, teria muito a ganhar.
(No final da entrevista, a entrevistada surpreendeu o grupo ao referir a existência de uma profissão designada guarda-rios). Antigamente havia guarda-rios, não pertencentes à Câmara e eles estavam constantemente a fiscalizar as linhas de água. Foi uma coisa que se perdeu e que deixou de existir e acho que foi uma grande perda, porque esses sim, eram específicos para as linhas de água, enquanto nós da Câmara não podíamos sempre andar nelas. Eles sabiam tudo, iam às empresas, chamavam à atenção, por isso o rio estava muito mais controlado. Eles já não existem devido a cortes financeiros e porque essa competência agora pertence mais à GNR.
Após a análise dos dados recolhidos e da entrevista com a Sr.ª Eng.ª Ândrea, os estudantes oliveirenses concluíram que o grau de poluição do rio Caima deve-se principalmente a acções passadas, como é o caso da fábrica de papel do Caima, que contribuiu significativamente para o estado degradante do rio. Actualmente a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis em conjunto com a Bacia Hidrográfica do Vouga e a GNR monitorizam a área natural do concelho e fiscalizam as empresas locais no sentido de verificar se todas as normas de higiene e segurança são cumpridas. E podemos afirmar que apesar do grau de poluição no rio Caima, este não aparenta representar um perigo eminente para a saúde pública.
Relativamente aos guarda-rios apesar de ser uma profissão esquecida é bastante útil na constante e rigorosa monitorização dos rios assegurando a sua permanente qualidade e alertando as devidas autoridades em caso de alguma irregularidade e deveria ser restituída.
Fig. 1 – Hotel “Vale do Rio”
Rio Caima - Uma beleza natural ou um perigo para a saúde pública?
Uma reportagem sobre o problema ambiental do rio Caima, em Oliveira de Azeméis.
Rio Caima - Uma beleza natural ou um perigo para a saúde pública?
Um grupo de jovens da Soares Basto, decidiu investigar as condições ambientais do rio Caima com o objectivo de identificar possíveis anomalias ambientais. Este rio nasce na Serra da Freita, na freguesia de Albergaria da Serra e desagua na margem do rio Vouga.
17 de Novembro de 2011
15:00h
Fig. 1 – Hotel “Vale do Rio”
Um grupo de jovens da Soares Basto, decidiu investigar as condições ambientais do rio Caima com o objectivo de identificar possíveis anomalias ambientais. Este rio nasce na Serra da Freita, na freguesia de Albergaria da Serra e desagua na margem do rio Vouga. Depois de uma viagem atribulada pelas densas florestas de Palmaz, freguesia de Oliveira de Azeméis, os investigadores encontraram o hotel “Vale do Rio”, conhecido pelo seu contributo na preservação do rio, que passa por este estabelecimento hoteleiro.
15:32h
Fig. 2 – Barragem do rio Caima
Depois de terem apreciado a arquitectura paisagística do hotel, os exploradores seguiram o curso do rio, passando por uma pequena barragem abandonada, onde se depararam com os primeiros indícios de poluição do rio. Foram encontrados objectos de uso quotidiano, como simples sacos de plástico até peças de vestuário.
15:52h
Fig. 2 – “Praia fluvial” de Ossela
Fig. 3 – Praia fluvial de Ossela
Após o choque inicial, o grupo, prosseguiu com a exploração detalhada das redondezas do rio, até à freguesia de Ossela, onde encontrou uma “praia fluvial” num estado degradante, no entanto muito utilizada pelos habitantes locais durante a época balnear. O rio que passava pela praia fluvial tinha um caudal reduzido e as margens estavam com lixo. O grupo decidiu acabar então o seu percurso “ambiental” e decidiram contactar com os responsáveis da monitorização do ambiente para encontrar causas e soluções para os problemas encontrados.
No dia 24 de Novembro, pelas 14:30h, o grupo entrevistou a Sr.ª Eng.ª Ândrea da Silva da Divisão Municipal do Ambiente e Conservação da Natureza, da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, responsável pelo cumprimento das leis no âmbito da biopreservação do espaço natural do concelho. A seguinte entrevista é um excerto daquilo que foi discutido com a Sr.ª Eng.ª.
P – Alunos
R – Sr.ª Eng.ª Ândrea da Silva
P - Qual o grau de poluição do rio Caima?
R - (…) Em termos ecológicos e da qualidade da água, eles [indivíduos do Plano de bacia hidrográfica do Vouga] classificavam que não era muito bom. Mas ao longo dos anos, as cargas industriais têm vindo a diminuir, pois havia muitas, principalmente na altura das férias. Nós inicialmente tivemos algumas denúncias e detectamos algumas situações, mas ultimamente não.
Neste Verão não foram detectadas nenhumas situações no rio Caima. Infelizmente, também há umas cargas domésticas, pois onde não existem saneamentos, as pessoas não se limpam e por acaso naquela zona não há muita cobertura de saneamento, ou seja, tem que haver tratamento próprio através de fossas e, muitas vezes, as pessoas descarregam para a rede de águas fluviais para não ter que pagar a externa e ao descarregar para as redes de águas fluviais, esta vai ser canalizada para o rio. Por isso acho que a população necessita muito de ser sensibilizada… Mas é muito difícil detectarmos, pois temos que andar a investigar quando há descargas e quando chega ao rio a descarga já acabou no ponto de origem sendo um processo muito demoroso.
P - A construção do hotel influenciou a preservação do rio Caima?
R - (…) É uma mais-valia no sentido em que houve uma parte das margens que foram reparadas que estavam ao abandono que é o mal da maior parte… o hotel vai produzir esgotos e têm um ETAR que terá que funcionar para fazer o tratamento desses esgotos e depois descarregar no rio. Até agora não identificamos um foco poluidor, por isso posso dizer até agora que foi uma mais-valia.
P - Qual a sua opinião sobre a “praia fluvial” em Ossela?
R - Bem, aquilo não é uma praia fluvial. Para ser uma praia fluvial precisa de preencher um certos requisitos, tem que ser feitas análises ao longo do tempo e provar que tem qualidade para ser uma praia fluvial. Esse é um dos projectos do Presidente da Junta de Freguesia de Ossela que, desde há muitos anos, pretende que seja feito… mas para isso tem que ter infra-estruturas, condições, autorizações, entidades específicas, o que torna tudo um processo demoroso, mas sei que é uma das intenções do Presidente da Junta (…) e em relação ao turismo, teria muito a ganhar.
(No final da entrevista, a entrevistada surpreendeu o grupo ao referir a existência de uma profissão designada guarda-rios). Antigamente havia guarda-rios, não pertencentes à Câmara e eles estavam constantemente a fiscalizar as linhas de água. Foi uma coisa que se perdeu e que deixou de existir e acho que foi uma grande perda, porque esses sim, eram específicos para as linhas de água, enquanto nós da Câmara não podíamos sempre andar nelas. Eles sabiam tudo, iam às empresas, chamavam à atenção, por isso o rio estava muito mais controlado. Eles já não existem devido a cortes financeiros e porque essa competência agora pertence mais à GNR.
Após a análise dos dados recolhidos e da entrevista com a Sr.ª Eng.ª Ândrea, os estudantes oliveirenses concluíram que o grau de poluição do rio Caima deve-se principalmente a acções passadas, como é o caso da fábrica de papel do Caima, que contribuiu significativamente para o estado degradante do rio. Actualmente a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis em conjunto com a Bacia Hidrográfica do Vouga e a GNR monitorizam a área natural do concelho e fiscalizam as empresas locais no sentido de verificar se todas as normas de higiene e segurança são cumpridas. E podemos afirmar que apesar do grau de poluição no rio Caima, este não aparenta representar um perigo eminente para a saúde pública.
Relativamente aos guarda-rios apesar de ser uma profissão esquecida é bastante útil na constante e rigorosa monitorização dos rios assegurando a sua permanente qualidade e alertando as devidas autoridades em caso de alguma irregularidade e deveria ser restituída.
Queiriga-Vila Nova de Paiva
Parque Botânico Arbutus do Demo
Uma beleza extravagante
Por João Vicente, Cátia Rochinha e Diana Lages
O parque Botânico Arbutos do Demo em Vila Nova de Paiva é um dos mais emblemáticos projetos deste concelho do norte do País, distrito de Viseu, sendo este também um dos mais significativos e desenvolvidos das últimas décadas, sobretudo pelo seu caráter pluridisciplinar, abrangendo as áreas do lazer. Ambiente, turismo, cultura e ciência, pela quantidade de espécies botânicas existentes nesse parque.
O que lá podemos encontrar? No parque podemos encontrar mais de um milhar de espécies botânicas diferentes que estão dispostas por famílias, usos etnobotânicos e industriais, propriedades medicinais e características aromáticas.
Onde está instalado? Este parque instalado nos terrenos do antigo Viveiro Florestal de Queiriga. A sua reabilitação resulta de uma parceria no âmbito do Programa Interreg III B Sudoe, em que participam o Município de Vila Nova de Paiva e os promotores Beirambiente (Guarda), Espanha (Burgos) e França (Chaise Dieu).
Porque foi criado? O Arbutos do Demo foi pensado e criado para responder de uma forma integrada. A estratégia deste parque assenta na reconstrução da paisagem natural e antropogénica das terras altas do Paiva. A presença no parque de uma linha de água com plantas autóctones, de um prado de aluvião natural e de um pequeno lago onde as espécies animais ripícolas vivem e interagem, asseguram alguns dos pólos de interesse do parque.
Encontramos ainda algumas estruturas de apoio, desde uma sala de interpretação audiovisual, a um pequeno parque infantil, parque de merendas, cais para pesca e um parque astronómico.
O pastoreio e a apicultura são actividades desenvolvidas no âmbito do Parque e, com o objectivo de conferir maior visibilidade ao espaço e dinamizar a actividade dos artesãos locais, está prevista a produção e comercialização. O Município de Vila Nova de Paiva inaugurou o Parque Botânico Arbutus do Demo, a 10 de maio de 2008. Na cerimónia de inauguração participou o Secretário de Estado Adjunto da Administração Local, Eduardo Cabrita.
Nesta cerimónia discursaram: Paulo Barrancosa, coordenador científico, que realçou a importância do projeto, o autarca José Manuel Custódio agradeceu a presença dos participantes e falou do projeto, enquanto Eduardo Cabrita deu os parabéns ao município pelo projeto e prometeu ajuda na realização de projetos futuros do parque. Interessante nesta inauguração foi o fato de a tesoura para cortar a fita inaugurar ter sido segundo relatos dos presentes, transportada por um falcão.
No parque podemos passar pela Casa dos Cantoneiros, espaço que se destina ao alojamento de quem queira pernoitar no Parque e em contato com a natureza.A criação do Parque Botânico Arbutus do Demo irá permite que o município de Vila Nova de Paiva reforce o seu tão estimável título de "Capital Ecológica".
Este parque Botânico serve também para homenagear todas "as gentes do paiva" que na construção do parque sobre o lema de Aquilino Ribeiro "alcança quem não cansa".
O sucesso do parque é vital e muito importante para a valorização do património natural, o qual pode ser aproveitado para o empreendimento turístico de concelho.
O lema do parque "Viver Nova Paixão" reflete as sensações que a natureza neste local nos transmite e a imaginação humana quando se visita o parque.
É visitado no Verão sobretudo por escolas do concelho, visitas em que nós já participamos.
Espaço Internet de Tabuaço, uma mais-valia a visitar
A vila de Tabuaço ganhou um novo e tão necessário espaço, o Espaço Internet, um projecto que teve início no ano de2001 e que abriu ao público em Julho de 2001.
O Espaço Internet de Tabuaço foi construído devido à pequena quantidade de pessoas que possuíam acesso à Internet no início do século XXI. Este projecto surgiu através de um programa criado pela FCT (Fundação para a Ciência e Tecnologia), apoiado pelos Fundos Comunitários (PRODER) e pela Câmara Municipal de Tabuaço.

Trata-se de um espaço agradável e convidativo. Possui mesas com computadores em redor do compartimento, uma mesa central na qual os utentes podem utilizar os seus computadores portáteis, bem como na mesa do responsável pelo espaço. É um espaço muito importante para a população desse concelho visto que nem todas as pessoas têm acesso à Internet ou possuem computador. Assim, este espaço aproxima a população da informática, da informação, do conhecimento e como a sua utilização é gratuita, tal incentiva mais os tabuacenses. Segundo podemos apurar junto do responsável pelo espaço, “a adesão a este projecto é boa, sendo que a sua afluência é, em média, de 12000 utilizadores por ano”. Anualmente, a Câmara Municipal de Tabuaço despende para a manutenção do espaço, ou seja, electricidade, Internet, dois funcionários que supervisionam o espaço, uma média de vinte e quatro mil euros, sendo o espaço propriedade da Câmara Municipal e, por isso, não paga renda. A vigilância deste espaço e controlo dos utilizadores é feita por dois funcionários, com turnos diários alternados. O espaço Internet é utilizado maioritariamente pelos mais jovens, mas os mais velhos também usufruem deste espaço, através dos cursos de informática existentes. Pode-se realizar todo o tipo de actividades, visitar todo o tipo de sites com excepção de sites pornográficos, abusivos, de downloads ilegais ou com cariz ilícito, proceder à impressão de documentos, sendo por este serviço cobrada uma módica quantia. Até à data, já foram relatados casos de incumprimento das regras, mais precisamente acesso a sites de pornografia por menores, levando à expulsão destes e posterior proibição ao acesso a este espaço durante uns meses.
Pelo exposto, o Espaço Internet constitui uma mais-valia para os tabuacenses, um investimento que valeu a pena e continua a beneficiar esta gente. Um espaço que abre uma janela para o mundo e uma porta para o futuro.
Uma obra misteriosa
Rijomax- O relógio mais completo do mundo
O Mundo dentro de um relógio
Em Tabuaço, muito próximo do rio Douro e no coração das vinhas que fazem o tão famoso vinho do porto, existe um relógio único o Rijomax este e considerado o relógio mais completo e complexo do mundo.
O Rijomax acrónimo de Ribeiro José Amândio, foi elaborado por José Amândio Ribeiro que com o seu saber e persistência construiu a máquina mais completa e complexa já alguma vez vista. Um relógio que não há igual.
Já em pequenino José Amândio Ribeiro mostrava interesse por rodas de madeira, foi então que aos doze anos decidiu trabalhar numa relojoaria em Trancoso. Em 1933, com apenas vinte e um anos de idade estabeleceu-se na Vila de Tabuaço e a partir desse momento iniciou a sua obsessão em construir um relógio diferente de todos os outros.
Durante trinta anos reservou todo o seu tempo para concretizar este projecto. E assim ao fim 16 mil horas de trabalho intenso, desde 1945 até 1973, às voltas do Sol, da Lua, da Terra, das estrelas, das sombras e de todo um conjunto de objectos e materiais revelou finalmente a sua obra-prima, com dois metros e pouco de altura, e cerca de um metro de largura.
O Rijomax está equipado com vários mostradores para marcarem o horário do Sol, da Lua e de outros. Para marcar todas estas datas, esta magnifica obra contêm mais de 16 mil algarismos e letras. Este relógio marca segundos, minutos, horas, o fuso horário, a hora Solar, a legal, de acordo com o horário de Verão e de Inverno, suprime 24 horas de 128 em 128 anos e conta a Era até um milhão de anos sucessivos. Marca ainda o Nascer e o Pôr-do-sol as horas regulares com luz, marca o dia e a noite, os Equinócios, os Solestícios e as fases da Lua. Esta obra misteriosa tem o movimento da Terra que faz crescer e decrescer os dias e que regula os indicadores do Nascente e Poente e ainda os marcadores de quantas horas e minutos tem o dia e a noite.
Já entrou até no Guiness Book e tem fama mundial. Nomeadamente, peritos da relojoaria Suíça e norte-americana já o contemplaram e o confirmaram como sendo o relógio mais completo e mais complexo de todo o mundo.
Esta poderosa máquina poderia funcionar durante milhares de anos com margens de erro mínimas, «…só lhe falta prever o futuro…» comentou o Vice-Presidente do Município de Tabuaço, José João Patrício.
Amândio José Ribeiro faleceu sem revelar o segredo do funcionamento do relógio, quem sabe se um dia alguém o descobrirá.
Flavienses surpreendidos por jovens cientistas
Por Telegeornal
"O que faría se fosse ciêntista" foi a questão a que se tentou responder com a ajuda de alguns habitantes da cidade de Chaves.
As respostas variaram. E a principal preocupação não é o sol para os dias mais escuros, nem o calor para os tempos mais frios, que em Novembro, altura em que a pergunta saiu para a rua, se faz sentir. É o bem-estar e o que com ele se relaciona.
O Sr. Rodrigues tem um pensamento que não o abandona desde os 14 anos: «solidificar a água sem a congelar», conta. Aos 68 ainda não o conseguiu, mas nem por isso tenciona desistir. O proprietário do Café Santa Maria, que tem por hobby a fotografia, ainda sonha com este logro que espera concretizar em breve.
Mesmo que não tivéssemos lido o letreiro, a resposta do Sr. José Esteves à questão destas jovens jornalistas de ciência não deixaria margem para dúvidas, estávamos num talho e este flaviense, se fosse cientista, queria encontrar uma
solução que garantisse a melhor qualidade da carne.Do quiosque do largo do Arrabalde o Sr. Costa vê os que por ali passam, vende uns bilhetes da lotaria, conversa com os que param e tem sempre um aceno para os que mesmo ao longe já conhece. À nossa pergunta respondeu «inventava uma vacina para o cancro» e acrescentou a modo de justificação «tenho visto partir muitos». Pela forma como fuma o seu descansado cigarro Sónia Lopes não parece temer esse facto, mas quando lhe colocámos a mesma questão, foi perentória. «Arranjava um método instantâneo para deixar de fumar».
O movimento dos correios anima a Praça General Silveira e foi lá, na sede dos CTT (Correios, Telégrafos e Telefones), que a Sra. Mª José Pires, de 46 anos, disse que se trocasse as cartas pelas provetas tentaria descobrir a cura para o cancro da mama.
Num tempo em que o comportamento dos alunos é facilmente manchete de jornais, a Professora Cidália Pires, de 40 anos, não hesitou em apontar a «fórmula para aumentar a concentração dos alunos» como a descoberta da sua vida, caso a conseguisse encontrar. Nas aulas que leciona (Tecnologias da Informação e da Comunicação) as distrações são mais do que muitas e por isso, diz a Professora, «a concentração seria a chave do sucesso».
Nada naquele sítio é novo a não ser as borrachas e as linhas. Os sapatos têm a sola gasta, as botas estão descosidas e o Sr. Joaquim Pereira conta já 71 anos. Isto não o preocupa. Cura de tudo um pouco, no que toca ao que podemos trazer nos pés, mas se lhe dessem essa oportunidade, o que ele gostava mesmo era de “inventar uma pessoa que inventasse uma vacina contra a SIDA”, conta.
O que a uns não preocupa é para outros o busílis da questão. Manuela Soares, de 48 anos, sonha com um medicamento para retardar o envelhecimento e por isso se fosse cientista «nem que fosse apenas por um dia» era isto que «tentaria inventar», talvez por isso use sempre como argumento quando pretende vender mais um par de óculos de sol na sua loja, os efeitos nocivos que este pode ter sobre os olhos e sobre a pele. Não se pense que esta é uma preocupação que afeta apenas o sexo feminino, Luís Alves, (de costas na imagem por motivos profissionais) de 47 anos e comandante da Divisão Policial de Chaves, também a partilha e «gostava de descobrir a fonte da juventude» para que «as pessoas chegassem aos 30 e não passassem daí».
O que faria se fosse cientista? É uma pergunta sem respostas certas ou erradas, em que mais do que a criatividade o que se joga é a necessidade, e mais do que os sonhos da infância o que parece ditar as respostas são as experiências de vidas, que embora diferentes podem desaguar em respostas semelhantes.
Quimica no ar
Química no ar
Quando falamos sobre química no ar pensamos imediatamente no efeito de estufa e na destruição da camada de ozono, no entanto, existem inúmeras reacções químicas que ocorrem no ar, como por exemplo, reacções redox, combustões e até dissociações.
À luz destes factos, decidimos elaborar um texto que detalhasse um destes processos, a destruição da camada de ozono, por ser um tema de interesse global.
Como todos sabemos, a Terra é constantemente bombardeada por raios solares constituídos por radiações infravermelhas e ultravioletas, sendo estas últimas nocivas à vida. Felizmente a Terra desenvolveu um escudo contra essas radiações e esse escudo chama-se atmosfera. A atmosfera é constituída por quatro camadas, a troposfera, a estratosfera, a mesosfera e a termosfera, enumeradas por ordem crescente de altitude.
As radiações infravermelhas são absorvidas pelos componentes da atmosfera e pela própria Terra, porém as radiações ultravioleta mais nocivas (de maior energia, as UV C e UV B) são absorvidas apenas na estratosfera pela camada de ozono (sendo as UV C também absorvidas na termosfera).
A camada de ozono é uma camada que envolve a Terra e encontra-se na estratosfera. Esta camada, como já foi referido acima, absorve as radiações UVC e UVB, que caso não fossem absorvidas, aumentariam muito o risco de aparecimento de cancro da pele, cataratas, depressão do sistema imunitário, alem de alterações em outros ecossistemas terrestres e aquático.
Mas como se formou a camada de ozono? A resposta é muito simples. As radiações solares ao chegarem à terra têm dois efeitos: um efeito térmico (as partículas utilizam a energia das radiações solares para aumentarem a sua energia cinética, o que faz aumentar a sua temperatura) e um efeito químico (as partículas absorvem as radiações solares e utilizam-nas para desencadearem reacções químicas).
Fig. 1- Localização da camada de ozono
A camada de ozono formou-se através de duas reacções muito simples impulsionadas pelo efeito químico das radiações UV.
Primeira reacção: fotodissociação das moléculas de oxigénio
UV
O2 ⇒ O . + O .
Segunda reacção: radical oxigénio O . combina-se com moléculas de oxigénio, originando o ozono.
O . + O2 . ⇒ O3
Para compreendermos melhor estas reacções temos que ter em conta que a molécula de ozono é uma molécula que gera facilmente radicais livres quando exposta a radiações UV. Mas o que são radicais livres? É muito simples, radicais livres são moléculas que possuem um electrão livre na sua estrutura química e devido à presença desse electrão estas moléculas tornam-se muito reactivas.
Devido à instabilidade da molécula de ozono esta tem tendência a reagir com estes radicais livres decompondo-se em oxigénio. Assim podemos agora compreender que o ozono se forma e destrói naturalmente porém, existem compostos que aceleram a sua decomposição, em especial os principais osCFC (clorofluorocarbonetos) e também os óxidos nitrosos (combustão de motores) que, são inertes até chegarem á estratosfera onde, ao serem bombardeados pelas radiações UV, vão formar radicais livres que, por sua vez, vão reagir com o ozono decompondo-o.
Decomposição natural do ozono:
Primeira reacção: fotodissociação das moléculas de ozono
UV
O3⇒ O . + O2
Segunda reacção: Os radicais livres de oxigénio O . reagem com moléculas de ozono
O . + O3 ⇒ 2O2
Fig. 2 – Destruição natural do ozono.
Decomposição por acção dos CFC: Está dividida em dois passos primeiro a decomposição dos CFC e em seguida a decomposição do Ozono.
Primeiro passo: decomposição dos CFC, por acção das radiações UV, originando radicais livres de Cloro
UV
FClC-Cl⇒FCl2C . + Cl .
UV
F2ClC-Cl⇒ F2ClC. + Cl .
Segundo passo: Decomposição do ozono por acção dos radicais livres de cloro.
Cl . + O3⇒ ClO + O2
ClO + O.⇒ Cl.+ O2
Fig. 3 – Destruição do ozono através da acção dos CFC
Mas onde se encontram os CFC? Actualmente não se utilizam estes compostos exactamente por destruírem a camada de ozono, porém, na década de 70 estes compostos eram muito utilizados em sistemas de refrigeração e em aerossóis.
A utilização destes compostos levou ao aparecimento de um buraco na camada de ozono (na Antárctida) descoberto por Molina em 1973. Os estudos de Molina previam o aparecimento de 500 milhões de novos casos de cancro da pele por ano, no ano de 2050. Devido aos trabalhos deste e doutros cientistas e à acção dos vários países no tratado de Montreal em 1987 foi reduzida em 50% a utilização dos CFC, assim, atenuando o crescimento do buraco de ozono.
Fig. 4 – Mário José Molina
Mas como será o futuro? Estudos recentes indicam que os níveis de ozono estão a aumentar e que devido à rápida acção das grandes potências mundiais e à descoberta deste cientista a camada de ozono parece estar mais espessa.
Fig. 5 – Evolução do buraco na camada de ozono
Vila Nova de Famalicão terá um novo espaço verde
Unidade de Biologia e Educação Ambiental colabora na construção do Parque da Devesa
Por Andreia Certo, Bárbara Alves e Pedro Nuno Marques
A ADRAVE – Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Ave, S.A. desenvolve a Unidade de Biologia e Educação Ambiental para a implementação do projeto da Regeneração Urbana do Parque da Devesa, em parceria com a Universidade do Minho, com o CEAB – Centro de Estudos Ambientais do Município de Vila Nova de Famalicão -, com as escolas da região e com a Associação de Moradores das Lameiras.

Sede da ADRAVE em V. N. Famalicão
Iniciado há cerca de um ano, o projeto Unidade de Biologia e Educação Ambiental tem como objetivo principal a criação e dinamização de uma Unidade de Biologia e Educação Ambiental que “terá existência física no próprio Parque da Devesa”, afirma a Dra. Paula Peixoto Dourado, Diretora de Serviços da ADRAVE.
Para além disso, esta unidade tem como finalidade apoiar tecnicamente a recuperação de habitats naturais na zona de intervenção, de desenvolver atividades didático-pedagógicas em torno da Natureza e do Ambiente e fomentar as repercussões sociais da consciencialização ambiental, mobilizando os cidadãos para o contacto e usufruto da Natureza.
De modo a divulgar este projeto e a sua atividade no espaço verde de 25 hectares, estão a ser desenvolvidas diversas atividades: realizou-se, no passado dia 9 de Novembro, no Auditório da Escola Secundária Camilo Castelo Branco, em V.N. Famalicão, uma conferência sobre a biodiversidade e a história da floresta portuguesa, dinamizada pelo Professor Doutor Jorge Paiva, Biólogo, Investigador do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra. Nesta Conferência foram apresentadas e debatidas as transformações da floresta nacional ao longo dos tempos e as medidas de ação a tomar, de forma a garantir a sustentabilidade ambiental e a vida humana em condições de saúde, segurança e convívio com a Natureza.

Parque da Devesa
Esta conferência realizou-se, também, como atividade de enquadramento e preparação das Comemorações do Dia da Floresta Autóctone. Assim, a comemoração deste dia foi realizada a 23 de Novembro junto dos cerca de 800 alunos das escolas primárias do município. As crianças semearam espécies autóctones em recipientes reutilizados e, quando o parque estiver em funcionamento, estas serão convidadas a plantá-las diretamente no solo. Para além disso, foi realizado um workshop de confeção de doces com flores comestíveis, dirigido por Lígia Santos, vencedora do concurso televisivo Masterchef. Este dia foi celebrado no Parque da Juventude, no centro urbano de Vila Nova de Famalicão, promovendo uma iniciativa que pretende disseminar cerca de 1000 novas árvores e espécies arbustivas da floresta autóctone portuguesa e representativas da nossa biodiversidade.
Estão também a ser dinamizadas “atividades na área criativa no âmbito do teatro e da música que pretendemos que constituam motivos de animação dos parques não só da Devesa, mas também outros semelhantes, a fim de torná-los espaços dinâmicos” informou a Diretora de Serviços da ADRAVE.

Ribeiro do Parque da Devesa
Quando o parque estiver concluído será desenvolvido pela Unidade de Biologia um plano de atividades de cariz didático-pedagógico como, por exemplo, a medição do pH da água do lago e/ou ribeiro naturais, no qual a Universidade do Minho se assume como um parceiro científico. Desta forma, irá ser construído um laboratório, como local de investigação e realização de diversas atividade com as escolas. Este laboratório constitui um dos importantes equipamentos que irão tornar o Parque da Devesa um espaço de lazer, conhecimento e investigação. Assim, nesta área verde construir-se-ão ainda um restaurante, escritórios e zonas de exposição.
A Dra. Paula Peixoto Dourado esclarece ainda que “houve necessidade de uma consultadoria do ponto de vista científico com a ajuda da UMinho de modo a elucidar-nos sobre que espécies se deveriam retirar, manter e introduzir no parque”.
A abertura do Parque da Devesa está prevista para meados do próximo ano.
Progressos em ponto pequeno
Por Letras
Dentro de uma obra arquitectónica de excelência, na periferia da cidade de Braga, trabalham diariamente várias mentes brilhantes que, em perfeita união, contribuem para que o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL) se torne uma referência cada vez mais importante no mundo da ciência e da tecnologia.
Resultado de uma parceria entre Portugal e Espanha, o Instituto representa um marco na História não só destes dois países como também na História da Ciência e desde o dia 19 de Novembro de 2005 muito tem contribuído para o desenvolvimento desta. Conta com importantes ajudas da União Europeia, mas, sobretudo, conta com a ajuda imprescindível das mentes que lá trabalham.
“A nossa língua é a Matemática”, afirma o Dr. José Rivas, Director-Geral do Instituto. As palavras do Dr. Rivas saem da boca de alguém que sabe realmente do que está a falar. De forma rápida e concisa, Dr. Rivas conta a sua vida: “Estudei em Valladolid, trabalhei na Alemanha, fui professor de Física Aplicada e fui também professor na Universidade de Santiago de Compostela. Hoje não dou aulas e sou o Director-Geral do INL”. José Rivas conhece os cantos à Europa e não se subestima no cargo de director do INL, mas afirma, em tom de brincadeira: “Porquê a mim e não outros?! Há por aí gente mais bem preparada!”. Mas o vice-director do INL contrapõe, dizendo que o Dr. José Rivas é uma referência no campo da nanotecnologia em Espanha e no resto da Europa.
Actualmente, o INL emprega cerca de 50 pessoas, pouco mais de 10% da capacidade total do Laboratório, mas a Direcção espera chegar às 400, número de funcionários para o qual o Instituto está desenhado. Independentemente do número de pessoas que lá trabalham, os progressos que se fazem são importantíssimos para o desenvolvimento da Ciência. Não para o desenvolvimento da Ciência Portuguesa nem da Espanhola; simplesmente da Ciência. É a opinião do vice-director do INL: “Não importa onde estamos, o nível é sempre mundial. Todos contribuem para o mesmo objectivo: o conhecimento”.
Curiosidades sobre o INL
- O Instituto de Nanotecnologia situa-se junto ao campus de Gualtar (Braga) da Universidade do Minho e no antigo espaço da "Bracalândia".
- O INL tem, no total, cerca de 20 mil metros quadrados, dos quais 14 mil são área de laboratório.
- A inauguração teve lugar a 17 de Julho de 2009 e contou com a presença do Presidente da República português, do Rei de Espanha, dos Primeiros-Ministros dos dois países bem como a dos Ministros da Ciência ibéricos.
Mas afinal o que é e para que serve a nanotecnologia? Para se ter uma ideia, uma estrutura nanodimensionada precisa de ser ampliada 10 milhões de vezes para ser visível! O que há 40 anos era simplesmente ficção – no cinema, por exemplo –, hoje é uma realidade muito útil e muito aplicada. A nanotecnologia contribui para o desenvolvimento nas áreas da saúde, da energia, dos transportes e sobretudo da interacção com o meio ambiente.
O INL trabalha em quatro áreas de pesquisa: a nanomedicina, que consiste principalmente no estudo, concepção e fabrico de estruturas e dispositivos em nanoescala para o diagnóstico, tratamento e prevenção de doenças e distúrbios genéticos; segurança e controlo da qualidade alimentar, que consiste no desenvolvimento de micro e nanosistemas para monitorização ambiental e de segurança e controlo de qualidade dos alimentos; depois, surge a nanoelectrónica, que consiste no desenvolvimento de tecnologias e dispositivos nesta área, com foco no desenvolvimento de dispositivos electrónicos que incorporem novos materiais e estruturas; e, por fim, a nanomanipulação, que consiste no projecto, síntese e operação de objectos moleculares, e dos instrumentos necessários para interagir com estas estruturas.
Dr. Rivas foca que “aqui temos pessoas muito disciplinadas: há químicos, físicos, biólogos, engenheiros, pessoas que sabem de circuitos, pessoas que sabem de reagentes químicos, mas todos trabalham uns com os outros e todos tem uma linguagem comum que é a linguagem da nanotecnologia”, podendo assim realizar um óptimo trabalho.
O INL é deveras afamado a nível da sua arquitectura e da sua engenharia, o que permite óptimas condições de trabalho aos cientistas que ali desenvolvem os seus projetos. “Tudo está desenhado para que os cientistas façam o seu trabalho o melhor possível” afirma Dr. Rivas, dando relevância a uma importante zona de trabalho, a sala limpa. “Na sala limpa temos paredes de betão para isolar as radiações electromagnéticas, de modo a fazer experiências com a máxima sensibilidade. Temos infra-estruturas muito potentes para conseguir chegar aos nanómetros e aos átomos. A sala limpa é um local muito cuidado. Uma sala assim não há em qualquer lugar”.
O INL tem projectos que são da responsabilidade de cada cientista e que obedecem a um determinado prazo. Normalmente, os cientistas trabalham aqui a curto prazo, dependendo da função que desempenham. Esta temporalidade é seguramente necessária para que a ciência se desenvolva.

"A sala limpa é um local muito cuidado. Uma sala assim não há em qualquer lugar."
“Neste momento estamos a “competir” com muitos laboratórios mundiais, mas estamos ainda a começar”, afirma o director, quando confrontado com a questão “De que modo contribui o INL para a ciência a nível mundial?”. Acrescenta que “para se ser um centro de referência a nível mundial são precisos entre 35 a 40 anos”. O INL ainda não o é, pois ainda está no início. Tem projectos muito ambiciosos e espera um dia ser uma referência, mas para isso “há que trabalhar”, além de que “as máquinas podem ser muito boas, mas as pessoas são muito melhores”.
Quando confrontado com a crise, Dr. Rivas diz não estar numa ilha separada do resto do mundo. Embora reconheça que a crise ainda não está a afectar o instituto, afirma que “evidentemente há que discutir soluções, há que melhorar a qualidade de trabalho, esse tipo de coisas, para se poder ser mais competitivo”, salientando que muitas vezes “nas crises surgem as grandes oportunidades”.

Equipa "Letras", após o final da entrevista no INL
O Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia é um centro em evolução, com projectos ambiciosos, com as melhores condições de trabalho, onde o importante não é só as máquinas, mas também a inteligência dos cientistas. É um centro onde os cientistas pesquisam, investigam e descobrem sempre algo, onde se sentem orgulhosos de trabalhar e onde o trabalho e a satisfação são os aspectos mais importantes. É um centro que dá um grande contributo para a ciência, que está a trabalhar em prol dela e que será, um dia, uma referência mundial.
O Impacto da Fundaçao Champalimaud
A fundação Champalimaud, localizada em Lisboa, foi criada em 2004 por António de Sommer Champalimaud. No dia 17 de dezembro desse mesmo ano foi oficialmente registada com o nome de Fundação Anna de Sommer Champalimaud e Dr. Carlos Montez Champalimaud e, desde então, dedica-se à investigação biomédica. Atualmente é presidida por Leonor Beleza, e dedica-se sobretudo a áreas oncológicas (cancro) e neurológicas.
Por se concentrar na investigação médica, pretende sobretudo alcançar descobrimentos benéficos para os seus alvos, as pessoas, e atingir metas novas. Foca-se numa investigação denominada translacional, que se foca sobretudo em 3 patamares: prevenir a doença, diagnosticá-la e, por último, tratá-la. Com este tipo de investigação é, assim, garantido que são as situações clinicamente relevantes que se destacam e, portanto, assumem maior importância e são devidamente tratadas. Procura também diminuir o chamado peso da doença, tanto no indivíduo como na sociedade, juntamente com o sofrimento causado pela mesma, sendo estes claros princípios desta fundação a que se juntam a dedicação, o rigor e a criatividade, esses mesmos que eram características do seu próprio fundador, todas dignas de louvar.
Esta fundação pretende combater os problemas existentes nos dias de hoje, onde se inclui a insuficiência no que diz respeito à investigação clínica realizada. Esta é, por conseguinte, um dos obstáculos a derrubar, focando-se num desenvolvimento da investigação sem fins lucrativos. Conta para isso com uma imensa variedade de investigadores e académicos, tanto nacionais como estrangeiros, que procuram desenvolver as duas áreas antes destacadas e investiga-las cada vez mais a fundo, sempre tendo em vista as descobertas a alcançar e o bem estar da população. Para que esta investigação seja possível, o centro oferece modernas tecnologias, tal como infraestruturas consideradas necessárias, e programas de mestrado e doutoramento, com uma enorme vontade de incentivar os jovens a que eles próprios façam descobertas que possam mudar a medicina, através das suas ideias originais e modernas.
Por usar uma investigação translacional, como já antes referido, há sempre uma ligação entre a chamada investigação básica e a investigação clínica, que permite a criação de uma relação considerada mais íntima entre os próprios investigadores, os cientistas, e os médicos, benéfica para a criação mais rápida e eficaz dos problemas em estudo. O tratamento e a investigação são portanto aliados, tornando-se poderosos quando em cooperação tão direta.
E, por ter todas estas metas e todos estes investimentos, a fundação tem vindo a atingir alguns dos seus objectivos. Chegou a acordo com 3 instituições norte-americanas, em 2009, e neste mesmo ano iniciou-se a transferência de massa crítica criada pelo desenvolvimento destes programas. Há cientistas da fundação nas três instituições, das mais conceituadas mundialmente, e todos trabalham arduamente para que possam contribuir para a instalação do programa em Lisboa, programa esse que visa a criação do primeiro Centro mundial dedicado em exclusivo à investigação, prevenção e tratamento de metástases, um enorme avanço na área da medicina.
Composto por jardins panorâmicos e bastantes zonas verdes e ainda um anfiteatro, tudo com uma fantástica vista para o rio Tejo, este espaço é aberto ao público e convida à visita do mesmo, sendo o seu principal objetivo que seja visitado por todos – convite aberto a si
Rio Lena
À descoberta do rio Lena
Por Carolina Pereira; Mariana Cardoso; Rúben Marques
Três alunos do Instituto Educativo do Juncal, do concelho de Porto de Mós, distrito de Leiria, partiram em busca das nascentes do rio Lena e tentaram compreender a importância da água para a população da aldeia de Ribeira de Cima, inserida no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC).
O património geomorfológico apresenta uma importância crescente para o desenvolvimento sustentável. O PNSAC (Parque Natural da Serra d’Aire e Candeeiros) é uma área protegida de elevado interesse geológico, biológico e paisagístico, sendo uma região extremamente abundante em fenómenos cársicos.
A Serra dos Candeeiros, que é constituída por calcários do Jurássico Médio Superior, período em que os dinossauros caminhavam sobre a Terra, integra-se no Maciço Calcário Estremenho. Este maciço iniciou a sua formação há cerca de 200 milhões de anos (muito tempo, para nós, humanos!) sendo essencialmente constituído por rochas carbonatadas (calcários) de origem marinha.
Mas como se formou?
No decorrer do período Jurássico, a separação do continente europeu do americano deu lugar a uma fissura por onde progrediu o Oceano Atlântico. Há cerca de 170 milhões de anos, a regressão do mar e os movimentos tectónicos fizeram emergir do fundo do oceano o Maciço Calcário.
Numa fase geológica mais recente, os vales foram sulcados pela erosão superficial, como o chão ao ser “varrido” por uma vassoura, o que foi alargando fendas e aberturas de progressão vertical (algares), dando acesso a galerias subterrâneas, por vezes ricamente decoradas com estalactites e estalagmites.
A geomorfologia particular causada, em grande parte, pelo efeito da erosão provocada pela água e por práticas de desflorestação abusivas, fez com que a rocha calcária aflorasse o terreno, “salpicando-o” tão caracteristicamente. Os habitats cársicos são considerados peculiares e dinâmicos, mas frágeis a acções antrópicas, em especial quando há exploração de recursos.
A região visitada encontra-se sujeita a problemas ambientais relacionados com a actividade agro‑silvopastoril, destacando-se:
· a erosão dos solos por práticas agrícolas e florestais inadequadas;
·os incêndios florestais;
·a colheita de espécies vegetais ameaçadas;
· a plantação de eucaliptos e de outras espécies exóticas ou inadaptadas à região;
· o abandono dos terrenos agrícolas;
· a poluição dos aquíferos, nomeadamente pelas suiniculturas e indústrias de curtumes;
·a exploração de inertes (rocha calcária que é explorada um pouco por toda a serra).
A formação de inúmeras grutas, que cruzam o interior do maciço, dá forma a uma verdadeira rede hidrográfica subterrânea, sendo que as nascentes desempenham um papel de autênticas torneiras permanentemente abertas, que alimentam os cursos de água, como o rio Lena, afluente da margem esquerda do rio Lis. Este facto despertou-nos o interesse relativamente ao ponto de origem.
Assim, partimos em aventura…
Rodeados pela Natureza, que marcava a sua presença em Ribeira de Cima, ficámos surpreendidos com o som relaxante da água límpida, que rasga o solo da aldeia. Tendo consciência da importância do rio para a população, procurámos o testemunho dos que mais foram influenciados pela sua presença. Ao fim de uma demorada caminhada ao longo do curso do rio, tivemos a sorte de conhecer e entrevistar o último moleiro no ativo, o senhor António Franco, de 58 anos, que, para além de nos ter dado a oportunidade de visitar o único moinho de água em funcionamento, dos cerca de cinquenta existentes noutros tempos, forneceu-nos informações acerca da interação entre a população e esse recurso tão estimado.
Segundo António Franco, “desde tempos remotos, a água era aproveitada para regar as culturas de cereais (para isto eram abertos diques ou eram feitos poços) e a sua corrente fornecia energia para o funcionamento dos moinhos de água. Estes, por sua vez, ativavam o processo de moagem dos cereais, produzindo-sefarinha. Todas as habitantes, desfrutando da limpidez da água, lavavam as suas roupas nas margens do rio. Para esse efeito, foram construídos lavadouros, com lajes, de modo a aumentar a eficácia de todo o processo de lavagem.”
Este recurso permitiu à população ter um maior rendimento em todas as atividades locais (através de produtos, como o azeite) e um aumento da sua sustentabilidade a todos os níveis. Para além deste aspeto, a água do rio proporcionava aos mais jovens diferentes formas de lazer, como banhos, quer em praias fluviais, quer em piscinas naturais construídas para o efeito. Atualmente, na zona visitada, existe uma captação de água para abastecimento público, junto à nascente do rio Lena.
Após termos ficado a conhecer a história do rio, deixámo-nos envolver ainda mais pela Natureza e fomos de encontro às nascentes, consultando o mapa da zona. Das nascentes existentes, algumas são permanentes, fazendo com que o leito do rio nunca seque. Por outro lado, pudemos averiguar que algumas das nascentes temporárias se encontravam secas.
No Maciço Calcário Estremenho, não só se verifica a existência de cursos de água à superfície, como também nos deparamos com o maior reservatório de água doce subterrânea português, um enorme volume de água no subsolo que se estende entre Rio Maior e Leiria. Este volume de água subterrânea é originado pela infiltração rápida das águas das chuvas, que irão formar cursos subterrâneos que alimentam permanentemente as reservas, e nas quais os seus excedentes serão restituídos à superfície pelas nascentes, temporárias (como as duas que encontrámos) ou permanentes.
A carência de recursos hídricos à superfície condicionou o desenvolvimento da vida das populações que habitam as Serras de Aire e Candeeiros, que tiveram, por isso, necessidade de criar métodos que permitissem o aproveitamento da água para consumo e agricultura. Para esse fim, utilizaram reservatórios capazes de armazenar alguma da água superficial. Esta escassez de água deve-se às particularidades do Maciço Calcário.
A água exerceuma acção quer à superfície, quer subterraneamente possibilitando a formação de fenómenos característicos do modelado cársico, tão bem representado na região.
De um modo geral, as fraturas existentes no maciço são responsáveis pela infiltração contínua da água no subsolo e pela sua escassez à superfície. Durante milhões de anos a água tem modelado a rocha e dessa meteorização, física e química, resultaram as formas calcárias características como grutas, algares, lapiás (campos de calcário retalhado) e dolinas (depressões em forma de bacia), onde se acumula terra rossa.
A beleza interior é testemunhada pelas espectaculares grutas existentes no maciço calcário, como as grutas da Moeda, que são o cartão de visita para os turistas que se aventurem pela região. Além disso, é neste ambiente de calcário que a água exibe todas as suas qualidades, talhando a pedra e servindo de recurso para a fauna e flora características do maciço, dela se destacando os morcegos e as ervas aromáticas, respetivamente.
Ao longo dos anos, tem-se tentado alertar para a fragilidade deste património aquífero, salientando-se a sua preservação, já que este sistema natural traduz um escoamento enorme de água que se torna indispensável ao Homem, sendo a água doce é um recurso cada vez mais precioso. Durante esta reportagem tivemos o prazer de desfrutar de uma pequena parte da beleza que esta região nos pode oferecer. Assim sendo, queremos deixar um apelo para que a venham visitar e vivenciar todo este património natural.
Valorizem, venerem e vivam o prazer de contemplar a natureza na região de Porto de Mós.
O rio Noéme está a transformar-se num pântano
Se não houver uma rápida intervenção a situação vai-se tornar desastrosa
Desde finais da década de 80 que o Rio Noéme, localizado na região da Guarda, está gravemente poluído. Ao longo do tempo, as entidades competentes têm-se demitido de intervir em defesa das populações e no cumprimento das suas responsabilidades, alegando falta de capital. Este é um grave problema ambiental e de saúde pública, que incomoda a população e os autarcas. Em Portugal existem rios que são autênticos pântanos, tal como o Almonda, o Trancão, o Alviela, o Leça, o Ave e o Noéme. Os planos de recuperação propostos para cada um foram, várias vezes, adiados ou abandonados.O Noéme é um desses rios. É um rio que nasce no concelho da Guarda, mais precisamente em Vale de Estrela (situado na Zona Serrana), com pouco caudal, e que desagua no concelho de Almeida, no Rio Côa, situado na freguesia do Jardo.Ao longo dos seus 60km passa por várias localidades, tais como Barracão,Gata,Vila Garcia,Vila Fernando,Albardo, Rochoso,Cerdeira, Miuzela, Pailobo, Perobolso, Jardo e Porto de Ovelha e vai aumentando pela afluência de diversos ribeiros, como o Rio Diz ( localizado na zona doPlanalto Beirão). Devido ao facto de nascer na Zona Serrana e ir passando para a zona do Planalto Beirão, as características dos locais por onde passa à medida que avança são alteradas. As espécies vegetais predominantes são os freixos, os salgueiros e os amieiros. As zonas ribeirinhas são povoadas por diversas espécies animais nomeadamente patos, galinhas-de-Água, diversos tipos de peixes e guarda-rios.As margens deste rio estão contaminadas e os terrenos não são tratados;logo, os próprios animais não podem pastarno leito do rio nem nas margens, ou seja, constitui um problema grave que tende a agravar-se cada vez mais, pois tem piorado de ano para ano. Além disto, este é um sítio propício a piqueniques e pesca, entre outras atividades ao ar livre, que lá poderiam ser feitas caso houvessem condições para tal.
A aplicação de novos modelos de desenvolvimento ligados, sobretudo, a áreas de lazer e turismo é primordialmente tributária da resolução da situação de poluição em que ainda se encontra o rio. Por outras palavras, não será suficiente reeditar algumas das práticas que tradicionalmente estavam ligadas ao rio e/ou requalificar o património ribeirinho, enquanto esta situação persistir.Os signatários de uma petição, que foi feita para limpar o rio, exigem às entidades competentes - Câmara Municipal da Guarda e Administração da Região Hidrográfica do Norte - que promovam a suspensão imediata de todas as descargas poluentes no Rio Noéme e tomem medidas de requalificação do ecossistema.Esta petição é da autoria de Márcio Fonseca,um jovem natural da aldeia de Rochoso, Guarda, banhada pelo rio Noéme e divulgou-a através da Internet num blogue (www.cronicas-do-noeme.blogspot.com) por ele criado em 2009.A Câmara Municipal da Guarda está a par do problema e já anunciou que a sua resolução poderá passar pela construção de um colector de ligação da estação de pré-tratamento de uma fábrica de lavagens de lãs, localizada na zona da Gata, à Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de S. Miguel. No entanto, o vereador Vítor Santos, responsável pelos Serviços Municipalizados (SMAS) da autarquia, adiantou ao Jornal A Guarda que “os SMAS aguardam por uma opção final” por parte de uma empresa de consultoria que dirá “qual é a opção final para resolver definitivamente o problema do Rio Noéme”.Já o vereador do pelouro da Saúde Pública, Gonçalo Amaral, reconhece que o Rio Noéme “é a nódoa negra ambiental do concelho da Guarda”, assegurando que a autarquia está “atenta” e “a procurar soluções para ultrapassar o problema”.Podemos afirmar que a poluição do rio Noéme é um dos aspectos que contribuiu para o fraco desenvolvimento destas freguesias. Este aspecto é, porventura, mais marcante numas e menos noutras, em função da sua localização geográfica e dos respectivos impactos ambientais.
Arboreto de Barcelos
Jardim Botânico na Escola Secundária de Barcelos
Por Saber Ciência
O Arboreto de Barcelos nasceu do sonho de um professor de Filosofia, para usufruir de um espaço livre que rodeava a Escola Secundária de Barcelos. O sonho tornou-se realidade, constituindo um Jardim Botânico de reconhecida importância a nível nacional e internacional, tendojá obtido o Prémio Nacional de Ambiente.
O Arboreto da Escola Secundária de Barcelos foi criado em 1987, quando o Professor João Macedo era Presidente do Conselho Executivo. Havia um grande espaço, cerca de um hectare para jardim e assim surgiu a ideia de um jardim botânico com árvores, arbustos e subarbustos autóctones de Portugal Continental. Rapidamente começou a concretizar-se e a que foi dado o nome, primeiramente, de Arboreto de Flora Autóctone de Portugal Continental e, mais tarde, de Arboreto de Barcelos, quando a Câmara Municipal se associou ao projeto. Desde 1987 até aos dias de hoje, o Arboreto de Barcelos tem vindo sempre a crescer em diversidade florística, sendo hoje em dia, segundo sabemos, a maior coleção dos subarbustos, arbustos e árvores autóctones de Portugal Continental.
O objetivo era apoiar algumas disciplinas como Biologia e Ciências Naturais, favorecendo pela mesma ocasião o Ambiente e para que todos o admirassem e cuidassem desse arboreto tão belo. O critério de escolha das espécies foi serem nacionais e mais importante ainda, servirem para os alunos diferenciarem as plantas nacionais das não nacionais.
O Arboreto passou por muitas dificuldades até ficar concluído - os custos, encontrar as plantas, porque maior parte delas não se encontravam à venda; identificá-las, entre outras, confessa o Professor João Macedo. Mas com a ajuda de algumas instituições e pessoas, como o Professor Jorge Paiva da Universidade de Coimbra e com muita dedicação nasceu um lugar único e especial com uma coleção de 280 plantas, incluindo alguns fetos e plantas herbáceas como as bulbosas e rizomatosas, que se encontram organizadas por cinco zonas fito-climáticas: Atlântico, Termo-Atlântico, Ibérico, Eu-Mediterrânico e Oro-Atlântico, em função do clima e da natureza do Sol. O sistema de divisão adotado foi desenvolvido por dois cientistas, Pina Manique e Albuquerque.
No pólo Atlântico, a espécie marcante é a carvalheira ou carvalho roble, Quercus robur. Além desta espécie, encontram-se no Arboreto praticamente todas as outras plantas da "Fagosilva" lusitana, entre as quais citamos o azereiro, Prunus Lusitanica e a macieira-brava, Malus sylvestris Miller, entre outras.
No pólo Termo – Atlântico, as espécies marcantes são o sobreiro, Quercus Suber e o cerquinho, Quercus Faginea, entre outras.
No pólo Ibérico temos a azinheira, Quercus Ilex. Podemos ainda admirar a clemátide, Clematis; o mostajeiro, Sorbus Torminalis, entre outras.
No pólo Eu – Mediterrânico, as espécies marcantes são a alfarrobeira, Ceratonia Siliqua, mas temos também a roseira-agreste, Rosa Agrestis, entre outras.
No pólo Oro-atlântico, a espécie marcante é o vidoeiro, Betula Alba. Podemos ver também a moixeira, Sorbus Aria; o pinheiro-silvestre, Pinus Sylvestris, entre outras.
Cada espécime está devidamente identificada (nome vulgar, nome científico e família) com uma placa verde com letras bem visíveis.
Arboreto distinguido com Prémio Nacional de Ambiente
A Escola Secundária de Barcelos está em fase de remodelação numa intervenção da empresa Parque Escolar, pelo que o Arboreto também sofreu foi afetado. Perderam-se algumas valências, porque alguns espécimes acabam por morrer no processo transplante e algumas tiveram mesmo de ser abatidas. Espera-se que compense, porque o espaço de jardim vai aumentar e foram prometidas algumas infra-estruturas que poderão melhorar o Arboreto e torná-lo mais acessível aos visitantes, revela o Professor João Macedo.
Embora a escola esteja numa fase de obras, o Arboreto é e será sempre um excelente laboratório vivo para apoio aos estudantes.
"Arkhaiología", História da Antiguidade
No dia 19 de Dezembro de 2011, na Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, entrevistamos o Doutor Luís Fernando de Oliveira Fontes, que nos esclareceu quanto ao sentido prático da Intervenção Arqueológica.
Numa unidade que trata de dar relevo à arqueologia, área por vezes esquecida, o Doutor Luís Fontes desenvolve um trabalho contínuo, desde 1987, como diretor do projeto em Arqueologia Medieval e Moderna, “coordeno estudos na área da arqueologia medieval e moderna, que abarca várias áreas temáticas de arquitetura antiga, paisagem e povoamento e arqueologia da arquitetura do edificado medieval e moderno”.
Trata-se de uma unidade orgânica da Universidade do Minho que, desde 1977, presenteia toda a comunidade com as suas descobertas, dando maior ênfase ao estudo científico da cidade de Bracara Augusta (atualmente designada de Braga), e que tem por finalidade promover estudos de conservação, valorização e divulgação do património de Braga.
No nosso entender, o conhecimento das pessoas em geral sobre a arqueologia não é muito alargado, no entanto, na perceção dos arqueólogos “as pessoas sabem o que é a arqueologia”, sobretudo por via das exposições por eles realizadas, embora também reconheçam que a arqueologia é uma área que “não se proporciona exatamente para grandes divulgações, grande publicidade”.
A importância da arqueologia para a produção do conhecimento sobre as civilizações passadas é inquestionável. O próprio nome o indica. Arqueologia deriva da palavra grega arkhaiología, “história da antiguidade”, de arkhaĩos, “antigo” + lógos, “ciência”. A sua relevânciadeve-se essencialmente a dois fatores: ser a única disciplina que possibilita o acesso ao conhecimento das sociedades sem escrita e fazê-lo recorrendo a meios técnicos e ao auxílio de outras ciências nas diversas etapas de escavação.
A escavação é o principal meio de pesquisa dos arqueólogos, pelo que só a partir dos restos materiais encontrados é possível obter algum conhecimento sobre as civilizações passadas. Por outro lado, são os complexos instrumentos técnicos por ela utilizados, que permitem produzir conhecimento sobre as sociedades pré-históricas e renovar as perspetivas históricas. Esta área tem evoluído no sentido que associa métodos atuais a métodos tradicionais, isto é, recorre a ciências como a Biologia e a Geologia, mas ao mesmo tempo a documentação.
A arqueologia só faz sentido se se puder aplicar para melhorar o presente e prevenir comportamentos futuros. A compreensão do passado é essencial para o bom entendimento do presente. O passado não se pode alterar e o futuro ninguém o sabe. Por isso, há que trabalhar no presente para construir um futuro próspero.
Tudo isto faz lembrar “ um pouco aquela velha história, “quem somos, de onde viemos e para onde vamos” ”.
“Aos arqueólogos não interessam só os cacos”…
Como nos deu a entender o Dr. Luís Fontes, para os arqueólogos o mais importante é explicar como é que as sociedades viveram, que recursos utilizavam, como se organizavam socialmente e como interferiam no meio. Mais ainda interessa contextualizá-las num território e numa paisagem.
Qual será a ideia que as pessoas têm da arqueologia?
Certamente na sua maioria associam a arqueologia à descoberta de tesouros e a pessoas misteriosas, “um bocado impulsionadas pelos filmes do Indiana Jones”. A verdade é só uma, o que mais impressiona as pessoas são os ossos, mas ao mesmo tempo a arqueologia não é só escavar, envolve uma série de procedimentos laboratoriais complexos. “A arqueologia não é escavar ossos, nem pouco mais ou menos”.
Para que uma intervenção arqueológica se realize, é necessário seguir determinados procedimentos. Um deles está relacionado com a existência de um projeto de investigação, o outro com a contínua alteração do solo em espaços urbanos.
Sendo assim, se há um investigador que tem um projeto ligado à sua carreira académica, este identifica os sítios arqueológicos, pede autorização para fazer os seus estudos e procede às escavações. Normalmente esses sítios são exclusivamente para investigação. Resumindo, “escava, recolhe os dados e a informação que necessita e depois produz as suas teses e as suas análises”.
A arqueologia preventiva é um outro processo condicionante a essa intervenção, pois obriga a que se façam escavações em locais urbanos com suspeita de ruínas, e em função disso, ou se conserva e valoriza as ruínas ou não. Em Braga, por determinação legal, a totalidade do espólio recolhido é enviado para o museu D. Diogo de Sousa.
Em Portugal, só os arqueólogos estão autorizados a dirigir escavações, e por essa razão, ninguém pode executar trabalhos arqueológicos sem a prévia autorização do Governo.
Uma das dúvidas mais frequentes relativamente à arqueologia é o seu financiamento. Será esta atividade totalmente dependente de apoios particulares?
Na realidade, os apoios financeiros são, de certo modo, equilibrados entre o Estado e entidades particulares “de uma forma geral, metade é do financiamento público, outra metade por dinheiros privados”. Na sua ligação ao ensino, o financiamento público está relacionado com os programas de investigação fomentados pelas diversas universidades.
Por sua vez, os financiamentos privados estão tão associados à atividade arqueológica em si, como a promotores de obras públicas em zonas urbanas. Exemplificando, auto-estradas e barragens.
Uma das escavações mais recentes, encaminhada pela Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, foi no Convento de S. Francisco em Guimarães. Segundo o que nos foi relatado, esta investigação decorreu no seguimento de uma proposta do município de Braga para adaptação do Convento a pousada da juventude.
Porém, como se trata de um edifício com valor histórico, foi imposta a condicionante de haver trabalhos arqueológicos prévios, de modo a avaliar os impactos do projeto. Como afirmou o Doutor Luís Fontes, “ os resultados já são parcialmente conhecidos, está em fase de elaboração do relatório final, encontramos ruínas, como já se antecipava”.
Na área determina para a construção não existem ruínas de elevado valor, sendo que a sua existência seria um entrave à construção. Há, no entanto, uma outra zona com ruínas suscetíveis a impactos, o que levou a que o projeto original fosse alterado. Algumas das ruínas serão recuperadas e integradas na pousada nova.
Digital Games Research Center
“Um local de desenvolvimento e tecnologia”
Por Fonte Científica
O DIGARC é um centro de investigação criado no IPCA para promover actividades de investigação, desenvolvimento e transferência nos domínios dos jogos digitais e das interfaces físicas e virtuais com o utilizador.

Projeto para as novas instalações do DIGARC, que irá ser construído em breve.
No Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, mais precisamente na Escola Superior de Tecnologia, é atualmente desenvolvido o projeto Digital Games Research Center. O DIGARC (Digital Games Reseach Center) é um centro de investigação orientado para o desenvolvimento para as áreas dos jogos digitais, protótipos robotizados de Serious Games, novas interfaces electrónicas, tratamento de vídeo e áudio digital.
Muitas pessoas pensam que um centro de investigação de jogos digitais está apenas dedicado à criação e desenvolvimento de jogos, como por exemplo jogos de consola ou telemóvel mas, na realidade é algo bem diferente. No âmbito do DIGARC são desenvolvidos vários projectos em diversas temáticas, tais como: novas técnicas de interface com o utilizador (como exemplo através dos sensores Wii e Kinect); realidade aumentada; Serious Games (jogos ou aplicações interactivas de cariz educativo); entre outros.
Na área dos jogos digitais, o espírito é de inovação, de criar novas formas de interagir, de encontrar soluções para problemas com que as pessoas se deparam hoje em dia.
São inúmeras as áreas em que podem intervir e dar o seu contributo. Podem contribuir na saúde com a criação de software que realiza a reconstrução 3D de tumores e estruturas ósseas, na utilização de avatars que poderão residir nos nossos telemóveis, e que mediarão a interacção entre o utilizador e o equipamento. Este tipo de personagem virtual poderá também ser aplicado numa loja, onde responderá às questões colocadas pelos clientes e lhes dará sugestões de compra.
Uma coisa muito positiva no projecto dos jogos digitais, é que as aplicações dos resultados de investigação e desenvolvimento em digital games estão, hoje em dia, em todo o lado. Nos telemóveis assiste-se diariamente ao surgimento de centenas de novas aplicações. Existem aplicações que permitem navegar no mapa de uma cidade em 3D, outras possibilitam a interacção com aplicações onde se misturam objectos virtuais com imagens capturadas pela câmara de um telemóvel. E muitas outras surgem fruto da imaginação dos seus criadores. A forma como a informação é, hoje em dia, apresentada graficamente nos dispositivos electrónicos, e o modo como se interage com essa informação são o resultado de inúmeros trabalhos de investigação e desenvolvimento nesta área.
O Digital Games Research Center ganhou, no ano de 2011, a Imagine Cup a nível nacional. Esta é uma das principais competições sobre tecnologia, promovida pela Microsoft.
A equipa Rescue Me, composta por cinco alunos, foi a vencedora. Este projeto consiste numa plataforma tecnológica que assegura a gestão dos meios e das vítimas numa situação de emergência. No mesmo concurso uma outra equipa, a Fire Coat, obteve um também relevante quarto lugar, com um sistema cujo objectivo passa por apoiar e orientar, de forma controlada, planeada e eficiente, a actuação dos bombeiros. Se se tiver em consideração que este foi apenas o segundo ano em que o IPCA participou na competição, constata-se que, de facto, existe um potencial elevado.
A classificação do último aluno colocado no curso de Engenharia em Desenvolvimento de Jogos Digitais, no ano de 2011 foi de 11,3 valores. Provavelmente, para o próximo ano, a média irá aumentar um pouco. Como o curso é recente ainda é desconhecido para muitos alunos. Contudo e apesar de o total de vagas ainda não ter sido preenchido, a adesão tem sido bastante satisfatória, afirma o Doutor Duarte Duque, o actual coordenador de curso. Os licenciados em Engenharia de Desenvolvimento de Jogos Digitais podem desempenhar um vasto leque de funções. Estes futuros profissionais podem facilmente ser integrados em equipas de desenvolvimento de jogos e conteúdos multimédia, como em software houses mais convencionais.
Segundo Duarte Duque, “este é efetivamente um projeto para continuar”. A indústria dos jogos gera actualmente mais dinheiro que a indústria do cinema. E esta é uma tendência que vai continuar. O crescente sucesso de jogos em redes sociais, como o Farmville, e as aplicações para plataformas móveis comprovam que devemos apostar cada vez mais nesta área. Acrescentou ainda que estão actualmente a estruturar vários projectos de I&D, contudo, é ainda prematuro revelar o conteúdo desses projectos.
A história que a seda teceu
Pelos caminhos da seda em terras de Trás-os-Montes
A indústria da seda foi uma actividade determinante da economia transmontana entre os séculos XV e XVIII. Nas férias de Natal do inverno que decorre, saímos à rua à procura das evidências desta outrora grandiosa indústria e fomos conduzidas até Chacim, Freixo de Espada à Cinta e Bragança. Encontrámos nas evidências deixadas uma história rica que narra a vida de um povo e de uma antiga tradição de que hoje restam apenas memórias.
Breve história
Há documentos que comprovam a exploração da seda em tempos tão remotos como o século XV. A primeira fábrica terá surgido em Bragança, junto ao rio Fervença, no reinado de Afonso V, e terá despoletado o nascimento de outros polos fundamentais no desenvolvimento desta indústria. Foi o caso das tinturarias, das sericiculturas, da cultura de amoreira, da fiação, do fabrico de teares e da tecelagem. Por toda a terra transmontana criava-se o bicho-da-seda, fiava-se seda e em algumas localidades, tecia-se, utilizando os teares empregues na lã e no linho. Para tingir os tecidos usavam-se plantas como raiz de ruiva, anil, pau de Campeche, alecrim, sumagre e trovisco.
A sericicultura e a indústria da seda tornaram-se, então, uma componente estrutural determinante da economia transmontana que conheceu altos e baixos ao longo dos séculos XV a XVIII.
A indústria da seda nos séculos XV a XVII
O monopólio de algumas terras das comarcas de Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes concedido pelo rei D. Afonso V, no séc. XV, ao Duque de Guimarães, para que fizesse experiências com a exploração de minas, sem pagamento de direitos e a posse de todos os estabelecimentos relativos à produção de seda, não permitiram uma grande expansão desta indústria. Não houve melhoramento das técnicas nem da qualidade da confecção, nem permitiu o crescimento económico da região, já que o rendimento desta indústria era maioritariamente arrecadado pelo Duque. O rei concedeu-lhe também o direito de importar seda, vender e exportar sem a obrigação de pagar os direitos reais.
Apesar destas restrições, Bragança viveu uma época de opulência, como é possível deduzir através dos forais manuelinos, de provisões e sentenças concedidas pelos reis às comarcas do distrito, graças à notável criação de amoreiras e à boa qualidade do bicho-da-seda, que provocou um aumento de vendas e uma obtenção de lucros considerável. A única concorrência que a indústria transmontana poderia sentir seria de outros países, como a Espanha, a França ou a Itália, mas, como os roteiros do comércio raramente coincidiam, não seria uma forte concorrência.
No entanto, em meados do reinado de D. Sebastião, estendendo-se aos seguintes reinados, a produção de seda começou a diminuir apesar dos esforços da realeza para a reavivar. Segundo Vítor Alves, historiador e docente do Instituto Politécnico de Bragança, “nesta altura, a maior parte da mão-de-obra da indústria da seda era estrangeira, razão que explica o forte impacto da Inquisição na indústria, que começou a sentir um forte desfalque a partir de finais do séc. XVI.” De facto, a Inquisição perseguiu e processou alguns destes trabalhadores, judeus ou cristãos-novos, na maioria, obrigando-os a fugir ou a deixar o trabalho. A juntar à acção da Inquisição, também o contexto político e social prejudicou esta actividade, como as guerras do século XVII, bem como as sucessivas invasões espanholas que provocaram danos directos e indirectos na economia, como prejuízos nas fábricas e estreitamento de mercados.
Houve, no entanto, alguns incentivos como as medidas para a plantação de amoreiras e respectiva importação, as tentativas de reanimação das fábricas de seda, incluindo as de Bragança, e os surtos industriais que se fizeram sentir nos séculos XVII e XVIII.
A época de ouro da indústria da seda
“Foi de 1730 a 1810 que esta actividade teve maior importância, a nível regional e nacional”, afirma Vítor Alves. No final do século XVII, durante o reinado de D. Pedro, uma família italiana de peritos no fabrico da seda, os Arnaud, veio trazer um novo fôlego a esta indústria. Trouxeram novas técnicas e novos teares que permitiam fazer sedas mais finas, as mais cobiçadas pelos compradores. Esta família, que se manteve em terras transmontanas durante várias gerações, teve em sua posse o Real Filatório de Chacim, mandado construir, já no final do século XVIII, por D. Maria I. As novas técnicas vindas de Piemonte com os mestres italianos e o incentivo da Coroa a esta arte concedeu a esta indústria, como nos disse Vítor Alves, “um grande peso na economia da região e tornou-a responsável por grande parte do produto acrescentado bruto nacional”.
A seda hoje
Em Chacim, o Real Filatório é das poucas evidências físicas que permaneceram até aos dias de hoje e constitui um destino turístico para os que visitam a nossa região. Os interessados em saber mais acerca da antiga tradição da seda podem ainda visitar outros locais como a casa do artesanato em Freixo de Espada à Cinta, onde antigamente era produzida seda artesanalmente, sem nunca ter sido industrializada, e a Casa da Seda, um edifício anexo ao Centro de Ciência Viva de Bragança (presentemente encerrado para remodelação), onde é explicado todo o processo de fabrico da seda, desde o ciclo de vida do bicho-da-seda até à fiação e tecelagem da mesma. Em alguns destes sítios, ainda se fazem pequenas criações e respectiva manutenção do bicho para o fabrico manual de pequenas peças de seda para venda em feiras de artesanato. A amoreira branca, uma árvore oriental cujas folhas são usadas para alimentar o bicho-da-seda, que nos tempos áureos da indústria existia apenas cultivada, pode hoje encontrar-se assilvestrada, em alguns vales de rios em Trás-os-Montes, testemunhando também ela o passado indústria da seda nesta região portuguesa.
Esta tradição da produção de seda é, para o povo transmontano, um motivo de orgulho e há ainda muitos estudiosos que continuam a investigar a sua história. Também têm sido feitas várias tentativas de dinamização desta arte para que não caia no esquecimento como, por exemplo, algumas actividades promovidas pelo Centro de Ciência Viva de Bragança.
É surpreendente como foi possível desenvolver uma indústria com tanta relevância na economia numa região tão isolada como a de Bragança, sobretudo numa altura em que os transportes e as tecnologias estavam tão pouco desenvolvidos. Face a estes factos, e uma vez que, desde o século XVIII houve grandes avanços em ambos os campos, pomos em questão se não seria pertinente reavivar esta indústria, dada a crise em que nos encontramos e que nos leva a procurar aumentar as exportações e a diminuir as importações.
MUSEU FERROVIÁRIO : O CRUZAMENTO DA CIÊNCIA COM O COMBOIO
De baixo dos pés terra batida. À frente um número infindável de linhas que se cruzam entre si. Ao lado vagões fora de serviço. A tranquilidade e a monotonia só são interrompidas pelo buliço da estação entre os comboios que chegam e vão. Continuamos a caminhar. Uma grande placa indica que chegamos ao Museu Nacional dos Ferroviários, no Entroncamento.
Com uma área de 4,5 hectares o museu conta com uma rotunda de locomotivas. Os antigos edifícios de uma oficina a vapor e uma central elétrica ainda estão em fase de reconstrução. No armazém de Víveres (fechado desde junho de 2011 para obras), estão expostas as coleções do museu. “Portugal tem um dos maiores espólios ferroviários da Europa. Em parte por não ter participado na 2ª Guerra Mundial, onde muitos países europeus viram o seu material destruído pela guerra” conta um funcionário do museu enquanto nos faz uma visita guiada improvisada no espaço frio, escuro e poeirento. “É necessário preservar isso”.
Portugal é um dos países da Europa com maior potencial, na área da museologia ferroviária. Com uma história de 150 anos e várias gerações que acompanharam de perto os comboios não é de estranhar a criação da Fundação Museu Nacional Ferroviário Armando Ginestal Machado. A fundação, que controla todos os museus ferroviários, tem 11 núcleos espalhados por todo o país, onde se conservam as memórias dos caminhos de ferro.
Aquilo que se considera ser ainda a fase inicial do projeto concebido para o museu, nas palavras de Ricardo Cardoso, diretor do centro de investigação do museu, "conta já com um enorme acervo de material circulante, 340 veículos e com cerca de 40000 peças do quotidiano dos caminhos de ferro". Entre estas contam-se equipamentos das oficinas, equipamentos de comunicação, sinalização, informação, estação e escritório, têxtil, saúde, restauração e ainda artigos relacionados com horários, bilhética, proteção e segurança. Tudo isto resulta de um estudo e investigação continuados das peças. A sua restauração e proteção são promovidas pelo centro de investigação do museu.
Apesar de todo o potencial revelado, Ricardo Cardoso afirma que "é necessária uma seleção de fontes e há muita informação que ainda não foi estudada". Por essa razão foram feitas parcerias com o Instituto Politécnico de Tomar, para estágios no museu que promovam o estudo mais aprofundado na vertente ferroviária da arqueologia e museologia industrial.
Património imaterial dos caminhos de ferro
A par de todo o acervo material anda também o património imaterial. É neste ponto que se estreita a ligação entre o museu e a cidade do Entroncamento.
Foram inicialmente consideradas outras cidades para sede do museu como por exemplo o Barreiro. Prevaleceu a escolha do Entroncamento devido ao seu desenvolvimento através da atividade ferroviária. “Há relativamente pouco tempo, grande parte da população local trabalhava para os caminhos de ferro e a cidade desenvolveu-se graças a esta atividade”, justifica Ricardo Cardoso. O caminho de ferro servia a população. Tília Nunes, 50 anos, residente no Entroncamento, filha de ferroviário, vai mais longe quando refere que “O comboio era mais do que um meio de transporte, era um meio de comunicação. O meu pai enviava-me documentos e outras coisas pelo revisor e eu ia à estação buscá-los. Éramos como uma grande família. Em caso de necessidade bastava dizer que era filha de um ferroviário. Andei de comboio desde que nasci e ía para todo o lado de comboio. Jogava-se às cartas, partilhava-se a merenda e criavam-se amizades. Não havia facebook, mas havia o comboio! E havia amores e desamores, alegrias e tristezas, como quando os imigrantes chegavam a casa.”
É neste âmbito que o centro de investigação fez várias entrevistas a antigos ferroviários, de modo a recolher e preservar as memórias daqueles que trabalharam e contribuíram para as ferrovias, integrando-as no património imaterial do museu.
Estar entre os melhores faz parte dos projetos futuros
Um dos grandes objetivos do museu é ficar ao nível de todos os outros museus da área, como por exemplo o Deutsche-Bahn-Museum, em Nuremberg ou o Nacional Railway Museum, em York, com o qual o museu do Entroncamento tem parceria.
Deste modo o desenvolvimento e investigação faz-se em cooperação e interligação com entidades, tanto nacionais como internacionas. “Existem investigadores estrangeiros, da área da museologia industrial interessados na história ferroviária portuguesa assim como uma comunidade de fanáticos dos comboios e dos caminhos de ferro” revela Ricardo Cardoso, assegurando que “excursões de estrangeiros vêm a Portugal ver o museu”.
Também as artes mereceram um estudo aprofundado. O centro de investigação tem online ,no site oficial do museu, para todos os interessados, um estudo sobre as influências do comboio no quotidiano e a sua reflexão nas principais artes como a fotografia, romance social, desenho artístico (“Linha de Cascais”de Luciano Freire) e cinema (“Gente de Via” de Cottinelli Telmo).
O museu tem ainda muitos projetos por concretizar, que em base revelam o objetivo de um museu mais dinâmico que atrai todos os tipos de públicos, com espaço para a cultura lazer e multimédia. Contam-se projetos para a exibição de filmes, sala de conferências, cafetaria e um pólo de novas tecnologias ferroviárias. Nas palavras de Ricardo Cardoso “a linguagem dos caminhos de ferro é universal e o comboio é muito atrativo. Este é um trabalho sustentável e que conta com o apoio de toda a comunidade ferroviária”
A ciência do vinho: Enologia em Amares
Do Passado até ao Presente do Vinho Verde...
Por NanoJornal
Amares, situada entre o Homem e o Cávado, é um dos catorze concelhos que incorpora o distrito de Braga. Habitada por gente de alma simples e hospitaleira, encantada pelo sussurrar das águas dos dois rios, colhe da terra e leva para a mesa gastronomia de paladar caseiro, acompanhada do verdadeiro néctar divino de um dos melhores vinhos verdes e da suculenta laranja. A gastronomia em Amares tem no Vinho Verde um dos seus maiores aliados. Amares tem profundas tradições no sector vitivinícola. A cultura das videiras, associada à sabedoria do Homem e à tradição, leva à criação do Vinho Verde, único no Mundo.
Amares, região abençoada...
O Vinho Verde e a sua cultura têm uma longa história, pois o Vinho Verde assumia extrema importância como fonte de rendimentos de muitas famílias. A sua origem remonta à civilização romana, permanecendo, posteriormente, nos hábitos das populações desta região. Só a partir do século XIII, com a expansão da mercantilização, circulação da moeda e expansão demográfica, é que os Vinhos Verdes se tornaram conhecidos nos mercados europeus. Hoje o consumo interno deste vinho tem aumentando, em resultado, não só da qualidade, mas também de um maior empenho na sua divulgação, quer pelos produtores e entidades públicas, quer pelos restaurantes da região.
A Câmara Municipal de Amares tem apostado nessa divulgação, promovendo iniciativas a nível local e regional em parceria com os produtores. Emanuel Magalhães, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Amares, salienta que “o Município de Amares tem realizado várias acções com o intuito de promover a região através do Vinho Verde. Uma das acções que o Município levou a cabo foi a participação num projecto transfronteiriço intitulado “Enoturismo” (INTERREG IIIA). Destacam-se também a execução de um Plano de Marketing onde o produto “Vinho Verde” assume destaque, presença do Vinho Verde em Feiras, principalmente, nos eventos âncora do concelho: Festival de papas de sarrabulho e Feira Franca e presença nas lojas de produtos regionais”.
“o segredo na produção de um bom vinho verde reside na melhor conjugação do trinómio sol-solo-castas”
As exportações têm também aumentado, conquistando novos mercados e seduzindo mesmo os paladares mais exóticos, o que reflete o reconhecimento internacional da qualidade deste vinho único. A Quinta Terras de Amares é uma das várias quintas que produz e exporta Vinho Verde para todo o Mundo. Fernando Moura é o enólogo responsável pela produção do vinho da quinta. Segundo este “o vinho produzido em Amares goza de qualidades excepcionais, proporcionadas pelas castas, pelo solo granítico e pelas condições climatéricas da região, que levam à produção de um vinho leve, fresco, aromático e medianamente alcoólico”. Para o técnico “o segredo na produção de um bom vinho verde reside na melhor conjugação do trinómio sol-solo-castas”.
Orograficamente, a região do Minho expõe-se à influência do oceano Atlântico, fenómeno reforçado pela orientação dos vales dos principais rios, que correndo de nascente para poente, facilitam a penetração dos ventos marítimos. Ao solo de origem granítica, e a uma temperatura média anual de 14ºC, associam-se elevadas quedas pluviométricas (1 707,7 milímetros), que concorrem para uma generalizada natureza ácida dos solos de toda a região, que para a cultura da vinha deve ser corrigida para níveis de pH entre os valores de 5,6 a 6,5. Estas características, de acordo com o enólogo, “fazem com que o vinho tenha menor teor alcoólico, acidez mais baixa e contenha uma intensidade aromática significativa”.
Nos brancos, Loureiro é a casta predominante e nos tintos destacam-se Vinhão e Borraçal. A casta Loureiro produz mostos com aroma acentuado, dando vinhos de cor citrina. Esta casta dá origem a cachos compridos e pesados. Revela-se sensível a algumas pragas como o míldio, oídio, escoriose, podridão dos cachos e aos ácaros. Nos tintos a casta Borraçal, produz mostos naturalmente mais ricos em ácido málico e na acidez total, dando vinhos de cor vermelho rubi, equilibrados e saborosos. É sensível ao oídio e muito sensível à podridão dos cachos. A casta Vinhão, produz mostos naturalmente mais ricos em açúcares, dando vinhos de cor vermelho granada, de aroma vinoso. Origina cachos médios e compostos. É sensível aos ácaros e ao escaldão dos cachos em situações de stress hídrico.
A sensibilidade da videira às diferentes doenças e pragas, depende de entre outros factores, da sua fase de desenvolvimento, desde o abrolhamento até à maturação do fruto. Para combater estas sensibilidades recorre-se a tratamentos fitossanitários à base de carbonato de cálcio e sulfato de cobre. Para o enólogo “o número de tratamentos da vinha reflecte-se na qualidade das uvas”.
Na altura da realização da vindima, é necessário ter em conta vários aspectos pois a uva, quando verde, não contém açúcar, nem matéria corante e compostos aromáticos, sendo extremamente rica em ácidos orgânicos e taninos. Ao longo da maturação a cor dos bagos vai-se alterando, o tanino e os ácidos diminuem enquanto os açúcares, a matéria corante e os compostos aromáticos vão aumentando, tendo cada um dos componentes a sua própria evolução, até se atingir um ponto de equilíbrio, com o qual deverá coincidir a data da vindima.
Posteriormente à vindima prossegue-se à vinificação. O Vinho Verde Tinto é vinificado através das seguintes etapas: recepção das uvas; esmagamento com esmagador de rolos; fermentação, adição de leveduras; sangria; prensagem; vinho: final da fermentação alcoólica, análise laboratorial, fermentação maloláctica, trasfega, aplicação de sulfuroso e por fim engarrafamento. O Vinho Verde Branco é vinificado através das seguintes etapas: recepção das uvas; esmagamento com esmagador de rolos, esgotamento: recepção do mosto, prensagem; defecação durante 24 horas, trasfega com arejamento; fermentação: adição de bentonite; trasfega com sulfitação: atestos, análise laboratorial; engarrafamento.
Visionarium ou a Odisseia da Ciência
Por Vanessa Estrela Costa, Bernardo Rodrigues de Pinho, Vanessa Sofia Pereira Pinho
Situado em Santa Maria da Feira, o
Visionarium – Centro de Ciência do Europarque é um espaço privilegiado de divulgação da cultura científica, proporcionando os meios necessários à sua compreensão através de uma aproximação interativa e profundamente motivadora.


Segundo um questionário realizado a 30 alunos que visitaram ao Visionarium, estes admitem que a cultura científica é uma peça fulcral no desenvolvimento dos jovens de hoje em dia. Porquê? Porque nos põe a par de como o mundo está a evoluir ou ainda das novas descobertas que se fazem a cada dia. À primeira vista isto pode parecer bastante banal, mas este conhecimento pode-nos fazer crescer de forma a querer participar também na revolução científica que o mundo está a sofrer e deixar a nossa marca em algo que fosse ajudar uma pessoa no mundo, pelo menos. Para além do referido anteriormente, este tipo de conhecimento dá-nos cultura geral, o que hoje em dia é algo bastante raro nos jovens. E o que terão os ‘’senhores’’ do Visionarium a dizer sobre isso? “Para o Visionarium, a cultura científica faz todo o sentido no âmbito da aprendizagem dos jovens. Aliás, esse aspeto é nuclear para nós, está na natureza funcional do nosso Centro de Ciência pugnar para que através das atividades que promovemos, quer as de carácter experimental, bem como as de vertente mais laboratorial, os alunos adquiram ferramentas precoces que os dotem de uma maior apetência para o conhecimento. Temos como lema que, afinal, o “Saber” pode ocupar positivamente um lugar… no Visionarium.E, por isso, ao longo dos últimos 13 anos o nosso Centro de Ciência tem travado um intenso combate no sentido de minorar a iliteracia científica vigente no país.Acresce a este facto que cerca de 75% dos nossos visitantes são estudantes dos diversos níveis de ensino e daí que sejamos possuidores de alguma experiência neste domínio. Encaramos a cultura científica como uma espécie de matéria-prima que ajudamos a produzir no Visionarium.” – afirmam, convictos.
Como alunos de Ciências e Tecnologias da Escola Básica e Secundária de Fajões, ali tão perto, decidimos partir em busca de uma aventura científica e passar um dia no centro de ciência do Europarque. Este centro de ciência é constituído por 5 salas de exposição, denominadas de Odisseia da Terra, Odisseia da Matéria, Odisseia do Universo, Odisseia da Informação e Odisseia da Vida, a o estado de espírito necessário à visita que iríamos seguir. Seguidamente, dirigimo-nos ao Laboratorium onde assistimos a uma demonstração científica. Os Laboratórios têm por base a experimentação enquanto ferramenta que se juntam um auditório (onde são apresentados espetáculos), salas para demonstrações científicas e um jardim para exposições ao ar livre.
Na nossa visita, solenemente guiada, dirigimo-nos a um auditório onde pudemos visualizar a um espetáculo que criou básica de construção do conhecimento científico. São sessões de carácter vincadamente prático que visam proporcionar o contacto com novas tecnologias no domínio da Biologia Celular e Molecular, Genética, Química, Ecologia e Ambiente.
Já um pouco mais tarde, iniciamos a visita às Odisseias… Começámos por visualizar a Odisseia da Terra, onde descobrimos conceitos e noções científicos ligados à exploração do nosso planeta. Esta sala é dividida por uma orientação e cartografia que consiste na manipulação de diversas montagens, por máquinas simples e de mecânica, em que são demonstradas algumas máquinas que foram usadas desde a antiguidade para facilitar o trabalho do homem reduzindo o seu esforço, fluídos em repouso, desenvolvidos a partir de montagens como um macaco hidráulico e tubos de Torricelli, que ilustram o conceito de pressão hidroestática e fluídos em movimento, de modo a compreendermos o funcionamento de uma vela e de uma asa de avião. Em segundo lugar, visitámos a Odisseia da Matéria, que tem como objetivo incitar o visitante a observar, refletir, compreender e experimentar. Esta sala divide-se na parte da matéria, que consiste na realização de perguntas para estimular a curiosidade do visitante e prepará-lo para o esforço e exploração, na parte da eletricidade e magnetismo, que tem por base a descoberta dos princípios da electroestática e do magnetismo através do manuseamento de ímanes, motores e geradores, bem como o poder de criação de uma mini tempestade e geração de eletricidade. Finalmente, e a mais conhecida, a Tabela Periódica gigante, com materiais reais, numa versão contemporânea e interativa. Seguidamente visitámos a Odisseia do Universo, que deixa transparecer o local humilde que o homem ocupa neste. Na exploração desta sala, começámos por ‘’observar o universo’’, tentando perceber o funcionamento dos instrumentos astronómicos; seguidamente a Terra, a Lua e o Sol, onde se encontram explicados os fenómenos que influenciam diretamente a vida na Terra. Quase a chegar ao final desta “viagem”, visitámos a Odisseia da Informação, que nos explica que o mundo da informática ainda está em expansão. Esta sala é constituída peloverdadeiro ou falso, onde somos convidados a conhecer o mundo dos computadores e a formalidade da lógica utilizada na informática e o computador, onde somos guiados a um mundo que conhecemos mal. Em último lugar, visitámos a Odisseia da Vida, onde nos é transmitida a fascinante mensagem de que todos os seres humanos são únicos, porém mais parecidos entre si do que diferentes. Esta sala está dividida na hélice dupla e na célula, onde somos confrontados com a infinidade de combinações que o código genético permite, possibilitando a imensa diversidade humana; um mundo para ouvir, onde uma série de modelos interativos simulam o funcionamento do ouvido, incluindo o sentido do equilíbrio; um mundo para cheirar, onde é apresentado um processo de deteção e o fenómeno de saturação do olfato; o cérebro, onde percebemos todas as funções e mecanismos; um mundo para tocar, onde experimentamos ilusões tácteis e ainda um mundo para ver, onde somos confrontados com um jogo que põe à prova os nossos sentidos.
Já quase prontos a vir embora, confrontámo-nos com os jardins temáticos exteriores e, desta vez sozinhos, decidimos explorá-los: com cerca de 25.000 m2 estes jardins possuem um conjunto de equipamentos lúdicos que nos permitem gastar energias ao mesmo tempo que experimentamos noções científicas.
Porque os barcos flutuam? Porque os aviões voam? Qual será o teu peso em Marte? Vem visitar o Visionarium e descobre estas e muitas outras respostas nesta Odisseia fascinante!
A área da construção sustentável e a área do património constituem áreas de intervenção prioritárias, estando a ser implementadas parcerias com instituições académicas e de investigação internacional.
Green Lines - ONG para o desenvolvimento sustentável
Por O Canal da Descoberta
Green Lines é uma organização não governamental(ONG), que opera a partir de Barcelos para o mundo, com o mundo e pelo mundo, na esfera do desenvolvimento sustentável.
A Green Lines é uma organização não governamental que promove o desenvolvimento sustentável. Foi fundada em Barcelos, em Março de 2007, pelo atual presidente, Rogério Paulo da Costa Amoêda. Esta associação nasceu a partir de universitários que pretendiam adquirir meios para um desenvolvimento sustentável. A sua intervenção na sociedade está fundamentada em ações de divulgação, investigação e de formação. A cooperação internacional com organizações similares, universidades, académicos e investigadores torna o conjunto de ações possível.
Nas ações desenvolvidas por esta organização destacam-se, a organização de encontros internacionais, nomeadamente seminários, conferências e workshops; a publicação de textos originais de carácter científico e de investigação, quer através de actas de conferências, livros e revistas de carácter científico; fomentação da investigação partilhada entre instituições com interesses comuns no que se refere ao desenvolvimento sustentável; divulgação do conceito de sustentabilidade através de acções de formação com vários tipos de destinatários, em particular a formação complementar para licenciados e profissionais.
A Green Lines pretende criar plataformas inovadoras de investigação partilhada que permitam a agilização das ações implementadas, estando já em fase de teste uma primeira versão do sistema.
A nível educativo tem como objectivo a formação complementar superior, através da implementação de programas e conteúdos formativos relacionados com o desenvolvimento sustentável.
No âmbito da investigação, a organização Green Lines dá especial atenção às áreas relacionadas com o desenvolvimento sustentável, em todas as suas vertentes, económica, social, ambiental e cultural.
A área da construção sustentável e a área do património constituem áreas de intervenção prioritárias, estando a ser implementadas parcerias com instituições académicas e de investigação internacional.
Esta organização aposta fortemente em congressos a nível internacional com o objetivo de apresentar e discutir os seus projetos científicos. Estes congressos denominam-se '' Heritage ''. O primeiro destes congressos ocorreu de 6 a 10 de Maio de 2008, em Vila Nova de Foz Côa (Portugal), denominado Heritage 2008.Organizaram também o Sharing Cultures 2009- International Conference on Intangible Heritage, que decorreu de 29 de Maio e 1 de Junho, na ilha do Pico, Açores, Portugal. Este contou com a presença de 120 delegados representando cerca de 20 países dos 5 continentes. A conferência contou com o apoio do Governo Regional dos Açores, e associou as festas do Espírito Santo à presença de investigadores e académicos internacionais, o que se revelou de grande sucesso e originalidade. A Prof. Susan Pearce e Andrew Hall, presidente do ICICH (International Committee on Intangible Cultural Heritage), formaram o painel de oradores convidados. Os restantes trabalhos distribuíram-se por um conjunto de sessões paralelas que permitiram a apresentação e discussão das comunicações aceites pelo Comité Científico.
No ano seguinte, organizaram o evento "HERITAGE 2010 - 2nd International Conference on Heritage and Sustainable Development", que decorreu na cidade de Évora (Portugal), de 22 a 26 de Junho. O evento contou com o patrocínio da Câmara Municipal de Évora, que apoiou um conjunto de iniciativas sociais que proporcionaram aos delegados um melhor conhecimento da região. Estiveram presentes pessoas oriundas dos cinco continentes e das mais prestigiadas universidades.
Em 2011, desenvolveu-se o evento “SHARING CULTURES 2011 – 3rd International Conference on Intangible Heritage” em Tomar, Portugal, de 3 a 6 de Julho.
Destes congressos resultaram livros com todas as ideias discutidas e todos os assuntos tratados.
Neste momento estão disponíveis dois volumes do Heritage 2008 e dois volumes do Heritage 2010 .
Neuropsicologia: uma ciência desconhecida
A Neuropsicologia consiste no relacionamento com o cérebro e a mente. Faz parte das denominadas Neurociências e, em colaboração com várias ciências, envolve tudo o que tenha a ver com biologia ligada ao cérebro. Estuda particularmente a ligação: ação/comportamento – cérebro.
É um ramo da psicologia, embora por muitos considerada uma Sudespecialidade,e dá um precioso contributo ao procurar explicar os comportamentos através da ligação dos neurónios.
Estuda não só comportamentos diferentes mas também os habituais, as tomadas de decisões, tudo.
Assim está mais apta para analisar problemas cerebrais raros como Alzheimer, Parkinson etc. … como o cérebro processa a informação, o que é percepcionado pelos sentidos, o que falha, procurando encontrar as melhores soluções para a melhoria da qualidade de vida dos doentes.
São várias as estratégias utilizadas para a despistagem dos vários problemas, sendo alguns bastante simples, tal como o - Teste do relógio.
Neste teste leva-se o paciente a desenhar um relógio grande com todos os números e os ponteiros a marcar uma hora qualquer. A forma de fazer o desenho pode indicar problemas endócrinos ou a forma como trabalha o cérebro. Ao conseguir prova-se que não existe nenhum defeito cognitivo. Testa a memória (memória semântica – saber o que é o relógio e sem data de aprendizagem concreta). Testa a planificação e a memória a curto prazo (saber que hora foi dita para desenhar). Testa-se várias idades, sexos, escolaridade etc. … para ver se existem influências.
Ressalva-se que a toma de alguns medicamentos afeta o estudo, logo pessoas medicadas regularmente não podem ser estudadas.
Dos estudos realizados poderão ser retiradas conclusões interessantes:
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Depois do descanso, o rendimento cognitivo é maior.
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A estimulação nas crianças é muito importante para a prontidão das mesmas para a escola.
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A regeneração de neurónios é possível o que contraria a ideia comum de que estes vão morrendo ao longo da vida.
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O deslumbramento pode causar a criação de novos neurónios ou qualquer estímulo suficientemente forte para tal (curiosidade – desenvolve-se com o tempo).
Em Portugal o 1º mestrado em neuropsicologia foi feito no ISMAI (inclui 1 ano de aulas e um ano de investigação) partindo de uma cadeira do curso de Psicologia (desde 1995). Daqui se conclui que é uma área pouco desenvolvida no nosso país, sendo muitos jovens obrigados a procurar no estrangeiro formação mais completa ou emprego.
Todos os estudos experimentais são feitos a partir da seleção de um grupo, que podem estar integrados numa escola, num hospital ou outras instituições. Depois de obtidas as autorizações necessárias, procede-se a uma avaliação psicológica feita a partir de testes ou exames neurológicos.
Estes estudos ainda são feitos de forma rudimentar, uma vez que há falta de equipamentos, que permitam uma análise mais aprofundada e uma desejável formação mais rigorosa. O Centro de estudo está mal equipado em termos logísticos e infra-estruturas. Seria por isso importante ter um local para receber as pessoas, para os alunos poderem treinar e para melhorar a sua formação. Recursos humanos existem para que tal aconteça. A estes requisitos seria ainda necessário acrescentar 2 doutorados novos para um melhor desenvolvimento do curso.
Perante estas carência, os estágios são realizados em escolas, hospitais, prisões, lares de 3ª idade, locais onde se constata ser desejável a presença um neuropsicólogo, para se proceder a uma avaliação correta dos pacientes e em consequência se estabelecerem planos de intervenção e/ou recuperação. Exemplo desta prática regista-se que está em curso na Maia um rastreio cognitivo da população idosa. Este estudo parte do registo de que existem mais idosos do que jovens neste concelho.
Como comprovativo da importância desta disciplina podem ainda apresentar-se dois dados:
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Na avaliação e tratamento de algumas doenças a posição do neuropsicólogo deverá ser mais tida em conta, de forma a evitar erros que surgem quando se faz uma abordagem mais restrita (por psicólogo, ou neurólogo).
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As operações feitas a pessoas com problemas cognitivos, diagnosticados por neuropsicólogos, são realizadas enquanto os pacientes estão sujeitos a perguntas que envolvem a parte do encéfalo que está a ser submetida a cirurgia.
Antropologia
A migração por outras lentes
Imigrantes e serviços de apoio social
Por Bernardo Isidoro Peixoto, Madalena Fernandes e Rita Cabral de Matos
Youssef nasceu em Marrocos e frequentava, aos seis anos, uma escola primária, em Lisboa, quando lhe foram identificadas algumas queimaduras na barriga. Violência doméstica: era disso que a direção escolar suspeitava ao denunciar o caso aos serviços sociais, que procederam à investigação junto da família. Depois de ouvido o depoimento da mãe, o Tribunal de Menores decretou que lhe fosse retirada a custódia da criança.
Na verdade, o pequeno Youssef sofria de enurese e aqueles que eram tidos como comportamentos de violência doméstica não eram mais do que práticas terapêuticas marroquinas, aplicadas por uma mãe movida pelas mais nobres intenções. Tais sequelas derivavam, portanto, de um método tradicional, de sucesso cientificamente explicável, que consiste em colocar pedras sagradas quentes sobre a zona afetada. A mãe, ao se aperceber da sua impotência face ao cumprimento da lei, chegou mesmo a destapar o seu voile para mostrar que também fora tratada de modo semelhante.
Youssef já não fazia chichi na cama mas, entre lágrimas e gritos desesperados, ficou órfão de pais vivos.

Este é apenas um dos muitos casos controversos com que Chiara Pussetti se depara no decurso do seu trabalho de antropóloga, como coordenadora da investigação “Imigrantes e serviços de apoio social: tecnologias de cidadania em Portugal”, no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE). Começando por se licenciar em Filosofia, na sua terra natal, Itália, a investigadora rapidamente percebeu que preferia o “contacto com os seres humanos efetivos, não do alto, mas através do diálogo”. Adepta da reflexão sobre grandes questões universais, envereda pela Antropologia, desenvolvendo as suas teses de mestrado e doutoramento em Bijagós, Guiné Bissau, onde viveu durante quatro anos. A experiência colonial portuguesa naquele país fez de Lisboa um ponto de passagem obrigatória na sua pesquisa e Chiara acabou por se fixar nesta cidade. Desta forma, abdicou de um contrato em Itália, para iniciar uma carreira profissional que desse continuidade ao seu trabalho ligado à cultura africana, um interesse que a acompanhava desde a frequência da cadeira de Antropologia Africanista.
Considerando-se também uma emigrante, Chiara passou pelas mesmas adversidades que a população que investiga. A primeira com que se confrontou foi a de só saber falar fluentemente a sua língua materna e crioulo. Devido a esta limitação comunicativa, a população africana e afrodescendente começou a ser o principal foco de interesse dos seus projetos no ISCTE, onde leciona, iniciando desde cedo contactos com bairros sociais.
Sensibilizada com a problemática da emigração, Chiara é a mentora da referida investigação. A sua equipa, dividida de norte a sul, inicia o trabalho de campo a partir da inserção nos diversos contextos, o que, por vezes, exige aos profissionais a adoção de metodologias astutas. Uma tatuagem, uma aparência descuidada, uma lata de grafiti na mão ou uma expressão crioula na hora certa podem contribuir para a obtenção da informação precisa.
Para a mentora deste trabalho, os resultados obtidos dependem da perspetiva de análise, ou seja, só é possível uma boa reflexão adotando as “lentes adequadas”.
O principal objetivo da pesquisa é avaliar as práticas da assistência social e perceber porque é que algumas delas não só não satisfazem as reais carências dos imigrantes, como também não se adaptam à sua realidade, servindo, em última instância, de mediação entre ambas as partes. Também é alvo de observação a supremacia exercida por tais serviços, que se deve ao facto de grande parte dos imigrantes se inserirem numa classe social pobre e para quem “a língua da Ciência é a voz da razão”, não adotando uma posição crítica face às medidas que lhes são impostas.
A investigação tem por base uma intensa reflexão etnológica, partindo da análise da génese das políticas de cidadania, para perceber quais as matrizes que lhes deram origem e qual a sua legitimidade. Para a mentora deste trabalho, os resultados obtidos dependem da perspetiva de análise, ou seja, só é possível uma boa reflexão adotando as “lentes adequadas”.
Da teoria... à prática
“o antropólogo é a pedrinha no sapato porque questiona coisas que nunca são questionadas”
Aquando da edição desta reportagem, Chiara encontrava-se em contacto com os profissionais de instituições como o Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural. É nesta fase que se comprova que a inadequação de algumas práticas da assistência social para com os imigrantes não são uma novidade introduzida pela pesquisa antropológica. E tanto assim o é que a investigadora constatou bastantes apreciações da parte dos técnicos da assistência social que, pedindo anonimato absoluto, admitiram alguma insatisfação face aos resultados efetivos da sua atuação. As diretivas europeias e destinos dos financiamentos têm aqui a sua quota-parte de responsabilidade, pelo que, ao levantar questões desta natureza, o trabalho levado a cabo pela equipa do ISCTE gera, assim como muitos outros, alguma controvérsia. Mas já as definições clássicas de Antropologia a designavam como motor da crítica social e são as equipas de investigação que tomam a iniciativa de intervir. Por esse motivo, e como revela Chiara Pussetti à desEntropia, “o antropólogo é a pedrinha no sapato porque questiona coisas que nunca são questionadas”.
Teo, um entre muitos dos afrodescendentes residentes na Cova da Moura, levou-nos a conhecer por dentro este que é um dos bairros sociais mais mediáticos e alvo da investigação de Chiara Pussetti.
A equipa do ISCTE apercebe-se de que a vulnerabilidade e o risco para a sociedade civil são características atribuídas como intrínsecas aos imigrantes. É com base em estereótipos como este que as políticas de cidadania são delineadas, impedindo o sucesso da relação entre a assistência social e o público-alvo. É que as próprias tecnologias de cidadania induzem tais características, o que explica o deficiente tratamento de questões polémicas como o planeamento familiar, narcotráfico, prostituição, escolaridade ou até mesmo ritos de possessão espírita. O próprio processo migratório, segundo Chiara, exige uma “aptidão empreendedora”, pelo que a incapacidade não deverá ser generalizada aos imigrantes. Em visita à Cova da Moura, Teo, um jovem de vinte anos, diz-nos que “o grande mal é a problematização feita pelos media”.
Uma questão de identidades culturais
A coordenadora da investigação acredita que só é possível compreender casos paradigmáticos como o de Youssef à luz dos “contrastes de cariz cultural que existem entre as diferentes sociedades” e abrindo novas possibilidades legais. Só desta forma é que os imigrantes deixarão de ver a atividade da assistência social como uma afronta.
"O Código Civil prevalece e os imigrantes devem respeitar as regras do país em que se vivem.”
Para Maria Lima, técnica de desenvolvimento comunitário e estudante de Direito, “esta é uma situação em que têm de se tomar medidas radicais para proteger a criança de outros perigos. Mesmo que isso colida com certas práticas culturais, o Código Civil prevalece e os imigrantes devem respeitar as regras do país em que se vivem.”.
Esta pesquisa antropológica, levada a cabo durante anos, exige que a equipa se atualize constantemente e mantenha um contacto frequente, possibilitado por tecnologias como o Skype.
“este é um mundo de todos, não países de alguns”
Nos olhos de Chiara, que defende um papel participativo da Antropologia, vemos que nem sempre é fácil manter a imparcialidade. A mentora desta investigação acredita que, por outras lentes, a migração deixará de ser vista como um estado infindável mas sim como uma fase e que “este é um mundo de todos, não países de alguns”.
A conquista além-mar dos fornos solares
Alunos algarvios ensinam cabo-verdianos a cozinhar de forma sustentável e nutritiva, com recurso à energia do Sol
Por Scientia
Os cozinhados e benefícios das
“caixas de fazer comida”, como Saussure apelidou os fornos solares, deliciaram os estudantes tavirenses. Para dar o primeiro passo no combate das carências energéticas, um grupo de alunos da EB23 D. Paio Peres Correia foi, em 2008, até Porto Novo mostrar aos colegas cabo-verdianos como construir fornos solares. 3 anos depois, fomos recuperar as memórias do grupo português.
O início da jornada

Uma Oficina de Construção de Fornos Solares de Baixo Custo
A Oficina de Construção de Fornos Solares de Baixo Custo, parte integrante do programa anual de atividades oferecido pelo Centro Ciência Viva de Tavira, foi convertida em projeto educativo: o ImpulSolar.
Filipe Santos, bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia e colaborador do Ciência Viva na altura, foi o mentor do ImpulSolar. Ao Scientia, o investigador afirmou que este projeto “surge como a hipótese de as turmas que frequentam a oficina poderem aplicar os seus conhecimentos e converterem-nos em algo útil para comunidades carenciadas”.
Em 2008, coube ao 8º B da EB23 D. Paio Peres Correia abraçar este desígnio. Segundo um dos alunos, o grupo desde logo revelou um espírito proativo: “Quando, em sala de aula, nos foi lançado o repto para nos envolvermos neste trabalho, aceitámos de imediato, apesar de não termos qualquer noção de como se construíam fornos solares”.
O primeiro passo foi participar na oficina supra-referida, de forma a possuírem as bases teóricas necessárias. Com as noções adquiridas, cada estudante construiu, seguidamente, diversos protótipos que foram alvo de avaliação científica na disciplina de Ciências Físico-Químicas.
Sobre a complexidade desta fase, Rui, de 17 anos, respondeu ao Scientia que “a curiosidade e a dúvida foram factores determinantes neste trabalho, ao constituírem o pavio da vela da aprendizagem. Assim, tudo pareceu mais fácil, além de, em qualquer sítio (como pudemos comprovar em Cabo Verde), sermos capazes de arranjar o cartão, o papel de alumínio, as panelas negras e o plástico necessários para construir vários fornos solares”.
Ao longo de largos meses, o grupo dedicou-se a várias tarefas. Na disciplina de Educação Visual e Tecnológica, conceberam um forno solar mais eficaz e produtivo, tendo por base conclusões da análise científica. Com a ajuda das Tecnologias de Informação e Comunicação, elaboraram um manual para a produção de fornos solares. De forma a prepararem a viagem, contactaram as entidades do concelho geminado com Tavira, Porto Novo.

A prova culinária
Envolvendo toda a comunidade escolar, a parte por que todos os alunos ansiavam - a ida a Cabo Verde - tornou-se realidade. Cheia de conhecimento e boa disposição, a comitiva portuguesa chegou à Escola Secundária de Porto Novo. Como recorda Pedro, de 17 anos, as apresentações foram dispensadas: “À chegada, houve uma receção muito calorosa! E o facto de termos trocado correspondência com os colegas cabo-verdianos antes da viagem permitiu criar alguma aproximação e quebrar o gelo, ainda que a interação presencial seja sempre diferente”.
Em regime de masterclass, os alunos lusos, auxiliados por técnicos do Ciência Viva e com recurso apenas a materiais recolhidos na comunidade, explicaram o procedimento, responderam a dúvidas e construíram o forno solar. Para comprovar a eficácia do que haviam produzido, não faltou petisco.
Recorrendo apenas ao Sol, todos puseram à prova os seus dotes culinários e cozinharam diversas panelas de caldeirada à Cabo Verde. Apesar deste tipo de cozinha ser mais lento, o veredicto foi consensual: o sabor e aspecto da iguaria no forno solar não ficou nada atrás, se não ainda melhor, que a tradicional.
O balanço e o futuro

O empenho comunitário em Cabo Verde
Após cinco dias de enriquecimentos, o grupo proveniente de Tavira partiu de Cabo Verde com uma certeza: a sede de aprender naquela ilha é muita e o apreço dos jovens pela aprendizagem e pela cooperação é enorme.
Tal como consta do relatório final do projeto, a que o Scientia teve acesso, “perante as condições de vida daquele município, os estudantes de Porto Novo tiveram e têm uma atitude muito positiva. Nos meses seguintes, foram eles que contaram aos graúdos o que tinham aprendido e que cozinharam refeições para a comunidade”.
Em declarações ao Scientia, o diretor do Centro Ciência Viva de Tavira traçou rasgados elogios ao projeto: “Face ao exponencial aumento do consumo de energia, urge a necessidade de cada um de nós se pautar por práticas racionais na gestão dos recursos. A cozinha solar está a revelar-se uma solução importante para o problema com que nos debatemos. (…) É para esta enorme ferramenta que o ImpulSolar pretende consciencializar e motivar os jovens”.
Um dos estudantes participantes faz o convite: “Numa época como a atual, é crucial conhecer outras alternativas. O projeto foi muito bom ao ajudar-me a diversificar competências e a vivenciar novas experiências”.
Em zonas com uma média anual de dias de sol elevada e fraca pluviosidade, os benefícios que se podem obter desta tecnologia são imensos. Poder-se-á diminuir a desflorestação, bem como reduzir a dependência de combustíveis fósseis; melhorar o nível de vida das populações, ao incrementar condições sanitárias adequadas aquando da confecção de alimentos e estimular a economia, pela criação e implementação de negócios ligados à produção e venda de fornos solares.
Difundir conhecimento. Procurar parcerias de forma a aumentar a utilização de fornos solares. Combater a pobreza. Metas claramente em cima da mesa do Centro Ciência Viva de Tavira que, com o sucesso obtido, tornam esta experiência em algo a repetir. "A ida a Cabo Verde foi uma primeira experiência de um projeto que se quer mais alargado. A ideia é levar escolas e turmas a entrar em contacto com escolas de outros países que possam usufruir desta tecnologia", afirma Filipe Santos.
Seja um impulso para o lar de cada um ou para impulsionar a energia e cozinha solar, este projeto está à espera de passar do papel para a realidade comunitária mundial há mais de 2 anos.
Este texto foi escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico.
Relembrar Edgar Cruz e Silva
Por nanoLETRAS
A pequena cidade de Samora Correia, em pleno Ribatejo, prepara-se para um pequeno, mas nobre evento. Iniciativa única e louvável, cujo objetivo é incentivar as jovens mentes brilhantes da região. A bolsa de mérito Edgar Cruz e Silva atribuída pela Fundação Beirão da Cruz e Silva (FBCS) tem como missão colocar “A Ciência ao serviço da Comunidade”, conforme mencionado no website da FBCS. A fundação foi edificada pela família do investigador e professor universitário Edgar Figueiredo da Cruz e Silva, após a sua morte.
Um humilde e brilhante percurso
Edgar Figueiredo da Cruz e Silva nasceu a 17 de Maio 1958 em Lisboa e viveu a sua infância no Porto Alto, uma humilde vila no Ribatejo. Filho de um barbeiro e de uma dona de casa, frequentou a pequena escola da vila até à terceira classe, acabando a quarta classe em Vila Franca de Xira. Era um rapaz tímido, independente e determinado em investir no seu futuro, indo sozinho para Lisboa aos doze anos, para o colégio Gil Vicente, onde se destacou pela excelência como estudante.
Os primeiros
A clonagem de fosfatases foi conseguida pela primeira vez pela dupla Edgar-Odete. “Ser a primeira pessoa que está a ver aquilo no mundo inteiro... Eu acho que é isto que nos motiva”, conta Odete com emoção. Para além disso, acrescenta, “é motivador saber que aquilo que se está a fazer pode ser uma mais valia para a sociedade na área da saúde – Podemos saber o que está na base de uma doença, facilitando os diagnósticos”.
Após terminar o secundário, viaja para Inglaterra e em 1983 licencia-se em Ciências Biológicas na Universidade de Essex. Com um brilhante percurso académico, prossegue a sua formação doutorando-se em Bioquímica na Universidade de Dundee, na Escócia, juntamente com Philip Cohen, cujo trabalho científico é reconhecido não só em Inglaterra, mas também no mundo. Desenvolve na MRC Protein Phosphorylation Unit,inserida na Universidade de Dundee, as suas áreas de maior interesse -transdução de sinais e fosforilação de proteínas. Após receber inúmeras propostas de trabalho, Edgar Cruz e Silva decide ir com a sua família para a Universidade de Rockefeller, em Nova Iorque, onde trabalhou com o laureado com o Prémio Nobel da Medicina de 2000, Paul Greengard.
Em1996, com dois filhos – Cristóvão e David –, Edgar e Odete voltaram para Portugal. “Decidi que não queria ter filhos americanos, acho que foi essa a principal razão que nos fez voltar”, confessa Odete ao nanoLETRAS. O ex-ministro da Educação Júlio Pedrosa, envolvido no Fórum Internacional de Investigadores Portugueses, influenciou também a vinda da família para Aveiro.

Grupo de trabalho de Edgar Cruz e Silva, Universidade de Aveiro
Nesse mesmo ano, Edgar fundou o Centro de Biologia Celular (CBC) na Universidade de Aveiro. Até ao presente, o CBC já formou vários investigadores e tornou a UA numa universidade de referência nacional e internacional. A maior área de investigação do CBC, a sinalização celular, é aquela em que o casal Cruz e Silva se concentrava. A sinalização é um sistema de controlo muito importante em células eucarióticas, controlando muitos processos celulares. É o estudo de como as células comunicam umas com as outras: duas células perto uma da outra têm que comunicar. Muitas doenças e estados disfuncionais estão associados à sinalização celular anormal e, por isso, a investigação de Edgar Cruz e Silva contribuiu para várias áreas biomédicas, principalmente a neurociência e infertilidade masculina.

Cruz e Silva no VI Encontro FIIP em 2008: da esquerda para a direita, José Carlos Princípe, Odete Cruz e Silva, Irene Fonseca (presidente do FIIP) e Edgar Cruz e Silva
Edgar Cruz e Silva, que foi também presidente da Sociedade Portuguesa de Bioquímica, foi sempre bastante dinâmico, tendo, entre muitos outros projetos, trazido para Portugal, para Aveiro, em 2007, o EMBO (European Molecular Biology Organization) para o primeiro congresso de uma série de três. O último, em 2011 na Áustria, foi-lhe dedicado.
Orgulhosa, Odete conta-nos que numa edição recente da revista Nature foi publicado um artigo sobre fertilidade masculina, no qual é dito que o laboratório de Biologia Molecular da UA (CBC) é de referência mundial. Isto não teria sido possível sem Edgar, que o fundou.
Edgar Cruz e Silva faleceu no dia 2 de Março de 2010 devido a uma doença oncológica.
A concretização de um sonho

David, Odete e Cristóvão Beirão da Cruz e Silva
A Fundação Beirão da Cruz e Silva foi criada por Odete Beirão da Cruz e Silva, e pelos seus filhos, Cristóvão e David, em homenagem às ambições do seu falecido esposo e pai, que sempre acreditou na importância de investir no futuro e no estudo. "De facto ele [Edgar] não teve oportunidade de fazer tudo o que queria, portanto nós sentimos que o mínimo que podemos tentar fazer é dignificar o que seriam as suas intenções", afirma Odete.
Embora seja designada por fundação, é apenas uma organização sem fins lucrativos em crescimento. Tem como missão divulgar a cultura e conhecimento científico para a comunidade, mas também relembrar o nome de Edgar Cruz e Silva, intemporalizando o seu contributo para a sociedade e para o mundo.
Entre as atividades realizadas pela organização está a Semana Internacional do Cérebro, que remonta a antes da formação da própria fundação, quando Edgar contribuía ainda pessoalmente para a sua realização. Até hoje já foi realizada em Lisboa, Porto, Aveiro e Samora Correia.
Outra atividade é a entrega anual da bolsa de mérito, que pretende promover o estudo, congratulando o aluno que mais se destacou no secundário. Esta bolsa tem origem no desejo de criar uma comunidade de pessoas com mérito nesta região do Ribatejo, seja Benavente, Porto Alto ou Samora Correia. "O que interessa é apostar aqui na nossa região, seja em bolsas, seja em conferências, seja em exposições, seja no que for.", diz David.
Este ano a bolsa foi atribuída a Helena Magalhães, que reconhece o incentivo: "Gostava de agradecer por este tipo de iniciativas porque premeiam os alunos que realmente se esforçam durante vários anos para tentar atingir os seus objetivos". Helena é um exemplo do fruto de todo o trabalho e esforço realizado pelos membros fundadores desta iniciativa, estando na base tudo aquilo que Edgar Cruz e Silva sempre sonhou e valorizou.
Que expectativas têm os jovens de Fajões na Ciência?
Nas primeiras semanas do mês dezembro realizou-se, na Escola Básica e Secundária de Fajões, um inquérito
online, com o intuito de apurar quais as perspectivas que os jovens de Fajões têm na ciência.
A ciência é indispensável para o progresso e para a mudança.
Olhar o futuro
Considera-se, atualmente, que as interrogações são mais importantes do que as respostas definitivas, porque a ciência não é definitiva e, enquanto houver alguém que pergunte, haverá sempre inovação.
O inquérito foi executado no âmbito do concurso ‘’JJC - Jovens Jornalistas de Ciência’’, um concurso destinado a todo o Ensino Secundário e que tem como objectivo ‘’(…) estimular o gosto pela Comunicação pública de Ciência pelos jovens.’’
O inquérito, elaborado pela equipa “Correio do ADN”, contava com perguntas relativas à ciência de teor pessoal, ou seja, da maneira como cada um “olha” a ciência.
Os alunos aderiram em força ao questionário, desde os 10 aos 17 anos, registando-se, assim, respostas com diferentes níveis de maturidade, mas todas interessantes. Todos consideraram importante a aposta da humanidade na ciência.
Um aluno de 13 anos, do sexo masculino, ao ser questionado com o ‘‘porquê‘‘ dessa aposta respondeu que ‘’… se deve apostar na ciência porque ciência é futuro. Há 40 anos atrás quem pensava que seria possível falar com uma pessoa do outro lado do mundo? Daqui a 40 anos o que acontecerá?...’’.
Considera-se, atualmente, que as interrogações são mais importantes do que as respostas definitivas, porque a ciência não é definitiva e, enquanto houver alguém que pergunte, haverá sempre inovação.
Tal como Thomas Edison (inventor da lâmpada) disse, quando o interrogaram sobre o porquê de não desistir do seu projecto, ‘’ Não tive 2000 fracassos, o meu projecto teve 2000 passos e eu, ainda aprendi 2000 maneiras de como não fazer uma lâmpada’’.
‘’Inovação’’, ‘’progresso’’, ‘’vida’’, ‘’procura’’, ‘’sabedoria’’ e ‘’futuro’’, são algumas das respostas que os alunos deram quando foram abordados com a última pergunta do questionário - ‘’Como descreverias, numa palavra, ciência?‘‘
Os jovens de Fajões encaram a ciência de uma maneira positiva, como algo indispensável para o progresso e para a mudança.
Tal como Albert Einstein disse um dia: ‘‘A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original.‘’
Pai da Química
Por Visão Científica
Carlos Corrêa foi o precursor da Química em Portugal. O trabalho desenvolvido no doutoramento em Oxford e os que cá se seguiram serviram de mote para muitos outros investigadores. Professor exemplar, preocupava-se em elaborar apontamentos para orientar o estudo dos alunos. Inicia-se assim a sua paixão pela escrita de manuais escolares.

Vida académica de Carlos Corrêa
Carlos Maria Martins da Silva Corrêa nasceu a 13 e Agosto de 1936 no Largo Dr. José Novais em Barcelos. Morou depois junto ao monumento a D. António Barroso, e mais tarde no Largo Dr. Martins. Já rapazinho viveu no Largo do Jardim Velho, próximo do monumento ao Bombeiro Voluntário. Fez a instrução primária na Escola Gonçalo Pereira onde o “campo da feira” servia de recreio, depois frequentou o Colégio Alcaides Faria e o Colégio D. António Barroso, onde conclui o 5º ano (actual 9ºano).
Quando lhe foi colocada a escolha de um curso, dado o seu gosto pelas Ciências Físico-Químicas, e na altura só existirem os cursos de Engenharia Química e de Físico-Químicas, não pensando ser professor, optou por Engenharia Química. Mas se naquela altura existisse o curso de Física, Carlos Corrêa teria optado por ele. Após a escolha, licenciou-se na FCUP (Faculdade de Ciências da Universidade do Porto) e na FEUP (Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto), pois o curso consistia em três anos de Química e três de Engenharia.

Terminada a licenciatura, recebeu o convite para 2º assistente da Faculdade de Ciências da UP, durante três anos, o qual aceitou para experimentar. A experiência do ensino foi a “minha perdição”, disse Carlos Corrêa. Após três anos de serviço de 2º Assistente na FCUP, ou iria embora ou para passar a 1º assistente e entrar nos quadros da universidade teria que fazer um doutoramento. Naquela época, anos 50-60, em Portugal não tinha as condições necessárias para tal, teria de rumar ao estrangeiro. Assim, Carlos Corrêa teve o prestígio de entrar na Universidade de Oxford, a mais antiga do Reino Unido. Passou lá três anos, viveu em casa própria com a sua esposa, com quem havia casado recentemente, e lá nasceram os três filhos mais velhos. Carlos Corrêa doutorou-se em Radicais Livres - partículas que possuem um ou mais electrões desemparelhados em orbitais externas. O seu trabalho ao longo desse doutoramento, consistiu na produção de um dado tipo de radicais de enxofre (R-SO2) e na pesquisa das suas reacções com vários tipos de moléculas. Carlos Corrêa diz ainda: “Embora tenha passado por Oxford há cerca de quatro décadas, ainda recordo a facilidade de bater a portas para esclarecer problemas e conseguir ajudas. O ambiente era descontraído, não se notando qualquer competição doentia entre os “research students” que lá trabalhavam.”
Regressado a Portugal em Janeiro de 1967, já doutorado, retomou o serviço docente no Laboratório de Química da FCUP e iniciou a sua tese para a apresentar na Universidade do Porto. Continuou a investigação das reacções dos radicais livres que desenvolveu em Oxford, investigações essas que em anos seguintes serviram de preparação para os primeiros doutoramentos em Química efectuados no Departamento de Química da FCUP nos anos 70.
Após 10 anos em Portugal, foi desafiado por um colega da Faculdade, proprietário da Porto Editora, para escrever um livro de Química para o novo programa do 10ºano.O gosto pela escrita de manuais, segundo Carlos Corrêa, surgiu desde da Faculdade quando muitos professores ditavam os apontamentos muito depressa e não existiam livros escritos pelos professores, já que nessa altura os professores não eram obrigados a publicar as suas aulas.
Quando começou a ser responsável pelas aulas teóricas procurou fazer aquilo que achava ser dever de todos os professores - escrever as suas aulas para que os alunos estudassem na ausência de manuais. A partir daí começou a escrever apontamentos para os alunos.

Carlos Corrêa
Actualmente é Professor Jubilado da Universidade do Porto. Devido à amizade e generosidade dos colegas, professores do departamento de Química, foi proposto e nomeado Professor Emérito da Universidade do Porto, para continuar a divulgar a Química a nível do ensino Secundário. Presentemente, vai às escolas realizar palestras sobre Química, algumas delas constituídas por experiências.
LIP: um laboratório de físca desconhecido?
Dia 15 de Dezembro, acabaram as aulas e fomos até à Avenida Elias Garcia, para nos reunirmos com o Professor Pedro Abreu, investigador do LIP - Laboratório de Investigação e Experimentação de Física de Partículas.
Conseguimos entrar três vezes de maneira errada na avenida, mas acabámos por nos orientar. Convém sublinhar que não se deveu apenas à nossa falta de sentido de orientação, mas também ao facto de o laboratório não estar propriamente assinalado com neons, pelo contrário, apenas ao lado do botão da campainha se pode ler “LIP”.
Os escritórios passariam por os de advogados ou contabilistas, sendo a presença de cientistas denunciada pelos diversos posters relacionados com várias experiências em que o LIP participa ou participou.
O Professor Pedro Abreu mostrou-se, desde logo, completamente disponível para nos ajudar em tudo aquilo que fosse necessário. Conseguiu ainda arranjar-nos uma reunião breve com o Professor João Varela, o qual tivemos muito gosto em conhecer e que a partir de Janeiro vai ocupar o cargo de um dos vice-directores da colaboração CMS – uma das experiências do CERN.
Dia 19, às nove e meia da manhã, no nosso primeiro dia de férias, estávamos à porta do número 14 da Av. Elias Garcia.
Conseguimos perceber melhor o trabalho que se realiza no LIP, o espírito perante o mesmo e entre os diferentes investigadores. Tivemos ainda a oportunidade de conhecer outro dos investigadores pessoalmente, Pedrame Bragassa - um investigador iraniano que escolheu o LIP para trabalhar - de visitar o laboratório e de ter nas nossas mãos um cristal que já esteve no detector DELPHI.
O LIP é uma associação científica e técnica de utilidade pública que tem por objectivos a investigação no campo da Física Experimental de Altas Energias e da Instrumentação Associada.
As actividades de pesquisa principais do laboratório são desenvolvidas no âmbito de grandes colaborações no CERN e em outras organizações internacionais e grandes infra-estruturas dentro e fora da Europa, como o ESA, o SNOLAB, o GSI, a NASA, o Observatório Pierre AUGER e LUX.
Actualmente, este centro de investigação, apelidado como sendo um “laboratório acessório”, reconhecido a nível europeu e mundial, está envolvido em diferentes áreas de investigação e em inúmeros projectos, entre outros:
- Física de Partículas com aceleradores- ATLAS
ATLAS é uma das experiências em curso no LHC (Large Hadron Collider), um acelerador de partículas de grandes dimensões, localizado no CERN a 100m de profundidade e com uns impressionantes 27km de diâmetro, atravessando território francês e suíço.
No interior deste acelerador, são provocados dois feixes de partículas em sentido contrário sendo a sua trajectória controlada por electromagnetes altamente condutores, colidindo a velocidades estonteantes.
A partir da análise dos dados recolhidos no decorrer das colisões, no LIP procuram-se, por exemplo, respostas para questões relacionadas com as propriedades fundamentais da matéria, havendo ainda uma grande espectativa relativamente à descoberta do Bosão de Higgs, caso exista. Procuram-se ainda sinais do modelo de Supersimetria (que poderia levar-nos a perceber a razão para a abundância de Matéria Escura no nosso Universo).
Também no LIP, são feitos esforços no sentido de melhorar a “reconstrução de energia transversa em falta”.
O laboratório está ainda envolvido num projecto curioso: FPIAA“Finding People in ATLAS Area”. O facto de o detector ser de enormes dimensões e ter muito espaço para que lá circulem pessoas, fez com que garantir que ninguém lá está, na hora errada, fosse uma preocupação real.
- Física Médica – Mamografia PET
Este projecto procura desenvolver um aparelho que ultrapassa, em larga escala, todos aqueles que estão a ser utilizados, neste momento, para a detecção de cancro da mama.
Aplicando tecnologia inicialmente desenvolvida para experiências de física de altas energias (utilizada no CMS), os investigadores do LIP estão a desenvolver um detector que permite diagnosticar a doença num estágio inicial e com mais precisão.
O sucesso deste projecto terá implicações muito significativas para milhares de mulheres, tendo por isso um cariz inegavelmente social e humanitário.
Por razões óbvias, as grandes experiências em que o LIP participa não se realizam em território nacional. Os investigadores analisam os dados resultantes das experiências que têm lugar no CERN, por exemplo, considerando diferentes variáveis (e tendo sempre em conta uma margem de erro adequada).
Através de programas informáticos, que formatam para estudar determinado fenómeno, obtêm resultados que irão analisar cuidadosamente, seleccionando aquilo que é relevante.
Trabalhar no LIP significa viajar. Aqueles que trabalham mais activamente numa experiência que ocorra no estrangeiro, vão regularmente a esse país. Há investigadores que chegam a ir dez vezes à Suíça.
Os restantes, que não estejam tão activamente envolvidos na parte experimental propriamente dita, vão cerca de cinco vezes por ano reportar os resultados do seu trabalho. E significa também partilhar ciência. O ambiente nos escritórios é de familiaridade, de “nem batemos à porta”, o que poderá ser um dos segredos para o sucesso deste laboratório.
Quando perguntámos ao Prof Pedro Abreu (por sabermos que o LIP estava envolvido em projectos com uma abrangência global) que língua é que falavam no LIP, ele respondeu que era muito comum misturar, num mesmo discurso, francês, português, inglês… “A língua é a da ciência, é essa que todos falamos.”
Os horizontes da ciência são infinitos, citando o Prof. João Varela, “a ciência é uma aventura extraordinária”, e qualquer descoberta na área da física de partículas será de extrema importância para melhor compreendermos o Universo que nos rodeia.
Nunca será demais sublinhar que o LIP representa Portugal de forma muitíssimo digna no panorama mundial. O trabalho realizado pelos seus investigadores já deu muitos frutos e continuará, certamente, a surpreender, no futuro.
Quartzo, o mineral digno de um Museu!
Por Jornal Biohumanístico
NOTA PRÉVIA: A equipa do Jornal Biohumanístico esclarece que o Museu do Quartzo (tema atribuído no âmbito deste concurso) ainda não se encontra aberto, não sendo fácil obter informações detalhadas sobre o seu conteúdo. De modo a “dar a volta” a esta situação, a reportagem apresentada assentou na criação de um evento fictício - a inauguração do Museu - não deixando, contudo, de ser baseada em pesquisas diversas, entrevistas e em palestras proferidas pelo Professor Galopim de Carvalho.
O Museu do Quartzo, localizado numa antiga zona de exploração mineira no Monte de Santa Luzia, em Viseu, foi ontem inaugurado. Primeiro e único à escala mundial por ser dedicado a um mineral, o museu foi idealizado pelo prestigiado professor Galopim de Carvalho.

O professor Galopim e um público atento.
O professor, também coordenador científico do projeto, explicou à vasta audiência que compareceu no local de que modo o Museu e a área envolvente constituem uma “janela aberta” para o interior da crosta terrestre e salientou a importância da conservação e da valorização dos geomonumentos. “O Museu do Quartzo, anexo ao geomonumento do Monte de Santa Luzia, um colossal filão de quartzo leitoso, nunca estará completo, tão grande é a versatilidade deste mineral…” referiu o professor.
Os representantes da Câmara Municipal de Viseu destacaram a importância daquele espaço para o desenvolvimento de atividades de educação, promoção turística e investigação, considerando que se trata de um ponto privilegiado para se partir à descoberta da cidade de Viseu. Se, inicialmente, a ideia para requalificar aquela área passava apenas pela construção de um cenário arquitetónico que camuflasse os vestígios da atividade mineira, o contato com o professor Galopim de Carvalho veio, no entanto, transformar o “rasgão na paisagem” num projecto de musealização.

Ao fundo o Monte de Santa Luzia e o rasgão na paisagem onde Jorge Alves trabalhou.
A construção do Museu teve início em Setembro de 2006, no local onde, durante décadas, existiu uma exploração de quartzo, a cargo da Companhia Portuguesa de Fornos Eléctricos (de 1961 a 1986). Jorge Alves trabalhou como mecânico durante nove anos na exploração e refere com orgulho: “Era eu que fazia mexer aquilo tudo…”. Sobre o que lá se extraía, diz com humor: “Uns chamavam-lhe quartzo, outros seixo, mas, para mim, eram apenas pedras…”. Contou-nos, ainda, que seriam cerca de dezoito os trabalhadores responsáveis pelaextração do mineral e que este, depois, era transportado em camiões para os fornos de Canas de Senhorim, constituindo a matéria-prima que mais contribuía para a qualidade do fabrico da liga de ferro-silício. Jorge Alves não esqueceu a dureza do trabalho e recorda como “aquilo era um poço de doenças” para os trabalhadores. Lembra-se, ainda, do fim da exploração do monte, esclarecendo que não se ficou a dever à falta de quartzo. “Não esperei pelo último momento; emigrei e foi o melhor que fiz” – revelou à nossa reportagem.

Quartzo, um mineral essencial à civilização.
A inauguração foi abrilhantada pela atuação do grupo de teatro Boulevard, da Escola Secundária de Viriato, que retratou a história geológica e industrial daquela área, através de uma engraçada conversa entre três minerais que constituem o granito: o quartzo, o feldspato e as micas. “Ei, chega para aí!” − dizia a Micas. “Isso digo eu, ó gorda!” −respondia o Feldspato, numa alusão ao processo de formação do granito a grande profundidade. O Quartzo, no possante filão, acalmava-os: “Ainda são tão novos… Que tal serem amigos?”. Milhões de anos passaram e as personagens estavam jáà superfície, no Monte de Santa Luzia. A Micas continuava a considerar-se superior, o Feldspato mostrava-se mais reservado, enquanto que o Quartzo se lamentava: “Nunca mais tenho sossego! A todo o momento os meus irmãos são levados em camiões não sei para onde!”. Anos mais tarde, tudo estava muito mais calmo, pois a exploração fora abandonada, mas algo de inesperado aconteceu − a passagem de Galopim de Carvalho pelo local e a sua conversa com o Quartzo, durante a qual o mineral sugere a construção de um museu para que todos pudessem observar a beleza dos minerais e das rochas. Após esta ideia original, a peça terminou com o relato de uma visita de estudo ao Museu do Quartzo, nova morada deste mineral, do Feldspato e da Micas.

Existem imensas variedades de Quartzo.
Orçado em mais de um milhão de euros, o Museu pretende assumir-se como um centro interpretativo do quartzo, reunindo uma representação significativa de exemplares desta espécie mineral e das suas múltiplas aplicações industriais e artísticas, com destaque para a fundição, a cerâmica, a vidraria, a cristalaria, a óptica, a química, a electrónica, a relojoaria e a joalharia. Utiliza novas tecnologias para que os conteúdos possam ser explorados de uma forma lúdica, criando atividades que o museu físico não possibilita e privilegiando a interação com o visitante. Na zona envolvente, foi criado um espelho de água bem como um percurso pedestre, onde se encontram identificados e sinalizados diversos pontos com particularidades geológicas e mineralógicas. De futuro, está prevista a requalificação dos equipamentos industriais existentes no local e a recuperação de outros que ainda existam.
A componente arquitetónica do projecto, galardoada, em 1997, com o Prémio Nacional do Ambiente, é da autoria do arquiteto Mário Moutinho. Do local pode apreciar-se toda a silhueta da cidade de Viseu. Os interessados poderão visitar o Museu das 9h00 às 12h00 e das 13h30 às 17h00, todos os dias da semana, com exceção das segundas-feiras.
Portugal lidera investigações únicas no mundo sobre as principais doenças do cafeeiro
Depois de uma grande caminhada, avistam-se, ao longe, casinhas brancas alinhadas - mais tarde viemos a saber que eram estufas – e damos de caras com um pequeno edifício onde se situa o Centro de Investigação das Ferrugens do Cafeeiro (CIFC) do Instituto de Investigação Cientifica Tropical na Quinta do Marquês em Oeiras. Vítor Várzea, Eng. Agrónomo e Investigador do CIFC, começa por relatar um pouco da história e da importância do café. O café é o segundo produto mais importante no mercado internacional, a seguir ao petróleo, sendo a exportação agrícola de maior valor comercial. Por outro lado, é a bebida mais consumida, a seguir à água. A cafeicultura é fundamental para a economia de mais de 50 países produtores envolvendo cerca de 25 milhões de pessoas em todo o seu processo de produção. Os maiores consumidores são países desenvolvidos, os quais são também os principais responsáveis pela importação e comercialização global do café. O Eng. Vítor explica-nos detalhadamente que as espécies de cafeeiro com maior valor económico são Coffea arabica (cafeeiro Arabica) e Coffea canephora (cafeeiro Robusta), sendo a primeira a mais cultivada e com maior cotação nos mercados.
Entre as várias limitações da cultura do cafeeiro referem-se as doenças: ferrugem alaranjada, antracnose dos frutos verdes (CBD), cercosporiose, mancha manteigosa, queima dos frutos e seca dos ramos. A espécie C. canephora é mais resistente às doenças do que C. arabica. A ferrugem e o CBD são as doenças mais importantes pelo seu impacte negativo na produção de café. Estas doenças são causadas respectivamente pelos fungos Hemileia vastatrix e Colletotrichum kahawae. A ferrugem ocorre em todas as regiões produtoras do café. Em 1886, no Sri Lanka esta doença apareceu pela primeira vez com carácter epidémico devastando completamente a cafeicultura deste país com graves repercussões a nível social e económico. Os principais sintomas desta doença caracterizam-se pelo aparecimento de manchas descoradas na página inferior das folhas que se cobrem posteriormente com esporos de coloração alaranjada (uredósporos), originando desfoliação e enfraquecimento da planta com diminuição da produção (que pode ser superior a 30%) e, por vezes, a sua morte. O CBD é uma doença que por enquanto só existe no Continente Africano, tendo sido assinalada pela primeira vez no Quénia em 1922. Manifesta-se nos frutos verdes, provocando lesões de coloração escura e posterior formação de esporos (conídios), levando à queda dos frutos ou à sua mumificação nos ramos, podendo causar perdas de produção de 50-80%. Os factores mais importantes que contribuem para a disseminação destas doenças são o vento (transporte de esporos dos fungos de cafezal para cafezal) e o Homem (manipulação de cafeeiros contaminados com a doença). O modo mais utilizado para o controlo destas doenças consiste na aplicação de fungicidas, que são dispendiosos, nocivos para a saúde e contaminam o ambiente.
O CIFC foi fundado pelo Prof. Branquinho d’Oliveira em 1955. Este Centro foi criado em Portugal com o principal objectivo de centralizar o estudo das ferrugens do cafeeiro, a nível internacional, num lugar onde não fosse cultivado o cafeeiro. Deste modo, poderiam ser recebidas em Portugal amostras de ferrugem de diferentes países cafeicultores sem o perigo de contaminação da nossa agricultura. Explica-nos o Eng. Vítor que, para descobrir cafeeiros com elevados níveis de resistência é necessário testar plantas com ferrugens de diferentes origens geográficas, pois há diferentes estirpes (raças fisiológicas) deste fungo com diferentes espectros de virulência. No CIFC já foram caracterizadas mais de 45 estirpes neste fungo.
Desde a sua fundação, o principal objectivo do CIFC tem sido: descobrir cafeeiros com resistência à ferrugem, estudar os mecanismos de resistência do cafeeiro à ferrugem, a nível citológico, bioquímico e molecular, seleccionar e distribuir gratuitamente aos países cafeicultores plantas com resistência. O Eng Vítor refere que estes objectivos foram conseguidos. Como exemplo, refere as variedades de cafeeiro resistentes à ferrugem como Catimor, derivada do cruzamento entre a variedade Caturra (susceptível) e o Híbrido de Timor (resistente) e Sarchimor derivada do cruzamento entre a variedade Villa Sarchi (susceptível) e Híbrido de Timor (resistente). Mais de 90% das variedades resistentes à ferrugem, cultivadas em todo o mundo foram originadas a partir de estudos efectuados no CIFC e o Inv. Várzea caracteriza este Centro como “único no mundo”, frisando “único”. Em 1989 foi criada uma nova linha de investigação relativamente à antracnose dos frutos, com estudos idênticos aos realizados com a ferrugem, tendo como principal objectivo a criação de variedades de cafeeiro com resistência às duas doenças.
Ao entrar nas estufas apercebemo-nos do valor inestimável das suas colecções de germoplasma (elevado número de cafeeiros e de amostras dos fungos, imprescindíveis para os trabalhos de investigação). O CIFC estabelece relações de cooperação com mais de 40 países cafeicultores, dando apoio a programas de melhoramento genético em relação à ferrugem e ao CBD. O CIFC conta com 17 funcionários, 9 dos quais investigadores, e tem ao seu dispor mais de 5000 m2 de estufas, essenciais às investigações ali realizadas, favorecidas pelo clima ameno da região.
A descoberta de cafeeiros resistentes às doenças é um marco de elevada importância na história da agricultura mundial e, também, na história do país, pois têm sido investigações levadas a cabo por portugueses que permitiram tal feito. O Eng. Vítor participa em conferências por todo o mundo auxiliando o CIFC a desempenhar um papel de relevo mundial no estudo das principais doenças do cafeeiro, continuando a promover a sustentabilidade da cafeicultura mundial e contribuindo para a protecção ambiental. Ao deixarmos para trás as “casinhas brancas”, apercebemo-nos que o estudo das doenças do cafeeiro está em boas mãos, em mãos portuguesas.
Materiais com “sistema nervoso”
Empresa portuguesa trabalha com gigantes do mercado aeronáutico
A "Critical Materials" é uma empresa fundada em 2008 a partir de um grupo de pesquisa da Universidade do Minho, daí que seja designada “spin-off”, por Gustavo Dias e Júlio Viana, professores e antigos alunos daquela instituição. Está envolvida num dos maiores projectos europeus de investigação do sector aeronáutico, estando neste momento a trabalhar em parceria com a “Airbus”. Encontra-se sediada no “Avepark” – Parque de Ciência e Tecnologia das Caldas das Taipas (Guimarães), mais precisamente no “Spinpark”, edifício bastante peculiar que abarca um campus de empresas de tecnologia, com o objectivo de lhes prestar apoio em fase inicial de modo a aumentar a probabilidade de sucesso dos seus negócios.
Mas, afinal, o que faz a “Critical Materials”? O que são materiais com “sistema nervoso”? Quais os projectos que a “Critical Materials” tem em mãos?
A "Critical Materials" pretende fornecer tecnologia para monotorização,diagnóstico e prognóstico (prever o tempo de vida do material docomponente). Integra-se numa grande multinacional, a “Critical Group”, que está presente em diversos países do mundo, entre os quais Portugal, através, também, da “Critical Health”, em Coimbra, que desenvolve o mesmo tipo de tecnologia na área da saúde. Neste momento, a “Critical Materials” está envolvida no Projeto Intelli-SHM e, também, no Projeto SARISTU, o qual é liderado pela gigante "Airbus".

Testes realizados utilizando acelerómetros e extensómetros
Projeto Intelli-SHM
Este projeto centra-se na criação de uma plataforma (electrónica) de gestão da condição estrutural de componentes de modo a perceber se estão e onde estão danificados. É suportada pela tecnologia VS2 que tem sido testada e melhorada (fotografia). Consiste num sistema, que através de propriedades de auto-sensorização, atribui uma inteligência artificial aos componentes dos materiais constituintes dos aviões em que estes fazem a avaliação do seu estado e avisam para a necessidade da realização de intervenções de inspecção e manutenção. Ou seja, trata-se, especificamente, de avaliar a integridade estrutural de subsistemas através de sensores espalhados pelo avião. “ No entanto, o avião constitui um sistema por si só bastante complexo e acrescentar mais um ainda, traria mais problemas a todo o sistema. Caso houvesse a ruptura desse sistema, centenas de vidas estariam em perigo. Temos de simplificar o processo” acrescenta Júlio Viana.
Os testes realizados baseiam-se em vibrações produzidas sobre o material testado (neste caso, fibras de carbono), em que os sensores vão examinar a propagação das mesmas e caso parte do material testado esteja danificado, os sensores vão revelar com exactidão, através de programas informáticos próprios, o local e a intensidade do estrago. É desta forma que os criadores pensam que irá ser possível pôr em prática todo o projeto.

Estrutura exterior das futuras aeronaves (em testes)
Projeto SARISTU
É a única empresa portuguesa que participa no projecto SARISTU – “Smart Intelligent Airframe Structures”, liderado pela gigante dos ares Airbus. Este projeto tem como objectivo desenvolver soluções de materiais avançados, que permitam reduzir o peso e os custos operacionais das aeronaves, nomeadamente ao nível do combustível, mas também ao nível da manutenção, através de materiais mais resistentes, de modo a melhorar o seu desempenho aerodinâmico. Explica o director de tecnologia da “CriticalMaterials” que com materiais inovadores poder-se-á estender a vida útil das aeronaves e poupar horas de voo e dinheiro sem prejudicar a segurança dos passageiros.
Mas, então, quais são as vantagens desta tecnologia?

A Equipa AtómicoNews com o professor Júlio Viana
O objectivo desta tecnologia é o de avisar sempre que um componente da aeronave se danifica para se proceder à sua manutenção. Deste modo, as principais vantagens desta tecnologia a desenvolver são “a diminuição dos custos de inspecção/manutenção e o aumento da disponibilidade das aeronaves, ao nível da redução de peso - através de materiais avançados mais leves e resistentes, com novas metodologias de projeto para futuras aeronaves, e com a consequente diminuição de combustível”. Acrescenta Júlio Viana que “estas são as características que as empresas da área procuram para as novas aeronaves. Sabiam que a manutenção de um avião vai muito para além do seu custo inicial? Assim, seria óptimo se pudéssemos diminuir nem que seja uma pequena parte dos custos.” No entanto, contrapõe dizendo que quantos mais sensores forem utilizados, mais peso terá a aeronave e mais difícil será a monotorização de todo o sistema. "Temos de o simplificar", admite.
Quais as perspectivas futuras desta tecnologia?
Numa perspectiva de longo prazo, prevê-se a aplicação desta tecnologia nas energias renováveis (por exemplo, saber se um relâmpago alterou a desempenho de uma turbina eólica) ou na área da defesa, tendo a vista a diminuição dos custos numa área bastante dispendiosa como as forças armadas. Para já, numa perspectiva menos longínqua, ambiciona-se a comercialização de aeronaves que disponham destas propriedades de auto-sensorização no ano de 2016.

Réplica de um crânio de Allosauros fragilis
A evolução da ciência
Instituto Gulbenkian de Ciência faz 50 anos
Há já 50 anos que o IGC contribui para o “recuar da ignorância” em Portugal e no mundo.
A contribuição do Instituto Gulbenkian de Ciência para o avanço da ciência mundial é inquestionável. Dados científicos registam mais de 1.500 publicações internacionais com o endereço do IGC, que foram citadas mais de 25.000 vezes na literatura mundial relevante. Cerca de 1.100 publicações do IGC foram artigos originais, descrevendo resultados primários produzidos nesta instituição. Prova disto é o artigo que será publicado na edição de Janeiro de 2012 da prestigiada revista “Developmental Cell”. O artigo, sob o título “Cdk Activity Couples Epigenic Centromere Inheritance to Cell Cycle Progression”, refere-se ao trabalho de investigação desenvolvido por uma das quarenta equipas do instituto que inclui investigadores portugueses, como Mariana Silva e Nuno Martins, mas também estrangeiros, como Lars Jansen.
O IGC foi criado em meados de 1961 pelo conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian, sob a presidência de José de Azeredo Perdigão, advogado do fundador Calouste Sarkis Gulbenkian. Com a criação deste instituto garantiu-se pela primeira vez a profissionalização das carreiras de investigação. Apesar das alterações verificadas ao longo dos anos, com a especialização da instituição na área da biomedicina, o IGC continua a seguir os objectivos originais: fornecer aos cientistas as melhores condições de trabalho, material e intelectualmente, para que eles possam produzir ciência de excelência; oferecer aos estudantes de pós-graduação a possibilidade de se concentrarem na sua educação com as melhores condições do mundo.
Desde a sua criação que o instituto demonstrou os seus claros benefícios. Em 1969, o IGC introduziu o ensino pós-graduado. Em 1993, lançou o Programa de Doutoramento Gulbenkian em Biologia e Medicina, que aliás, foi o primeiro de todos os programas da fundação e o primeiro programa de pós-graduação em quatro anos em Portugal. Ao longo dos últimos dezassete anos, tem sido responsável por uma variedade de outros programas de pós-graduação que hoje são conhecidos em todo o mundo, e muitas vezes usados como exemplos de inovação e excelência. Para além disto, o instituto tem educado mais de 500 doutorandos e os estudantes da Gulbenkian ganharam uma excepcional reputação em muitos laboratórios da Europa e dos EUA. Com tudo isto, o Instituto tem dado uma contribuição indispensável para o aumento da reputação internacional da Fundação e para perpetuar o nome do fundador.
O IGC trabalha em parceria com todas as faculdades de Lisboa e outras do país e também com empresas internacionais, no sentido de fortalecer o instituto e desenvolver a ciência. O presidente do IGC, Prof. António Coutinho, defende a importância destas parcerias, dizendo: “É absolutamente indispensável. Ninguém avança sozinho, muito menos a ciência”. Os investigadores e cientistas das mais variadas partes do mundo trabalham num clima de generosidade, camaradagem, cooperação e estabelecem parcerias entre eles e autonomamente. Este espírito de entre- ajuda permitiu que o IGC esteja entre os 10 melhores locais para se fazer investigação fora dos EUA, pelo segundo ano consecutivo. O presidente e conceituado imunologista acredita que esta brilhante classificação se deve à diminuta burocracia do instituto: “as regras são como um tumor, devem ser cortadas pela raíz assim que detectadas, sendo que quanto mais cedo, melhor.”

Actualmente, a comunidade do IGC tem pessoas provenientes de trinta países diferentes. Os vários técnicos, cientistas e estudantes trabalham nas mais variadas áreas de investigação como a evolução genética em que se estuda as bases genéticas de adaptação das espécies através de experiências com pequenos organismos e com curtos tempos de geração, a biologia de desenvolvimento ou a imunologia, cujo estudo se baseia na interacção entre os genes que determinam a produção de auto-anticorpos e os mecanismos envolvidos na regulação de células do sistema imune que levam ao desenvolvimento de doenças auto-imunes. A descoberta de que com a administração de pequenas quantidades do gás monóxido de carbono, em ratos, consegue conter-se a malária crónica é uma das provas da eficiência destas áreas de investigação, que será extrapolada para os humanos, evitando a morte de milhões de pessoas por ano. Ainda assim, o Prof. António Coutinho dá especial destaque à triagem celular e imagiologia, afirmando até que somos os melhores do mundo neste campo. O êxito obtido deve-se ao excelente trabalho dos investigadores mas, também aos equipamentos sofisticados de que o instituto dispõe, constituindo uma das razões pela qual o instituto é procurado por investigadores estrangeiros, sobretudo os microscópios de fluorescência e os microscópios com câmaras de cultura.
Na concepção de Carl Gustav Jacob Jacobi, um grande matemático do século XX, “ le but unique de la science est l’honneur de l’esprit humain” – a única finalidade da ciência é a honra do espírito humano – conclui-se que o Instituto Gulbenkian da Ciência tem vinda a contribuir para uma causa nobre da melhor maneira possível, tendo em conta que nos últimos dez anos foram celebrados cerca de 350 contratos de investigação com agência e empresas externas à Fundação Calouste Gulbenkian, num total de 35 milhões de euros de investimento, incluindo mais de 10 milhões de fontes estrangeiras. Para além de ser considerada a instituição portuguesa com maior impacto internacional, atendendo à transferência de tecnologia e criação de ‘start-ups’ com a formação de sete empresas, organiza Dias Abertos e Noites dos Investigadores, que atraem milhares de pessoas, e cria programas de actualização de professores do ensino básico, secundário e conteúdos para apoio à aprendizagem da ciência.

Sr. Padre João Seabra
Pedro Julião Rebelo, mais conhecido por Pedro Hispano, destaca-se como o único papa médico, e, patrioticamente, como o único papa português.
Como homem da Ciência, a obra que o distinguiu, verdadeiramente, foi a obra Tesouro dos Pobres, colocando os seus conhecimentos médicos ao dispor dos mais desfavorecidos.
Thesaurus Pauperum é uma compilação de tratamentos, preconizados por cerca de trinta autores. Os medicamentos, alguns testados pelo próprio, são feitos à base de vegetais, animais e minerais. Foram efectuadas mais de setenta cópias entre os séculos XIII e XVII e impressas oitenta edições; foi traduzida para quinze línguas e utilizada no ensino de medicina, nos séculos XIV e XV. A sua grande difusão derivou acima de tudo, da existente dificuldade de acesso aos poucos médicos existentes na Idade Média, por parte dos pobres. Assim, Pedro Hispano preocupou-se em escrever uma obra mais útil, do que científica e desta forma, fornecer aos pobres um meio para cuidar da sua própria saúde.
Para dar uma ideia do conteúdo da obra, segue-se um excerto de um tratamento para a epilepsia:
Esta sua faceta altruísta e humilde é complementada pelo homem determinado, que luta pelos seus ideais, posta à descoberta ao longo do seu pontificado. A 15 de Setembro de 1276, é eleito com o nome de João XXI.
Não foi o breve pontificado, de oito meses e cinco dias, que o impede concretizar reconhecíveis feitos: repôs a ordem dentro da Igreja, obteve a reconciliação entre as casas de Anjou e Habsburgo, na Península Itálica, evitou um conflito entre os reis de Castela e França e conseguiu a unificação das duas Igrejas ( do Ocidente e do Oriente).
Poderíamos pensar que as suas experiências teriam sido abandonadas. Apesar de os seus conhecimentos científicos serem considerados suspeitos ao inculto clero (valendo-lhe a alcunha de “Magnus in Scientia”), ordenou que construíssem no palácio papal de Viterbo, para que servisse de laboratório.
Contudo, a sua dedicação à ciência roubou-lhe a vida. A 14 de Maio de 1277, o anexo desabou tragicamente, supõem-se que devido a uma explosão resultante de uma das suas experiências. Seis dias depois, a 20 de Maio de 1277, o papa João XXI falece devido aos graves ferimentos e é sepultado em Viterbo.
Papa João XXI, para alem de papa e médico dedicou-se também ao estudo da filosofia, lógica e psicologia, ensinou lógica e medicina em universidades. Foi autor de muitas outras obras, uma delas, Summulae Logicales, quebrando três séculos foi o livro preferido para o estudo de lógica.
Assim, um homem culto e versátil, altruísta e determinado, mas acima de tudo um homem da ciência.
Sr. Prior João Seabra
No propósito de recolher mais informação, deslocamo-nos à Igreja da Encarnação e dirigimo-nos ao Sr. Prior João Seabra. No seguimento de uma conversa descontraída, sugeriu-nos alguns locais com informação adicional acerca do papa, como a Academia Portuguesa de História e a Biblioteca Nacional, e deu-nos conhecimento de que o presidente da câmara de Lisboa João Soares, há cerca de uma década, conseguiu que mudassem o túmulo para um lugar mais digno.
EVOA um projecto com asas
Por Eco-jornalistas
No ano de 2012 em Vila Franca de Xira, abrirá ao público uma infra-estrutura extremamente importante quer a nível ambiental e social, chamado
EVOA - Espaço de Visitação e Observação de Aves.
Tudo começou em 2001 com uma proposta efectuada pela Aquaves (Associação de Conservação e Gestão de Ambientes Naturais) feita à Companhia das Lezírias, que se mostrou extremamente interessada em colaborar no projecto, uma vez que a infra-estrutura iria ser construída nos seus terrenos. Em 2005, a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira uniu-se ao projecto. Este projecto haveria de trazer um grande número de vantagens para as espécies animais existentes naquela área, particularmente as aves, por se tratar de uma área húmida e uma zona de concentrações de aves aquáticas e limícolas. Sendo o estuário do Tejo uma das zonas húmidas mais importantes do país e da Europa, foi-lhes atribuído este estatuído pela avifauna aquática migradora, por chegar a receber mais de 120 000 aves invernantes e pelo facto de a lezíria reunir todas as condições para que tal aconteça.
Segundo o Dr.Rui Alves esta infra-estrutura trará muitas vantagens a nível social, principalmente escolar e turístico. A nível social fará com que muitas pessoas se preocupem com a forma como tratam os animais e os seus habitats, mostrando-lhes a importância que as aves nos podem proporcionar. A nível escolar irá mostrar aos alunos das escolas como se pode ajudar a “mudar” o mundo com pequenos gestos, e dando-lhes a oportunidade de poder observar as aves e os seus comportamentos.Ao nível turístico trará mais pessoas à zona de Vila Franca de Xira resultando num aumento do desenvolvimento económico da cidade, e ainda proporcionará actividades que incluem a visitação das lagoas, com observação das aves em observatórios, uma exposição permanente que relaciona as aves com o seu habitat e o seu ciclo de vida, exposições várias com filmes e jogos, e ateliers para os mais pequenos. Esta infra-estrutura será constituída por dois pólos diferentes, que incluirão zonas de observação com percursos camuflados, auditório e cafetaria.
Este projecto pretende mostrar a importância do Tejo e das lezírias, como locais de conservação das espécies de avifauna e seus habitats, criar condições ideais de para uma maior diversidade de aves, e sensibilizar para a importância da gestão da água.
As obras começaram em 2009 e continuam a decorrer como estava previsto, sendo que as lagoas estão construídas há um ano e o centro de interpretação está a começar a ser construído. Dentro de algum tempo estará acabado um projecto que poderá ser considerado dos melhores do país ou da Europa pela sua concepção.
Este projecto conta ainda com outros parceiro essenciais tais como, ABLGVFX – Associação de Beneficiários da Lezíria Grande de Vila Franca de Xira,ICNB, IP – Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, I.P./ RNET e a LPN –Liga para a Protecção da Natureza.
Allosaurus: Um Dinossáurio, Dois Continentes

Réplica de um crânio de Allosaurus fragilis
Inaugurada em Fevereiro de 2009, a exposição ‘Allosaurus: um dinossáurio, dois continentes?’ está aberto ao público no Museu de História Natural e oferece ao visitante um percurso por todo o processo que envolve esta investigação científica (ainda em curso), desde a escavação a conclusões sobre a Pangeia. Mas porquê esta exposição? Porque foram descobertos fósseis de Allosaurus em Portugal. Uma revelação intrigante, visto que até agora só tinham sido descobertos esqueletos desta espécie nos EUA. Todas estas informações estão expostas através de painéis informativos, fotografias, réplicas, actividades dinâmicas e muito mais!
Por mero acaso, quando nós, os repórteres da “Química Inteligente”, fomos visitar a exposição do Museu de História Natural de Lisboa, e pedimos ajuda a uma funcionária, que nos indicou uma colega sua com quem conversava animadamente. Descobrimos mais tarde que esta senhora era Joana Reis, uma paleontóloga que estudava a relação dos dinossáurios com a localização geográfica em que eram encontrados (em Portugal e na América do Norte). Foi graças a esta simpática investigadora que temos muita da informação que se segue, pois ela explicou-nos tudo o que queríamos saber e mesmo o que não nos lembramos de perguntar.
A jazida foi encontrada por mero acaso em 1988, por José Amorim, proprietário de um terreno em Andrés (povoação da Freguesia de Santiago de Litém, Concelho de Pombal), quando este estava no processo de construir um anexo de actividade agrícola. Ao serem escavadas as fundações para os alicerces do edifício, sobressaíram-se ossos grandes que o senhor José Amorim percebeu que eram de dinossáurio. Parou logo as escavações e contactou o Museu de História Natural. De lá enviaram especialistas que confirmaram o achado e mais tarde, com muito espanto, confirmaram que era um terópede igual ao que tinha sido encontrado na América do Norte, o allosaurus fragilis. Esta descoberta revelou-se muito importante pois ajuda a comprovar a teoria da pangeia que irá ser tratada mais à frente.
Os paleontólogos trabalham como uma vasta equipa. Na exposição que nós fomos visitar, mostrava-se com muita clareza as várias fases (que normalmente decorrem na Primavera ou no Verão devido as condições temporais) de uma escavação de fósseis de Allosaurus assim como a utilização de maquinaria pesada como a retroescavadora ou de instrumentos pequenos parecidos com ferramentas de dentistas e pincéis.
A lista de materiais usados pelos paleontólogos foi-nos descrita na perfeição pela nossa querida amiga Joana Reis: “As ferramentas que se usam: pás, picaretas, uhh... marretas, martelos de geólogos, óculos, baldes, a gasa e o gesso que são sempre usados para proteger os fósseis antes de serem trazidos para o laboratório, onde vão ser tratados. Caderno de campo, não poderia deixar de ser, é das ferramentas mais importantes e a fita métrica que não serve só para medir o tamanho dos ossos mas também para servir de escala para as fotografias.”
O allosaurus fragilis é um terópode carnívoro, ou seja, pertence ao grupo dos dinossáurios bípedes. A espécie foi apresentada pela primeira vez pelo paleontólogo americano Othniel Charles Marsh em 1877, depois da primeira revelação de ossos fossilizados desta espécie no Estado do Colorado (EUA) em 1870.
Allosaurus significa ‘lagarto diferente’ porque as suas vértebras eram diferentes das de outros dinossáurios. Foi sem dúvida o maior predador da sua época, com dentes serrilhados e curvados que chegavam a 20 cm de comprimento, de modo a capturar as presas e impedi-las de escapar.
Em comparação ao famoso Tyranaussauros rex (que viveu cerca de 80 milhões de anos depois do allosaurus) era um pouco menor, mas mais ágil. Tinha cerca de 7 a 8 metros de comprimento e 2 metros de altura até ao topo da cintura pélvica, com cerca de uma tonelada de peso (o maior allosaurus alguma vez encontrada atingiu os 14 metros de comprimento e 2 toneladas de peso). A sua estrutura mais leve que a do Tyranaussauro rex, permitia-lhe uma corrida mais rápida e ligeira, mais eficaz. Daí o nome da sua espécie ser “fragilis”.
A comunidade científica aceita, assim como nós aceitamos, a teoria que é denominada de Pangeia. No que consiste? Numa linguagem acessível, podemos dizer que é a teoria da existência de um só continente, que acabou por se separar, dando origem com o passar dos tempos, à Terra tal como a conhecemos hoje. Mesmo antes da descoberta do “allosaurus fragilis” em Portugal, esta teoria já existia devido à semelhança física do Continente africano e da América do Sul, encaixando quase na perfeição, e ainda à existência do mesmo tipo de solos no litoral dos continentes afastados, com as mesmas camadas geológicas e aos achados de vários fósseis de dinossáurios da mesma espécie em locais distantes, mesmo sem contacto terrestre hoje em dia.
Foi nos possível interrogar um cidadão no momento da nossa saída sobre o que achava sobre a existência de um super continente há milhões de anos atrás e da passagem dos dinossáurios da costa de Portugal para a da América do Norte.
Para nossa grande sorte, José Manuel de Sousa parecia-nos entendido neste assunto.
Disse-nos que a maior parte dos dinossáurios encontrados em Portugal estavam entre Setúbal e Aveiro, no litoral. Mais tarde confirmamos esta informação. Explicou-nos que no seu ponto de vista, que a localização dos fósseis desenterrados devia-se ao facto de provavelmente ter sido algures ali na costa Lusitana que se encontrava o ponto que dava passagem mais fácil até ao outro continente. Porquê? Porque haveria um mar, com pouca profundidade e pouca extensão que os dinossáurios de porte grande ou médio conseguiriam passar.
Debatemos o assunto e concordámos que era plausível e até provável, a ideia exposta por José Manuel de Sousa.
Concluímos que é da maior importância a visita a Exposições pois permite nos um maior conhecimento das matérias ali focadas e assim contribuir para o nosso enriquecimento cultural.
Tabuaço, que futuro para a Ciência?
Grande reportagem da reportagem!
Em Tabuaço, o futuro da ciência é muito promissor. Hoje em dia, os jovens são a chave para a descoberta intensiva de novos horizontes. Procuram concursos científicos de forma a conseguirem descobrir aquilo que outrora estaria esquecido ou escondido.
Tabuaço, uma vila pequena. Quem passa por aqui, fica com a ideia de que é uma vila sem recursos, uma vila sem futuro para a ciência.
Mas, a realidade é que os jovens de Tabuaço têm muito para dar e para contribuir para o desenvolvimento da ciência.
Nos dias de hoje, deparamo-nos com muitos jovens interessados e motivados para o caminho científico.
A fim de percebermos esta relação “Jovens tabuacenses – ciência”, foi realizado um estudo, na nossa escola, através de inquéritos. Ao serem analisados, apercebemo-nos de uma situação muito curiosa. A cada ano que passa, há cada vez mais jovens a participar em concursos que envolvem a arte que é a ciência. Houve um grande acréscimo relativamente ao número de inscrições de participação para o concurso realizado anualmente pela página da Internet “Ciência Hoje” e, este ano, o tema “Jovens Jornalistas de Ciência” vem estimular o gosto pela comunicação sobre Ciência entre os jovens. Segundo as estatísticas realizadas pela escola de Tabuaço, comprova-se um aumento de cerca de cinquenta por cento do número de inscrições, dado que, no ano passado apenas três equipas haviam participado e, este ano, deparamo-nos com seis. Alguns alunos concorrentes foram questionados sobre os seus interesses acerca do concurso.
O que motiva os jovens a participar neste concurso? O que os leva a participarem na vida ativa da ciência? Será a vontade de conhecer, a ânsia de saber, de querer aprender e ver mais além?
Decidimos, então, investigar o que leva os jovens de Tabuaço a participarem e a envolverem-se nas actividades que dizem respeito à ciência. Para isso, acompanhámos o trabalho de um outro grupo e descobrimos a razão pela qual estes se interessam pelo campo científico. As suas razões giravam em torno de querer aprender e saber mais. O seu trabalho consistiu na redação de uma reportagem sobre o famoso e mais extravagante relógio do mundo, O Rijomax. Numa conversa tida com as nossas entrevistadas, questionámo-las sobre a Ciência e os seus interesses. «Ciência é uma discussão, descobre as verdades omitidas na Natureza», disseram à nossa reportagem. Demonstraram pela Ciência bastante interesse, esperam num futuro próximo poder desenvolver ou «criar novas teorias», para assim contribuírem para o desenvolvimento cognitivo e pessoal da população a nível mundial. O concurso despertou-lhes «uma vontade enorme de trabalhar no tema atribuído», o desejo de querer saber mais. As razões que levaram estas jovens a concorrer foi o facto de estarem habilitadas a ficarem associadas ao mundo científico. «O prémio também é bastante apelativo», confessaram.
Apesar de os jovens estarem motivados a participar em concursos desta natureza, ainda existem muitos que não se preocupam com estes assuntos, mas, existem várias formas de os motivar. A primeira coisa a fazer para alterar este pensamento é cultivar o gosto pela descoberta, fomentar nos estudantes o interesse e fazer-lhes ver que o seu pensamento e teorias podem alterar a forma de pensar do mundo.
Existem várias medidas que podem despertar o interesse juvenil para a ciência. A medida que consideramos mais pertinente, seria a abertura dos laboratórios das escolas para a realização de workshops e de atividades durante o período de férias e dar um maior reconhecimento ao trabalho feito por futuros cientistas, consequentemente, os jovens irão sentir-se mais estimulados para com os factos e novas teorias da ciência.
No ano de 2010 foi realizada a 1ª edição do mini-congresso "Ciência por Jovens" e o tema central deste mini-congresso era "Queremos um futuro. Alinhas?" que tinha como objetivo principal motivar os jovens para a aprendizagem da ciência, ou seja, tentar sensibilizar os jovens para a importância do desenvolvimento do conhecimento científico, nomeadamente no seu papel na sociedade e promover nos jovens atitudes que contribuam para o desenvolvimento e salvaguarda da biodiversidade e a sustentabilidade da Terra. Com a realização destas atividades, podemos comprovar que se tem lutado para que os jovens cada vez mais se interessem pela ciência.
A ciência é a verdadeira sabedoria!
Em suma, a ciência centra-se no parar, escutar, olhar e pensar e não no resultado do saber científico que, muitas vezes, nos pode surpreender e são estes gestos que queremos incutir junto dos jovens da nossa vila.
Porque a ciência é a verdadeira sabedoria, nós queremos abarcar o amanhã promovendo a ciência, queremos ser os “pequenos sábios do futuro”.

Professora Doutora Ana Sofia Neves
A urtiga (do latim “Urtica dioica”) é uma planta que possui minúsculos pelos duros que cobrem as folhas e os caules e que, em contato com a pele, provoca comichão e irritação e, por vezes, dor, devido aos químicos naturais que estão na sua composição. Se por um lado provoca dor quando entra em contato com a pele, por outro, se for colocada numa zona dolorida do corpo, ajuda a diminuir a intensidade dessa mesma dor. Os investigadores crêem que esta ação suavizante da dor, se deve ao facto das propriedades anti-inflamatórias da urtiga, que interferem com a forma como o organismo transmite os sinais de dor ao cérebro.
Esta planta é originária das regiões mais frias do norte da Europa e da Ásia, no entanto, hoje em dia cresce no mundo inteiro. A urtiga cresce em solos ricos em nitrogénio, floresce entre Junho e Setembro e, normalmente, atinge 60 cm a 80 cm de altura; os caules são eretos, as folhas são em forma de coração, finamente dentadas e afiladas nas extremidades e a sua flor é amarela ou rosa.
A urtiga tem também a capacidade de alcalinizar o sangue, facilitando a eliminação dos resíduos ácidos do metabolismo, sendo igualmente importante no tratamento de casos de artrite e reumatismo. Sendo, então, utilizada em casos de anemia, hemorragias, hipertrofia da próstata, como diurético, anti-inflamatório, hipoglicimiante e hipotensor.
A urtiga é rica em vitaminas, sobretudo as do grupo B, e também as do grupo C e K (possuindo seis vezes mais vitamina C que a laranja), betacaroteno, minerais como o magnésio e o ferro (possuindo 2 vezes mais ferro que os espinafres), oligo-elementos, aminoácidos e proteínas, cálcio, fosfatos e sais. É recomendada para combater a queda de cabelo e a fragilidade das unhas.
Existem, no entanto, algumas contra-indicações, como: risco de reação alérgica; pessoas com cardiopatias, diabetes, hipertensão ou insuficiência renal podem sofrer descompensações devido aos efeitos diuréticos da planta, pelo que a toma de extratos desta planta deve ser supervisionada por técnicos de saúde.
Em Fornos de Algodres, uma vila portuguesa pertencente ao Distrito da Guarda, região Centro e sub-região da Serra da Estrela, com cerca de 1700 habitantes, concelho subdividido em 16 freguesias, podemos encontrar a Confraria da Urtiga.
Uma confraria tem como objetivo dar a conhecer ao grande público e ao mesmo tempo servir de consulta a todos aqueles que gostam, preservam e divulgam a verdadeira gastronomia.
A Confraria da Urtiga de Fornos de Algodres foi fundada a 24 de Maio de 2009, com sede no Centro Cultural de Fornos de Algodres, o Mestre da Confraria ou, também chamado de Grão-mestre é Manuel Paraíso. A Confraria tem como objetivo a defesa e valorização e divulgação da urtiga, bem como os vetores e factores inerentes ao seu consumo, à proteção e sensibilização ambiental.
A Confraria colabora com instituições que defendem os valores inerentes aos seus objetivos. Organiza festas, recepções, reuniões e manifestações similares. Fomenta o intercâmbio de conhecimento e amizade com entidades nacionais e internacionais que partilhem o mesmo interesse. Apoia a elaboração e divulgação de publicações e edições sobre a urtiga e derivados. Promove e organiza jornadas, conferências e passeios etnobotânicos. Divulga, também, a utilização e os benefícios da urtiga.
Na Confraria podemos encontrar diversos tipos de produtos, como Folhado de Urtiga, Sopa de Urtiga, Repelente para insetos de urtiga, Licor de urtiga, Pasta de urtiga (pasta vegetal), Burrada (espécie de paté de urtiga), Tarte de Requeijão com urtigas, Pão de urtiga, Alheira de urtiga, Anti-celulite de urtiga. Podemos também encontrar produtos tingidos com urtiga e manufacturados com as fibras da urtiga.
A A
A urtiga, apesar de muitas vezes mal-amada, tem características bastante importantes para nós, contudo não é apreciada e por sua vez os seus benefícios não são aproveitados, porém, para que tal não prossiga foi criada a Confraria da Urtiga para salvaguardar e dar a conhecer a importância da urtiga.
Enologia e Aldeias Vinhateiras
Por As Ambientalistas
A Enologia na Região Demarcada do Douro
Introdução
Enologia é a ciência que estuda o vinho e facilita as ferramentas essenciais para a elaboração do mesmo. Esta ciência está intimamente ligada à viticultura que estuda a produção de uva, sendo que a associação entre as duas pode designar-se de vitivinicultura.
Falar em Enologia é obrigatoriamente falar na Região Demarcada do Douro, considerada a mais antiga região demarcada de vinhos do mundo, contando já com cerca de 250 anos de história e tendo como porta-estandarte o afamado Vinho do Porto.
Produção de Vinho do Porto Tinto
A elaboração de qualquer tipo de vinho começa na vinha, onde o enólogo define o tipo de uva que pretende para o tipo de vinho a produzir. Costuma por isso dizer-se que “Um grande vinho nasce de grandes uvas”. A produção de Vinho do Porto não é excepção e está intimamente ligada à produção de uvas na Região Demarcada do Douro, sendo para tal utilizadas castas autóctones que o caracterizam e distinguem de qualquer outro tipo de vinho no mundo.
Até determinado ponto do processo de vinificação a elaboração de Vinho do Porto é igual a qualquer outro tipo de vinho, passando pelas seguintes etapas:
Vindima: consiste na colheita das uvas na vinha, a data de colheita é definida pelo grau de amadurecimento das mesmas (teor de açúcar e grau de acidez são os parâmetros mais importantes) e é uma operação fundamental para a obtenção de um grande vinho.
Transporte para a adega: o transporte deve ser feito de uma forma cuidadosa, mantendo sempre que possível a integridade e sanidade das uvas até à adega.
Recepção: nesta fase é feito um controlo de qualidade das uvas, retirando do tapete de escolha aquelas que não se encontrem em condições óptimas para a vinificação.
Esmagamento/Desengace: o esmagamento é a separação das películas dos bagos, permitindo assim que a polpa e o sumo se libertem. Dependendo do tipo de esmagamento utilizado, mecânico ou pisa a pé, os bagos podem ficar mais ou menos esmagados. O desengace pode ser total ou parcial e consiste na separação da parte lenhosa dos cachos.
Fermentação alcoólica: nesta fase do processo ocorre a transformação do açúcar em álcool (através de leveduras presentes no meio), que pode ter uma duração variável consoante a quantidade de açúcar que pretendemos para o tipo de Vinho do Porto em causa. Este processo deve ser acompanhado de perto pelo enólogo que efectua análises ao mosto.
Aguardentação: é o processo de adição de aguardente vínica ao mosto/massas, provocando assim a paragem da fermentação devido à morte das leveduras presentes. Este é o momento no qual de define o grau de doçura final do vinho e a percentagem de álcool presente.
Prensagem: ocorre a separação entre as partes sólidas e liquidas do mosto através de prensas.
Trasfega: até ser transferido para o recipiente final, o vinho é várias vezes trasfegado para que fique o mais limpo possível retirando-se as borras depositadas no fundo do recipiente.
A partir desta fase dá-se o envelhecimento do vinho que costuma ser em depósitos de madeira, ou em alguns casos em recipientes de inox. Antes do engarrafamento do vinho é necessário efectuar ensaios de lotes para atingir o vinho pretendido.
Os vários tipos de Vinho do Porto existentes são: Vintage, LBV, Crusted, Ruby, Tawny, Reserva, Colheita e Indicação de Idade (normalmente 10, 20 ou 30 anos).
Alto Douro Vinhateiro - Património Mundial da Humanidade
A 14 de Dezembro de 2001 a UNESCO classificou o Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial da Humanidade. A paisagem circundante do Rio Douro e dos seus afluentes tem características únicas no mundo vinhateiro.
A área classificada aproxima-se de 26 mil hectares e, segundo alguns historiadores da área, produz vinho à mais de 2000 anos. O inicio da exportação em grande escala de Vinho do Porto, começou na segunda metade do Séc. XVII, sendo a Inglaterra o destino principal.
Na actualidade o Vinho do Porto é consumido e comercializado em todo o mundo, dando a conhecer a bela região que o produz e as características vitícolas que lhe dão origem.
Com a distinção de Património Mundial surgiram para os operadores turísticos da região novas oportunidades de mercado que ainda estavam por explorar, traduzindo-se em mais um motor de desenvolvimento para a população duriense.
Moçambique aposta na Biotecnologia para seu desenvolvimento
A biotecnologia tem causado um notável impacto na população moçambicana nos últimos dez anos, contribuindo assim para o desenvolvimento de Moçambique.
No âmbito de melhorar a qualidade de vida da população moçambicana, foi criado o centro de Biotecnologia na Universidade Eduardo Mondlane (UEM) em 11 de maio de 2005, por resolução do conselho universitário, e as suas principais áreas específicas são: Medicina, Agronomia, Veterinária e Ciências. Neste momento, a sua principal área prioritária é a Agronomia, na agricultura, o que pode eliminar o défice de produção agrícola atravésda adaptação de meios tecnológicos para aumentar a produtividade agrícola.
Porém, Moçambique não está a beneficiar das vantagens que o uso da biotecnologia no processo de produção agrícola pode proporcionar - “A biotecnologia tem prometido soluções para graves problemas enfrentados pela humanidade, principalmente no que se refere a agricultura e saúde, por exemplo, a produção de sementes resistentes seca e solos adversos ou produção de remédios para doenças hoje incuráveis. Moçambique ainda no beneficia da maioria das promessas da biotecnologia” - disse Daniel Clemente, secretário permanete do Ministério da Agricultura, no seminário sob o lema “Desenvolvimento de Pol咜icas de Biotecnologia no Sector Agrário”.
Este centro também visa formar indivíduos a nível do mestrado com a finalidade de disponibilizar para o mercado investigadores e ténicos a níel profissional, capazes de contribuir para a solução de problemas concretos nas áreas de agricultura, ambiente, saúde humana e animal e indústria, disse Venâncio Massingue discursando numa ocasião. Tudo isto “implica” uma cooperação universitária entre países nas mais diversas áreas da Biotecnologia para uma melhor experiência, o centro de Malária e outras doenças Tropicais (em Portugal) um dos parceiros, no entanto, muitas universidades europeias também cooperam. Prestando serviços no diagnóstico molecular de doençass de importância veterinária, no diagnóstico molecular de doenças do camarão e no diagnóstico molecular de doenças vegetais o que realça a importância do DNA na Biotecnologia.
Sendo a maximização da racionalidade no uso de recursos e a maximização da concentração de pesquisadores qualificados, os seus dois princípios, Moçambique aposta neste centro.
A imigração é o movimento de entrada de pessoas de um país para o outro com carácter temporário ou permanente, com a intenção de trabalhar ou residir no país em questão. A imigração em Portugal teve o seu grande aumento a partir de 1999 e abrandou em 2003, visto que a imigração dos povos de leste teve de estacar devido à formação de máfias que actuavam no país que traziam e controlavam imigrantes, obrigando-os a trabalhar.
Pegando no exemplo da comunidade brasileira, as mulheres, por serem mais vulneráveis, são mais violentadas e discriminadas, principalmente na vertente sexual, sendo a maioria das vezes conduzidas para o negócio da prostituição. A contratação de elementos da comunidade brasileira – muito conhecida pela sua constante boa-disposição – para trabalharem na indústria hoteleira, o chamado Mercado da Alegria, é também considerada uma forma de agressão para com estas comunidades, por serem recrutados e discriminados.
Como referido anteriormente, a crise económica contribui para um aumento da violência, principalmente entre casais, visto que podem surgir conflitos devido às dificuldades em gerir o seu pouco dinheiro de forma a satisfazerem as suas necessidades básicas e os interesses de ambos os elementos do casal, gerando uma pressão que leva a situações de maior stresse e propensão a discussões e, consequentemente, em casos extremos, a violência física.
A partir de três testemunhos de imigrantes ucranianos e um britânico foram apurados os seguintes dados: todos eles residem em locais onde a vizinhança é constituída por portugueses; apenas o britânico frisou situações de maior discriminação, atribuindo à sua cor de pele escura a razão para esta acontecer – no geral, referiram apenas situações esporádicas em bares e discotecas onde foram abordados de forma menos educada; a principal razão que os trouxe para o nosso país foi já terem familiares ou conhecidos cá a viver, assegurando-lhes, a maioria das vezes, um lar e um emprego; todos eles, de momento, têm trabalho; consideram os portugueses um povo acolhedor, não tendo estes ideias predefinidas à cerca da sua nacionalidade; as suas opiniões sobre o apoio do estado português aos imigrantes são por um lado positivas – e falamos da componente financeira, visto que lhes são oferecidos alguns apoios monetários e os indivíduos são libertos do pagamento de impostos nos primeiros anos, existindo também um protocolo entre Portugal e a Ucrânia que os ajuda a vir para o nosso país – e por outro negativas – referindo agora os difíceis processos burocráticos que têm de passar para se tornarem cidadãos regulares em Portugal e poderem usufruir dos privilégios anteriormente referidos; os planos quanto ao futuro divergem, sendo que alguns planeiam voltar para o país de origem e outros ficar no nosso país.
É importante frisar que três dos emigrantes entrevistados foram encontrados numa aula de português para estrangeiros, que acontece duas vezes por semana na Escola Secundária da Maia, mostrando também que os indivíduos de outras nacionalidades já se procuram integrar nas comunidades e que a sociedade já dispõe de estruturas para que estes se integrem.
A Professora Doutora Ana Sofia Neves, que colaborou na elaboração desta reportagem na medida em que disponibilizou dados e respondeu a algumas questões, está a desenvolver um estudo sobre a violência no namoro na comunidade imigrante cabo-verdiana, exclusivamente entre elementos desta nacionalidade.Nos seus estudos, conseguiu apurar que apesar de as mulheres serem mais vulneráveis e as grávidas e as mulheres que foram recentemente mães serem mais propensas à violência, frisou que cada vez mais a violência é mútua (do homempara a mulher e da mulher para o homem). Os seus projectos futuros baseiam-se no mapeamento das zonas mais afectadas pela violência no namoro em comunidade imigrantes.
Sendo aquilo que nos distingue apenas agentes tão superficiais, é imprescindível que sejamos capazes de atravessar o exterior e adorar o interior que é comum a todos, a vontade de singrar neste mundo que não pertence a nenhuma raça, a nenhuma etnia, que é de todos nós, independentemente do tom de pele, da classe social ou da cultura. Igualmente almejamos vencer, e todos devemos ter a oportunidade de tentar e de procurar o sitio onde será mais inteligível atingir os nossos objectivos, sem o obstáculo da intransigência, da intolerância, da ignorância.
Os Imigrantes e Violência - uma realidade?
A realidade muitas vezes escondida por detrás da cor, da religião e das crenças

Escola Secundária da Maia - escola onde são dadas aulas a imigrantes e onde recolhemos testemunhos de três ucrânianos
Em Portugal, em 2011, por cada 1000 portugueses, existem 3,40 imigrantes, sendo que com o estatuto regular de residente existem 300.000 indivíduos. A violência – verbal, psicológica ou física - pode incidir em vários contextos:no trabalho, na residência ou ainda, e maioritariamente, no seio familiar. As comunidades mais afectadas são a brasileira e a angolana, sendo que as vítimas são maioritariamente do sexo feminino, casadas ou em união de facto com idades entre os 18 e os 25 anos. Os agressores são a maioria das vezes os conjugues e os companheiros (Estáticas fornecidas pela APAV - Associação de Apoio à Vitima). A crise económica é tida como um potenciador da violência.
Imigração?
Imigração é o movimento de entrada de pessoas de um país para o outro com carácter temporário ou permanente, com a intenção de trabalhar ou residir no país em questão.

As Lojas de Chineses estão por todo o lado
A imigração em Portugal teve o seu grande aumento a partir de 1999 e abrandou em 2003, visto que a imigração dos povos de leste teve de estacar devido à formação de máfias que actuavam no país que traziam e controlavam imigrantes, obrigando-os a trabalhar.
Pegando no exemplo da comunidade brasileira, as mulheres, por serem mais vulneráveis, são mais violentadas e discriminadas, principalmente na vertente sexual, sendo a maioria das vezes frequentemente conduzidas para o negócio da prostituição. A contratação de elementos da comunidade brasileira – muito conhecida pela sua constante boa-disposição – para trabalharem na indústria hoteleira, o chamado Mercado da Alegria, é também considerada uma forma de agressão para com estas comunidades, por serem recrutados e discriminados.
Como referido anteriormente, a crise económica contribui para um aumento da violência, principalmente entre casais, visto que podem surgir conflitos devido às dificuldades em gerir o seu pouco dinheiro de forma a satisfazerem as suas necessidades básicas e os interesses de ambos os elementos do casal, gerando uma pressão que leva a situações de maior stresse e propensão a discussões e, consequentemente, em casos extremos, a violência física.

Bristol School - instituto onde obtemos um dos nossos testemunhos
A partir de três testemunhos de imigrantes ucranianos e um britânico foram apurados os seguintes dados: todos eles residem em locais onde a vizinhança é constituída por portugueses; apenas o britânico frisou situações de maior discriminação, atribuindo à sua cor de pele escura a razão para esta acontecer – no geral, referiram apenas situações esporádicas em bares e discotecas onde foram abordados de forma menos educada; a principal razão que os trouxe para o nosso país foi já terem familiares ou conhecidos cá a viver, assegurando-lhes, a maioria das vezes, um lar e um emprego; todos eles, de momento, têm trabalho; consideram os portugueses um povo acolhedor, não tendo estes ideias predefinidas à cerca da sua nacionalidade; as suas opiniões sobre o apoio do estado português aos imigrantes são por um lado positivas – e falamos da componente financeira, visto que lhes são oferecidos alguns apoios monetários e os indivíduos são libertos do pagamento de impostos nos primeiros anos, existindo também um protocolo entre Portugal e a Ucrânia que os ajuda a vir para o nosso país – e por outro negativas – referindo agora os difíceis processos burocráticos que têm de passar para se tornarem cidadãos regulares em Portugal e poderem usufruir dos privilégios anteriormente referidos; os planos quanto ao futuro divergem, sendo que alguns planeiam voltar para o país de origem e outros ficar no nosso país.
É importante frisar que três dos emigrantes entrevistados foram encontrados numa aula de português para estrangeiros, que acontece duas vezes por semana na Escola Secundária da Maia, mostrando também que os indivíduos de outras nacionalidades já se procuram integrar nas comunidades e que a sociedade já dispõe de estruturas para que estes se integrem.

Professora Doutora Ana Sofia Neves
A Professora Doutora Ana Sofia Neves, que colaborou na elaboração desta reportagem na medida em que disponibilizou dados e respondeu a algumas questões, está a desenvolver um estudo sobre a violência no namoro na comunidade imigrante cabo-verdiana, exclusivamente entre elementos desta nacionalidade.Nos seus estudos, conseguiu apurar que apesar de as mulheres serem mais vulneráveis - principalmente as grávidas e as mulheres que foram recentemente mães -, frisou que cada vez mais a violência é mútua (do homem para a mulher e da mulher para o homem). Os seus projectos futuros baseiam-se no mapeamento das zonas mais afectadas pela violência no namoro em comunidade imigrantes.
Sendo aquilo que nos distingue apenas agentes tão superficiais, é imprescindível que sejamos capazes de atravessar o exterior e adorar o interior que é comum a todos, a vontade de singrar neste mundo que não pertence a nenhuma raça, a nenhuma etnia, que é de todos nós, independentemente do tom de pele, da classe social ou da cultura. Igualmente almejamos vencer, e todos devemos ter a oportunidade de tentar e de procurar o sitio onde será mais inteligível atingir os nossos objectivos, sem o obstáculo da intransigência, da intolerância, da ignorância.
Zona Especial de Conservação da Matinha de Queluz! Um sonho ou uma realidade?
Por Beatriz Pereira, Francisca Garcias, Renata Pimpão
A Matinha de Queluz é detentora de um património natural inestimável. A fauna e flora autóctone pode ser observada nesta tapada anexa ao Palácio Nacional de Queluz e separada, deste, através do IC 19. Um oásis de biodiversidade que urge preservar e proteger de ações antrópicas e causas naturais nefastas. Será que poderá ser um dia uma ZEC?

Matinha de Queluz
A Matinha de Queluz situa-se na Região de Lisboa e Vale do Tejo. Distrito de Lisboa. Conselho de Sintra. Região de Turismo da costa do Estoril e Sintra. Em 1640 tornou-se propriedade da Casa real após a restauração. A sua história está intimamente relacionada com a edificação do Palácio de Queluz e, em 1747, foi considerada um espaço destinado à caça e às touradas. Em 1910 foi integrada na Zona de Protecção Especial (ZPE) do Palácio Nacional de Queluz com vista à proteção integral da envolvente ao conjunto Monumental de Queluz.
Em 1975, foi cedida à Direção Geral dos Serviços Florestais e Agrícolas, mas foi só em 1986, que um despacho ministerial lhe reconheceu as aptidões de lazer e de recreio e integrou-a no Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza, o ICNB. É gerida pela Câmara Municipal de Sintra em parceria com o Parque Natural Sintra Cascais, no sentido de proteger o seu património natural, promover a educação ambiental e ser um espaço de recreio e lazer. É uma pequena tapada anexa ao Palácio Nacional de Queluz, que foi separada dos jardins do Palácio pela abertura do Itinerário Complementar - IC 19.
Esta mata insere-se no complexo basáltico de Lisboa que é constituído por rochas eruptivas vulcânicas de mantos, tufos basálticos e brechas vulcânicas. É circundada por um muro e tem cerca de 21 hectares. Apresenta um declive mediano, do tipo talude, com divisões em talhões e um sistema de caminhos, o que lhe permite ser um espaço natural muito apetecível para a realização de caminhadas e, até mesmo, de trabalho de campo de investigação.

Hera a asfixiar o sobreiro
A Matinha de Queluz é detentora de um património natural inestimável. A fauna e flora autóctone pode ser observada nesta tapada anexa ao Palácio Nacional de Queluz e separada, deste, através do IC 19. Um oásis de biodiversidade que urge preservar e proteger de ações antrópicas e causas naturais nefastas. Será que poderá ser um dia uma ZEC?
Sobreviveu às intempéries provocadas pelo homem e ainda luta pela sobrevivência. Se um dia esteve escondida, hoje deve ser conhecida pelas populações, uma vez que detém espécies que faziam parte da antiga floresta da região.
Segundo a comunidade científica, a Mata pode ser considerada uma potencial reversa genética, onde podemos observar três tipos de estratos bem desenvolvidos: o herbáceo, o arbustivo e o arbóreo. A vegetação é luxuriante e constituída por musgos (briófitos), fetos (ptéridofitos), plantas com semente e sem flor (gimnospérmicas) e plantas com semente e com flor (angiospérmicas).
O sobreiro (Quercus suber), espécie autóctone, isto é, nativa de Portugal, domina praticamente todos os talhões. Alguns são de grande porte e não estão descortiçados (o que apresenta como um aspecto raro, dado o interesse desta espécie na produção de cortiça). A espécie prefere viver em zonas com sobreiros afastados uns dos outros e ainda estão instalados em solos de origem basáltica - um aspecto singular e talvez único no nosso país. Estão ameaçados pelas heras (espécies invasoras). Temos ainda o pitósporo (espécie exótica e invasora) que apresenta um desenvolvimento generalizado. Também podem ser encontrados eucaliptos (espécie exótica).
É um oásis de biodiversidade num ecossistema em equilíbrio que tem estado escondido durante séculos, que importa dar a conhecer às populações, no sentido de compreender e valorizar o seu património natural.

Briófitos
No sentido de favorecer o desenvolvimento das espécies autóctones como a Gilbardeira, o Medronheiro, o Azevinho, sendo a mata o habitat de inúmeras espécies de avifauna e de micromamíferos, é necessário incentivar as entidades competentes a iniciarem o processo para que este oásis de biodiversidade de hoje não seja um oásis de biodiversidade extinto!
Ao realizar um percurso pedestre, são facilmente identificáveis pela cor, cheiro e textura exemplares arbustivos de Carvalho-negral (Quercus pyrenaica), Carvalho-cerquinho (Q. faginea), Azinheira (Q. rotundifolia), Carrasco (Q. coccifera) e inúmeros sobreiros (Q. suber), Castanheiro (Castanea sativa), Alfarrobeira (Ceratonia siliqua), Olaia (Cercis siliquastrum), pinheiro-manso (Pinus pinea), pinheiro-bravo (Pinus pinaster) e freixo (Fraxinus angustifolia).
A fauna distribui-se pela avifauna, micromamíferos, répteis e anfíbios.
Conhecem-se, aproximadamente, 15 espécies invernantes e sedentárias, sendo de referir a Toutinegra-de-barrete-preto (Sylvia atricapilla), o Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula), o Lugre (Carduelis spinus), o Melro-preto (Turdus merula). Toupeiras (Talpa sp.), Musarenho-de-dentes-brancos, (Crossidura russula), Ratinho-ruivo (Mus spretus), Rato-dos-pomares (Elyomis quercinus) e, de maior porte, o Coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus) e a Gineta (Genetta genetta).
Segundo o Parque Natural Sintra Cascais e a Câmara Municipal de Sintra:
“Trata-se de uma área florestal de grande riqueza ecológica e paisagística, uma verdadeira relíquia da vegetação climática da zona de Lisboa. Não poderemos esquecer que a manutenção deste espaço dependerá sempre da valorização que a população circundante lhe votar, sendo por isso imprescindível, o usufruto da mata com regras bem definidas, que garantam a perpetuidade das suas características únicas.”.
Uma Zona Especial de Conservação, directiva de espécies e habitats, tornada num sonho pela realidade ou uma realidade por causa de um sonho.
Vamos proteger e conservar a Matinha de Queluz! Um laboratório da natureza num coração urbano, bem ao lado do IC19.
Ciência mata fenómenos do Entroncamento
Com um ar cansado, Antero Fernandes, de oitenta e sete anos, abre um dossier onde guarda antigos recortes de jornais e fotos dos muitos “fenómenos” que atingiram a cidade do
Entroncamento na década de oitenta. “Julguei que nunca mais voltaria a rever estes fenómenos” diz enquanto folheia os seus registos.
Desde o inicio da história do Entroncamento até aos dias de hoje que esta cidade é conhecida como a “terra dos fenómenos”. Mas será que os fenómenos existem mesmo?
”Um dia ia a caminho do Entroncamento, quando encontrei um senhor a vender melões. Parei e reparei que havia um par de melões siameses. Perguntei se podia tirar uma fotografia e divulgar a história no jornal. ” diz Antero Fernandes. Ex repórter do jornal O Entroncamento e ex correspondente do Correio da Manhã, Antero Fernandes foi um dos grandes responsáveis pela divulgação de todas estas histórias. “No princípio era eu que as procurava. A partir de uma certa altura as pessoas já vinham ter comigo com as mais variadas novidades.”
São várias as histórias de fenómenos. É o caso do “famoso melro branco” encontrado na quinta do Dr. Rivotti no concelho de Torres Novas. Foi um acontecimento tão bizarro que António Rodrigues, um dos maiores colecionadores de aves de Lisboa, o comprou. Em 1981 foi encontrada uma couve de três metros. Incrível não é? Carlos Caixinhas, “dono” deste impressionante legume, recorda-se bem do dia em que foi ao quintal e se deparou com este estranho acontecimento. “Deu para um mês de refeições!” diz com um ar vitorioso. “Todos queriam ver a minha couve. Até a televisão!” Num outro local da cidade, uma batata com cerca de 1,200Kg teve direito a ficar exposta na Tabacaria Luanda. “Ui, agora é que eram precisos mais fenómenos para ver se a clientela aumentava.” desabafa Adolfo proprietário deste estabelecimento comercial. E não foi exemplar único! Outras batatas com tamanho igual foram encontradas no mesmo batatal. ”Abençoada terra que produziu uma coisa tão maravilhosa.“ diz o proprietário do quintal onde se registaram estes acontecimentos. Também há o caso do pinto com quatro patas cujo rasto se perdeu uma vez que eram vários os interessados. A ideia do pinto acabar num qualquer matadouro dissecado para estudo não agradou ao seu proprietário Joaquim Gameiro que o levou para parte incerta.
A quantidade de fenómenos registada atingiu tamanha proporção que começaram a ser comercializados sob a forma de souvenirs. A Casa Carloto foi um dos estabelecimentos que apostou na venda de coleções de copos de vidro com decalques de fenómenos. Carlos Carloto, comerciante, lembra-se bem dessa época: “o volume de vendas era enorme. Os copos eram feitos de uma só cor, ao contrário do que hoje acontece. Quanto mais estranho e bizarro fosse o fenómeno mais se vendia. As pessoas também queriam saber mais informações e coscuvilhices”.
Entretanto foram surgindo explicações científicas para o aparecimento destes fenómenos tornando estes factos menos surpreendentes, menos especiais e mais banais. De acordo com José Fradique, biólogo, o caso do melro branco pode “ter resultado de uma herança genética que causou uma despigmentação da pele. Normalmente os melros são pretos. Este, provavelmente, sofria de albinismo”, conclui. Já os grandes vegetais e legumes “poderiam ter derivado da utilização excessiva de certos adubos.” Quem o afirma é o engenheiro agrícola José Manuel Mourão. Ou, segundo José Fradique “podiam ter resultado de mutações genéticas ocorridas durante o processo de crescimento”.
Com o passar do tempo os fenómenos do Entroncamento começaram a tornar-se “menos interessantes e ao mesmo tempo menos populares, uma vez que a ciência permitiu explicar grande parte destas raridades. As notícias acerca destes prodígios também se foram tornando repetitivas e o meu interesse diminuiu” diz Antero Fernandes enquanto fecha o seu dossier. Mas há uma comunidade inteira que não quer deixar morrer os seus fenómenos tendo criado uma página no facebook: Fenómenos do Entroncamento.
É caso para dizer, como já o fazia o grande jornalista Fernando Pessa “ E esta hein?!”
Interior português…meio agreste e antigo ou meio moderno e desenvolvido?
Interior português diz SIM ao desenvolvimento!
Em 2007 foi criado no Instituto Politécnico da Guarda uma Unidade de Investigação para o Desenvolvimento do Interior (UDI)
Por Atomosinterlinhas
Uma dura realidade!

Pessoas de 3ª idade do interior de Portugal
Atualmente, viver no interior é sinónimo de subdesenvolvimento, antiguidade... Em suma, o interior está muitas vezes associado a pessoas pertencentes à última faixa etária (a 3ª idade) e a um baixo desenvolvimento. Infelizmente!
As poucas novas faces deste interior, os jovens, tendem a desmotivarem-se pelo interesse da cultura e tradição caraterísticas da sua região e, com isto, tendem a preferir migrar para outras regiões, em especial, para o litoral.
Muitos deles, desconhecem assim a beleza e o que de melhor tem para oferecer a sua região. Contudo, o principal problema que subsiste é a falta do acesso à educação, à cultura mas principalmente ao conhecimento geral por parte dos mais antigos habitantes.
Mudar com a UDI
Com o objetivo de mudar esta realidade, foi desenvolvida pelo IPG (Instituto Politécnico da Guarda) uma unidade que visa mudar esta faceta do interior – UDI (Unidade de Investigação para o Desenvolvimento do Interior).
A UDI nasceu no ano de 2007, com a autoria do Professor Doutor Fernando Neves cujo principal objetivo é fomentar a investigação no IPG e criar, desenvolver condições facilitadoras dessa investigação.
Presentemente, esta unidade é constituída pelos órgãos da Direção do Conselho Científico e Unidade de Acompanhamento e organiza a sua atividade em grupos de investigação, em que para cada qual haverá um investigador principal.
Os constituintes da UDI
A equipa de Direção da UDI é composta pela sua Diretora, a Professora Doutora Teresa Paiva, e por um elemento de apoio técnico, a Dr.ª. Ivone Cravo.
Os investigadores, que fazem parte do corpo desta grande unidade - a UDI -, são de todas as áreas científicas que existem nas diversas ofertas formativas das escolas do IPG.
Estes investigadores para uma melhor organização e produção do trabalho agregam-se em cinco grupos de investigação: o de Comunicação e Expressão, da Saúde, da Economia, Gestão e Métodos, da Inovação Educacional e Formação de Professores e do Desenvolvimento de Produtos e Tecnologia.
A Unidade de Acompanhamento da UDI é composta por cinco elementos, mas aguarda a introdução de mais três elementos convocados, de maneira a atualizar-se e alargar as áreas científicas que a compõem.
Função e Objetivos da UDI
A principal função da UDI é motivar a inovação, o empreendedorismo e o desenvolvimento do conhecimento científico e aplicado. O seu funcionamento apoia-se em valores éticos e profissionais de rigor, transparência e de respeito social e humano.
Com esta incumbência, tornam-se lineares os objetivos genéricos:
1. Suscitar a realização de pesquisa e o apoio e participação em fundações científicas;
2. Desencadear a transição e valorização económica do conhecimento científico e tecnológico;
3. Promover a execução de ações de formação profissional e de atualização de conhecimentos;
4. Prestação de serviços à comunidade e de apoio ao desenvolvimento;
5. Estimular a inovação e o empreendedorismo.
Pelas palavras da Professora Doutora Teresa Paiva

Professora Doutora Teresa Paiva
A nossa região possui amplas potencialidades de desenvolvimento e o primeiro impulso foi dado pela unidade de investigação para o desenvolvimento do interior (UDI).
Assim, pelas palavras da Professora Doutora Teresa Paiva, “a região da Guarda tem que aproveitar o seu potencial endógeno associado às suas características geográficas e valorizar atividades que nos são tão naturais que nem temos a plena perceção que elas existem tais como o turismo (histórico, gastronómico e de natureza e saúde), a agro-indústria e a logística, aproveitando a proximidade à Serra da Estrela e a Espanha (como potencial mercado) podem constituir os vetores de desenvolvimento da região.”
O contributo do IPG

IPG (Instituto Politécnico da Guarda)
Para um normal habitante do interior, mais particularmente do distrito da Guarda, é evidente o empenho do IPG em responder aos desafios e diretrizes ministeriais, aliadas à sua estratégia de desenvolvimento de uma formação de qualidade e diferenciadora que lhe irão propiciar requisitos que o vão tornar incontornável no âmbito da formação e da inovação.
O IPG assume assim um papel essencial no crescimento do distrito da Guarda. A sua existência e funcionamento têm tido um impacto económico e social determinante na região na qualificação de recursos humanos que proporciona o impacto indireto noutras atividades económicas que giram à volta da atração de estudantes que o Instituto gera.
Com tudo isto, é de louvar esta iniciativa por parte do IPG da Guarda, cujas entidades acreditam e apostam no interior português. Estão assim de parabéns todos os responsáveis pois acreditam no seu país, na sua terra, nas suas origens.
A importância de Martins Sarmento no estudo da cultura castreja
Por José Sampaio, Narciso Alves e Nuno Faustino
Francisco Martins Sarmento foi um arqueólogo português do concelho de Guimarães. Ao longo da sua vida desenvolveu variados esforços no sentido de investigar a cultura castreja e ainda com o intuito de divulgar a sua pesquisa.
O Solar da Ponte

Entrada do Solar da Ponte, o Museu da Cultura Castreja
Imponente e vangloriosa, a Casa Museu da Sociedade Martins Sarmento está localizada na pequena localidade de S. Salvador de Briteiros.
Atualmente denominado de Museu da Cultura Castreja, este é um edifício que remonta ao século XIX e é o primeiro espaço especificamente dedicado à cultura da Idade do Ferro, característico no noroeste peninsular e matriz ancestral desta faixa atlântica da Península. Sem qualquer dúvida, o museu evidencia a importância daquela cultura, pois é neste que estão depositadas algumas importantes peças que remetem o visitante para os trabalhos do arqueólogo. A sociedade, à qual pertence o museu, tornou-se um ponto de referência da cidade de Guimarães, tal como do nosso país.
Francisco Martins Sarmento, antigo proprietário da casa em questão, foi um nobre senhor do concelho de Guimarães. Nascido em Março de 1833, foi na mesma casa que se apoiou para armazenar e catalogar todo o enorme e valioso espólio que foi recolhendo ao longo da sua vida, através de minuciosas escavações que ocorreram tanto na Citânia de Briteiros, como no Castro de Sabroso, locais estes relativamente perto da habitação de Sarmento. Estudou Direito na Universidade de Coimbra, não tendo nenhuma formação específica no ramo da Arqueologia. Foi ao longo dos anos, com muita pesquisa e dedicação que os conhecimentos sobre a mesma área surgiram. Para isso também contribui algum do equipamento fotográfico que foi adquirindo, para melhor poder registar toda a sua pesquisa e ainda para mostrar a grandes nomes da arqueologia europeia o que por cá existia.

Pedra Formosa, peça principal de um monumento que é essencialmente um conjunto arquitectónico pré-romano de banhos.
Dispunha de meios financeiros avultados, o que lhe permitia recrutar mão-de-obra necessária e, assim sendo, Francisco Martins Sarmento decidiu estudar a Citânia de Briteiros, localizada perto de sua casa, o Solar da Ponte, onde eram abundantes os vestígios de um vasto povoado pré-historico, iniciando escavações com o objetivo de as situar no tempo. Com base nas imagens obtidas, organizou dois álbuns que enviou à sociedade de Geografia de Lisboa e ao Instituto de Coimbra. As fotografias de uma extensa cidade pré-romana suscitaram uma curiosidade nos sócios daquelas entidades académicas e abriram o caminho à realização do primeiro congresso científico na área da arqueologia, que se celebrou em Portugal. Estiveram presentes os indivíduos das principais instituições científicas portuguesas.
O primeiro Congresso Arqueológico Nacional
Francisco Martins Sarmento foi extremamente importante no desenvolvimento da arqueologia em Portugal.
Pelas nove horas da manhã do dia nove de Junho do ano de 1877, reuniram-se os conferencistas nas Caldas das Taipas e prosseguiram viagem até à Citânia de Briteiros. A subida ao monte fez-se com um calor sufocante, e, no alto, observaram as ruínas descobertas por Martins Sarmento, os objetos recolhidos e a Pedra Formosa. Na descida, continuaram a ser examinadas algumas curiosidades que se encontravam no monte. No final desta mesma conferência, Martins Sarmento não se demonstrou satisfeito, o que é compreensível, se considerarmos que as personagens que se deslocaram ao congresso, embora fossem eruditos, não possuíam os conhecimentos do vimaranense.
Nos anos subsequentes Martins Sarmento dedicou-se à leitura e aos textos que redigia sobre os seus trabalhos, uma vez que este documentava todos os seus trabalhos e descobertas em livros, sendo sempre apoiado pelas suas fotografias que ajudavam a compreender o que este mesmo redigia.
Durante algum tempo da sua vida, partilhou o Solar da Ponte com o seu amigo Camilo Castelo Branco, com quem partilhava as suas ideias e descobertas, além de que organizavam expedições em conjunto à serra, à Citânia de Briteiros.
Foi fundador da arqueologia científica em Portugal e tinha um interesse particular pelo ferro, o que o levou a publicar um livro, “O conhecimento dos povoados foto históricos do norte peninsular”. Embora ai não aplicasse o termo Cultura Castreja, identificava um universo habitacional, metalúrgico, arquitetónico e escultórico que estabeleceu como uma “galáxia cognitiva” que perdura até aos dias de hoje. Também na Citânia de Briteiros podem ser encontrados elementos que caracterizam a Cultura Castreja.
Escola Profissional Agrícola Conde São Bento: está preocupada com um bom encaminhamento das efluentes agro-pecuárias
A Escola Profissional Agrícola Conde S. Bento tem no seu espaço uma exploração agro-pecuária que aloja cerca 60 animais, uma boa parte destinados à produção de leite, que diariamente geram uma quantidade significativa de efluentes pecuários cujo destino adequado é determinante para que não haja prejuízo para o meio ambiente. Os efluentes agro-pecuários são os resíduos sólidos e líquidos que resultam da atividade de uma exploração pecuária. Quimicamente, esses resíduos são constituídos por azoto, fósforo, nitrato, metano, amónia e óxidos de azoto. De entre estes o azoto é aquele que existe em maior quantidade, sendo o principal componente dos chorumes (parte líquida dos efluentes). A quantidade destes efluentes, produzida diariamente numa vacaria, é muito elevada, sobretudo a fração líquida, o que constitui muitas vezes um problema difícil de resolver e com consequências nefastas para o meio ambiente. As águas de lavagem dos alojamentos e dos equipamentos das atividades pecuárias, assim como as escorrências das nitreiras e dos silos, devem também ser conduzidas para os locais de recolha dos efluentes pecuários, o que contribui para o aumento da quantidade dos efluentes.
O destino mais frequente desses resíduos é a fertilização dos campos agrícolas.
A fertilização dos terrenos agrícolas com estes efluentes para além de ter a vantagem de servir como uma forma de eliminação dos mesmos serve também para colmatar as necessidades de nutrientes dos solos e das plantas, não sendo necessário recorrer à utilização de fertilizantes sintetizados quimicamente, promovendo deste modo uma agricultura mais sustentável, ambientalmente e economicamente.
Contudo é preciso ter em atenção a quantidade de chorumes que são aplicados nos solos. A quantidade de nutrientes fornecidas pelos fertilizantes, nomeadamente pelos chorumes, deve ser avaliada em conjunto com a fertilidade do solo e as características das águas de rega, de forma a não exceder a quantidade de nutrientes necessárias às culturas. Por esse motivo a composição dos efluentes pecuários deve ser regularmente avaliada a nível físico-químico e microbiológico. A identificação das percentagens dos seus constituintes é um aspecto importante para que a sua aplicação seja realizada com critério, para satisfação das necessidades das culturas. A aplicação abusiva dos efluentes agro-pecuários pode ser muito prejudicial para o ecossistema. O azoto tem uma capacidade de poluir em grande escala por isso, deve ser controlada a sua quantidade para que não tenha impacto negativo nos solos e nas massas de água superficiais e subterrâneas, quando aplicado em excesso.
O excesso de azoto nos solos leva a perda de alguns nutrientes e gera a morte de algumas espécies de seres vivos que habitam naqueles locais.
Para uma boa valorização agrícola de efluentes pecuários deve respeitar-se as seguintes condições: Os chorumes devem ser preferencialmente aplicados com equipamentos de injecção, de modo a minimizar a sua dispersão, seguindo-se os seguintes princípios: a incorporação do chorume no solo deve ser realizada imediatamente após a sua aplicação; e também não se deve aplicar os efluentes em dias de chuva; e deve-se garantir uma distância de protecção entre os locais de aplicação e os de captações de água subterrânea, linhas de água e albufeiras.
Para além da aplicação direta dos efluentes orgânicos nos campos outros tipos de valorização, mais seguros do ponto de vista ambiental e sanitário podem ser aplicados aos efluentes, agro-pecuário, nomeadamente a compostagem é uma forma de valorização orgânica a qual corresponde à obtenção de um material estável, rico em húmus e nutrientes, por decomposição controlada de materiais orgânicos; a produção de biogás em que a produção de energia é conseguida a partir da decomposição da matéria orgânica de modo anaeróbico, da qual resulta o gás metano, um ótimo combustível e um composto orgânico estável de grande qualidade para a fertilização de culturas, e a produção de Biomassa em que a energia é produzida pela combustão do material que é utilizado nas camas dos animais.
Quando não for possível fazer qualquer tipo de valorização dos efluentes agro-pecuários estes dever ser previamente tratados antes de ser lançados no meio hídrico. O não tratamento destes efluentes ou um tratamento deficitário pode levar à eutrofização do ecossistema.
Na situação particular da Escola Agrícola Conde S. Bento os efluentes da vacaria da exploração agro-pecuária são encaminhados para uma nitreira onde é feita uma compostagem e a partir da qual o composto produzido é usado para a fertilização dos campos agrícolas. Os efluentes líquidos são encaminhados para uma rede de saneamento da escola sendo de seguida encaminhados para uma ETAR Municipal.
Só respeitando estes princípios básicos de higiene podemos olhar para a agro-pecuária como uma actividade que não promove a perda de biodiversidade e a degradação do ambiente.
Um Tesouro Geológico à beira de se perder
Percurso pedestre de Massamá
Por Beatriz Pereira, Dúnia Dias e Ana Simões
Escondido dos olhares dos habitantes locais, Massamá perde um percurso geologicamente importante. Hoje, Massamá é uma região de um imenso carácter histórico – geológico e pedagógico que corre risco de desaparecer. Será que a população poderá proteger, conservar e divulgar um recurso natural tão precioso? 
Segunda Paragem
Queluz/Massamá situa-se na Península de Lisboa (Estremadura) e geologicamente, na Bacia Lusitânica, a oeste do Maciço Hespérico, a partir do Pérmico, resultado da divisão do supercontinente Pangeia e aquando da formação dos dois grandes oceanos: o paleo-oceano Tétis e o atlântico Norte.
No dia 1 de Dezembro 2011 a investigadora Fátima Guerra e docente da Escola Secundária Stuart Carvalhais (ESSC) guiou um grupo de pessoas pelo passado geológico desta região. Os participantes integraram uma inesquecível viagem e incorporaram o papel de verdadeiros geólogos, lendo cartas geológicas, notícias explicativas e manuseando equipamento técnico.
O percurso geológico idealizado é parte integrante duma tese mestrado que enriqueceu as aulas de campo dos alunos da ESSC e consta de quatro paragens, situadas num raio 3-4 km ao redor da escola. Um percurso acessível e interessante. Começamos identificando rochas. Um complexo vulcânico! Mas como? Não víamos crateras ou cones vulcânicos?!
Primeira paragem na Escola Secundária Stuart Carvalhais nas traseiras do Pavilhão G. virando para Norte, na direcção da elevação de terra distingue-se duas camadas, com génese comum, ambas formadas por basalto, a camada mais a Este sofreu alterações resultantes de falhas, humidade, erosão e factores como processos biológicos (nomeadamente as raízes das plantas que desgastam a rocha e a alteram), mostram um tom mais acastanhado.
O talude nas traseiras da Rua do Serrado perto da PSP é a segunda paragem. Aí a camada de cima é formada por escoada consolidada e em baixo por piroclástos e óxido de ferro. Ambas formadas por volta 70 Milhões de anos (M.a.), ou seja, isto indica que na era do cretácio houve vulcanismo tipo misto.

Terceira Paragem
Caminhámos mais um pouco pela encosta paramos no talude da antiga pedreira no parque Colaride onde existe uma zona castanha, do complexo vulcânico de basalto, e uma zona mais antiga bege acinzentada, de calcário, denominado de “calcários recifais”. Encontrámos pequenos fósseis de seres que prosperavam nos recifes, deixados no calcário, como bivalves e gastrópodes. Podemos deduzir que antes havia um pequeno mar de pouca profundidade e de águas quentes.
Na última paragem observámos várias dobras, provavelmente formadas por movimentos convergentes, que faziam uma ondulação. Aí existiam três camadas identificáveis: a mais recente (ou seja a que se situava por cima, com 70 M.a. de idade), seguida por uma de calcário branco (com cerca de 90 M.a.) e por último a mais antiga uma camada constituída por argilosos e margosos (com 93 M.a.).
De tão rica diversidade de fenómenos geológicos podemos recriar o ontem da nossa região. Sentíamos que as rochas contavam a sua história, através dos conhecimentos da Fátima Guerra:“...reparem se continuarem a despejar depósitos sobre a pedreira, deixaremos de observar as diferentes camadas e esta geodiversidade poderá deixar de ser observável...e se existisse uma outra visão, os cidadãos de Massamá poderiam possuir aqui um espaço de lazer, recreio e de divulgação do nosso património geológico.” Através do esquema 1 pode-se compreender a evolução da nossa região ao longo do tempo e, comprovam-se estes acontecimentos, retiram-se conclusões e consolidam-se teorias.
As rochas pisadas são do Cretácico, mas as mais antigas, as sedimentares, sofreram uma deposição em meio marinho. Os basaltos e os piroclástos, são mais recentes e resultaram de fenómenos de vulcanismo alcalino subaéreo, em ambiente intraplaca sendo do final do Cretácico, pertencem ao complexo vulcânico de Lisboa. Depois destes acontecimentos a zona de Queluz/Massamá terá permanecido emersa e foi alvo dos fatores e agentes erosivos.
Atualmente, a dinâmica geológica está resumida à sedimentação de aluviões nos rios e ribeiras e à erosão provocada por águas de escorrência com nos afloramentos das traseiras do Pavilhão G da ESSC.

Esquema Representativo da sobreposição das camadas geológicas de Massamá
Visando salvaguardar património a “Associação Olho vivo” tem desenvolvido acções de sensibilização para valorização do espaço junto das populações.
Recentemente deu-se o primeiro passo no sentido de alertar as entidades competentes para a proteção dos afloramentos. No âmbito do processo de consulta Pública do Loteamento Urbano da Quinta das Flores Residence (Massamá) Fátima Guerra enviou a sua opinião relativa à preservação da segunda paragem do percurso pois esta situa-se na área dessa futura urbanização, em que refere:
“Face ao interesse geológico e pedagógico do local e tratando-se da segunda paragem de um percurso, a sua destruição põe em causa o percurso no todo. Sugere-se a preservação do referido talude. Solicita-se que não seja aí efectuada qualquer construção, deixando o local liberto para futuras observações, integrando-o numa das zonas verdes previstas para a urbanização. Poderia colocar-se no local uma placa informativa com a caracterização geológica. Trata-se de um talude com interesse científico, patrimonial e pedagógico, que assim seria valorizado e integrado, de forma harmoniosa, numa zona densamente urbanizada.”

Quarta Paragem
A declaração de impacte ambiental aprovada pelo Secretário de Estado do Ambiente, em 2/12/2010, diz-nos:
“Deve ser preservado o talude existente na envolvente do loteamento, a norte da Rua do serrado, com a colocação de placa informativa com caracterização geológica”.
Hoje, este percurso é bastante utilizado em aulas de campo pela escola próxima dessa região.
Mas será que este tesouro geológico pode viver, não só nos nossos corações, mas também debaixo do chão que pisamos!?
Contribuam nesta iniciativa, valorizando o nosso património geológico, protegendo a nossa região, uma pequena parcela do planeta Terra.
Dá-me tempo, dá-me espaço, deixa-me ter um ano sem fogos…
Os incêndios Florestais são um problema a que não fica indiferente o Concelho de Santo Tirso todos os anos, sobretudo na época mais quente.
O Concelho de Santo Tirso com uma superfície de cerca 140 km2, distribuídos por 24 freguesias, tem uma área florestal de 6.450 hectares, ou seja, cerca de 47% da sua área total. A floresta, no concelho de Santo Tirso, é essencialmente constituída por espécies exóticas de onde o eucalipto sobressai como a espécie predominante. O eucalipto é uma espécie de crescimento rápido o que para além de promover o rápido desgaste dos solos propicia o aparecimento de incêndios com muita regularidade.
A defesa e preservação dos espaços florestais do concelho é da responsabilidade da Câmara Municipal de Santo Tirso a qual tem também a seu cargo a elaboração de documentos como o Plano Municipal de Defesa da Floresta Contra Incêndios (PMDFCI) e o Plano Operacional Municipal (POM).
A operacionalidade dos PMDFCI para as ações de vigilância, deteção, primeira intervenção e combate no período crítico é concretizada através do POM, de atualização anual, que particulariza a execução destas ações. Este plano define e estabelece, as competências dos agentes e a coordenação entre todos, articulando ainda, operacionalmente, as intervenções a nível municipal.
A Câmara Municipal tem definido regras com vista à prevenção e controlo dos incêndios, mas que muitas vezes não têm o êxito desejado.
As medidas preventivas impostas pela Câmara Municipal tem como principal objetivo diminuir o risco de fogos florestais, bem como atenuar os incêndios de grande dimensão que se vêm registando ao longo dos anos.
O Dispositivo Municipal da Defesa da Floresta Contra Incêndios integra ainda projetos como o Programa OJ (Ocupação Jovem), designado “Vigiar para Preservar”. O POJ mobiliza centenas de jovens durante os meses de Julho, Agosto e Setembro, que realizam ações de vigilância e deteção em locais estratégicos do concelho. A escolha destes locais prende-se com o facto de a partir deles ser visível uma grande área florestal.
“Houve em 2005 um incêndio muito difícil de controlar no lugar de Cancelo, freguesia de Rebordões, em que o declive e a vegetação existente foram os principais fatores para a sua progressão”, disse o chefe da equipa dos sapadores florestais.
Esta e outras iniciativas, designadamente a criação de equipas de primeira intervenção, como por exemplo, a equipa DFCI da Câmara Municipal e a equipa de sapadores florestais, correspondem a esforços suplementares desenvolvidos no período crítico de incêndios florestais, correspondente aos meses de Junho a Setembro.
Os registos dos últimos anos mostram que a cada 5 anos o número de incêndios aumenta e consequentemente, aumenta a área ardida, registando-se uma extensa área florestal do concelho afetada. Esta periodicidade está provavelmente associada às etapas de crescimento das espécies florestais que após arderem recuperam uma dimensão razoável nesse período de tempo. O pior ano de que há registos foi o ano de 2005, no qual se registaram 1.996 hectares de mata ardida.
No ano de 2005 foram tomadas medidas especiais no sentido de travar esta catástrofe, tendo sido reforçadas as medidas de prevenção para impedir os grandes incêndios. Os anos seguintes mantiveram um clima favorável o que se revelou propício a poucos incêndios.
Apesar das iniciativas das entidades competentes, estas alegam que muitas vezes são feitas queimadas, sem autorização, o que está frequentemente na origem de um incêndio, uma vez que não respeitam as regras impostas pelas autoridades responsáveis e não têm um controlo e vigilância permanentes. “Na área de Santo Tirso é pouco provável que a causa dos incêndios seja causa natural, uma vez que as temperaturas são moderadas nesta região. O que dá origem aos fogos é mão criminosa de forma intencional”, disse o chefe da equipa dos sapadores florestais.
A equipa de sapadores florestais de Santo Tirso resulta de um protocolo de colaboração entre a Autoridade Florestal Nacional (AFN), a Associação dos Silvicultores do Vale do Ave (ASVA) e a Câmara Municipal de Santo Tirso. Foi criada em 2008 e é constituída por 5 elementos.
No período crítico os sapadores florestais têm como funções: vigilância móvel, deteção, primeira intervenção e combate aos fogos e respetivo rescaldo.
No combate aos incêndios, os acessos ao interior das áreas florestais constituem muitas vezes um problema uma vez que são limitados. No entanto a Camara Municipal possui a cartografia dos caminhos florestais de modo a orientar a corporação de bombeiros e de todos os voluntários e anualmente procede à sua beneficiação.
CITEVE: um centro que confere maior qualidade aos produtos têxteis
Por Ao Lado da Ciência
O CITEVE - Centro Tecnológico das Indústrias Têxteis e do Vestuário de Portugal - é um instituto que providencia apoio tecnológico e serviços para empresas no ramo das indústrias têxteis. Este centro, localizado em
Vila Nova de Famalicão, é funcional desde 8 de Maio de 1989.
A importância da investigação no setor têxtil
O CITEVE não é um projecto único, funcionando em parceria com toda uma rede de centros tecnológicos, cada um direcionado para uma área específica. O de Vila Nova de Famalicão está focado para as indústrias têxteis e do vestuário, tendo um papel ativo na investigação e aplicação de técnicas que testam a qualidade de um produto, conferindo-lhe um certificado de qualidade (OEKO-TEX).
Produto com Certificado de Qualidade do CITEVE
Um dos produtos que contém um certificado de qualidade do CITEVE é o colete refletor dos condutores, que é um equipamento necessário para quem conduz e que tem de ter, obrigatoriamente, este certificado.
O uso de tecnologias inovadoras permite a este centro aconselhar as empresas a criar peças de vestuário bastante apelativas ao futuro consumidor, sendo assim possível que certas empresas possam rivalizar com os baixos orçamentos de outras que utilizam mão-de-obra mais acessível, como é o caso de empresas de países como a China e Vietname.
Certas empresas recorrem ao CITEVE para que este realize algumas provas aos seus produtos com vista a descobrir as características ideais para um determinado produto final. Essas características podem ser desde a flamabilidade até ao acionamento de microcápsulas que, quando eclodidas, conferem à peça um odor, um creme, ou qualquer outro tipo de substância que vai agradar o consumidor.
Investigação no CITEVE
O instituto em questão está dividido em vários departamentos e laboratórios, onde são testados os tecidos através de técnicas de inovação, as quais podem ser criadas pelo próprio CITEVE ou apenas experimentadas, sendo ideia das empresas que o contactam.
CITEVE incentiva a formação
Uma das grandes apostas do CITEVE é o departamento de formação, ao qual têm acesso não só trabalhadores que se encontram no desemprego como também trabalhadores ativos e jovens que, terminado o 12º ano, têm dúvidas quanto à área profissional a seguir, tendo aqui oportunidade de fazerem uma especialização tecnológica, que lhes vai permitir, ao encontrar emprego, uma maior segurança quanto à sua estabilidade profissional, uma vez que são poucos os profissionais com uma especialização tão detalhada na sua área.
Nos referidos laboratórios, podemos encontrar diversos mecanismos que ajudam os engenheiros a comprovar a qualidade dos tecidos quando expostos às mais variadas condições. Assim, através de vários ensaios, é possível testar a funcionalidade de um dado tecido mas, também, o seu conforto. Estes testes permitem ainda conhecer o ponto de rutura do material têxtil, medindo, deste modo, a sua elasticidade, assim como a capacidade deste encolher/esticar, adquirir borboto e até mesmo desbotar. Assim, são feitos ensaios progressivos e rigorosos, em diferentes equipamentos, tendo em atenção os parâmetros, tanto físicos como químicos, do local onde o produto irá ser utilizado.
Estes processos inovadores possibilitam, por exemplo, a criação de peças de vestuário termocromáticas ou fotocromátricas, que mudam de cor conforme as condições de calor e exposição ao Sol, respetivamente, que visam uma aplicação não só estética do produto mas, também, prática. De acordo com o teste de flamabilidade, que permite descobrir a capacidade de resistência de um tecido ao fogo, foram criados peças para cozinheiros e até mesmo pilotos de Fórmula 1.
Projetos desenvolvidos no CITEVE
Os testes realizados pelo centro facilitam a produção de vestuário mais eficiente aplicado nas áreas do ambiente e da saúde. Um desses exemplos é o projeto de uma camisola que o CITEVE desenvolveu para ajudar no tratamento de uma doença dermatológica, a dermatrite. Também foi desenvolvido com a participação deste centro uma T-shirt que, devido a sensores visuais, térmicos e olfativos, afasta os mosquitos, diminuindo assim os problemas de saúde daqueles que viajam para países onde é proveniente as doenças relacionadas com as picadelas destes insetos. Para além destas duas aplicações, foram criados neste instituto um fato para alpinistas com controlo de temperatura, ritmo cardíaco e sistema SOS, um fato que repele o cheiro, usado por pessoas que trabalham com odores desagradáveis e, também, o coldfit que é um fato destinado a ambientes com refrigeração.
Além destas inovações, desenvolveram um sofá termorregulável, um casaco de polícia que evita ataques de armas brancas, não deixando a perfuração, um roupão que, além de secar a pele depois do banho, contém microcápsulas que aplicam na pele creme hidratante e, ainda, um edredão, especialmente fabricado para as crianças, onde a criança ouve uma história, fazendo-a acreditar que nela mesma participa. Estes foram alguns dos projetos desenvolvidos no CITEVE que demonstram a utilidade prática destas criações. Além disso, o centro trabalha com a colaboração de designers, o que faz com que os produtos tenham, numa perspetiva estética, fatores apelativos.
Neste momento, o CITEVE está a desenvolver um novo projeto que consiste em produzir T-shirts 100% seguras contra a radiação ultravioleta.
Carros Biodegradáveis salvam o futuro!
Investigadores da Universidade do Minho em parceria com 13 países da União Europeia iniciaram, em Maio de 2010, um projeto que visa diminuir o impacto ambiental da emissão de dióxido de carbono pelos automóveis a partir da substituição de materiais poluentes deste veículo por novos materiais biodegradáveis.
A partir de diretivas europeias para diminuir a poluição, a Universidade do Minho decide investir numa área pioneira: a indústria automóvel que está na fronteira da tecnologia.
A dificuldade para os investigadores encontra-se no objetivo do automóvel: segurança, qualidade e resistência, bem como,na conjugação destes pré-requisitos com a utilização de materiais renováveis e biodegradáveis.
Na base destes novos materiais encontra-se a biologia sintética que consiste na produção de polímeros (plásticos) naturais de natureza proteica – biopolímeros (fibroína de seda natural do bicho-da-seda e elastina do mamífero) recorrendo à Engenharia Genética.
Posteriormente, a aplicação surge na substituição dos materiais atuais (de origem química e petrolífera) por materiais biocompatíveis e biodegradáveis.
O culminar do projeto aponta para o ano 2014, mas, até lá, as etapas são: melhorar (conjunto de parceiros faz a formulação), testar e, por fim, validar.
Colaborações...

Polímero obtido através da atividade da Escherichia coli
Com as investigações realizadas para a "caça" aos polímeros biodegradáveis, muitos outros setores estão a ser afetados de uma forma positiva, como a química, a indústria e a genética. Isto porque para haver uma produção em massa da fibroína e da elastina os investigadores tiveram de manipular o ADN de forma a este ser introduzido num sistema para ser produzido artificialmente. A empresa
PURAC está a ter um papel fulcral nesta investigação pois colabora com o monómero de PLA (ácido polilático), no entanto este não aguenta temperaturas muito elevadas estando por isso a ser melhorado. Por outro lado, a empresa BIOMER na Marinha Grande colabora com a indústria de moldes, uma vez que o material obtido é lá aquecido, colocado em moldes e depois arrefecido.
Cabos de Alta Tensão
Repercussões na saúde
Por Spinning Science
A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que, para campos eletromagnéticos muito intensos, só valores superiores a 500 microtesla podem ter algum efeito sobre o sistema nervoso mas mesmo nas piores condições, o campo magnético das linhas de Muito Alta Tensão não ultrapassa os 30 microtesla. Quanto ao campo elétrico, a OMS considera que só há efeitos sobre o sistema nervoso ( nem sempre nocivos ) acima dos 10kV/m, o que só é possível de atingir muito perto dos condutores de Alta Tensão. Estes limiares correspondem a refeitos agudos que já foram reconhecidos e traduzidos numa recomendação da OMS de 1998, adotada pela Comunidade Europeia em 1999 e que veio a ser posta na lei portuguesa em 2004, contendo factores de segurança adicionais para o público em geral.
Podemos dizer que a OMS não considera os campos magnéticos como sendo cancerígenos: as evidências existentes são duas análises de conjunto (“pooled analysis”) de muitos estudos epidemiológicos feitos nos EUA, Canadá e vários países da Europa do Norte, abrangendo mais de 100 milhões de pessoas ao longo de várias décadas, e em que num deles se totalizaram, perto de linhas de Alta Tensão, 44 casos de leucemia infantil quando seriam de esperar, na ausência dessas linhas, de 14 a 35, e no outro, mais abrangente, 98 casos quando seriam de esperar de 42 a 85. Relativamente ao valor médio esperado, o primeiro estudo aponta para uma duplicação do que seria normal mas, concretamente, o que se observou “perto” de linhas de Alta Tensão, para uma enorme população e várias décadas, foram 44 casos quando o valor esperado seria de 24 (isto de um total de 3247 leucemias infantis observadas naquela população e durante aqueles anos).
O que falta saber para se ter a certeza sobre os efeitos da exposição do campo magnético? É sempre muito difícil provar que um determinado agente é inofensivo e devido a já terem sido feitos vários testes, já alguns conceituados cientistas consideraram que já não vale a pena fazer mais estudos desses. Mas no entanto, ainda nos dias de hoje se encontram vários testes a ser efectuados, para tal sendo importante o workshop realizado no ano de 2008 que visou reorientar a investigação das relações dos campos magnéticos com a leucemia infantil.
A comunidade científica pretende investigar se existem outros factores envolvidos e para dar resposta às hipóteses levantadas será necessário quantificar o nível de radiação e cruzar por exemplo com a predisposição genética dos indivíduos, por exemplo para a doença da leucemia. Talvez um dia a OMS considere que não será apenas necessário ter em atenção os campos magnéticos intensos, mas também outros factores, como por exemplo: genéticos, ambientais, ou sócio - económicos.
Um caminho longo a ser percorrido, mas que merece a atenção dos investigadores, não só portugueses, mas também da comunidade científica internacional.
O Rio Ave…como foi, como será!!!
Há cerva de 60 anos as margens do vale do Ave enchiam-se de famílias e jovens, durante a época balnear. Nesta época existiam sorrisos e rostos de felicidade, mas os tempos negros avistavam-se.
Com a construção de indústrias perto do rio e o desenvolvimento da agricultura, usando excesso pesticidas levou a que este rio fosse um dos mais poluídos da Europa… com isso os rostos felizes tornaram-se margens vazias e negras.
Desde a década de 90, que se tem reunido esforços para que as margens do rio se voltem a encher de sorrisos.
O Rio Ave é um rio com cerca de oitenta e cinco quilómetros e nasce no Pau da Bela no concelho de Vieira do Minho a cerca de mil e duzentos metros de altitude, para depois desaguar em Vila do Conde. A bacia do Rio Ave tem aproximadamente uma área de mil trezentos e noventa quilometros quadrados, abrangendo os concelhos de Vieira do Minho, Póvoa de Lanhoso, Guimarães, Vila Nova de Famalicão, Santo Tirso, Trofa e Vila do Conde, este rio tem como principais afluentes os rios Este e Vizela.
O rio Ave encontra-se bastante poluído, devido a efluentes industriais, agrícolas e domésticos lançados desde há dezenas de anos atrás, que vão contribuindo para que este se torne um rio morto, apesar de ainda ter alguma vida fluvial.
Este rio pode ser divido em três troços, o inicial em que se verifica alguma atividade agrícola e urbana, o troço intermédio, caracterizado por uma zona de grande intensidade industrial e o troço final caracterizado por uma forte atividade agrícola. Ao longo de todo o percurso existe influência urbana pelo que a contaminação por efluentes domésticos pode considerar-se contínua. No troço inicial pode existir alguma contaminação resultante da atividade agrícola mas é no troço final que esta atividade tem verdadeira influência negativa na qualidade da água do rio pois é aqui que é praticada uma agricultura intensiva com recurso a fertilizantes. O troço intermédio é de todos o mais responsável pela má qualidade da água pois as indústrias localizadas nas margens deste rio realizam descargas de efluente industrial para as suas águas provocando não só uma contaminação química mas também uma poluição térmica.
Dado o grande nível de poluição verificada a AMAVE (Associação de Munícipios do Vale do Ave) começou a ter uma maior preocupação com esse problema, reunindo –se em 1991 e decidindo tomar medidas. Começaram por criar o SIDVA (Sistema Integrado de Despoluição do Vale do Ave). Este projeto começou desde logo em funcionamento através de construções de infraestruturas, mas só foi assinado oficialmente em conformidade com a Direção Regional do Ambiente e Recursos Naturais do Norte após a criação da TRATAVE (Tratamento de Águas Residuais do Ave), uma empresa criada juntamente com a assinatura oficial em 1998. Este projeto antes não abrangia toda a área da bacia do Ave, apenas os Munícipios presentes na AMAVE existindo importantes aglomerados populacionais e zonas com forte incidência industrial não cobertas por este sistema de despoluição. Neste contexto foi criado mais tarde o Sistema Multimunicipal de Abastecimento de Água e Saneamento do Vale do Ave - SistemaMultimunicipal - nos termos do Decreto-Lei nº 135/2002, de 14 de Maio de 2002, para captação, tratamento e distribuição de água para consumo público e para recolha, tratamento e rejeição de efluentes dos municípios que não faziam ainda parte. Este projecto visava a instalação de Estações de Tratamento de Águas Residuais, que pretendiam reduzir o nível de poluição das águas ao máximo possível, para isso foi proposta a instalação de cerca de doze Etar’s ao longo do leito do rio e também uma rede de estações elevatórias para o transporte de águas.
Dentro desse número de Etar’s encontra-se a Etar da Rabada, localizada em Santo Tirso, considerada uma das maiores Etar’s juntamente com a Etar de Sezerdelo, curiosamente construídas no ano de 1997 com um custo no seu conjunto de cerca de quinhentos milhões de euros. As duas Etar´s localizam-se no troço intermédio e focam-se principalmente na parte de despoluição de efluentes industriais. Próximo da Etar da Rabada encontra-se a Etar de Lordelo Aves, inaugurada este ano.
Este projeto não tem sido tão bem sucedido como o previsto, pois previa-se que no ano de 2012 o projeto estivesse concluído, mas essa data foi alterada para 2015.
Para além do cumprimento deste projeto é também essencial uma concsiencialização da população e das indústrias a nivel ambiental.
Se os objetivos forem cumpridos espera-se que o rio ave volte a ser usado para atividades de lazer, como outrora, e que seja uma fonte de orgulho para as regiões banhadas por si, e uma fonte de prazer para as gerações vindouras.
Várias pessoas já se consciencializaram-se deste problema ambiental acente no norte do país… e você? De que está à espera? As decisões de hoje irão influenciar a qualidade de vida de amanhã. Todos por um futuro Verde e um rio Ave Limpo.
É um peixe? É um caranguejo? Não, ELAvagante!
ELAvagante
A Estação Litoral da Aguda (ELA) é um dos institutos portugueses que procura conservar e proteger a biodiversidade. A ELA não só conserva as tradições piscatórias de todo o mundo como também as espécies aquáticas predominantes das águas do Norte de Portugal. Concebida por Mike Weber, a ideia inicial consistia na criação de um aquário público. Contudo, entre 1990/91, a hipótese é reformulada, dando origem ao projeto ELA.
ELAvagante
“A ideia surgiu no mar quando andei lá fora com os pescadores” – diz Mike Weber, professor no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e diretor da ELA. Era necessário “fazer algo para promover as potencialidades do cais da Aguda, em termos culturais, turísticos e científicos, e salvaguardar os interesses da pesca artesanal.” Mike Weber defende que a população piscatória sente o seu trabalho mais valorizado e reconhece o instituto como uma das melhores maneiras de mostrar aos seus descendentes o que fizeram durante uma vida.
A construção física da estação é autorizada pela Direção Geral dos Portos de Lisboa, em 1992, somente na condição da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia se responsabilizar pela sua proteção. Deste modo, o edifício pertence à Câmara Municipal. No entanto, toda a sua gestão é feita pela Fundação ELA, gerida pelo próprio Mike Weber e pelos vereadores do Ambiente, Mercês Ferreira, e do Turismo e Economia, Mário Fontemanha.
Concluídas as obras em 1994, foram posteriormente instalados os primeiros aquários no edifício, constituídos por quinze reservatórios e quatro andares dedicados à sua manutenção. A 1 de Julho de 1999, este espaço abre pela primeira vez ao público – “Tudo começou pelos aquários”, diz o administrador deste setor.

Raia (espécies representada nos aquários ELA)
É um peixe? É um caranguejo? Não, ELAvagante!
A Estação Litoral da Aguda (ELA) é um dos institutos portugueses que procura conservar e proteger a biodiversidade. A ELA não só conserva as tradições piscatórias de todo o mundo como também as espécies aquáticas predominantes das águas do Norte de Portugal. Concebida por Mike Weber, a ideia inicial consistia na criação de um aquário público. Contudo, entre 1990/91, a hipótese é reformulada, dando origem ao projeto ELA.
Para além do aquário público, a ELA congrega também um museu de pescas e um departamento de educação ambiental e investigação.
O museu foi criado com o objetivo de valorizar não só a tradição piscatória da praia onde está situado como também a atividade pesqueira de todo o mundo, e nele estão representados alguns artefactos e técnicas de pesca tradicional universal, um espólio com cerca de cinco mil objetos, oriundos de ofertas de particulares, compras em leilões e da coleção do fundador da ELA, Dr. Mike Weber.
O departamento de educação ambiental e investigação desenvolve variadíssimos programas, entre os quais se destacam as visitas guiadas, aulas de biologia, aulas universitárias e visitas à zona intertidal (espaço exposto ao ar na maré baixa), e atividades lúdico-pedagógicas que passam pela leitura de histórias ou por uma noite nos aquários.
A ELA estuda os 15 Km de orla costeira de V. N. Gaia, principalmente a Praia da Aguda. Até aos dias de hoje, foram catalogadas cerca de 500 espécies, o equivalente a 20% das conhecidas. Após a construção do quebra-mar, em 2002, com o objetivo de repor a areia a Norte e de ser um porto de abrigo para os pescadores, algumas destas espécies entraram em vias de extinção, como é o caso do lavagante. Por ser uma espécie ainda muito desconhecida, a ELA decidiu lançar o seu maior e mais prolongado projeto, o estudo do lavagante (homarus gammarus), acompanhando o seu crescimento tanto em meio natural como em cativeiro, desde 2006.

Lavagante (espécies criada em cativeiro na ELA)
“É um programa que nos ocupa muito tempo e espaço!”, diz o administrador José Pedro. O programa abrange duas vertentes: a criação de lavagantes em cativeiro e o estudo de lavagantes em meio natural. Relativamente a estes, consiste na captura, marcação, libertação e recaptura para análise e comparação de dados. A marcação é feita através de um sistema de cores: é colocado um polímero na zona abdominal do animal com uma cor que, depois da recaptura, permitirá obter dados sobre o peso, o tamanho e o desenvolvimento. Por ano são capturados em média doze lavagantes.
Para dar início ao projeto de criação de lavagantes em cativeiro, foram capturadas fêmeas do meio natural, já com ovos. A taxa de mortalidade das larvas de lavagante é bastante elevada (cerca de 97%) e um dos objetivos deste projeto é reduzir essa mesma taxa. Quando atingido o tamanho, o peso e a capacidade de autossuficiência, os lavagantes criados nesta instituição são largados no seu meio natural, o mar. Tendo em conta que 2011 foi o ano da primeira largada no mar de lavagantes criados em cativeiro, só haverá dados de recaptura nos próximos anos. Em relação a estes, os procedimentos são os mesmos: os crustáceos são marcados, lançados ao mar e novamente recapturados, pretendendo-se conhecer a sua adaptação ao meio natural.
Quer em cativeiro quer no seu meio natural, o lavagante é um animal necrófago. Quando adulto, tem preferência por mexilhões, sardinha, lulas e caranguejo. Na fase larvar, opta exclusivamente por artémia.
No seu meio biótico, o lavagante, normalmente, atinge os 2kg e os 30cm. Raramente excederá estes valores, pois, dado o seu valor económico, são capturados antes de atingirem a maturidade. O maior e mais pesado lavagante capturado até hoje registava cerca de 4kg e 50cm.

Meio de criação de Lavagente
O lavagante é um animal decompositor, fornecendo, deste modo, alimento para as plantas aquáticas e sendo um valioso complemento para a cadeia alimentar.
Em suma, a ELA tem como objetivo impedir a taxa de mortalidade das larvas de lavagante europeu, impedir a extinção da espécie e repô-la nas nossas praias. Estas foram as principais razões para a criação destes crustáceos em cativeiro, detendo a ELA a exclusividade deste projeto em território nacional.
No que toca ao futuro dos mares, José Pedro diz ver “algo muito negro porque ninguém protege aquilo que não conhece”, pois, “apesar de mais sensibilizada, a população não passa da teoria à prática”. Porém, Mike Weber confessa que concretizou um sonho – “Cumpri os meus objetivos, o meu sonho!”. Acrescenta ainda que é nesta praia que se sente em casa: “ Na Aguda, estou no meu mundo!”
Galinha entre os Dinossauros
No passado dia 26 de Novembro, as alunas da escola Artur Gonçalves, Ana Beatriz Lopes, Leonor Pedro e Ana Carolina Carreiras, começaram a sua viagem ao mundo dos dinossauros. Movidas pela participação no concurso “Jovens Jornalistas da Ciência” e pelo seu interesse deslocaram-se às Pegadas da Serra de Aire em Torres Novas.
Regresso ao Jurássico
Pegadas da Serra de Aire
O Monumento Natural das Pegadas dos Dinossauros da Serra de Aire, mais conhecido por Pegadas da Serra de Aire, ocupa vinte hectares da totalidade do Parque Natural. Este monumento geológico, foi em tempos uma pedreira, Pedreira do Galinha, mas a 4 de julho de 1994 João Carvalho, da Sociedade Torrejana de Espeleologia e Arqueologia, descobre as pegadas que são conhecidas atualmente, num dos estratos de calcário.
Há cerca de cento e setenta e cinco milhões de anos atrás (Jurássico médio), a Serra de Aire era uma planura litoral, pejada de zonas inundadas por lençóis de água, com um a dois metros de espessura. Durante esse Período, passaram por aquele local herbívoros de grande porte, também conhecidos por Saurópodes. Estes eram quadrúpedes caraterizados por possuírem cabeça pequena, pescoço muito longo, corpo maciço, cauda muito comprida e membros posteriores normalmente maiores que os anteriores, ostentando uma unha afilada em cada polegar. Os Saurópodes eram animais ativos, podendo mesmo adotar comportamentos sociáveis.
Após milhões de anos, diversos trabalhos de exploração permitiram a descoberta dos vestígios da passagem e existência destes grandiosos seres, até à pouco explorados.

Jardim Jurássico
Três anos após a sua descoberta o monumento é finalmente aberto ao público (1 de Março de 1997), e no próximo mês de março será o seu quinquagésimo aniversário.
Primeiramente, as alunas visualizaram um pequeno filme com o propósito de as elucidar sobre a história do parque, bem como a evolução da vida da terra, enfatizando a passagem dos dinossauros pelo planeta.

Aramossáurio
Durante a visita, as jovens realizaram um percurso pedestre, composto por várias estações informativas ao longo dos cerca de mil metros, pudendo mesmo observar de perto as pegadas. Puderam descobrir e apreciar alguns dos maiores, mais antigos e mais bem conservados trilhos de Saurópodes, compostos por mais de mil pegadas em vinte pistas. No final, viram um jardim que retratava a flora característica do período Jurássico, designado por Jardim Jurássico. Também se deslocaram para junto do Aramossáurio, onde foi possível desfrutar da belíssima paisagem daquela região.
No parque, também se encontra disponível uma área de animação, Centro de Animação Ambiental, um parque de merendas e um grande painel ilustrativo com a evolução da vida na Terra, desde a origem desta até aos nossos dias. Assim como, uma pequena loja onde os visitantes podem adquirir lembranças, para mais tarde recordar da sua incrível visita, e folhetos informativos gratuitos.
Alzheimer: um dia terá cura?
Com a doença de Alzheimer a afectar cada vez mais pessoas e a revelar-se numa das mais comuns na sociedade actual a resposta a esta inquietante questão é urgente. Estima-se que a cada 24 segundos um novo caso seja diagnosticado! Numerosos ensaios clínicos e investigações científicas continuam a ser desenvolvidos por todo o mundo para estudar as causas desta forma de demência, na esperança de desvendar uma cura. Em Portugal estes estudos centram-se em grande parte no Instituto de Medicina Molecular (IMM), em parceria com o Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Cérebro saudável (esquerda) e cérebro afectado pela doença de Alzheimer (direita)

Instituto de Medicina Molecular
Alzheimer em números
Em 1901 foi diagnosticado pelo alemão Alois Alzheimer o primeiro caso daquilo que passou a designar-se doença de Alzheimer.
Dos 7,3 milhões de europeus que sofrem de demência, 70% têm Alzheimer, sendo que 90 000 são portugueses. Destes, 50% vivem sozinhos.
A doença manifesta-se, geralmente, a partir dos 65 anos, exceptuando-se uma forma precoce de Alzheimer que se manifesta entre os 35 e os 65 anos.
A esperança de vida após o diagnóstico da doença é, em média, 7 anos.
A doença de Alzheimer é a principal causa de demência, tratando-se de uma doença neurodegenerativa que se caracteriza pela morte progressiva e irreversível das células nervosas (neurónios) de determinadas regiões do cérebro. Isto conduz a um declínio acentuado das funções cognitivas (memória, atenção, aprendizagem, comunicação, raciocínio, entre outras) de tal forma grave que interfere na vida diária dos doentes.
Os primeiros sintomas da doença de Alzheimer são lapsos de memória e dificuldade em encontrar as palavras certas para se exprimir. Muitas vezes, os sintomas iniciais são confundidos com sinais normais de envelhecimento.
No progresso da doença, a personalidade do doente pode sofrer alterações, manifestando-se, muitas vezes, agressivo ou frustrado. A necessidade de cuidados constantes aumenta e, num estado avançado da doença, a ausência de independência é total.
Numa fase moderada de Alzheimer, as memórias antigas são também afectadas, pelo que o doente deixa de reconhecer os seus familiares e pessoas mais próximas.
Na fase terminal da doença, o doente pode eventualmente perder a fala, contudo, consegue apreender e transmitir emoções. Perde também totalmente a sua capacidade motora, não sendo sequer capaz de se alimentar sozinho e acaba por morrer não pela própria doença, mas por uma causa externa, por exemplo, uma pneumonia ou por desidratação.
O maior factor de risco para a doença é a idade, sendo o estilo de vida e a saúde em geral da pessoa apontados como outros. Os dados epidemiológicos mostram ainda que a doença prevalece nas pessoas com níveis de educação mais baixos.
Actualmente, ainda não se conhecem as causas exactas da morte gradual dos neurónios, mas sabe-se que a doença de Alzheimer envolve, primeiro, a diminuição dos níveis de acetilcolina (um neurotransmissor, ou seja, uma substância química através da qual os impulsos nervosos são transmitidos); segundo, a formação excessiva de placas nevríticas ou placas senis, que são acumulações anómalas da proteína beta-amilóide no cérebro e, por último, envolve a presença de emaranhados neurofibrilhares, que se formam pela alteração da proteína tau, constituinte dos neurónios. Estas duas últimas perturbações comprometem a funcionalidade dos neurónios, conduzindo então à morte celular.
Até hoje, ainda não foi descoberto nenhum tratamento que cure ou tão pouco previna a doença. Os tratamentos que existem tendem a estabilizar os sintomas de forma a melhorar a qualidade de vida dos doentes. Existem duas classes de medicamentos aprovadas pelas entidades de regulamentação: os inibidores da colinesterase e a memantina. Os primeiros são medicamentos que visam a manutenção dos níveis de acetilcolina no cérebro, destruindo a enzima (colinesterase) que degrada este neurotransmissor. O segundo é um medicamento que regula processos relacionados com outro neurotransmissor, o glutamato. Nos doentes com doença de Alzheimer moderada a grave, a terapêutica combinada dos dois medicamentos revelou-se mais eficaz no combate à progressão dos sintomas, em comparação com a sua utilização independente.
As terapêuticas actuais apenas diminuem os sintomas, não modificam ou interrompem a progressão da doença. Espera-se que num futuro próximo as investigações e ensaios clínicos em curso possam conduzir a uma cura.
Em Portugal, “estamos a participar em dois ensaios clínicos internacionais”, conta Ana Rita Costenla, investigadora do grupo de neurociência do IMM. A investigadora explica-nos «Nestes ensaios, normalmente duplamente cegos, o que acontece é que existe uma molécula com um princípio activo que é administrada a um grupo de doentes, e a outro grupo não é administrada essa molécula em estudo, mas sim um placebo - uma molécula sem princípio activo. Vão-se fazendo testes, de forma a analisar o que acontece nos doentes. Ao fim de dois anos e meio, o estudo é aberto e os investigadores ficam a saber quais são os doentes que estavam a tomar o fármaco em estudo e aqueles que estavam a tomar um placebo. Depois, então, conclui-se quão eficaz é ou não a molécula que está a ser dada aos doentes.”
A nível mundial, as terapêuticas que estão a ser desenvolvidas fundamentam-se no conhecimento que já existe sobre a patologia da doença de Alzheimer. Assim, a maior parte dos fármacos sob investigação têm como alvo terapêutico a diminuição da produção da proteína beta-amilóide ou a inibição da agregação da proteína tau, o que significa, respectivamente, diminuir as placas nevríticas e os emaranhados neurofibrilhares, que se pensa serem uma provável causa da morte neuronal.
Um projecto que está na vanguarda da investigação científica relacionada com a doença de Alzheimer é o desenvolvimento de uma vacina, que ao contrário das vacinas preventivas comuns, trataria doentes já diagnosticados. O intuito da vacina é treinar o sistema imunitário humano a reconhecer as proteínas beta-amilóide de forma a estimular uma resposta imunitária que gere anticorpos anti-beta-amilóide, capazes de remover essas proteínas do sistema nervoso.
“Se algum dia terá cura? Esperamos que sim! Pelo menos, estamos a trabalhar para isso – nós e não só, o mundo inteiro.” – esta é a resposta da cientista do IMM, confiante nas investigações que em todo o mundo estão a ser dirigidas na esperança de alcançar a tão ambicionada cura.
Equipa de Investigadores do IPCA abre novos caminhos na Investigação de Fiscalidade e Contabilidade
Um passo em frente e uma resposta astuta em tempos de crise.
Por Genes da Ciência

Instituto Politécnico do Cávado e do Ave
Numa altura em que crise é a palavra que está na ordem do dia, o Centro de Investigação em Contabilidade e Fiscalidade (CICF), procura abrir novas perspectivas para o desenvolvimento da contabilidade e fiscalidade como ciência, com um trabalho muito visível ao nível do combate à corrupção e da organização e uniformização do sistema contabilístico.

Maria José Fernandes
O CICF, é uma unidade de investigação científica da Escola Superior de Gestão do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA), reconhecida pela Fundação para a Ciência e Tecnologia em 18 de Junho de 2009 e que tem por objecto o desenvolvimento de actividades de Investigação e Desenvolvimento nas áreas científicas da Contabilidade e da Fiscalidade, em interdisciplinaridade com outras áreas científicas, nomeadamente o Direito e a Gestão, entre outras.
É composto por uma equipa de investigadores de reconhecido mérito, com doutoramento nos domínios científicos referidos e publicações relevantes. Conta ainda com uma jovem equipa de investigadores que se encontram a realizar programas de doutoramento, contribuindo desta forma para a produção de investigação científica de qualidade.
IPCA
Localizado em Barcelos, terra pequena, na qual o Galo é a imagem de marca, o IPCA é a única instituição de ensino superior e tem contribuído para a promoção e divulgação da imagem da instituição e da cidade.
As relações e parcerias estabelecidas com as câmaras municipais e outras entidades públicas e privadas têm resultado em projectos de investigação aplicada extremamente relevantes e com enorme visibilidade para o CICF. Maria José Fernandes, Directora do CICF, Sónia Monteiro, Presidente do Concelho Científico, e Verónica Ribeiro, um dos Elementos Permanentes, referem "queremos apostar mais nesta vertente a curto prazo por sentirmos que o mercado tem necessidade e demonstra interesse por esta maior aproximação entre o meio académico e o meio empresarial". Em suma, as actividades desenvolvidas pelo CICF são, sem dúvida, uma forma de dinamizar a região e a cidade de Barcelos quer através da atracção de investigadores nacionais e internacionais, quer através do estabelecimento de parcerias com entidades de outras regiões. As investigadoras mencionam "a título de exemplo, o CICF organizará em 2012 dois importantes congressos nas nossas áreas de investigação, o que permitirá à cidade de Barcelos e à região envolvente, acolher mais de 300 investigadores oriundos de todo o mundo. Sem dúvida que esta é a melhor forma de darmos a conhecer ao mundo esta bela cidade e tudo o que ela tem para oferecer".
Embora a criação e a dinamização do CICF tenham permitido consolidar a investigação produzida nas áreas da Contabilidade e da Fiscalidade ainda não é claro, a nível nacional, o reconhecimento como ciências autónomas. Defendem as investigadoras que um desenvolvimento nestas matérias poderá reflectir-se num maior equilíbrio económico face à introdução de novas práticas fiscais, contribuindo para o desaparecimento de sistemas de economia paralela. Esta falta de atenção e dedicação sobre as áreas acima referidas, a nível nacional, não se verifica a nível internacional, onde estão já bastante desenvolvidas.
Visando fomentar e melhorar a investigação científica, aplicada ao contexto nacional, o CICF tem estabelecido relações com outras instituições de investigação científica, nacionais e internacionais.

Sónia Maria da Silva Monteiro
Um dos objectivos do CICF destacados pelas investigadoras passa por manter um contacto permanente com os agentes económicos enfatizando a realização de projectos de investigação aplicada às entidades das regiões locais, afirmando que "serão mantidas relações de cooperação com organizações públicas e privadas para o desenvolvimento destes projectos."
Ainda no âmbito das metas que o CICF tem em vista, destaca-se o seu objectivo estratégico, no sentido de manter uma relação de cooperação e interacção com as associações profissionais portuguesas que representam a área da Contabilidade e da Fiscalidade, nomeadamente a Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, a Ordem dos Revisores Oficiais de Contas e a Associação Fiscal Portuguesa, entre outras.
Em síntese, o CICF visa alcançar os seguintes objectivos:
- Realizar, promover e coordenar a investigação científica no domínio das áreas da Contabilidade e da Fiscalidade;
- Promover e apoiar a formação dos recursos humanos nessas áreas de investigação;
- Desenvolver trabalhos de investigação em parceria com instituições nacionais e internacionais, promovendo a interdisciplinaridade da investigação científica;
- Fomentar a realização de trabalhos e projectos de investigação aplicada no domínio da sua investigação com orientação para o meio empresarial e para o sector público;
- Criar redes de extensão científica e cultural e de prestação de serviços à comunidade.

Verónica Paula Lima Ribeiro
Durante o ano de 2012 caberá ainda ao CICF a organização do XV Encontro da Associação Espanhola de Contabilidade e Administração de Empresas e de workshop da "Comparative Internacional Governmental Accounting Research". Muitos destes eventos contribuem para a afirmação do CICF, e da investigação portuguesa na área da Contabilidade e Fiscalidade, a nível internacional. Por outro lado, "as parcerias que o centro de investigação possui com outras instituições do ensino superior e centros de investigação, nacionais e estrangeiros, contribuem para o fortelecimento e visibilidade do CICF" referiram. Com grande aposta na investigação aplicada, "o CICF continuará a promover a prestação de serviços à comunidade, nomeadamente projectos de implementação da Contabilidade de Custos em municipios e ainda projectos de implementação e monotorização dos Planos de Prevenção de Riscos de Corrupção e Infracções" garantem ainda.
Concluíndo, ainda que necessário muito desenvolvimento e modelação para afirmação destas áreas, a contabilidade tem assumido cada vez mais uma posição de destaque na área das Ciências Económicas e Empresariais, fruto da investigação que tem sido desenvolvida a nível nacional e internacional. "Desejamos o reforço do posicionamento desta área na comunidade académica e científica, e acreditamos que o nosso Centro de Investigação continuará a contribuir para a afirmação da Contabilidade enquanto Ciência." realçam convictas do seu trabalho.
Centro de Investigação da Universidade Lusíada é um dos melhores cotados no país
CLEGI é responsável pela criação de inúmeros projetos importantes no desenvolvimento de variadas áreas
Por BBC (Big Brains Channel)
O CLEGI e o importante apoio da FCT para o seu desenvolvimento
O CLEGI e o importante apoio da FCT para o seu desenvolvimento
A FCT e a ajuda que esta fornece ao CLEGI melhorou em muito as condições do Centro de Investigação para que este possa contribuir para o desenvolvimento das indústrias que estão dentro da área de compreensão do centro, ou seja, a engenharia e a gestão industrial. Sem o apoio da FCT não seria possível obter resultados tão positivos como os obtidos pelo CLEGI.
O CLEGI é constituído por doze elementos principais e cerca de vinte colaboradores, contando com vários nomes do ramo das Engenharias e da Gestão Industrial, dentro dos quais se destacam nomes sonantes, tais como Rui Silva, o coordenador da instituição e diretor da Universidade Lusíada em Famalicão; Eduardo Tomé, responsável principal pela área da Gestão Industrial; Carlos Rego, encarregado pela parte que diz respeito à Engenharia Industrial; e Diamantino Durão, reitor da Universidade Lusíada de Lisboa e ex-ministro da Educação e ainda o fundamental impulsionador da iniciativa de unir o grupo e criar o CLEGI. Ainda dentro do funcionamento do centro, estão incluídos vários investigadores que também desempenham o papel de professores da Universidade e que são extremamente trabalhadores e dedicados, dado que tem de ser possível conciliar as aulas com a investigação.
A partir do momento em que o centro foi validado perante a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), no ano da sua formação, esta passou a fornecer um incentivo monetário necessário quer para a compra, quer para a manutenção das tecnologias utilizadas nos projetos do CLEGI. Esta ajuda é também utilizada para a organização de conferências e para a aquisição de equipamentos e materiais que irão ser utilizados no desenvolvimento de novos projetos. Todos estes gastos devem ser reportados e devidamente justificados através de relatórios periódicos à FCT, o que requer uma grande organização por parte dos coordenadores do centro.
O apoio da FCT tem sido essencial no desenvolvimento de projetos que, sem as ajudas fornecidas pela instituição seriam impossíveis de realizar, no que diz respeito a aspetos monetários. O CLEGI desenvolveu, ao longo dos seus já seis anos de existência, uma grande variedade de projetos, dos quais se destacaram alguns no âmbito da sustentabilidade e do ambiente, mas também determinados projetos de carácter científico, como a monotorização de sinais biométricos, de forma a contribuir para diagnósticos médicos, ou a monotorização de ferramentas de corte, que diz respeito à criação de tornos automáticos, o que desencadeia um maior desenvolvimento industrial. Isto vai ao encontro de outra das grandes apostas da instituição, que abrange o desenvolvimento de alguns mecanismos de inteligência artificial. A automação industrial tem sido uma área de grande insistência por parte do CLEGI, e tem conseguido grandes feitos nesse campo, como é o exemplo da automação de ETAR’s, que foi um dos marcos mais importantes dentro da globalidade dos projetos da instituição, visto que economiza muito do tempo e da mão-de-obra anteriormente gastos.
CLEGI apoia alunos na sua formação
O CLEGI fornece também um importante apoio a mestrados e doutoramentos de alunos na área da Engenharia e Gestão Industrial, campos que vão de encontro com as necessidades do centro. Ao mesmo tempo que recebem um enorme contributo para a sua formação académica, os alunos que procuram completar um mestrado ou doutoramento desempenham um papel importante no desenvolvimento de projetos do centro.
Centro de Investigação ultrapassa advertências e atinge estatuto internacional
O CLEGI, aquando da sua formação, ultrapassou várias dificuldades e contradições, mas, apesar destas, a união e coesão do grupo superou as mesmas e os resultados são visíveis: um grande empenho e dedicação por parte dos membros deste grupo levaram o CLEGI a ser considerado um dos melhores centros de investigação da Universidade Lusíada, a nível nacional, com uma classificação final de muito bom, pela FCT, o que conferiu ao CLEGI um determinado estatuto ao nível da investigação internacional. Agora, os objetivos são manter este nível de excelência e a sua classificação para que seja possível prosseguir com os projetos em desenvolvimento e também impulsionar novos.
Filosofia "Lean Thinking"
O CLEGI segue, como tantas outras instituições, uma filosofia denominada de “Lean Thinking”, que consiste no corte de despesas desnecessárias no desenvolvimento dos projetos, e ainda no direcionamento do trabalho dos investigadores, de modo a reduzir os custos e aumentar a eficiência e produtividade do trabalho de investigação efetuado no campus da instituição.
Coordenação e união na instituição
De acordo com o coordenador e diretor do CLEGI, Rui Silva, uma pessoa apenas deve prosseguir na área da investigação se apreciar verdadeiramente aquilo que faz e se o fizer «por amor à camisola», visto que é uma área de grande dificuldade em que é necessário um grande espírito de sacrifício e uma motivação acrescida para concretizar os projetos idealizados. Sendo assim, a equipa que trabalha no centro é uma equipa coesa e unida de pessoas doutoradas na área e que admiram e têm orgulho no trabalho e nos feitos que atingiram em poucos anos. Devido ao facto de se tratar de um grupo de especialistas, torna-se um pouco complicado de gerir opiniões que são concisas, mas, por vezes algo divergentes. No entanto, acabam sempre por chegar a um consenso, não havendo grandes discordâncias entre os membros do centro. «É complicado gerir as opiniões de vários especialistas, mas temos um grupo unido e coeso, e, apesar das nossas divergências, no final, sempre obtivemos um consentimento geral.» afirmou Rui Silva.
Reconhecimento e Excelência
O CLEGI é uma instituição bastante reconhecida a nível nacional que preza a excelência dos seus investigadores e projetos e a união e coesão do grupo, que são aspetos necessários para a obtenção de resultados de grande relevância. Esta associação conta já com muitas referências positivas, mas aspira a um número ainda maior de trabalhos que tenham uma utilidade prática no nosso dia-a-dia.
Parque de Ciência e Tecnologia do Mar
Uma aventura em construção
Por Ricardo Martins, Susana Caetano e Vera Nogueira
O Parque de Ciência e Tecnologia do Mar, da Universidade do Porto, que será parte integrante do Novo Terminal do Porto de Leixões, em Matosinhos, está em construção desde 23 de Abril de 2010, estando prevista a sua finalização em 2014. Este projeto vai ser muito vantajoso tanto para a sociedade, como para o património cultural da cidade. O Parque terá como finalidade albergar várias valências tais como: investigação, incubação de base tecnológica (Pólo do Mar) e acolhimento empresarial.

Dr. Rodrigo Ozório no CIIMAR
Dr Rodrigo Ozório:
De nacionalidade brasileira, atualmente, Biólogo e Investigador, licenciou-se em Ciências Biológicas na Universidade Santa Úrsula, RJ, Brasil; tornou-se mestre em Ciência Animal na Universidade Wageningen, Holanda; PhD em Aquacultura na Universidade de Wageningen, Holanda; realizou o pós-doutoramento em Aquacultura da Universidade de São Paulo (USP) em Piracicaba, Brasil; Esteve envolvido em várias atividades científicas e/ou profissionais entre as quais a de investigador no CIIMAR, onde trabalha atualmente.
De modo a percebermos melhor a importância deste projeto, visitamos o CIIMAR (Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental), uma das unidades de investigação com projetos ligados ao mar, que formarão um ninho de empresas.
À conversa com o Dr. Rodrigo Ozório, pelo qual fomos simpaticamente recebidos, descobrimos que “o CIIMAR é uma instituição de referência nacional e europeia na formação avançada de investigadores em Ciências do Mar e Ambiente, apoiando diversos cursos de Mestrado da Universidade do Porto, do Programa Doutoral Nacional em Ciências do Mar e Ambiente, e do Programa Doutoral Europeu em Saúde e Conservação de Ecossistemas Marinhos”.
Os interesses científicos do CIIMAR centram-se em cinco linhas de investigação, sendo elas, Toxicologia e Química Ambiental; Ecologia, Biodiversidade e Gestão de Ecossistemas Aquáticos; Biologia e Biotecnologia Marinhas; Aquacultura e, finalmente, Dinâmica Costeira e Oceânica. Nos últimos anos, verificou-se um aumento significativo do número de investigadores, de publicações internacionais, de dissertações concluídas e do orçamento, o que demonstra o nível de excelência do CIIMAR.

Elementos da equipa "ABCiência" no CIIMAR
Efetivamente, esta instituição tem numerosos benefícios em mudar-se para estas novas instalações e abandonar as atuais que se encontram no Porto. “A nova localização irá facilitar o fornecimento de água salgada, tendo em conta a sua proximidade ao mar, e o trabalho dos docentes, visto que as instalações serão maiores e mais apropriadas.” O facto de o CIIMAR ficar mais próxima de empresas relacionadas com o Mar, constitui outro fator positivo para a comunicação e entreajuda das mesmas. Motivo relevante é a maior visibilidade, de que irá beneficiar todo o parque. Está previsto que os laboratórios sejam de vidro, o que vai permitir aos turistas terem acesso visual ao trabalho que se vai desenvolvendo pelos investigadores. Para além disso, o Parque suporta um pequeno espaço para divulgação científica ao público. A inserção do Parque na estrutura portuária da APDL (Administração dos Portos de Douro e Leixões), traz notoriedade ao projeto. Esta empresa também é beneficiada, uma vez que o desenvolvimento de atividades científicas e empresariais associadas ao mar são uma atração turística, sendo uma mais-valia para a sua economia.” A APDL é uma das instituições que assinou o protocolo de construção do edifício em causa juntamente com a Universidade do Porto e a Câmara Municipal de Matosinhos.

Laboratório de Química do CIIMAR
Por parte da Universidade do Porto (UP), ela encontra no projecto uma oportunidade de consolidar a organização do seu Parque de Ciência e Tecnologia (PCT), sobretudo do ponto de vista da sua localização num espaço que, não sendo longínquo face às suas outras instalações, procura tirar partido de uma real proximidade potenciadora da interligação dos meios universitário e empresarial, que propícia à criação de um ambiente favorável à inovação e à instalação de empresas de base tecnológica avançada.
Por parte da Câmara Municipal de Matosinhos (CMM), que surge historicamente associada ao projecto de instalação de um centro de investigação sobre o mar no concelho, abre-se a oportunidade de contribuir para a diversificação de actividades empresariais no território do concelho.
Outra das instituições que fará parte do Parque de Ciência e Tecnologia do Mar é o INEGI (Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial) que contribui para o aumento da competitividade da indústria nacional através da investigação, desenvolvimento, demonstração, transferência de tecnologia, formação nas áreas de conceção e projetos, materiais, produção, energia, manutenção, gestão industrial e ambiente. É, portanto, importante a sua presença.
Após esta longa conversa, o Dr. Rodrigo Ozório mostrou-se bastante disponível e deu-nos a conhecer as instalações do CIIMAR, explicando-nos todos os detalhes relativos ao trabalho lá desenvolvido.
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Iniciamos a nossa visita deslocando-nos até ao laboratório de Química, que serve de suporte às experiências realizadas no centro, isto é, efetuam análises químicas dos materiais que lhes são solicitados. Em último lugar, visitamos os laboratórios de Nutrição, Crescimento e Qualidade do Peixe. A visita terminou, e as sensações de objetivo cumprido e satisfação predominavam.
Verdadeiramente, apercebemo-nos que este projeto requer um grande investimento financeiro (cerca de 4,2 milhões de euros) o que significa que deve ser preservado e respeitado por todos, mas, mais importante do que isso, visionamos que por detrás dele, está um grande esforço e empenho coletivo em prol de um bem comum.
Pelas informações que nos foram fornecidas, sabemos que apenas foram construídas as infraestruturas subaquáticas. Deste modo, resta-nos esperar pela finalização da construção do novo Parque. Este é um grande passo que vai, certamente, revolucionar a ciência e a tecnologia do mar e obter créditos a nível internacional.
Observação de aves na Albufeira de Vilar
Coordenadas: 40° 59’ 12” N 7° 32’ 08” O.
Nesta ocidental praia Lusitana, caminhando em direção ao interior, encontramos o distrito de Viseu, numa jornada que nos conduzirá às denominadas por Aquilino Ribeiro como Terras do Demo. Designação que contrasta com a sua deslumbrante beleza paisagística.
Já com o concelho de Sernancelhe em fundo vamos-nos deixando arrebatar pela magnífica visão proporcionada pelo mais importante recurso hídrico da região – as águas do rio Távora aprisionadas pela Barragem de Vilar, gerando uma estonteante albufeira com suas belezas adjacentes. É em torno deste rio, com origem na Beira Alta, que gravitam as localidades de Freixinho, Faia, Vilar, Fonte Arcada, Penso e Vila da Ponte.
Seguimos, rumo ao Vilar, já no concelho de Moimenta da Beira, pequena povoação que alberga no seu seio o paredão da Barragem, ponto de partida do nosso percurso exploratório pelas águas do magnífico espelho de água em busca da avifauna que pulula nestas águas cristalinas.
A albufeira alberga um número significativo de espécies apresentando bons argumentos para atrair o observador de aves. Apesar da vegetação ribeirinha escassear, devido à oscilação do nível da água, não deixa de atrair aves que aqui procuram alimento no seu lençol (farto banco de sementes contido nesses substratos arenosos), bem como as suas margens e áreas florestais contíguas para a nidificação.
Sem dúvida um local de excelência para a observação de aves. Uma atividade de ar livre sem necessidade de equipamento específico, que combina um moderado exercício físico com a atividade intelectual e estimula o contacto com a natureza.
Afavelmente recebidos pela população local, de imediato se disponibilizaram a acompanhar-nos nesta exploração o Sr. Ramos, um retornado que aqui mora desde 1975, e ainda um aventureiro apaixonado por esta sua terra, o professor Marco Gil.
Partilharam o seu saber sobre esta Barragem que foi inaugurada em 1965 e que deu origem a uma albufeira que, para além de ter afundado várzeas e escarpas de pomar e vinhedo, alcançou ainda parte do casario da Faia com a igreja que tiveram de ser reconstruídos fora da zona que ficou submersa.
Uma infraestrutura que veio provocar importantes alterações ecológicas e ambientais. De então para cá, a albufeira conduziu a uma maior afluência de aves, migratórias ou residentes, como são exemplo os patos, os mergulhões, as pêgas ou, ainda, pequenos bandos de corvos, entre outras espécies. Entre as aves migratórias, destaque para as garças que por aqui passam no início do outono. Este ano um casal permaneceu mais tempo, continuando por estas paragens ainda em pleno mês de dezembro. É também possível observar o voo de uma águia de asa redonda durante todo o ano, ou a presença do milhafre negro frequente durante o verão. Podemos ainda ser espantados com as danças nupciais do mergulhão-de-crista, no mês de abril, ou com pares de mergulhão-pequeno em corridas incessantes sobre a superfície da albufeira.
Uma observação mais atenta revela-nos outras aves que surgem no espelho de água como sejam o pato-real ou o galeirão. Nas margens da albufeira surgem também exemplares de garça-real, a galinha-d’água ou o maçarico-das-rochas.
Qualquer pessoa pode estudar estes maravilhosos animais, o certo é que quanto melhor os conhecemos mais fascinantes eles se tornam.
Aceite o nosso convite e embarque connosco num passeio pela albufeira de Vilar.
Com a canoa como meio de locomoção, partimos em direção à Faia. De imediato, foi possível observar um belo exemplar de garça cinzenta e vários mergulhões em plena atividade. À medida que nos aproximávamos da aldeia íamos sendo embalados pelos harmoniosos sons proferidos por melros que íamos avistando conjuntamento com pequenos bandos de gralhas-pretas.
Era já possível observar a quase totalidade da albufeira. Por aqui pontificam durante o inverno aves aquáticas como a garça-real, o pato-real, o corvo-marinho e o mergulhão-de-crista. Segundo o Sr. Ramos é ainda possível observar-se nesta zona gralhas (na antiga pedreira) e aves de rapina, como a peneirinha que “vai aos ninhos e rapina tudo!”.
Contempladas as belezas desta aldeia seguimos em direção à Ponte de Freixinho. Depois de um percurso a pé, já fora da área da albufeira chegamos ao açude do Távora. Junto à Represa nova, fomos brindados com a presença de uma esbelta Garça, que nem a nossa presença a fez abandonar aquele aprazível local.
De regresso à canoa, rumámos de volta à Barragem, então já pela margem direita do rio. Seguimos em direção à aldeia de Freixinho, ainda no concelho de Sernancelhe. Foi então possível observar coloridos guarda-rios e um pequeno bando de patos-reais. Espécies que continuámos a observar até Fonte Arcada. Nos arvoredos adjacentes, em especial junto ao pinhal do Poço Negro, avistámos galinholas e alguns pombos.
De salientar, que observamos mais aves na margem direita, talvez devido à existência de mais mato e ao menor movimento e ação do Homem. Facto ainda mais notado entre Fonte Arcada e o paredão da Barragem, onde se regista maior densidade de fauna.
Já no concelho de Moimenta da Beira, avistava-se o fim do nosso roteiro. Para o epílogo estava ainda reservada a observação de grande quantidade de patos-reais e mergulhões.
Percorridos os sete quilómetros da albufeira, afirmamos não ter sido possível observar todas as aves que por aqui passam, pois os invernos frios do hemisfério norte levam as aves a migrarem para o hemisfério sul em busca de temperaturas amenas.
A finalizar foi-nos revelado o descontentamento por parte da população pela incúria dos caçadores. Estes são uma grande ameaça, não só por serem em maior número que a caça, como também por fazerem “desaparecer tudo, pois não respeitam as regras”.
Concluímos afirmando que foi sem dúvida um passeio deveras agradável que nos motiva a aconselhar vivamente uma aturada visita a todos os amantes da observação de aves.
As marcas de uma extinção
Um passado e um presente cada vez mais próximos
Por Cientificamente falando
Um passado e um presente cada vez mais próximos
Como tudo aconteceu
Os dinossáurios ao se deslocarem através de terrenos lamacentos, deixavam marcas que posteriormente eram cobertas por água e sedimentos. A compactação e o endurecimento destes sedimentos deu origem a rochas. Dái ter sido possível, milhões de anos depois e através da exploração de uma pedreira, descobrir estes vestígios na Serra de Aire.
Este monumento pertence ao Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC), que tem aproximadamente entre 17 a 20 mil visitantes por ano, e é uma das suas principais atracções. Apresenta 20 trilhos destas criaturas extraordinárias e é considerado património da Humanidade. Apesar de se conhecerem outros trilhos, nenhum é tão antigo como os que se encontraram neste terreno. Estas pegadas, que resistiram ao longo de milhões de anos, indicam-nos que os dinossáurios que habitavam estas serras (outrora terrenos pantanosos) tinham uma altura de 4 andares e tinham um peso idêntico ao de 20 elefantes. Além disto, como Vanda Santos afirmou “As pegadas dizem a velocidade a que andavam, se se deslocavam sozinhos ou em grupo (…)”.


O PNSAC estabelece uma constante relação entre o passado e o presente. De um lado, apresenta icnofósseis, grutas e estradas romanas, numa extensão que percorre todo o distrito de Santarém. De um outro lado, aproveita esta riqueza de história, flora, e afloramentos calcários para organizar actividades lúdicas como visitas guiadas, peddy-papers e caças ao tesouro. José Fernandes, a trabalhar actualmente na Câmara Municipal de Ourém, afirma que "Pode estar para breve (Março de 2012?) a assinatura de um acordo de geminação com Teruel" (cidade espanhola). Houve já diversos contactos entre representantes dos dois municípios e o objectivo é dar dimensão a este património, comum às duas localidades. A geminação, já em curso, tem em vista (entre outros) a possibilidade de intercâmbios juvenis e culturais. Deste modo, podem-se explorar matérias como a geologia e a biologia em campo, de uma forma deveras interessante. O PNSAC vai até associar-se a entidades promotoras do turismo para desenvolver esta vertente.
Ciência em cartaz de Cinema
Em Portugal, o cinema é uma arte em desenvolvimento onde a qualidade de algumas obras é relevante. De um modo notório, a Ciência está presente em alguns desses filmes, aos quais, com orgulho, se atribui o cognome de portugueses. Infelizmente, as audiências não são tão grandes como se esperaria. A falta de apoio financeiro é apontada por alguns realizadores, como um impedimento ao progresso desta veia artística nacional. No sentido de a promover, a Associação Viver a Ciência possibilita encontros entre a sociedade portuguesa de hoje com o mundo da Ciência, e prepara exibições cinematográficas, que procuram chamar a atenção do público.
Por ser uma arte “recém-nascida” em Portugal, o cinema científico enfrenta ainda muitas dificuldades. Projectos não faltam, mas muitas vezes não passam disso, de meras ideias e esboços que não têm concretização material por falta de financiamento.
Uma das formas de ultrapassar este obstáculo é por convite. Muitas instituições contactam realizadores e encomendam filmes sobre os mais diversos ramos da grande árvore que é a Ciência. O documentário A flor, a formiga e a borboleta ameaçada por exemplo, foi encomendado pelo TAGIS (associação para a preservação de borboletas). A verba disponibilizada apesar de reduzida foi o suficiente para cobrir as despesas básicas. “E depois conseguimos vender o filme para a televisão, o que foi fantástico”, relata Bruno Cabral, realizador.
Outro processo consiste em patrocínios e parcerias, como é o caso da recente realizadora, Joana Barros que está, no momento, a gravar o seu primeiro documentário graças ao apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.
Mais do que uma série de frames, um filme de Ciência é uma boa forma de difundir o nome do país, de afirmar talentos que possam estar ocultos e de promover e difundir o conhecimento pelos espectadores.
“Temos de apostar nos filmes e na sua difusão, porque da mesma forma que não faz sentido fazer ciência sem partilhá-la, não faz sentido fazer filmes sem mostrá-los”, defende Bruno Cabral.
Construídos os alicerces para o desenvolvimento dos documentários, estes sofrem uma transformação de projecto a algo mais concreto: um filme científico.
Iniciativas cinematográficas promovem o cinema de ciência nacional
A Associación de Amigos de la Casa de las Ciencias, ao longo dos últimos anos, tem vindo a organizar eventos científicos e culturais.
Este ano, a Associação Viver a Ciência aliou-se ao principal projecto da organização espanhola, a Mostra de Ciência e Cinema, que completou a 4ª edição, entre os dias 24 e 28 de Outubro, na Corunha. Da lista de candidaturas aceites foram seleccionados dez filmes de realização portuguesa. Entre as obras escolhidas estão: A flor, a formiga e a borboleta ameaçada, de Bruno Cabral, Ivânia West e Patrícia Garcia-Pereira; Milho, de José Barahona e Pare, escute, olhe, de Jorge Pelicano.
O festival foi preparado na perspectiva de alcançar certos objectivos, como a divulgação dos trabalhos e a diminuição da fronteira entre ciência e arte. Para as 38 metragens que concorreram, os jurados avaliaram o conjunto de temas abordados, a sua duração, a sua qualidade e a sua singularidade.
Um evento único no ano onde se pode aproximar da ciência
No dia 23 de Setembro deste ano, realizou-se a Noite Europeia dos Investigadores, em 15 cidades de Portugal. O evento incluiu a visualização de uma maratona de 8 filmes portugueses que se debruçam sobre várias áreas científicas, da medicina às ciências sociais e humanas.
Este ciclo de documentários designado “Curtas Científicas – Ciclo de Cinema Científico” foi considerado uma ampliação da Retrospectiva Portuguesa na Corunha.
Apesar de o vencedor ter sido o chileno Patricio Guzman, com o filme: Nostalgia de la Luz, o mercado português de cinema científico parece estar a crescer em Portugal, com o contributo da Associação Viver a Ciência.
“Os festivais de cinema são fundamentais para dar a conhecer os filmes e formar públicos para a diversidade da produção cultural”, argumenta o realizador Bruno Cabral.
Numa perspectiva futurista
Feita uma abordagem do actual cinema científico português é oportuno especular sobre o seu dia de amanhã, visto que se trata de uma arte dinâmica em constante evolução.
Este vislumbre sobre o futuro da arte, que é unir a ciência ao cinema, é fornecido por Joana Barros, coordenadora da Associação Viver a Ciência. “O meu maior objectivo é produzir um documento de valor artístico que seja simultaneamente um veículo de conhecimento sobre uma doença rara, inexoravelmente associada a Portugal, que marca a nossa história e várias gerações de portugueses há cinco séculos”, conta. Actualmente, a realizadora está no norte do país onde estão a decorrer as gravações de um filme científico que aborda a paramiloidose, a conhecida Doença dos Pezinhos.
Num futuro próximo, Joana Barros pretende enveredar por um projecto maior em São Tomé e Príncipe. O objectivo será a realização de dois documentários cujo tema será antropologia e biodiversidade.Joana, também, tem em mente algo prometedor, já que pretende organizar um festival internacional de documentários de ciência.
Ciência made in Portugal
Os filmes de Ciência são sequências de imagens intercaladas com palavras, que nunca outrora, fizeram tanto sentido, permitindo, a cada um, reflectir sobre a realidade que lhes é apresentada e sobre a sua própria vivência.
Para o cinema científico português ganhar alguma consistência e nome é necessário que amantes de cinematografia, que pessoas com espírito de iniciativa ou até que mentes criativas tomem uma posição e ponham em prática o talento que possuem. Também é importante que, as organizações de várias áreas suportem estes projectos para que se concretizem.
Ao delinear um objectivo e ao trabalhar para ele, conseguir-se-á atingir a plenitude dessa mesma meta.
A ciência do vinho: Enologia em Amares
Do Passado até ao Presente do Vinho Verde...
Por NanoJornal
Amares, situada entre o Homem e o Cávado, é um dos catorze concelhos que incorpora o distrito de Braga. Habitada por gente de alma simples e hospitaleira, encantada pelo sussurrar das águas dos dois rios, colhe da terra e leva para a mesa gastronomia de paladar caseiro, acompanhada do verdadeiro néctar divino de um dos melhores vinhos verdes e da suculenta laranja. A gastronomia em Amares tem no Vinho Verde um dos seus maiores aliados. Amares tem profundas tradições no sector vitivinícola. A cultura das videiras, associada à sabedoria do Homem e à tradição, leva à criação do Vinho Verde, único no Mundo.
O Vinho Verde e a sua cultura têm uma longa história, pois o Vinho Verde assumia extrema importância como fonte de rendimentos de muitas famílias. A sua origem remonta à civilização romana, permanecendo, posteriormente, nos hábitos das populações desta região. Só a partir do século XIII, com a expansão da mercantilização, circulação da moeda e expansão demográfica, é que os Vinhos Verdes se tornaram conhecidos nos mercados europeus. Hoje o consumo interno deste vinho tem aumentando, em resultado, não só da qualidade, mas também de um maior empenho na sua divulgação, quer pelos produtores e entidades públicas, quer pelos restaurantes da região.
USM: Uma Universidade muito especial
Por Speak Science
Fundada em 2008, a Universidade Sénior de Massamá acolhe cerca de 180 alunos com mais de 50 anos que através deste projecto aprendem, vivem, são felizes, sentem-se realizados e participam mais activamente na sociedade em que se encontram inseridos.
Com o aumento da esperança média de vida nas sociedades ocidentais, torna-se essencial reconhecer o idoso como uma referência viva da memória colectiva e um cidadão activo na sociedade. Nesta medida e como refere o Regulamento das Universidades para a Terceira Idade (RUTIS), estas “são a resposta social que visa criar e dinamizar regularmente actividades sociais, culturais, educacionais e de convívio, preferencialmente para e pelos maiores de 50 anos”.
Assim, a 3 de Outubro de 2011, cento e oitenta pessoas iniciaram o seu ano lectivo na Universidade Sénior de Massamá que foi fundada em 2008 pela Junta de Freguesia de Massamá, em Sintra. Com sede no Espaço “Casa Animada” do Parque Salgueiro Maia, a USM é um sistema de ensino não formal cujo público-alvo são pessoas com idades superiores a 50 anos. Os alunos desta Universidade não terminam o ano lectivo com um certificado nem com nenhuma equivalência a um nível de ensino, mas também, como a Dr.ª. Marta Rodrigues, coordenadora principal do projecto, diz, não é esse o objectivo. Segundo a coordenadora, “a Universidade Sénior pretende dar aos seus alunos um novo sorriso”, sendo esse um dos seus objectivos principais. E sem dúvida que este objectivo foi concretizado, pois quem visitar a USM consegue ver a felicidade nos rostos dos mais velhos que participam nas variadas aulas do estabelecimento. É a felicidade de quem se sente importante, realizado, activo, ocupado e com amigos que os ouvem e que se compreendem uns aos outros.
A USM conta com cerca de 45 disciplinas divididas em 5 grandes áreas: as Artes (Artes Decorativas, Pintura Criativa), as Disciplinas Teóricas (Inglês, Francês, Italiano, Psicologia, História das Religiões, História de Portugal, Direito do Consumidor, Matemática), as Motricidades (Yoga, Shiatsu), as Disciplinas Extracurriculares (Música, Teatro, Danças Latinas) e as Disciplinas de Informática (Introdução às Redes Sociais, Ferramentas do Office). As aulas decorrem em três espaços (“Espaço Casa Animada” do Parque Salgueiro Maia, Sala Multiusos do Parque 2 de Abril e Sala dos Arcos da Junta de Freguesia de Massamá) e a sensação com que ficamos é que nenhum deles é suficientemente grandioso para exprimir a enorme felicidade dos alunos por participar nas actividades da Universidade e todo o orgulho dos coordenadores por poderem proporcionar-lhes esses bons momentos.
Para além das aulas e das disciplinas, a USM oferece e participa em várias actividades ao longo do ano lectivo, tais como Festas de Natal e de Carnaval, excursões, visitas de estudo, palestras, rastreios médicos vários, seminários, grupos recreativos.
Embora muitos alunos refiram o excesso de tempo livre que tinham como motivo para entrarem na USM, esta tem um papel muito mais importante na sociedade e nas suas vidas do que simplesmente ocupar o tempo. A USM é pois um projecto que pretende valorizar e reconhecer os idosos e os seus conhecimentos, ampliar os seus saberes, fortalecer o seu papel na sociedade, desenvolver as suas capacidades, fomentar e apoiar o voluntariado social e divulgar a história, cultura, tradições e valores locais, regionais e nacionais. Para além disso, aqueles que entram na Universidade Sénior conseguem vencer a solidão e fazer novos amigos, sentem-se amados, importantes e realizados, aprendem outras línguas como o Inglês e o Francês, conhecem novos lugares e participam em diversas actividades interessantes que lhes permitem desenvolver as suas capacidades evitando e ajudando assim a superar e a evitar problemas e doenças físicas e psicológicas. É também na USM que os mais velhos pintam, cantam, representam, dançam e realizam vários trabalhos manuais, dos quais têm muito orgulho, e que são expostos no final de cada ano lectivo no Parque Salgueiro Maia onde decorrem a maior parte das aulas da Universidade. “Com a ajuda das Informáticas (disciplinas) estamos a aprender a usar as redes sociais. Estamos a aprender a trabalhar com o Facebook e com os computadores”, diz, com um grande sorriso de satisfação, uma das alunas da USM, demonstrando também a importância do projecto na interacção das camadas mais idosas com o mundo tecnológico.
É portanto de notar a enorme importância da Universidade na vida dos idosos que aí encontram oportunidade de conhecer coisas novas, de serem reconhecidos, de ultrapassarem a morte de entes queridos, de vencerem a solidão, de interagirem com a Ciência e com as tecnologias e de serem valorizados, pois não se pode excluir da sociedade todas estas pessoas mais velhas que têm imensa experiência, toda uma história de vida para contar e tanta sabedoria para partilhar.
Conclui-se assim, que a Universidade Sénior de Massamá resulta de uma tentativa bem-sucedida de valorizar e de trazer para as luzes do espectáculo aqueles que normalmente ficam escondidos nos bastidores e que, apesar de tudo, ainda há quem reconheça a importância dos idosos na sociedade em que vivemos e que seja capaz de lhes dar “um novo sorriso”.
GAZETA 'TÁ NA HORA
DEMad reduz agente cancerígeno nos aglomerados de madeira
Pretende-se atingir nível mínimo de formaldeído até ao final do ano.
O DEMad (Departamento de Engenharia de Madeiras) do Instituto Politécnico de Viseu surgiu há 20 anos para dar suporte ao respetivo curso. Atualmente é constituído por 12 docentes, um técnico superior e um assistente técnico. Esta equipa desde a sua formação tem desenvolvido um trabalho de investigação em múltiplas vertentes, uma das quais a investigação aplicada que permite a criação de novos materiais derivados de madeira e a possibilidade do seu uso corrente. Por outro lado há a investigação fundamental e laboratorial que visa estudar padrões diversos dos materiais para definir normas de utilização.
Investigação Aplicada
A investigação decorrente está a ser feita em parceria com SONAEIndústria e em colaboração com a FEUP (Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto), para a otimização de materiais, através do reaproveitamento/ reciclagem de restos de madeira.
Estes restos de madeira são tratados de modo a que se obtenha uma placa similar a madeira maciça, chamada de aglomerado, através de processos físicos – sujeitos a elevadas pressões e temperaturas – e o uso de uma cola feita a partir de resina, sendo a mais básica fabricada com ureia-formaldeído.
Com base em vários estudos científicos, este composto orgânico, denominado formaldeído,é considerado cancerígeno, por isso, a indústria viu-se na necessidade de o eliminar, ou pelo menos, reduzir ao máximo a sua presença.
Atualmente a quantidade de formaldeído nos aglomerados está escalonada em 4 estágios, começando em E3, com maior presença do composto e decrescendo até E0, sendo o nível em que se regista menor quantidade de formaldeído. Por isso o objetivo da investigação nesta área, em Portugal, nomeadamente no DEMad é que se consigam produzir aglomerados que se incluam neste último estágio.
O nível mais perigoso (E3) já não é produzido, contudo, o seguinte (E2) continua a ser obtido em África e na América Latina e o nível E1 encontra-se nos produtos Europeus. O nível E0, por enquanto, é apenas produzido na Califórnia e no Japão.
Como procedimento, após a produção das resinas há uma caraterização e síntese das mesmas na FEUP, manufacturando-se o aglomerado de partículas, que, uma vez no DeMad vai ser sujeito a uma medição rigorosa do nível do composto orgânico, para averiguar se se encontra nos níveis desejados, sendo para tal utilizadas diferentes técnicas.
Finalmente, ainda é também necessário fazer outro tipo de testes estruturais para garantir que as alterações feitas na resina não comprometem o comportamento do material em diversas situações em que é posto à prova, nomeadamente: humidade, pressão, temperatura e tração.
Espera-se atingir o nível E0, em formaldeído para permitir exportação para as regiões onde material desta qualidade é de uso corrente. Mas para isso é necessário que a investigação seja bem sucedida, havendo como produto final um aglomerado com os níveis padronizados quer na presença de substâncias quer nas respostas às solicitações, o que permitirá levar esta produção da escala laboratorial para a escala industrial.
Esta investigação não poderia ser feita em fábrica pois afetaria o rendimento da produção, havendo após a obtenção do produto até que seja determinado se é viável um intervalo de tempo considerável em que a fábrica teria que parar ou arriscar-se a ter que eliminar todos os materiais produzidos nesse intervalo de tempo.
Para outros propósitos está a decorrer uma investigação para obter padrões de fratura de diferentes tipos de madeira e derivados, quer ao nível macroscópico, quer numa escala bem particular – a escala Meson – que se confina ao anel de crescimento, anel este que é constituído por duas bandas de tons diferentes: uma clara e outra escura. Estas duas bandas delimitam um ano de crescimento. A banda clara corresponde às estações com mais luz e temperatura, enquanto que a banda escura se desenvolve nas estações mais sombrias e frias havendo um crescimento mais lento em oposição ao crescimento rápido da banda clara. Daqui resulta que a banda escura seja mais densa que a banda clara.
Estas informações servem de ponto de partida para os testes a efetuar, onde se quer determinar caraterísticas exatas da madeira de cada banda para definir as melhores aplicações futuras para estas madeiras.
Um teste muito comum é o teste de tração, onde o provete (pedaço de madeira que vai ser utilizado no teste) é colocado numa máquina e é tracionado com uma força predefinida, havendo uma deformação. Essa deformação é medida para que se possa obter um padrão. Há duas formas de a medir: uma delas é utilizando extensómetros elétricos, pequenas peças metálicas que são coladas ao provete e são extremamente sensíveis à deformação e permitem que a informação da modificação seja transmitida a um computador. Os resultados são muito precisos, contudo o processo revela-se dispendioso, pois cada extensómetro apenas pode ser utilizado uma vez. A alternativa, que é o processo mais utilizado, passa por filmar com uma câmara de alta definição a zona de deformação, durante o teste, e a partir do vídeo obtido as informações são recolhidas e tratadas.
Projetos Futuros
No que concerne à investigação laboratorial um possível caminho para a investigação passará para um estudo das caraterísticas da madeira tendo em conta a geometria das células, visto haver células hexagonais e octogonais. Quanto à investigação aplicada um novo projeto será possível quando os objetivos do actual estiverem cumpridos e terá como propósito o desenvolvimento de um novo material: aglomerados auto-laváveis e auto-desinfetantes.Rui Reis
História e trabalho de um engenheiro de tecidos
Por Ana Beatriz, Lara Dias e Mara Mateus
O grupo 3B’s, no Avepark, dirigido por Rui Reis, é umas das instituições mais conceituadas da Europa e líder na engenharia de tecidos. Fomos conhecer o edifício e o seu diretor.
A engenharia de tecidos é uma ciência que mais progrediu nos últimos anos e que mais poderá mudar o nosso futuro. Imagine um mundo onde não eram necessários dadores de órgãos- os órgãos seriam novos e perfeitos, idênticos aos originais, contendo células com o mesmo ADN do recetor. Quem necessitasse de um transplante não teria de recear rejeições ou esperar em longas listas por um dador compatível: os órgãos estariam prontos em pouco tempo e teriam uma longevidade maior que os doados.
Um futuro longínquo? Um sonho da medicina? A verdade é que podemos de facto estar bem mais próximos deste futuro, graças à uma equipa da Universidade do Minho, que é pioneira na Europa na engenharia de tecidos, no ramo de ossos e cartilagens.
Esta equipa, denominada 3B’s - Biomateriais, Biodegradáveis e Biomiméticos, procura diariamente novas soluções para a utilização de células estaminais e novos materiais à base de polímeros para a produção de órgãos e tecidos para transplantes.
O Grupo 3B's

Prémio Novo Norte, um dos muitos ganhos pela equipa 3B's
O grupo de investigação 3B’s é diretor do Instituto Europeu de Excelência em Engenharia de Tecidos e Medicina Regenerativa, que possui filiais em 22 localizações em 13 países. Associado à Universidade do Minho, colabora com o Instituto de Saúde e Ciências da Vida da UM, e faz parte do Laboratório Associado IBB (Instituto de Biotecnologia e Bioengenharia).
A equipa, constituida por 125 cientistas de todas as áreas cientificas e de mais de 20 nacionalidades, lidera a investigação em medicina regenerativa na Europa, sendo o maior grupo em termos de patentes, número de profissionais e publicações.
Rui Reis
Rui Reis possui um doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Granada.
E uma grande equipa tem de ser liderada por um dos maiores cientistas portugueses nesta área: Rui Reis, que, além de ser diretor deste grupo, possui muitos outros cargos noutras instituições, na qual se inclui diretor do laboratório associado ICVS/3B’s e presidente da empresa Stemmatters.
A Meninas Curie’s Magazine teve o enorme privilégio de visitar as instalações do 3B’s e entrevistar o seu diretor Rui Reis. Desta forma pudemos entrar no dia-a-dia destes cientistas, e conhecer alguns dos seus equipamentos - muitos dos quais são únicos, tanto no nosso país como na Europa.
A magia é feita no laboratório principal dos 3B’s- localizado no Avepark, nas Taipas, Guimarães, é um edifício austero, mas nem por isso menos acolhedor, que invoca cientistas de bata branca e muita ciência. É ali que tudo começa e acaba - e os maiores progressos na ciência portuguesa são feitos. O futuro nas áreas da biotecnologia, biologia, engenharia biomédica, medicina regenerativa e nanomedicina é feito nos laboratórios dos 3B’s.
Fomos então dirigidas ao escritório do diretor - uma sala acolhedora e calma, com algumas decorações especiais que nos chamaram logo a atenção: uma parede com todos os prémios ganhos por este; um mapa onde pionés coloridos assinalavam os locais onde já foram feitas palestras e workshops, cobrindo grande parte da Europa; e um quadro com todos os cartões de acesso e de identificação de palestras ao qual foi convidado. Foi nesse escritório que tivemos o privilégio de entrevistar Rui reis, que nos recebeu num ambiente de familiaridade e informalidade, e conhecemos mais a fundo o seu trabalho e vida.
Rui Reis,nascido no Porto, onde ainda vive, é graduado em engenharia metalúrgica. Pode parecer estranho, mas, tal como o próprio diz, é um curso que dá as bases da engenharia de tecidos - ao estudar as diferentes características dos materiais, p.e porosidade, densidade, entre outros, torna-se intimamente ligado à engenharia de tecidos, onde as características dos materiais são fundamentais para o sucesso do processo.
Engenharia de Tecidos

Uma estação de trabalho de um laboratório dos 3B's
O processo de criação de órgãos e tecidos a partir de materiais orgânicos e biodegradáveis é muito semelhante tanto para órgãos como para ossos: ‘Vamos ter o tal molde ou suporte,(...), que é feito sempre de um polímero (plástico biodegradável) de origem natural’ explica Rui Reis. O que torna o grupo 3B’s tão especial é o tipo de materiais utilizados, que são apenas materiais naturais, e muitos de origem marinha: lagostas, caranguejos, algas e mais recentemente as medusas que, por terem características de hidrogel, tornam um suporte muito apetecível para a cultura de células. Outros materias, como o amido e a soja, são também usadas para formar uma estrutura trisimensional, na qual é necessário controlar certas caracteristicas: porosidade, densidade, tamanho e ligação dos poros. Depois implanta-se as células estaminais neste suporte: ‘(...)geralmente usamos células da própria pessoa (...) células da medula óssea, de gordura(uma das melhores fontes de células estaminais), fluidoe membrana amniótica, cordão umbilical’. As células cultivadas são colocadas num meio de cultura, ou seja, um cocktail com todos os ingredientes necessários para a especialização das células. Após a implantação, o plástico desaparece, deixando apenas no seu lugar novas células, reparando o defeito.
Desta forma, a engenharia de tecidos implica muitas áreas cientificas, desde engenharia de materiais, polímeros, mecânica, física, química, a biologia, medicina e medicina veterinária.
O que o futuro reserva em relação a esta área? Rui Reis está confiante, referindo que existem já casos de sucesso por todo o mundo em transplantes de pele, córnea e bexiga. O aparecimento de novos materiais inteligentes, capazes de responder ao estímulo biológico das células e alterar-se com elas, poderá ser o trampolim para uma revolução na engenharia de tecidos.
E Portugal?
Apesar da falta de financiamento por parte do governo, muitos investidores privados tem apostado nesta área, pois será sem dúvida uma das ciências mais promissoras para o futuro. Tal como afirma Rui Reis, Portugal tem as características necessárias para ser um líder neste ramo da investigação científica. Enquanto esperamos pelo futuro, a equipa 3B’s continuará a ser uma referência na engenharia de tecidos para todo o mundo, e a fazer avançar a ciência nacional e internacional.
O que sabem afinal os portugueses de Química?
A Química na Rua
Inquérito revela o conhecimento químico de Portugal
Por Os Reportalquímicos #1
Levado a cabo em vésperas de Natal por “Os Reportalquímicos #1”, o inquérito, no qual se pediu aos transeuntes que se lembrassem de algo que soubessem de Química, revelou o estado do saber português no que respeita a Química. O resultado, não longe do esperado, revela uma população com uma literacia científica preocupantemente baixa, mas, ainda assim, consciente da importância que esta ciência comporta, através das criativas, mas, por vezes inseguras, respostas dos entrevistados.
“Eu de Química não sei nada...”

O inquérito que constituiu o estudo contou com a contribuição de mais de 50 pessoas e tomou lugar nas ruas da Baixa de Lisboa.
Não têm vergonha em admiti-lo, dos cerca de cinquenta entrevistados, mais de uma dúzia afirmaram não saber nada de ou o que é a Química. Esta é a chocante realidade que desvenda aquela que foi a mais frequente resposta do público lisboeta. Destaca-se ainda a relutância em colaborar com qualquer projecto por parte da população, evidenciada pelo facto de a rejeição e recusa deste se dar, na maioria das abordagens, antes de se apresentar o tema ou objectivo da acção.
H2O é o símbolo, a fórmula ou a estrutura química da água? E o que é a água: um elemento, uma substância ou uma molécula? A Tabela Periódica é constituída por compostos, gases, minerais ou elementos químicos? Cloreto de Sódio, será mesmo utilizado para lavar casas-de-banho? Estas foram algumas das questões com as quais os colaboradores do inquérito mais se depararam.
Química é H2O e vice-versa, esta foi a resposta da vasta maioria dos indivíduos que, depois de aceitarem colaborar numa entrevista, admitiram saber algo de Química. A água é, assim, a molécula que mais facilmente se associa à Química, segundo o público português. Mas o cenário torna-se mais negro quando, à insistência dos repórteres, quase ninguém sabe especificar exactamente o que é, à água, a fórmula H2O. Há mesmo em Portugal quem julgue saber de Química não sabendo que a água é uma molécula, não um elemento.
A Química é tudo!

A água, H20, é a molécula de maior renome no nosso país, sendo usada em fontes por todo Portugal. Nesta imagem vemos água, numa fonte, na Praça D. Pedro IV, em Lisboa.
Não percebendo muito bem o concreto deste saber, não foram poucos os entrevistados, sendo esta opinião prevalecente no público de idade avançada, que lamentaram o facto de não se lhes ter ensinado Química. É também unânime a convicção da importância do ensino desta ciência nas escolas e universidades. A verdade é que a população está ciente do indispensável papel que a química, em conjunto com a Física, têm no toldar da visão do mundo pós-moderno e admite que “a Química e a Física são tudo, são a vida, são o mundo!”, nas palavras de um dos nossos colaboradores.
O estudo contou ainda com o apoio dois engenheiros químicos que se mantiveram anónimos e que nos deram o seu testemunho sobre a Paixão que vêm na Química e sobre a atracção que esta exerce sobre eles por ser, segundo um, “das ciências, a única que está sempre presente em todas as outras”. A perspectiva é de uma população com largas falhas de conhecimento científico e consciente dessa falha, relutante em participar em qualquer tipo de projecto cuja iniciativa não seja própria, mas ainda assim favorável aos estudo e ensino da Química, a ciência das ciências, à juventude.
Observatório Astronómico de Lisboa
Em função da celebração dos 150 anos do Observatório Astronómico de Lisboa procurámos saber mais sobre este centro de pesquisa e partimos em busca de respostas.
Encontrámos várias informações referentes à sua história e evolução cronológica, entre elas, sabemos que foi das primeiras instituições construídas com base no propósito de investigação científica financiada directamente pela linhagem real. Temos também conhecimento que este centro de estudo astral foi equipado com tecnologia de ponta para o século em questão (XIX).
Hoje em dia o OAL constitui um marco histórico importante para o avanço dos estudos astronómicos que deve ser tido em conta pela maioria populacional. Actualmente apenas encerra em si a função de serviço público na determinação e medição da hora legal, todavia é importante referir que num futuro próximo ambiciona tornar-se num museu de modo a enriquecer a cultura de prospecção nacional.
Com o efeito de despertar interesses surgiram várias oportunidades no que toca à dinamização deste espaço, agora acessível aos demais. Começando no público infantil e terminando num leque mais abrangente organizam-se, nos dias de hoje, desde noites passadas dentro do próprio estabelecimento a mesas redondas levadas a cabo por cientistas.
Grupo de Biologia Molecular e Celular na CESPU - Gandra
História, Evolução e Futuro...
Iniciou-se no século XXI (2007), com as investigações que os docentes desenvolviam na sequência dos seus doutoramentos. Desde aí essas investigações sofreram um grande avanço, pois têm tido cada vez mais apoios, estabelecido parcerias com outras instituições e obtido uma maior adesão por parte dos alunos.
História, Evolução e Futuro …
A investigação do Grupo de Biologia Molecular e Celular do ISCS-N (Instituto Superior Ciências da Saúde-Norte), surgiu no ano de 2007 com o principal intuito de adquirir novos conhecimentos, fazendo experiências na ânsia de descobrir outros mecanismos que pudessem explicar várias áreas científicas e, assim, encontrar diferentes reagentes (área da Biotecnologia). Como tal, os principais temas de interesse para a pesquisa têm sido o Cancro, a Imunologia e a Biotecnologia, de forma a se desenvolverem, nestes domínios, produtos de valor acrescentado. Outro grande objetivo do GBMC tem sido dar apoio aos programas de mestrado e, nesse seguimento, aos estagiários dos cursos de Mestrado e Licenciatura, promovendo a integração de alunos.
As referidas investigações já vinham a ser desenvolvidas antes de 2007. Todavia, o GBMC resolveu começar a fazê-las formalmente, uma vez que o ISCS-N queria organizar-se para a submeter à FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia) uma candidatura enquanto Unidade de Investigação e Desenvolvimento (I&D). Foi, então, por esta via que se formou o GBMC, dando apoio ao Departamento de Ciências e justificando a sua designação pelo facto da maior parte da sua investigação envolver células e moléculas em várias vertentes.
Como integrantes ativos deste Grupo fazem parte docentes e investigadores do Departamento de Ciências, alunos de Mestrado e de Licenciatura, uma técnica superior de investigação (a qual faz a gestão das requisições, dos reagentes, ajuda a organizar encontros e dá apoio técnico aos novos alunos), colaboradores externos, estagiários de outras instituições e bolseiros. Atualmente, estes elementos estão envolvidos em três linhas de investigação: Mitose e Biologia do Cancro, Imunologia Molecular Humana e Microbiologia e Biotecnologia.
A primeira área é coordenada pelo Professor Doutor Hassan Bousbaa - também coordenador do CICS (Centro de Investigação em Ciências da Saúde) – o qual pretende estudar a mitose e a sua regulação, através da análise das proteínas e dos compostos químicos, uma vez estes serem importantes para percebermos como se forma o cancro e quais as suas causas.
Por sua vez, a Imunologia Molecular Humana é coordenada pelo Professor Doutor Fernando Arosa. Esta linha de investigação interessa-se pelo estudo dos processos de distinção dos linfócitos, tentando descobrir os fatores que regulam a diferenciação das células. Especificamente, pretendem detetar quais são os mecanismos moleculares e celulares que levam a esta diferenciação para um fenótipo supressor. Para tal, à semelhança da primeira linha de investigação, trabalham com células humanas.
Já a Microbiologia e Biotecnologia, coordenada pelo Professor Doutor Paulo De Marco, é onde são estudadas bactérias, leveduras e parasitas, modelos celulares que permitem perceber as bases moleculares de mecanismos celulares. Aqui usam-se os parasitas de modo a se clonarem antigénios para vacinas. Paralelamente, manipulam-se leveduras e bactérias para se produzirem produtos de valor acrescentado.
Para todos estes trabalhos, o GBMC dispõe do apoio da CESPU (Cooperativa de Ensino Superior, Politécnico e Universitário), de entidades privadas e públicas, sendo estas últimas organizadoras de concursos que permitem a angariação de fundos.
O GBMC tem ainda várias parcerias, nomeadamente com a Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, o Instituto de Biologia Molecular e Celular do Porto, a Universidade do Minho, investigadores da Alemanha e do Reino Unido e com o Instituto Português do Sangue, este último muito importante para o fornecimento de amostras.
Por toda esta sua atividade e boa imagem, o GBMC tem sido muito procurado, notando-se que cada vez mais alunos se interessam pela área da saúde e da investigação. Sendo assim, fazendo justiça a essa evolução, num futuro próximo, o GBMC pretende concluir com êxito os projetos atualmente em curso, originando publicações em revistas com revisão pelos pares.


jardins da casa onde habitou Delfim Ferreira em Serralves
O grande inovador que foi Delfim Ferreira
“Era um bom homem e muito empreendedor. O que mais admiro nele é a sua ação e capacidade de trabalho que ele sempre demonstrou para a realização das suas obras” – foi esta a citação proferida pelo Dr. Aurélio Fernando, fundador do nosso colégio, Externato Delfim Ferreira, quando interpelado com a pergunta “O que mais admirava em Delfim Ferreira?”. A conversa decorreu na cantina da escola, num ambiente perfeitamente informal, enquanto o Dr. Aurélio findava a sua refeição com o seu habitual cigarro e café, dos quais não descura mesmo que a idade vá já avançada e a dificuldade em comunicar seja já evidente; apesar disto, a sua disponibilidade para conversar com os seus alunos de quem é muito orgulhoso esteve presente durante toda a conversa.
Durante alguns minutos confidenciou-nos alguns aspetos da sua convivência com Delfim Ferreira. Travou amizade com o vulto da indústria quando a esposa deste, D. Sílvia, violinista e figura imponente, o convidou, sendo ele padre, para a acompanhar à Suíça com a finalidade de visitar o seu marido que se encontrava doente. Após isto conviveu com ele aproximadamente dois anos uma vez que Delfim Ferreira faleceu em 1960 e foi sepultado no Porto. Depois da sua morte, a viúva cedeu a “bouça do Bispo”, local estéril e pelo qual ninguém dava nada, ao seu amigo para que ele levasse avante o projeto que há tanto ambicionava: fundar um colégio que atendesse às necessidades da região uma vez que os jovens teriam de se deslocar para Guimarães ou Santo Tirso para prosseguir os estudos. Foi-nos confidenciado que, tamanho era o património da família Ferreira, nem sequer tinham noção que aquele terreno lhes pertencia… O local cedido era extremamente rochoso, porém, o Dr. Aurélio, não só viu aí um local para iniciar o seu plano como tirou o bem do que parecia mau aproveitando essas enormes pedras para construir os muros que ainda hoje estão erguidos em volta de toda a escola. Ficamos ainda a saber, como curiosidade, que foi produzido um documento que enunciava a venda do terreno; documento esse falso, uma vez que esse local foi oferecido pela Sra. Ferreira. E foi assim que surgiu o colégio do qual fazemos parte, o Externato Delfim Ferreira que, anualmente, comemora o seu aniversário no dia 13 de Dezembro, data do nascimento de Delfim Ferreira.
Tendo nós conhecimento que Delfim Ferreira adquiriu a Quinta de Serralves na década de 1950, deslocamo-nos até lá com intenção de conhecer a casa, da autoria do arquitecto Marques da Silva, os jardins arquitetados pelo francês Jacques Gréber e a biblioteca. Após a consulta de alguns livros ficamos a saber que foi o 1º Conde de Vizela que mandou erguer a casa, passando, mais tarde, para as mãos do filho, Carlos Alberto Cabral, 2º Conde de Vizela; este viveu aí juntamente com a esposa, Blache Daubin, desde a década de 1940 até a 1953, altura em que foi levado a vender a quinta. Ela é, então, adquirida por Delfim Ferreira em 1957 sob o juramento de não modificar a sua integridade. Viveu aí pouco tempo, mas a sua esposa residiu em Serralves até à data da sua morte, em 1981. Após esse período, os seus descendentes, Maria Alice, Sílvia, Maria de Lurdes e Alexandre, herdaram a quinta. É adquirida, depois, pelo estado em 1987 e abriu ao público após algumas adaptações a espaço expositivo. Diz-se que Delfim Ferreira deixou a sua terra natal, Riba de Ave, devido ao desgosto que adquiriu após terem morto um homem em sua casa. Ao contrário do que aconteceu com o 2º Conde de Vizela, o facto de Delfim Ferreira ter expandido os seus negócios para outros setores económico, nomeadamente o da energia hidrelétrica e o da construção civil, sendo que foi responsável pela construção do Hotel Infante Sagres, do Palácio do Comércio e de outros edifícios da Rua Sá da Bandeira, permitiu-lhe consolidar a sua fortuna ao longo de muitos anos de tal forma que, aquando da sua morte, a sua era a maior fortuna pessoal do nosso país, segundo a revista “Fortunas e Negócios”.
Uma fonte próxima de Delfim Ferreira afirma que: ‘’ ele é um homem que ainda hoje é reconhecido porque aproveitou a força da natureza para erguer fortes muros para a consolidação da vida da humanidade próxima dele”, com esta afirmação pretende-se dar a conhecer que Delfim Ferreira foi um individuo que essencialmente da força hidráulica do Vale do Ave construiu postos de trabalho que asseguraram a vida das populações aí residentes.
Em suma, Delfim Ferreira foi uma personalidade que trouxe ao Vale do Ave um novo dinamismo e que na época em que viveu conseguiu realizar aquilo que hoje o Homem procura fazer, utilizar a força da Natureza para satisfazer as suas necessidades energéticas.
O grande inovador que foi Delfim Ferreira
“Era um bom homem e muito empreendedor. O que mais admiro nele é a sua ação e capacidade de trabalho que ele sempre demonstrou para a realização das suas obras” – foi esta a citação proferida pelo Dr. Aurélio Fernando, fundador do nosso colégio, Externato Delfim Ferreira, quando interpelado com a pergunta “O que mais admirava em Delfim Ferreira?”. A conversa decorreu na cantina da escola, num ambiente perfeitamente informal, enquanto o Dr. Aurélio findava a sua refeição com o seu habitual cigarro e café, dos quais não descura mesmo que a idade vá já avançada e a dificuldade em comunicar seja já evidente; apesar disto, a sua disponibilidade para conversar com os seus alunos de quem é muito orgulhoso esteve presente durante toda a conversa.
Durante alguns minutos confidenciou-nos alguns aspetos da sua convivência com Delfim Ferreira. Travou amizade com o vulto da indústria quando a esposa deste, D. Sílvia, violinista e figura imponente, o convidou, sendo ele padre, para a acompanhar à Suíça com a finalidade de visitar o seu marido que se encontrava doente. Após isto conviveu com ele aproximadamente dois anos uma vez que Delfim Ferreira faleceu em 1960 e foi sepultado no Porto. Depois da sua morte, a viúva cedeu a “bouça do Bispo”, local estéril e pelo qual ninguém dava nada, ao seu amigo para que ele levasse avante o projeto que há tanto ambicionava: fundar um colégio que atendesse às necessidades da região uma vez que os jovens teriam de se deslocar para Guimarães ou Santo Tirso para prosseguir os estudos. Foi-nos confidenciado que, tamanho era o património da família Ferreira, nem sequer tinham noção que aquele terreno lhes pertencia… O local cedido era extremamente rochoso, porém, o Dr. Aurélio, não só viu aí um local para iniciar o seu plano como tirou o bem do que parecia mau aproveitando essas enormes pedras para construir os muros que ainda hoje estão erguidos em volta de toda a escola. Ficamos ainda a saber, como curiosidade, que foi produzido um documento que enunciava a venda do terreno; documento esse falso, uma vez que esse local foi oferecido pela Sra. Ferreira. E foi assim que surgiu o colégio do qual fazemos parte, o Externato Delfim Ferreira que, anualmente, comemora o seu aniversário no dia 13 de Dezembro, data do nascimento de Delfim Ferreira.
Tendo nós conhecimento que Delfim Ferreira adquiriu a Quinta de Serralves na década de 1950, deslocamo-nos até lá com intenção de conhecer a casa, da autoria do arquitecto Marques da Silva, os jardins arquitetados pelo francês Jacques Gréber e a biblioteca. Após a consulta de alguns livros ficamos a saber que foi o 1º Conde de Vizela que mandou erguer a casa, passando, mais tarde, para as mãos do filho, Carlos Alberto Cabral, 2º Conde de Vizela; este viveu aí juntamente com a esposa, Blache Daubin, desde a década de 1940 até a 1953, altura em que foi levado a vender a quinta. Ela é, então, adquirida por Delfim Ferreira em 1957 sob o juramento de não modificar a sua integridade. Viveu aí pouco tempo, mas a sua esposa residiu em Serralves até à data da sua morte, em 1981. Após esse período, os seus descendentes, Maria Alice, Sílvia, Maria de Lurdes e Alexandre, herdaram a quinta. É adquirida, depois, pelo estado em 1987 e abriu ao público após algumas adaptações a espaço expositivo. Diz-se que Delfim Ferreira deixou a sua terra natal, Riba de Ave, devido ao desgosto que adquiriu após terem morto um homem em sua casa. Ao contrário do que aconteceu com o 2º Conde de Vizela, o facto de Delfim Ferreira ter expandido os seus negócios para outros setores económico, nomeadamente o da energia hidrelétrica e o da construção civil, sendo que foi responsável pela construção do Hotel Infante Sagres, do Palácio do Comércio e de outros edifícios da Rua Sá da Bandeira, permitiu-lhe consolidar a sua fortuna ao longo de muitos anos de tal forma que, aquando da sua morte, a sua era a maior fortuna pessoal do nosso país, segundo a revista “Fortunas e Negócios”.
Uma fonte próxima de Delfim Ferreira afirma que: ‘’ ele é um homem que ainda hoje é reconhecido porque aproveitou a força da natureza para erguer fortes muros para a consolidação da vida da humanidade próxima dele”, com esta afirmação pretende-se dar a conhecer que Delfim Ferreira foi um individuo que essencialmente da força hidráulica do Vale do Ave construiu postos de trabalho que asseguraram a vida das populações aí residentes.
Em suma, Delfim Ferreira foi uma personalidade que trouxe ao Vale do Ave um novo dinamismo e que na época em que viveu conseguiu realizar aquilo que hoje o Homem procura fazer, utilizar a força da Natureza para satisfazer as suas necessidades energéticas.

O grande inovador que foi Delfim Ferreira
Aquecimento e arrefecimento “quase” grátis!
Portugal encontra-se em projetos europeus de energia geotérmica
Por Eduardo Bento, Gonçalo Horta e Ruben Verissimo

A nossa equipa com o professor Luís Coelho
O Instituto Politécnico de Setúbal possui um sistema de energia geotérmica instalado numa das suas escolas (EST – Escola Superior de Tecnologia). O professor Luís Coelho, especialista na área de Termodinâmica, dá-nos uma visão geral acerca do sistema de aquecimento e arrefecimento de edifícios a partir da energia recolhida do solo. Trata-se de um sistema envolvido em vários projetos europeus e pensa-se que seja a melhor maneira de gerar um rendimento financeiro muito positivo a longo prazo.
E se de repente lhe dissessem que poderia diminuir drasticamente a sua conta de luz? E que essa energia vinha… debaixo da Terra? E que para além de tudo isto ainda poderia estar a ajudar o planeta com a utilização de uma energia “limpa”? Acreditava? Provavelmente não, pois nos dias que correm desconfiamos de tudo o que nos pode sair mais barato do bolso. Mas acredite que já estivemos bem mais longe dessa ideia. Ora, a Energia Geotérmica consiste na energia que é recolhida do solo e, de acordo com o professor Luís Coelho, doutorado em Engenharia Mecânica pela Imperial College London (no Reino Unido) e pelo Instituto Politécnico de Setúbal, “não teve uma época precisa quanto ao começo da sua utilização” – o seu crescente aproveitamento nos últimos tempos é resultado das “constantes inovações tecnológicas”.
Funcionamento do sistema de obtenção e dissipação de energia

Um dos fan-coils presentes na ESTSetúbal
O sistema de obtenção e dissipação de energia, já reportado pela RTP 1, tem uma bomba de calor que “funciona tal como, por exemplo, um ar condicionado, um frigorífico ou um aquecedor, bombas de calor normais”, havendo trocas de energia entre a fonte (neste caso, o calor interno da Terra) e o/s receptor/es (os chamados fan-coils que fornecem “frio” ou “calor”, popularmente falando), ou seja, este sistema tem como objetivo “arrefecer edifícios no Verão e aquecê-los no Inverno”, transferindo energia sempre do corpo mais frio para o corpo mais quente (fenómeno que contraria as leis espontâneas da Física).
Por outro lado, nos aparelhos convencionais é utilizado um mecanismo de recepção de calor a partir do ar exterior. Esse mecanismo vai, então, “aquecer um fluido circulante condutor de calor no interior dos tubos de transferência do fluído, passando depois pelo evaporador, pois a evaporação é melhor para obtenção de energia do que simplesmente o aumento de temperatura”. Passa então por um compressor, peça que “aumenta a pressão e consequentemente a sua temperatura”. Após o aumento da temperatura, este gás passa por um “condensador que o converte no estado líquido, havendo a transferência da sua energia térmica para os canais de água com o objectivo do aquecimento do edifício”. De seguida, o fluído, frio devido à permutação de calor com o fluído que circula no fan-coil, “passa depois por uma válvula de expansão, diminuindo assim a sua temperatura” (para que haja uma maior facilidade nas trocas de calor), voltando-se, assim, ao início do ciclo para receber energia térmica do exterior.
“Se o objetivo é arrefecer o edifício, o mecanismo é inverso”: há a libertação de energia geotérmica do fluído de circulação para o ar exterior; o fluído expande-se, de seguida, para que haja diminuição da sua temperatura, o que permite haver permutações de calor com o fluído que circula no fan-coil, arrefecendo o edifício; após esta permutação de calor, o fluído é comprimido para que haja uma maior facilidade em relação a outra permutação de calor com o ar exterior, o que permite reiniciar o ciclo.
No caso das bombas de calor geotérmicas, a fonte de calor é, obviamente, o solo, sendo feito furos no terrreno, onde se encontram permutadores de calor (BHE – Borehole Heat Exchanger), a uma profundidade superior a 10 metros (para obtenção das temperaturas constantes do solo, em média 18 Cº), havendo, assim, o arrefecimento ou aquecimento da água, a correr na mesma tubagem. Logo, utiliza-se energia geotérmica para arrefecimento e aquecimento, porque “a temperatura do solo é sempre constante, independentemente das estações do ano”, o que permite uma grande poupança financeira, uma vez que “é apenas no compressor que é utilizada a queima de combustíveis fosseis”.
Projetos Europeus de Energia Geotérmica
Vantagens e Desvantagens da Energia Geotérmica
Vantagens:
- Tecnologia fiável com forte potencial dedesenvolvimento;
- Permite poupança financeira a longo prazo;
- Reduz as emissões de CO2 para a atmosfera;
- Capta maior quantidade de energia no Inverno do que outras energias renováveis como a energia solar.
Desvantagens:
- Elevados custos de instalação, não sendo recomendável para habitações temporárias – “são necessários 5 a 10 anos de utilização deste tipo de energia para que haja algum rendimento financeiro”.
No Instituto Politécnico de Setúbal, este sistema de Energia Geotérmica integrou-se num projeto, iniciado em 2004 e terminado em 2008, designado por Groundhit (Ground Coupled Heat Pumps Of High Technology) que tem como objetivo melhorar as bombas de calor já existentes, havendo uma utilização mais eficiente da energia geotérmica – o sistema instalado na ESTSetúbal consiste na “demonstração de um dos protótipos em condições reais”. Tratava-se de um projeto europeu que envolvia países como a Áustria, a França, a Alemanha, a Roménia, a Polónia e Portugal e que se encontra enquadrado pelo projeto Groundmed (Demonstration of Ground Source Heat Pumps in Mediterranean Climate). Portugal também se encontra noutros projetos europeus de energia geotérmica como o Ground-Reach cujo objetivo é que a Europa alcance os valores requeridos pelo Protocolo de Quioto – todos estes projetos têm por objetivo a generalização da utilização desta energia renovável.
Porém, o IPS não é a única identidade portuguesa envolvida na evolução da energia geotérmica – a Universidade de Coimbra também está a contribuir a para a generalização da energia geotérmica, no entanto não para o aquecimento ou arrefecimento de edifícios, mas, sim, para a produção de energia elétrica.
Estes projetos estão gradualmente a progredir para outros continentes como a Ásia, onde a utilização da energia geotérmica poderia contribuir para a luta contra o aquecimento global, uma vez que a China é o maior consumidor de energia mundial.

Bomba de Calor, mostrando as temperaturas da fonte (18ºC) e do fluído que circula nos tubos dos fan-coils (39ºC)
A par destes projetos do IPS, Ana Rita Caleiro, funcionária da universidade, afirma que o sistema de energia geotérmica instalado na ESTSetúbal é “uma mais valia grande que oferece conforto com baixos custos” e que “em vez de utilizar energias poluidoras, utiliza a energia do solo, o que é muito inovador, e oferece também um grande rendimento para a escola”.
Inovador, eficaz e renovável e, além disso, mais barato – o IPS aquece 2 salas de aula e 7 escritórios maioritariamente com energia geotérmica, um importante contributo para a solução da atual crise energética e… financeira!
Papel, qual papel?
O paper-e!
Um grupo de cientistas do CINEMAT (Centro de Investigação em Materiais) da Universidade Nova de Lisboa está a desenvolver um projecto pioneiro que irá revolucionar as aplicações de uma simples folha de papel.
Passámos uma tarde com o professor Rodrigo Martins, um dos coordenadores desta equipa, juntamente com a professora Elvira Fortunato, que esclareceu o objectivo da investigação: a criação do paper-e, ou seja, de um sistema electrónico auto-suficiente, em papel.
Ao contrário do e-paper, que é um sistema electrónico que imita o papel, o paper-e é um sistema electrónico feito de papel!
As aplicações futuras desta descoberta só dependem da imaginação.
Um pouco de História...

Transístor de papel; a escrita com lápis comprova que o papel é idêntico ao que utilizamos no dia-a-dia
Desde sempre, o Homem necessitou de um material que lhe servisse de suporte para comunicar ou expressar a sua criatividade. Começou por usar o que a Natureza lhe propiciava e arranjou maneiras de aperfeiçoar recursos naturais, criando, por exemplo, o papiro e o pergaminho. Houve um material que o fascinou particularmente, sendo merecedor da sua preferência - o papel.
Como nos diz um especialista em História do Papel, Josep Asunción, este material “apesar da sua aparência simples, se constituiu ao longo da história como o mais versátil, pela sua capacidade de resposta a todo o tipo de necessidades”.
Tanto o utilizamos para escrever ou pintar, como o encontramos nas notas, decoração, vestuário e mesmo higiene pessoal. Alguém imagina um Mundo sem papel?
Foi em 105 d.C. que Cai Lun, alto funcionário da corte dos Han, produziu, pela primeira vez, uma pasta à base de restos de plantas e de tecidos. Esta, depois de humedecida, batida e seca ao sol, originava uma folha idêntica ao papel moderno. A descoberta foi de tal modo genial que se manteve em segredo.
Curiosidade
Actualmente, somos o 15º maior produtor de papel do mundo e o 6º da Europa. Utilizamos, sobretudo, a madeira de pinho e a de eucalipto.
A nível nacional, a sua produção teve início no século XIV, mas só no século XVIII ganhou uma dimensão industrial. O país sempre acompanhou a evolução deste sector, sagrando-se pioneiro na produção de pastas químicas a partir de madeira de eucalipto.
São várias as fábricas e empresas nacionais deste ramo e existe até o Museu do Papel, em Santa Maria da Feira, eleito o melhor museu português deste ano. A sua directora, Maria José Santos, teve a amabilidade de nos fornecer informações muito úteis para esta reportagem.
O encontro entre uma tecnologia milenar e a electrónica
Conversando com o professor Rodrigo Martins, a primeira questão que nos surgiu foi o porquê do uso do papel, e não de outro substrato, na construção de sistemas electrónicos.
O professor explicou-nos que a celulose, o principal constituinte do papel, é o biopolímero mais abundante à face da Terra. Acrescentou que é o material “mais leve que conheço, biodegradável e flexível”. Torna-se, assim, o candidato ideal para suporte físico e isolante de um sistema electrónico que se pretende que venha a ser ergonómico, descartável e amigo do ambiente.

Micrografia do papel, mostrando as fibras de celulose
No entanto, para se produzir um dispositivo electrónico precisamos, para além do isolante e do suporte, de materiais condutores, para conduzirem a corrente eléctrica, e do semicondutor que é o material activo e o “coração” do dispositivo.
Tendo já o papel simultaneamente como suporte e isolante, a equipa recorreu aos resultados de um outro seu projecto, dedicado a explorar as propriedades condutoras e semicondutoras de óxidos. Estes compostos apresentam propriedades que podem ser controladas. O mesmo óxido pode comportar-se como condutor ou semicondutor.
Por deposição física ou em solução, os óxidos são colocados no papel, de um e de outro lado da folha (óxido condutor e óxido semicondutor, respectivamente). Por ser "amigo do ambiente", o óxido de zinco tem sido o mais utilizado.
Curiosidade
O zinco já era utilizado no nosso quotidiano. Podemos encontrá-lo em pomadas, pastas de dentes, protectores solares e mesmo em rações animais!
Para um projecto ser apoiado, deve ser capaz de se adaptar às necessidades e exigências da sociedade moderna e ser económica e ecologicamente viável.
No decorrer da conversa compreendemos que, às matérias-primas baratas e em abundância (papel e óxido de zinco), soma-se a capacidade de realizar todo o processo de fabrico destes componentes electrónicos à temperatura ambiente. Deste modo, poupa-se energia e, assim, dinheiro.
Além disso, existem outras vantagens ecológicas como a fácil reciclagem - pois o óxido de zinco é um composto “verde” e o papel facilmente biodegradável - e a não entrada destes componentes electrónicos nas rotas do e-lixo (lixo electrónico).
“ Actualmente, a electrónica que usamos, é baseada no silício e em metais difíceis de separar um dos outros”, explicou-nos o professor.

Sensor de papel
No que toca às aplicações práticas do paper-e, estas ainda fazem parte do futuro. Contudo, na nossa entrevista, tivemos uma visão desse futuro e tornou-se evidente que é muito promissor: jornais com imagens em movimento, embalagens inteligentes que avisam quando o leite azeda, ou quando é hora de tomar um medicamento; um livro inteiro guardado numa só folha… e são só alguns exemplos! Certamente, veremos a sua utilização na indústria alimentar e farmacêutica, na medicina, na segurança, na comunicação...

Bateria de papel
Estas descobertas têm, também, as suas limitações. Serão aplicadas, sobretudo, à electrónica descartável. Portanto, a ideia não é substituir a electrónica actual, mas complementá-la.
De uma coisa podemos ter a certeza: nunca mais olharemos para uma folha de papel da mesma forma.
Já é possível viajar sem preocupações
Projeto "Mala Segura" é desenvolvido no PIEP em Guimarães
Por Bruna Cunha, Filipa Oliveira e Joana Rocha
Nos últimos anos foi desenvolvido no Pólo de Investigação de Engenharia de Polímeros na Universidade do Minho, no Campus de Azurém, um produto que irá facilitar o transporte seguro das malas de viagem.
Trata-se de um objecto peculiar que colocado subtilmente nas malas nos vai proporcionar mais segurança seja nas muito apetecidas férias, mini férias ou pequenas saídas de fins- de- semana ou deslocações profissionais.
Os engenheiros do Centro de Investigação de Polímeros da UM colocaram as seguintes questões ao iniciarem o seu trabalho:
Quem é que não se preocupa com a segurança das suas malas?
Como contrariar a tendência ascendente do número de malas perdidas?
Não será possível reduzi-lo com a aplicação das novas tecnologias?
Quando viajamos é fácil confundir-nos a nossa mala e acabar por perdê-la. Aumentar a sua segurança e prevenir dolorosos aborrecimentos é muito importante.
Para responder às questões importantes, os investigadores desenvolveram uma nova tipologia de malas e um sistema de gestão, controlo e monitorização adequado a elas. O que ocorre aqui, o que torna diferente o novo tipo de malas é a integração de tecnologia de identificação, sensorização e comunicação, através de três diferentes níveis de tecnologia.
Como sucedia até aqui?
Imaginemos que fomos em viagem. À chegada ao aeroporto, na nossa mala foi colocada uma etiqueta com um código de barras que a identifica e refere o seu destino. Essa etiqueta pode ser rasgada e um simples papel rasgado pode transtornar totalmente a nossa viagem.
Hoje, no mercado estão já novas tecnologias que resolvem rapidamente o problema.
A nova tecnologia RFiD vem substituir o código de barras. Este dispositivo é colocado na parte superior da mala, sem que as quedas influenciem o seu funcionamento. Mais ainda, tem como vantagem ser mais económico a longo prazo, uma vez que é reutilizado em cada viagem, bem como o facto de a identificação da bagagem ser imediata. Este sistema não está operacional em muitos aeroportos, no entanto já pode ser encontrado no Aeroporto da Portela em Lisboa.
Continuando o nosso percurso no aeroporto, por vezes, perdemos a nossa mala de vista, quer seja no cais de embarque, cumprindo as novas regras da bagagem de mão das companhias lowcost, ou nos contentores que as transportam até ao porão.
A tecnologia WSN faz uma monitorização da mala. Isto evita a confusão dos “Perdidos e Achados”. É comum, neste lugar, que se identifiquem alguns objectos dentro da mala, que a destacam entre todas as outras, de modo a que esta seja mais facilmente identificável pelo dono. Este dispositivo fornece informações muito características do seu conteúdo logo de antemão. Por exemplo, umas calças vermelhas, marca LEVI’S ou um chapéu azul com uma flor branca. Deste modo, não se perde tempo, e a mala, sendo logo identificada é enviada de imediato para o destino onde se encontra o passageiro.
Por último, mas não menos importante, está também incluído na mala um aparelho de GPS. Este mecanismo será mais frequentemente utilizado quando nos encontramos fora do aeroporto, por exemplo quando se espera pelo táxi, ou em passeio. Assim, é possível localizar a nossa bagagem imediatamente, sem qualquer custo adicional. Outra das suas utilizações será também em bolsas de grandes costureiros, tais como as conhecidas Birkin da Hérmes, ou Louis Vuitton. De facto, dado o seu grande valor, não é agradável quando se dão como perdidas.
Todas estas inovações trazem grandes vantagens, mas como em tudo, podem existir alguns contras. Nada neste mundo é oferecido, logo uma mala com estes novos dispositivos pode ter um custo, numa previsão muito antecipada, de mais cerca de 100 €.
E apesar de todos estarmos cheios de vontade de possuir esta mala, infelizmente faltam ainda alguns anos para que isto se possa concretizar. O que falta é que os sistemas estejam operacionais nos aeroportos por este mundo fora, assim como a aprovação da IATA (Air Transport Association), órgão máximo no que se refere ao transporte aéreo.
Por este projecto inovador, devemos um agradecimento não só ao PIEP da UM, mas também a todas as entidades que colaboraram para o crescimento tecnológico no nosso país. A entidade do Sistema Científico e Tecnológico Nacional que participou, para além do pólo de Investigação, foi o INOV. As empresas que deixaram a sua marca foram SET, Ana Aeroportos, Tecmic e Critical.
Como contrariar a tendência ascendente do número de malas perdidas?
A tecnologia WSN faz uma monitorização da mala. Isto evita a confusão dos “Perdidos e Achados”. É comum, neste lugar, que se identifiquem alguns objectos dentro da mala, que a destacam entre todas as outras, de modo a que esta seja mais facilmente identificável pelo dono. Este dispositivo fornece informações muito características do seu conteúdo logo de antemão.
Para acabar, deixamos tudo em aberto para o novo artigo em que iremos contar a nossa viagem a Nova Iorque, utilizando a nossa conhecida “Mala Segura”.
AAL4ALL: Quem disse que a tecnologia não era para idosos?
Por Luso(Cons)Ciências

Parede nas instalações da Fraunhofer
O AAL4ALL-Ambient Assisted Living for All-foi criado em 2010, pela Health Cluster Portugal, em parceria com trinta e quatro outras empresas, como a Associação Fraunhofer. Com o objectivo de combater o isolamento social dos idosos, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e o envelhecimento activo, o projecto vai desenvolver, até Fevereiro de 2014, tecnologias que proporcionem uma vida mais autónoma e dinâmica.
Financiado, em 8,3 milhões de euros, pelo QREN, surgiu para tentar responder aos problemas causados pela mudança demográfica em Portugal, nomeadamente o aumento da esperança média de vida e consequente envelhecimento da população. Estender o tempo de vida, garantindo simultaneamente a independência e mobilidade dos idosos, constitui o grande objectivo do projecto, o qual se assume como um complemento essencial do apoio geriátrico prestado pelo Serviço Nacional de Saúde, a fim de alcançar um estilo de vida melhor e mais saudável.
Durante os próximos três anos vão desenvolver um ensaio piloto com tecnologias de apoio a mais de quatrocentas e cinquenta pessoas de todo o país, trabalhando em conjunto com as famílias, centros de saúde e lares. Deste modo, assume três distintos ambientes de aplicação, o próprio domicílio do idoso, a sua integração na vida em sociedade e, por fim, instituições de apoio à terceira idade, como lares e centros de dia.

Filipe Sousa
Em conversa com a equipa de reportagem, Filipe Sousa, coordenador técnico do projecto na
Fraunhofer, sintetiza as diversas vertentes em que incide o programa: a vida independente, a saúde, o lazer recreativo e a mobilidade,“Estas quatro áreas são como uma flor com diversas pétalas, que se vão sobrepondo mutuamente. Conseguir ter as quatro áreas activas seria excelente, basicamente teria um envelhecimento activo”.

Sala do apartamento-modelo na Fraunhofer
Relativamente à aplicação prática, é relevante mencionar algumas tecnologias, a serem utilizadas em casa. As mesmas encontram-se a ser desenvolvidas e testadas, numa recriação de um apartamento-modelo na sede da Fraunhofer no Porto, onde é retratado um ambiente típico de um domicílio.“Tenta-se focar muito no ambiente doméstico, para levar a tecnologia a casa das pessoas, no seu ambiente natural”.
Com efeito, tendo como objectivo prevenir problemas de saúde e facilitar o controlo de doenças crónicas já existentes, como diabetes e hipertensão, efectua-se a medição da tensão arterial e do peso por instrumentos existentes dentro do domicílio, evitando deslocações a farmácias ou centros de saúde-“alguém que tenha uma doença crónica, o ideal seria fazer medições permanentes, o objectivo é, eventualmente, em vez de ir à farmácia poder fazer em casa”. Todos os dados clínicos recolhidos na habitação, serão dispostos numa plataforma virtual, onde os médicos dos pacientes terão acesso, facilitando uma supervisão à distância.“Permite fazer um acompanhamento constante e guarda tudo de forma electrónica, num servidor central, ou seja, o próprio médico pode consultar”.
Sendo a casa de banho o local onde se regista um maior número de quedas em idosos, provocando fracturas, mais ou menos graves, que resultam em problemas de mobilidade, o AAL4ALL não poderia deixar de procurar uma solução. Desenvolve, então, sistemas de detecção de queda, que emitirão alertas para serviços de emergência, para que a pessoa seja socorrida o mais rapidamente possível-“a ideia é de colocar sensores, neste caso câmaras, que detectem o espectro da pessoa e se está caída, ou não”. Evita, portanto, casos correntes de pessoas que são encontradas mortas nas suas casas, muito tempo depois de terem falecido, as quais se tivessem sido socorridas atempadamente, não teriam esse destino.

Quarto do Apartamento-modelo na Fraunhofer
A análise da qualidade do sono é outra vertente abordada, a partir da recolha de padrões, por dispositivos implantados nos colchões, o que permitirá determinar problemas de foro psicológico, como stress. Assim, se numa noite se registam movimentos muito agitados e constantes, infere-se sobre um sono pouco tranquilo, o que traduz uma má qualidade de descanso-“o projecto tenta-se focar antes de as doenças apareceram, acima de tudo em prevenir que elas apareçam, fomentando práticas de bem-estar”.
De referir ainda, soluções vocacionadas para a segurança do lar, aplicadas na cozinha, que tencionam funcionar como sensores de gás e, por exemplo, que façam com que electrodomésticos, como o fogão, se desliguem automaticamente.
Serão também desenvolvidas aplicações para telemóveis Android, com o intuito de combater o sedentarismo e a exclusão social, facilitando a ligação entre familiares e amigos, a nível de todas as faixas etárias-“o princípio é criar uma rede de competição amigável que incentive as pessoas a mexerem-se mais: mede o movimento diário e classifica-o, incorporando o conceito de rede social, onde os resultados serão expostos, pois muitos problemas advêm da ausência de exercício, ou de uma boa dieta. Feito diariamente permite uma qualidade de vida, que previne uma série de doenças”. Adicionalmente, há dispositivos que funcionam como lembretes para a ingestão de medicamentos, ou lista de compras.
Já no que toca às despesas a serem suportadas pelas famílias, Filipe Sousa afirma que, embora ainda não existam valores exactos, o ideal seria um mecanismo que, tendo em conta o rendimento, permita que os agregados familiares com menos possibilidades vejam estas tecnologias serem financiadas pelo Estado. Estes dispositivos ajudariam não só o idoso em si, mas também facilitariam o acto de cuidar e perturbariam menos as rotinas diárias das próprias famílias. Tenta-se, ainda, massificar a indústria, para que “os produtos cheguem mais baratos ao mercado, estando ao alcance de um maior número de famílias”.
Por fim, na vertente ocupacional, com a adaptação do local de trabalho às necessidades da pessoa e a possibilidade de trabalhar a partir de casa, consegue-se aumentar o período activo de cada elemento da população.
10 Milhões de euros investidos nas margens do Ave
A requalificação das margens do Ave é uma necessidade premente que o Projeto de Urbanização das Margens do Ave (PUMA), neste momento a ser implementado pela Câmara Municipal de Santo Tirso, no troço do Rio Ave, prevê concluída em breve.
O Ave é um rio português que nasce na serra da Cabreira, concelho de Vieira do Minho percorrendo cerca de 85 km até desaguar no Oceano Atlântico, a sul de Vila do Conde. Ao longo do seu percurso passa pela cidade de Santo Tirso, fazendo parte do seu perímetro urbano.
O rio Ave já foi considerado um dos rios mais poluídos da Europa, devido à grande concentração de indústrias têxteis na sua bacia hidrográfica, principalmente a partir da década de 50. Atualmente, o rio já se encontra despoluído, devido à falência de muitas destas empresas e aos esforços por parte das câmaras municipais, como a de Santo Tirso, que têm vindo a implementar projetos com o objetivo de melhorar a qualidade do mesmo.
Em 1999, foi implementado o Sistema Integrado de Despoluição do Vale do Ave (SIDVA), com o objetivo de melhorar a qualidade da água do rio, com a criação de ETAR´sde que é exemplo a ETAR da Rabada. Agora surge o Projeto de Urbanização das Margens do Ave (PUMA). "Revolucionar o conceito de viver o Rio Ave, com a aproximação dos cidadãos ao rio, para uma maior apropriação do rio pela cidade”. É o que pretende a autarquia tirsense com o PUMA, de acordo com o que nos revelou a Arq. Conceição Melo, assessora do Presidente da Câmara. A Câmara Municipal lançou as bases do programa em parceria com 5 entidades locais públicas e privadas. Esta união tornou possível o concurso ao QREN, para um investimento de 10 milhões de euros, em 251 hectares, ao longo de 3,5 Km de frente ribeirinha.
Uma das intervenções deste Projeto será a construção de um percurso pedonal e uma ciclovia, num total de 1,4 Km, que ligará o Parque da Rabada ao coração da cidade, a inaugurar brevemente. Mesmo no fim do percurso serão instalados na Escola Agrícola e no âmbito do Projeto, um Hotel Rural e um Centro de Interpretação Ambiental, assim como recuperado o percurso dos Frades. A ligação atingirá no futuro a Fábrica do Teles, fábrica de Fiação e Tecidos de Santo Thyrso, depois de negociada a situação com o proprietário da fábrica, em ruínas junto à Estação.
O percurso pedonal será também um espaço de lazer, onde será possível passear, correr, andar de bicicleta, skate ou até mesmo só contemplar a paisagem. O passeio ao longo do percurso terá 5 metros de largura, incluirá estruturas de apoio no início e no parque da Rabada incluirá também, junto à ponte, escadas para o rio, com fins contemplativos. O percurso poderá, em dias especiais como dia do concelho, entre outros ser objeto de ações de animação, de acordo com o programa de atividades da Câmara.
Mas será que esta zona está a ser planeada para que o Homem tire proveito disso sem desequilibrar o ecossistema?
Este percurso pedonal e a ciclovia servirão para melhorar a qualidade de vida dos utilizadores e estão desenhados de maneira harmoniosa com o ambiente. A plataforma de circulação será elevada do solo de modo a não ser prejudicada pelas cheias e facilitar a infiltração da água da chuva. Todas estas adaptações têm em vista uma melhor defesa do ambiente e maior proteção do ecossistema ribeirinho. O espaço tem já preparado um regulamento com vista à sensibilização dos cidadãos, explicou a Arq. Conceição Melo. A Câmara já está a desenvolver um processo para que os cidadãos adotem o espaço público, numa atitude de voluntariado e de cidadania. Associado a este projeto vai estar também o da Ribeira do Matadouro, que ligará o centro da cidade à Escola Agrícola e ao rio.
No projeto está prevista a plantação de árvores e arbustos autóctones, na ETAR da Rabada e na galeria ripícola do rio, com o objectivo de reforçar o “verde” na paisagem.
Esta intervenção de reflorestação servirá para manter a função de corredores ecológicos das margens do rio e do próprio rio, compatibilizando a utilização urbana com as suas funções no funcionamento dos ecossistemas e dos ciclos naturais. A Arq. Conceição Melo chamou a atenção para o facto de que o corredor verde entrará pela cidade, quer pela avenida da ponte e Parque D. Maria, a partir do rio, quer pelo horto, espaço circundante do Hotel Cidnay e Jardins em torno da Câmara, a partir da Ribeira do Matadouro, formando um arco entre o centro da cidade e o Rio.
O Parque Urbano da Rabada será também alvo de pequenas intervenções para o tornar mais “confortável” e apelativo.
Para que se compreenda a importância económica e social deste projecto é importante referir a intervenção que está a ser efetuada, na antiga fábrica do Teles.
Está prevista a construção de uma “nave cultural” destinada à realização de atividades como concertos, exposições e conferências.
O espaço aloja o pólo de apoio ao empreendedorismo e inovação que iniciou a sua atividade com a concretização da Incubadora de Base Tecnológica, financiada pelo PRIME – Quadro Comunitário de Apoio (QCA) III, pelo PUMA e pela Incubadora de Negócios Criativos, iMOD. Para além destas iniciativas estão em curso novas candidaturas no âmbito do apoio à criação de indústrias criativas em colaboração com a Escola Superior de Artes e Design (ESAD).
Está ainda prevista a criação de um Centro Interpretativo da Indústria Têxtil, “onde será apresentado o panorama fabril da Fábrica do Teles nos seus tempos de funcionamento” (1898-1990).
O impacto económico envolve também a possibilidade dos estabelecimentos comerciais de serviços e restauração, abrangidos pela área de intervenção, poderem candidatar-se a financiamento para a sua modernização.
O Projeto de Urbanização das Margens do Ave é um projecto pioneiro, que pretende recuperar o rio com o objetivo de fruição por parte da população, servindo de alavanca para novos projetos industriais de serviços e de lazer.
Madan Parque - um sucesso em tempos de crise
Ao passar pela Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade Nova de Lisboa são raras as pessoas que reparam no Madan Parque. Apesar do edifício ser bastante atrativo, a falta de divulgação faz com que a maioria das pessoas que por ali passa desconheça a sua finalidade. O Espectro da Ciência encontrou-se com José Damião, gestor de incubadora de empresas, para tentar perceber o que é, afinal, o Madan Parque. Fundado em 1995, com o objetivo de criar uma ligação entre a FCT e as empresas locais, o Madan Parque permite aos recém-licenciados desenvolver os seus projetos, através de financiamento, formação, alojamento e ajuda na internacionalização.
Após a aprovação de um projeto pelo MP, a empresa formada monta o seu escritório nas instalações do parque e aí permanece durante um período máximo de quatro anos, pagando uma renda mensal, de acordo com a área do escritório. Estas rendas, pagas pelas empresas, juntamente com o apoio anual dos sócios, permitem ao Madan Parque ser um projeto auto-sustentável.
"(...) estamos sempre a lidar com projetos novos (...) em áreas diferentes e é engraçado acabarmos por conhecer um pouco de cada empresa e cada área que elas trabalham".
Apesar de haver uma parceria entre o Madan Parque e a FCT, nem todas as empresas incubadas pertencem à área da ciência. “Há empresas na área da saúde, há empresas na área dos vinhos, há empresas noutras áreas…”, diz-nos José Damião. EIDT – Engenharia Inovação e Desenvolvimento Tecnológico, 1756_The Portuguese Wine Company ou EYE VIEW DESIGN são apenas alguns exemplos de empresas incubadas, atualmente, nas instalações do Madan Parque, sendo todas elas de áreas diferentes.
A parceria com a FCT permite às empresas do ramo da ciência usufruir dos laboratórios da faculdade, se necessitarem, alugando o espaço. Normalmente as empresas que o fazem pertencem à área da investigação e/ou saúde e não possuem instalações propícias à realização de certos trabalhos.
Em dez anos de existência, o Madan Parque já apoiou a criação de 98 empresas. À conversa, José Damião diz-nos: "É sempre gratificante porque estamos sempre a lidar com projetos novos. Todos os anos aparecem quatro, cinco, seis empresas novas. Temos neste momento 52 empresas incubadas, 52 projetos diferentes em áreas diferentes e é engraçado acabarmos por conhecer um pouco de cada empresa e de cada área que elas trabalham". No entanto, a equipa do Madan Parque depara-se também com algumas dificuldades. O facto de serem uma equipa pequena, a falta de orçamento e a falta de divulgação do projeto são exemplos disso.
Até ao momento, a presença do Madan Parque trouxe aos concelhos de Almada e Seixal grandes benefícios como a criação de empresas locais e a ajuda à criação de 1200 postos de trabalho. Tal como José Damião nos confirmou, em época de crise a procura pelo Madan Parque aumentou pois este é um projeto inovador que ajuda a desenvolver o mercado e dá esperança a muitos jovens recém-formados, ao permitir que os seus planos se tornem realidade.
Exploração animal para fins científicos com os dias contados?
Cientistas encontram métodos inovadores para reduzir a experimentação em animais
Por Ana Filipa Maia, Maria Carolina Momade e Rita Fidalgo
Sofia Leite, doutoranda e investigadora no Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB) em Oeiras, tem vindo a desenvolver um sistema in vitro para teste de fármacos, de forma a substituir as recorrentes experiências em animais.
A cultura de hepatócitos (células do fígado) tem demonstrado ser uma estratégia fiável para a reprodução do comportamento do fígado in vitro.
A situação global
Em Portugal os números são desconhecidos, porém, no Reino Unido, são mortos anualmente cerca de 3 milhões de animais destinados à experimentação de fármacos e cosméticos. “Ainda não é possível substituir totalmente as células animais”, afirma Sofia Leite, licenciada em Bioquímica pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Contudo, a investigação científica tem revelado uma preocupação crescente com este tema. A política dos 3Rs (reduction, replacement, refinement, em português: redução, substituição e refinamento) é uma inovação que tem sido implementada nos países mais desenvolvidos e que procura minimizar o número de animais explorados, substituindo-os por outros modelos e aproveitando ao máximo os que não são passíveis de serem poupados, utilizando o maior número de órgãos de um único indivíduo.
O projecto português
“Cerca de 90% de todos os compostos que entram em contacto com o nosso organismo serão metabolizados pelo fígado”, afirma a investigadora. Desta forma, a indústria farmacêutica deve considerar não só os efeitos de um fármaco no organismo humano, mas também os efeitos do produto resultante do seu metabolismo (metabolito). A importância da previsão do comportamento do fígado reside no facto de, muitas das vezes, o metabolito ser ainda mais tóxico do que o composto anterior.
Na tentativa de prever a toxicidade dos compostos e respectivos metabolitos com o menor recurso a animais, os cientistas procuram uma forma de cultivar os hepatócitos em condições semelhantes àquelas em que estes vivem no nosso organismo. Todavia, a desdiferenciação que as células sofrem após pouco tempo de cultura e o ambiente distinto do habitual constituem obstáculos para o teste fiável de medicamentos fora do contexto in vivo.
No sentido de contrariar esta desdiferenciação, Sofia Leite desenvolveu uma estratégia em que as células são cultivadas em 3D, de forma a assegurar a constante movimentação do meio, o contacto de todas as células em simultâneo e uma estrutura semelhante à do órgão. Estas células são obtidas através de biópsias, cadáveres, órgãos que não são passíveis de serem transplantados ou da criação de ratos.
Com efeito, um biorreactor é utilizado para a formação espontânea de esferóides 3D, controlando um ambiente pré-programado e garantido uma difusão eficaz de oxigénio e nutrientes. Com este método inovador, as células são facilmente reproduzíveis, é possível analisar os efeitos em larga escala, monitorizar parâmetros e retirar amostras durante todo o processo.
Em suma, o projecto combina três estratégias: a experimentação in vitro, a experimentação in silico (modelos computacionais que prevêem os resultados no organismo humano) e a aplicação de uma microdosagem em cobaias humanas, registando a toxicidade do metabolito resultante.
Este novo sistema desenvolvido por cientistas portugueses verá ainda alterações e melhoramentos, visando uma futura aplicação massiva, mesmo noutros tipos de células.
Jornal NoddyCiÊncia
José Ferreira Macedo Pinto
Por Jornal NoddyCiÊncia
Casa Macedo Pinto, construída por José Ferreira Macedo Pinto. É nos dias de hoje a maior casa do concelho de Tabuaço, tendo cerca de 70 quartos, 6 salas, 3 grandes cozinhas e 50 casas de banho.A casa é uma grande prova da enorme riqueza da família. A mesma foi também carenciada ao concelho de Tabuaço para a construção de grandes obras públicas que ajudaram em muito na construção da vila.
Nasceu no lugar de Guedieiros, freguesia de Aldeia de Sendim, no dia 15 de Junho de 1814. Licenciou-se em Filosofia e em Medicina na Universidade de Coimbra e doutorou-se em Medicina em 1844, tendo sido professor jubilado na mesma Faculdade.
Exerceu vários cargos superiores, como o de vogal do conselho Superior de Instrução Pública. Foi deputado pelo círculo de Lamego, em 1856, e, graças à sua influência junto do Governo, conseguiu deste, dez anos mais tarde, a construção da estrada marginal ao Douro, desde a Régua até à Pesqueira.
Pertenceu a várias associações ou corporações cientificas estrangeiras, foi sócio correspondente da Academia das Ciências e da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa. Deixou várias obras científicas publicadas e vários trabalhos de temática literária e politica, dispersos por inúmeros jornais do seu tempo.
Financiou a construção da “Eschola Macedo Pinto” – nome presente no telhado da mesma!
A escola, apenas para o sexo masculino, tinha duas disciplinas Matemática e Agricultura que mais tarde foi denominada Macedo Pinto
A fama de José Ferreira Macedo Pinto é pouco conhecida na vila, apesar das grandes ajudas que ele forneceu à vila.
O Jornal NoddyCiÊncia saiu à rua para fazer inquéritos aos habitantes da vila sobre o seu conhecimento acerca do Prof. José Ferreira Macedo Pinto. Tabuaço chumbou, pois eram poucas as pessoas. Cerca de 2 em cada 10 pessoas tinham conhecimento sobre quem foi José Pinto e o que este contribuiu para a vila.
Esta carência de informação é ainda maior nos jovens da vila em que a percentagem obtida através de inquéritos feitos pelo grupo se concluiu que numa média de 322 alunos apenas 4 tinham conhecimento acerca do referido.
Apesar desta falta de conhecimento a maior parte das pessoas conhece a casa Macedo Pinto, lendas, e até mesmo uma rua. Contudo quando toca só a um membro da família o conhecimento da população é praticamente inexistente.
Uma das lendas mais famosas, contada pela actual governanta da casa, fala-nos sobre uma rainha que estava com muitas dificuldades no nascimento do seu principezinho. A notícia rapidamente chegou aos ouvidos de José Macedo Pinto que com roupas rotas e descalço (estava a praticar agricultura no momento em que lhe foi dada a noticia) pôs-se a caminho para ir socorrer a rainha. Quando este chegou ao castelo foi fortemente criticado pelos outros médicos devido às roupas que trazia vestidas. Este vigorosamente expulsou toda a gente do quarto da rainha, passado pouco tempo ouviram-se os primeiros choros do bebe.
O rei como forma de agradecimento baixou os impostos nos máximos possíveis à família e ofereceu bastante fruta.
Os milagres dos polifenóis
Um consumo moderado de chá verde e vinho tinto poderão ser a chave para uma vida longa e saudável
Por Impressão Biológica
Uma equipa do Departamento de Bioquímica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto iniciou há cerca de dez anos estudos que se focavam nos benefícios do consumo de chá verde e de vinho tinto para a saúde. Inicialmente foram estudados os efeitos do vinho no transporte intestinal de substâncias, assim como as suas propriedades químicas e biológicas, dirigidas por Rosário Monteiro e Ana Faria, respectivamente. Simultaneamente foi realizado o estudo do chá verde por ter algumas propriedades benéficas semelhantes às do vinho.
As pessoas que bebem moderadamente vinho tinto têm uma taxa de mortalidade ligeiramente menor do que aquelas que bebem mais do que o recomendado. A quantidade moderada corresponde a uma quantidade que fornece 30g de álcool no homem e 15g na mulher.
Em diálogo com o grupo “Impressão Biológica”, as investigadoras Ana Faria e Rosário Monteiro, revelaram alguns pormenores acerca da investigação realizada pela equipa liderada pela Professora Conceição Calhau, particularmente no que diz respeito aos benefícios dos polifenóis, substâncias presentes no vinho tinto e no chá verde.
Relativamente ao estudo do vinho foram cultivadas em laboratório células intestinais que foram tratadas com vinho. A Doutora Ana Faria menciona que se verifica consequentemente “um aumento da captação de alguns tipos de substâncias por parte do intestino, que podem pertencer a classes como medicamentos e vitaminas”, devido à presença de polifenóis (substâncias que evitam a acção nociva de radicais livres que atacam as células e interferem com as moléculas transportadoras).
É notória, no entanto, a diferença entre o vinho branco e o vinho tinto, pois este “segundo a literatura, tem um efeito mais marcado do que o primeiro, principalmente no que diz respeito às doenças cardiovasculares, a algumas doenças degenerativas e a nível do stress oxidativo”, refere a Doutora Rosário Monteiro. Assim, também o sumo de uva não tem o mesmo efeito que o vinho tinto. Seria de esperar que tivesse um efeito mais benéfico (por não conter o etanol). No entanto os estudos com ratos comprovaram que o etanol tem um papel importante. Apesar da agressão que o etanol pode fazer por si só, os compostos da uva dissolvidos em água, não evidenciaram os efeitos benéficos do vinho. Em relação a essa agressão é importante destacar o efeito controverso do álcool, como explicou a cientista: “Beber o vinho em excesso não traz benefícios, ao contrário do consumo regular e moderado”.
Sabe o que têm em comum o chá verde e o vinho tinto?
Fumadores que não bebem chá verde podem ter um risco 13 vezes aumentado de cancro de pulmão, em comparação com aqueles que bebem pelo menos uma chávena de chá verde por dia, de acordo com um novo estudo realizado em Taiwan.
Apesar de serem conhecidas as suas propriedades terapêuticas há mais de 3000 anos, devido ao desenvolvimento tecnológico, hoje acerca do vinho, são avaliados muitos outros benefícios, entre eles a prevenção de doenças como o Alzheimer, diabetes do tipo 2 e a disfunção eréctil. No primeiro caso, o álcool ajuda a impedir a deterioração das células nervosas. Relativamente à diabetes do tipo 2, facilita a resposta à insulina, aumentando a sensibilidade do corpo à mesma. Por fim, os polifenóis (antioxidantes) presentes no vinho tinto podem promover a estabilização dos vasos sanguíneos existentes no tecido cavernoso do pénis.
É na capacidade antioxidante que o chá verde está relacionado com as propriedades terapêuticas acima referenciadas, igualmente devido à presença de polifenóis. Do mesmo modo que o vinho tinto se destaca dos restantes, o chá verde conquista um papel fulcral em relação aos outros tipos de chá, como diz a Doutora Ana Faria, “a grande diferença do chá verde em relação aos outros chás está no facto deste não ser fermentado e por isso mantém alguns compostos que têm propriedades benéficas para a saúde. Quando há fermentação, uma parte destes compostos, pode ser perdida o que explica alguns dos diferentes efeitos entre o chá verde e o chá preto.”
Ao ser confrontada com exemplo da Ilha de Okinawa, habitada por muitas pessoas centenárias, que têm por hábito o consumo diário de chá verde, a Doutora Rosário Monteiro afirma: “O consumo regular de chá verde pode estar relacionado ou não, porque essas pessoas podem ter todo um estilo de vida e um background genético, que favorece a longevidade”. Contudo, admite que segundo estudos realizados, este tipo de chá combate as infecções e promove a longevidade celular, declarando que “ele é rico num polifenol, a epigalocatequina-galato (EGCG) que ajuda a proteger o coração e a diminuir colesterol (LDL) evitando a formação ateromatosa nas artérias. Ao evitar toda esta série de problemas pode então promover a longevidade, o que é diferente de rejuvenescimento.”
Os constituintes mais relevantes do chá verde são açúcares, vitaminas, polifenóis e flavonóides, que estimulam o sistema nervoso central ao mesmo tempo que se apresentam em parte como diuréticos. Ele tem também, tal como o vinho tinto, a capacidade de limitar a absorção intestinal do colesterol alimentar.
O chá verde inibe o crescimento dos vasos sanguíneos que nutrem os tumores, sendo por isso considerado por alguns investigadores como um constituinte anti-carcinogénico.
No caso dos problemas causados pelo consumo excessivo do chá em questão, todos eles se relacionam com patologias muito especiais em que “há necessidade de haver um controlo muito específico, o que muitas vezes não ocorre como quando se estuda o efeito de um novo medicamento. Quando se consomem suplementos que contêm concentrados dos compostos presentes no chá verde, pode surgir toxicidade grave, concretamente a nível hepático”, sublinhou, recomendando ainda o consumo máximo de duas chávenas por dia. Este consumo poderá melhorar a actuação do sistema imunológico, por conter características antivíricas, antimicrobianas, antibacterianas, anti-sépticas, principalmente devido à existência de polifenóis.
A Doutora Rosário Monteiro realça que “o chá mais refinado é de menor qualidade em comparação com o chá que não é refinado, pois o processo de refinamento destrói os óleos essenciais do chá."
Actualmente, continuam a decorrer estudos em ratos de laboratório, com o objectivo de aprofundar o conhecimento sobre as vantagens e desvantagens para a saúde dos polifenóis presentes no chá verde e vinho tinto. No entanto, com base no que até hoje foi comprovado, um consumo moderado destas duas bebidas trará a longo prazo inúmeros benefícios para o Homem.
Secil, uma fábrica com Certificação Ambiental
Por Daniela Branquinho, Francisco Viegas, Rita Mourão
É por entre os pinheiros mansos e o cheiro a rosmaninho e alfazema característicos da serra da Arrábida que se ergue uma das maiores fábricas da região de Setúbal. Ocupando uma área de 100 hectares a Secil é uma cimenteira que deu os seus primeiros passos no ano de 1930.
Com o objectivo da produção de cimento a cimenteira explora os recursos naturais da Arrábida extraindo Marga e Calcário. Estas matérias passam então por um processo de fabrico que inclui a britagem, a moagem e a cozedura.
Embora muito útil, o fabrico de cimento na serra da Arrábida é, como todas as actividades industriais, uma fonte de poluição que causa inúmeros efeitos nefastos ao ambiente natural. Consciente da sua influência, a Secil tem isso em conta: “A empresa procura causar o menor impacto possível no ecossistema. Por isso, tem um plano ambiental de recuperação paisagística que visa devolver à natureza, após a exploração das pedreiras, um habitat inteiramente recuperado do ponto de vista faunístico e florístico”. Foram estas as palavras de Nuno Maia Silva, director de comunicação institucional da Secil, quando questionado sobre o interesse da empresa na protecção e conservação do parque natural da Arrábida.
“A Secil tem actuado integradamente no sentido de estudar a serra, conhecer profundamente o ecossistema e, acima de tudo, adoptando as melhores práticas e minorando sistematicamente os impactes negativos causados pela sua actividade”
Consciente das consequências a nível da biodiversidade, do impacte visual e das emissões atmosféricas provenientes do processo de fabrico de cimento, a Secil passou desde cedo a desenvolver vários estudos em parceria com a FCT- UNL, com o Laboratório Europeu Independente, entre muitas outras entidades não só nacionais como também internacionais, para compreender e mitigar os seus impactes ambientais. “A Secil tem actuado integradamente no sentido de estudar a serra, conhecer profundamente o ecossistema e, acima de tudo, adoptando as melhores práticas e minorando sistematicamente os impactes negativos causados pela sua actividade” diz Nuno Maia Silva.

Para controlar o consumo de energia a Secil procura promover a utilização de combustíveis alternativos como por exemplo a biomassa e o CDR (Combustível derivado de resíduos) ao invés de combustíveis fosseis que por sua vez são responsáveis por emissões acrescidas de CO2 que levam a um aumento de efeito de estufa. Estas emissões são também controladas pela empresa através da utilização de um duplo sistema de electro filtros e filtros de mangas e ainda pela avaliação da qualidade do ar através do estudo de líquenes. Estas medidas permitem à Secil um valor médio anual de emissões de poluentes muito abaixo do limite legal. No que respeita à extracção de inertes da pedreira, a empresa recorre a um plano de recuperação ambiental e paisagística que, nas palavras do director de comunicação institucional da Secil, “prevê a recuperação do território em termos de flora e a valorização da componente fauna”. Porém o facto de estar localizada num parque natural condiciona a acção da Secil de várias formas: “Na recuperação paisagística da pedreira, por exemplo, apenas podem ser usadas espécies autóctones autorizadas pela Direcção do Parque, que são espécies mediterrânicas, de crescimento lento, o que faz com que a recuperação dos taludes explorados se faça mais lentamente do que se fosse noutro local”, diz Nuno Maia Silva. Para que o processo de recuperação decorra com a qualidade desejada e que a árdua tarefa de revegetar os taludes se torne mais eficaz a empresa recorre à técnica de hidrossementeira que consiste na projecção de uma mistura viscosa constituída por sementes, água, fertilizantes e fibras naturais para o solo já explorado.
São também utilizadas estufas onde são mantidas as plantas até terem idade suficiente para conseguirem sobreviver no exterior e aí serem transplantadas. O Plano de recuperação já está em curso desde os anos 70 estando actualmente 35% da área da pedreira revegetada e, diz Maia Silva “é previsível que, no
terminus da exploração a área esteja integralmente recuperada.”
A Secil não só está envolvida em vários métodos de prevenção, mitigação e recuperação ambiental, como também o dá a conhecer à população: “É esta realidade de equilíbrio entre indústria responsável e recuperação ambiental que queremos partilhar com a comunidade setubalense.” revela-nos o director de comunicação.
“Por muito que a população tenha uma percepção de risco e dano ambiental superior à efectiva acção da fábrica, considero que temos um exemplar padrão de actuação em termos de sustentabilidade da nossa empresa, pelo que temos todo o interesse em divulgar a nossa gestão sustentável e evidenciar que causamos o menor impacto ambiental possível.” É esta a perspectiva da Secil em relação à divulgação da acção ambiental praticada pela pedreira de forma a manter o equilíbrio natural da Arrábida. Para esse efeito a empresa recorre a técnicas de divulgação como o relatório de sustentabilidade, a semana de portas abertas, onde a pedreira é visitada por milhares de pessoas, especialmente estudantes, a edição anual da revista Valorizar, distribuída na região de Setúbal, e a criação de uma comissão de acompanhamento ambiental, que consiste num fórum de apreciação e debate acerca do desempenho ambiental da fabrica com instituições interessadas.
“Consideramos que temos um exemplar padrão de actuação em termos de sustentabilidade da nossa empresa, pelo que temos todo o interesse em divulgar a nossa gestão sustentável e evidenciar que causamos o menor impacto ambiental possível.”
A evolução da empresa a nível ambiental é inquestionável, tendo até alterado o processo de produção de cimento, Via- Húmida, para um outro que possibilitou a redução da emissão de partículas e de consumo de energia, o processo Via-Seca. Foi, no entanto, na década de 90 que, com a introdução das novas tecnologias e com a Certificação Ambiental da fábrica que a Secil conseguiu colocar as emissões num dos níveis mais baixos de toda a Europa.
Nuno Maia Silva afirma ainda que “Quem conheceu a fábrica há algumas décadas atrás constata que há uma enormeevolução, porque a fábrica acompanhou, e em alguns casos até antecipou, a própria mudança da sociedade no que respeita à protecção e salvaguarda do ambiente”.
A Secil é hoje em dia uma das empresas portuguesas com um plano de investigação científica mais abrangente e integrado. Desde a avaliação da qualidade do ar até à revegetação dos taludes, a cimenteira procura, com base no estudo do passado e nas acções do presente, contribuir para a futura continuidade da biodiversidade no Parque Natural da Arrábida.
Apesar de cimento e ambiente parecerem sempre arqui-inimigos, talvez não tenha sempre de ser assim. O futuro o dirá.
Nostrum, juntos para melhor
Na defesa do património ambiental
A Nostrum é uma associação sem fins lucrativos e independente, conseguindo sobreviver em tempos de crise com verbas próprias obtidas através dos projectos ambientais que desenvolve. Mantém, contudo um patamar de qualidade invejável na defesa do património ambiental, o que se comprova com o prémio CERN ganho em 2005 na Suíça (Genebra) no Festival Internacional "
Science on Stage. Science for Humanity" entre delegações de 29 países europeus e que decorreu no famoso Laboratório Europeu de Física de Partículas
.A Nostrum foi criada em 2003 e desde então já foi seleccionada por duas vezes para representar Portugal neste evento de divulgação das ciências, apadrinhado pela Ciência Viva, que pretende também estimular a troca de experiências inovadoras.
O nome da Nostrum foi sugerido pelo escritor
Luís Costa Pires, um caldense “por empréstimo”, que já publicou diversos livros entre os quais
Mandrágora e
Depois da noite. O nome deriva da palavra latina e significa “
de todos e para todos nós”. Daí ter sido considerado perfeitamente adequado aos objectivos pretendidos.
Apesar de a estrutura directiva ter dez elementos, a secretária, Mercês Sousa de Matos é a “
espinha dorsal“ da associação. Hoje, a Nostrum continua a ter uma importância significativa na sua área de intervenção, que se localiza na área costeira que vai de Peniche a S. Martinho do Porto, e na sociedade. Porém, a rede de “Sócios de Mérito”, que foi criada no início desta associação e de que fazem parte alguns professores universitários e autodidactas altamente conhecedores e apaixonados, tem possibilitado trabalhos cuja projecção é a nível nacional.
Com a sua criação, a Nostrum quis dar importância e preservar outros tipos de património que não os habitualmente falados e mais conhecidos da sociedade. Por exemplo o património geohistórico, de que faz parte, o Hospital Termal, o mais antigo da Europa, ou a Praia de Ribeiras d’Ilhas; o património biológico, como a descoberta da planta “Fissidens exilis Hedw”, uma espécie presente na “Lista vermelha dos Briófitos da Península Ibérica” (onde se encontram as espécies em maior risco de extinção), considerada extinta em Portugal e encontrada nas Caldas da Rainha pela Nostrum.

Esta associação pretende ao mesmo tempo informar e sensibilizar a população de modo a encontrar soluções para as falhas existentes. Dinamizou assim por diversas vezes a própria cidade das Caldas da Rainha ao desenvolver actividades na tradicional Rua das Montras, relacionadas com a visibilidade de alguns dos seus projectos. A Nostrum, durante todo o seu percurso, encarou diversos projectos em colaboração com as escolas, fundamentais para esta associação porque são uma fonte de verbas preciosa, aproveitando muitas vezes os anos comemorativos internacionais. Uma das actividades de maior sucesso nas escolas foi a Montagem da Estação de Vermicompostagem, proporcionando a realização de diversos workshops. A exploração do Parque D. Carlos I (o parque com maior diversidade arbustiva), e da Mata Rainha D. Leonor, (onde existem exemplares antiquíssimos, nomeadamente um pinheiro manso que deverá datar do tempo do tempo de D. Dinis – séc. XIII), devido à sua biodiversidade, têm sido muito importantes para esta associação. Por isso, estes locais têm também sido aproveitados na organização dos vários passeios gratuitos que a Nostrum faz pela região das Caldas da Rainha integrados na Ciência Viva no verão. Igualmente importante para esta associação é a Lagoa de Óbidos, sendo que em breve se poderá editar um livro sobre tal.
Apesar de a associação trabalhar com muitos voluntários e colaboradores de vários pontos do país, pois alguns deles quando vieram participar em palestras ou actividades decidiram apoiar e colaborar com a associação a longo prazo, a secretária Mercês Sousa de Matos, é a sócia mais activa, suportando ela mesma muitos dos projectos. Porém, ao ser questionada sobre os frutos do seu trabalho, afirma espantada: “Já os senti, e é sempre gratificante senti-los e vê-los”. E acrescenta “existiram situações, como os projectos que nós elaborámos para o prémio CERN, que apesar de serem projectos simples nós ganhámos, pois eram cientificamente correctos. Podíamos ter os nomes em latim dos musgos que expusemos escritos num “post it” amarelo, mas estavam corretíssimos!”.
Divulgando as suas acções também através do Facebook e de um site (ainda que desactualizado), a Nostrum mostra à sociedade que valoriza e estima o património ambiental, dizendo(-nos) que ele é de todos nós, mesmo sendo só por empréstimo durante o tempo em que nele vivermos. Por essa razão devemos preservar o que é nosso, quer em nossas casas, na escola ou no que nos rodeia.
Riba D’Ave: uma cronologia do desenvolvimento têxtil
O Desemprego, a tecnologia, e o desenvolvimento
Por Theobroma Cacao
Riba D’Ave, no concelho de Vila Nova de Famalicão, constitui um dos maiores marcos de desenvolvimento na região do Vale do Ave, cuja prova está patente na linha de horizonte desta vila, com fábricas amplas e a suas típicas chaminés. Todavia, esta vila tem vindo a sofrer, principalmente nos últimos 20 anos, alterações profundas no seu contexto social e económico cujos maiores expoentes são o elevado desemprego e as instalações fabris abandonadas.
Numa tentativa de decifrar a história desta vila, esta reportagem investigou a evolução da indústria têxtil, que remonta já desde o século XIX. E a pergunta que se levanta sempre que se fala em indústrias centenárias é e se elas acompanham a evolução dos tempos com uma evolução correspondente na tecnologia, assim investigou-se se existem indústrias de base tecnológica em Riba D’Ave. Para o efeito, entrevistou-se Dr. Joaquim Lima, responsável pela ADRAVE – Agência de Desenvolvimento Regional Do Vale do Ave, e visitou-se o Museu da Indústria Têxtil (MIT), situado em Vila Nova de Famalicão.
O Polo Industrial

Os vestígios da atividade fabril em Riba D'Ave
Desta forma, entende-se que Riba D’Ave é um típico polo industrial da região hidrográfica delimitada pelo rio Ave, o Vale do Ave, que começou a ser desenvolvido pela mão de Narciso Ferreira, em 1896.
Esta indústria desenvolveu-se ao longo dos anos e, com ela, desenvolveu-se a vila – Riba de Ave. Foi com o dinheiro da indústria têxtil que se iniciou a eletrificação de Riba D’Ave e o aparecimento das primeiras escolas e hospitais da região, dos quais se destacam o Hospital Narciso Ferreira e o Externato Delfim Ferreira, instituições que detém o nome de importantes empresários têxteis.
Esta evolução social e económica está bem patente no MIT, onde se encontram expostas algumas das mais primitivas máquinas têxteis mas, mesmo assim, já bastante desenvolvidas tecnologicamente. Assim, é de marcar que, apesar da ideia transmitida que a indústria têxtil é de baixa tecnologia, esta ideia não é de todo verdadeira. A indústria têxtil é uma das mais pioneiras do país: foi pioneira no uso de maquinaria pesada elétrica e uma das que mais cedo implementou a mecanização em quase todas as etapas da produção. Foi este forte investimento na mecanização que impulsionou o desenvolvimento desta indústria.

Uma das primeiras máquinas industriais utilizadas no fabrico de produtos têxteis, em exibição no Museu da Indústria Têxtil
O declínio e o desemprego

Dr. Joaquim Lima, Administrador-delegado da ADRAVE
Todavia, este desenvolvimento não se prolongou até ao presente, e a marca disso é o elevado desemprego nesta região e em todo o setor têxtil: o número de operários desceu de 210.000 em 2004 para 151.000 em 2010.
Segundo o Dr. Joaquim Lima, o elevado desemprego pode ser explicado pelo que diz ser uma reestruturação das empresas fabris. Afirma mesmo que “a indústria têxtil teve de se reconverter para acolher as exigências do presente: preços mais baixos e mais produção. E todas as empresas que não se conseguiram reconverter fechavam.” Foi esta seleção das empresas mais fortes e mais competitivas que determinou o encerramento de muitas PME’s cuja produção não conseguia competir com as grandes empresas da região.
Mas, numa estranha contradição, apesar do aumento do desemprego e das falências de unidades fabris, a indústria têxtil continua a ser uma das mais importantes da economia portuguesa, representando 10% das exportações que aumentaram (no sector têxtil, e em valor económico) 6,4% em 2010.
Esta contradição é, segundo o Dr. Lima, uma prova que ocorreu uma reestruturação eficaz e as empresas estão agora mais sólidas do que nunca.
Todavia, apesar do crescimento de 6,4% em 2010, o património industrial têxtil está ainda associado com alguns fatores negativos como más condições de trabalho, poluição e desemprego, o que “retira a atenção de tudo o que bom existe nesta região tendo um efeito repulsivo no que concerne a novos investimentos, pois ninguém quer investir numa vila qualificada por estes adjetivos negativos.”, acrescenta o Dr. Lima.
Uma saída para a crise
Questionado acerca da saída da crise e do futuro para Riba D’Ave, diz que “a saída da crise está precisamente no afastamento desta imagem negativa”. É preciso exportar a ideia de uma Riba D’Ave tecnológica e desenvolvida do mesmo modo que se exporta uma marca. E o que Riba D’Ave tem a seu favor é que nesta vila existem das fábricas mais desenvolvidas de todo o país, principalmente ao nível do design e marketing, áreas fundamentais na indústria têxtil, pois “na área têxtil ou se está na linha da frente ou se fecha”. E Riba D’Ave está na linha da frente, com linho e algodão que se diz serem os melhores da Europa e com exportações para grupos de qualidade, como a Zara, a Gant e a Fly London.
“Mas também é importante não esquecer a ligação ao passado”, adverte o Dr. Lima. A verdade é que a paisagem de Riba D’Ave está marcada pelos vestígios de uma indústria têxtil, principalmente pelas amplas fábricas abandonadas, “Riba D’Ave é um museu ao ar livre e isso deve ser aproveitado”. Se existem edifícios amplos abandonados, então aproveite-se esses edifícios, reconvertendo-os em edifícios com utilidade pública, como museus, como é o caso do MIT que ocupa um antigo pavilhão têxtil abandonado. Podem-se também aproveitar estas instalações abandonadas para a incubação de empresas (várias empresas partilham o mesmo espaço comum, diminuindo por esta razão os custos de manutenção do espaço para cada empresa) promovendo o desenvolvimento económico.

Edifício do Museu da Indústria Têxtil (reconversão de uma antiga fábrica têxtil)
“Assim - conclui o Dr. Lima – a saída da crise deve ser feita com um investimento no desenvolvimento de novas empresas, e a incubação de empresas é uma solução ótima para Riba D’Ave”.
Em resposta à pergunta levantada no início da reportagem, é agora óbvio que, embora coexistam em Riba D’Ave duas vertentes, uma da indústria pouco qualificada e outra da indústria mais qualificada, que exporta e que investe cada vez mais na Investigação e desenvolvimento dos produtos, existe uma clara tendência para que a segunda vertente suplante completamente a primeira, impulsionando o desenvolvimento e tecnologia em Riba D’Ave.
Videovigilância Digital
Saiba como esta tecnologia poderá melhorar a nossa segurança.
Por Correio do Protão
Criada com o intuito de “apanhar os maus da fita” estas câmaras ligadas a redes informáticas poderão em muito reduzir os furtos que se revelam comuns actualmente tal como nos revela Pedro Gray, director da empresa incumbida de instalar estes sistemas em múltiplas infra-estruturas: a Belmont®. Durante a nossa visita à empresa, este responsável mostrou à redacção dois tipos de câmaras: as analógicas e as digitais, sendo estas últimas destacadas por uma melhoria significativa na qualidade da imagem, podendo atingir 2 megapixéis de resolução, valor inalcançável nas câmaras analógicas.
Um pouco de História…
O sistema de videovigilância que é hoje utilizado (o
CCTV que significa
Closed Circuit Television ou CFTV em Português) teve a sua primeira utilização em 1942 com o propósito de monitorizar o lançamento de foguetões V2 na Alemanha durante a segunda guerra mundial e o responsável pelo seu design e instalação fora Walter Brunch. O primeiro sistema
CCTV comercializado foi o alegado
Vericon em 1949, acontecimento que teve lugar nos Estados Unidos. Pouco se sabe deste sistema excepto que não era necessária autorização governamental para a sua utilização. Mais tarde começou a ser utilizado para a monitorização das ruas com o objectivo de prevenir furtos. As primeiras câmaras a surgirem foram as analógicas que, ligadas a um cabo co-axial transferiam e armazenavam dados em cassetes, embora a qualidade de imagem e a velocidade do vídeo deixassem muito a desejar. As imagens apresentavam-se escadeadas pois só capturavam 4 frames por segundo e portanto se uma pessoa se estivesse a mover seria “
vítima de múltiplas distorções”. Mais tarde mesmo depois de vários avanços significativos no sistema analógico foi inventado o sistema digital, caracterizado por gravar os dados directamente num disco rígido e portanto com uma qualidade de imagem significativamente melhor, sendo que a resolução pode alcançar 320000 pixéis, permitindo simultaneamente um máximo de 30 frames por segundo.
Uma actualidade vigiada
Nos dias que correm a importância destes sistemas não decresceu, pelo contrário até aumentou consideravelmente. Para além de ainda permitir lançamentos seguros de foguetões (e certificar que estes não aterram nas vias públicas), esta tecnologia é também utilizada para prevenir furtos ou qualquer outro tipo de crimes. Como isto acontece? Muito simples: para além de ser propício a dissuadir assaltantes através de uma análise cuidadosa do vídeo, podemos encontrar possíveis provas e recriar a cena do crime para facilitar a procura e captura do criminoso.
A vigiar o futuro
Em Portugal esta tecnologia só pode ser utilizada em negócios onde se movimenta dinheiro e em residências privadas mas de futuro as vias públicas poderão ser vigiadas como em Inglaterra mas não se preocupe, pois o conceito de Big Brother não será aplicado. No futuro também se espera desenvolvimentos substanciais na telemedicina, no reconhecimento facial, melhoria na qualidade e definição de objectos, decréscimo dos preços dos aparelhos e maior interligação entre outros dispositivos electrónicos à sua disposição, onde uma visualização e controlo de câmaras através do telemóvel em tempo real demonstra apenas um vislumbre do que o futuro nos reserva nesta área.
Cortesia da Belmont
A Belmont garante que possa desfrutar do seu hambúrguer de forma tranquila durante a sua “estadia” no McDonald’s™ sem que o seu dinheiro acabe nas carteiras erradas e também possa abastecer o depósito da sua viatura sem ter que se preocupar em ser assaltado, não obstante terá que se preocupar mais com a sua aparência e não se esqueça de sorrir pois está a ser filmado.
Estuário do Mondego: as aves e o rio
Jovens realizam jornada de observação de aves no estuário do Mondego
Por Diário Nuclear

Gaivota-d' asa-escura em voo
São 7h16 da manhã e o Sol ainda mal despontou. Num voo rasante, uma gaivota passa por cima das nossas cabeças em direcção ao rio à nossa frente. Com os binóculos e o livro-guia conseguimos identificá-la: é uma gaivota-d’ asa-escura (Larus fuscus) da raça graellsii . Até agora, as gaivotas são as aves mais atrevidas da nossa jornada como observadores no estuário do Mondego, neste Dezembro frio da Figueira da Foz. Todas as outras aves, mais tímidas ou assustadiças, têm-se mostrado um desafio de observar ao perto. Aqui, junto ao porto comercial, avistando a Morraceira, as gaivotas imperam.
O estuário do Mondego
O estuário do Mondego localiza-se na zona costeira portuguesa a sul do cabo com o mesmo nome e estende-se desde a foz do rio até à foz da ribeira de Foja. A cerca de 7,5 km da foz do rio, a ilha da Morraceira interrompe o seu caudal, forçando-o a desdobrar-se nos braços norte e sul, que logo se encontram mesmo antes do Mondego chegar ao mar.
A observação de aves requer paciência, atenção e muita paixão por parte dos observadores. Ninguém sabe melhor o que é preciso para uma jornada de observação de aves no estuário do Mondego do que um observador experiente. É importante começar por fazer trabalho de casa: conhecer as espécies que vamos encontrar e saber como reconhecê-las, quer pelos cantos e chamamentos quer pela parte visual, como as cores, o comprimento e a envergadura.

Gaivotas em formação de voo
O planeamento atempado da jornada de observação é fundamental. Conhecer o terreno, o clima e os hábitos das aves a observar são grandes ajudas para não se perder um dia em vão. As condições meteorológicas condicionam o comportamento das diferentes aves. O amanhecer e o pôr-do-sol são os momentos de grande actividade por parte das aves. No estuário do Mondego, durante mau tempo no mar, as aves marítimas são forçadas a permanecer junto a terra, o que concede mais hipóteses de as avistar.
Já em campo é necessário encontrar o melhor local para assentar arraiais. Não perturbar as aves é obrigatório, tal como ter cuidado com as ilusões de óptica, que podem levar a erros na determinação da espécie. É importante estar com atenção aos chamamentos das diferentes aves, que podem ajudar na detecção de outras. Para nos auxiliar nas diferentes tarefas é fundamental utilizar um livro-guia ou, se possível, ser acompanhado por um observador experiente.
A aventura começa ainda antes do nascer-do-sol. O final de Outono na Figueira da Foz não é muito rigoroso, mas o frio faz-se sentir. No estuário do Mondego podemos encontrar cerca de 55 espécies de aves, espalhadas pelas diferentes zonas, que cobrimos em diferentes dias.
As aves do Campo

Cegonhas no ninho
Começámos pela zona a montante norte, nos campos de cultivo do arroz e do milho, junto a Lares. Encontramo-nos junto à fronteira entre a serra e o campo, por isso, a diversidade reina. Entramos pelos caminhos agrícolas, fazendo várias paragens ao longo deles. Assim que pousamos o material pela primeira vez, avistamos ninhos de cegonha-branca (Ciconia ciconia) nos postes eléctricos que cruzam os campos. Junto ao rio vemos garças-brancas (Egretta alba) com o bico amarelo à procura de alimento. Nas proximidades um bando de garças-reais (Ardea cinerea) também acaba de pousar e aguarda estaticamente para capturar os peixes que se aproximarem. Começamos a procurar no céu e, após algum tempo, avistamos uma ave a deslizar de asas levantadas. Com os binóculos, conseguimos identificá-lo como tartaranhão-ruivo-dos-pauis (Circus aeroginosus). Durante a jornada conseguimos ainda observar, com bastante dificuldade, aves de rapina como o peneireiro-vulgar (Falco tinnunculos) e o esmerilhão (Falco columbarius). Na zona plana e alagadiça, junto ao rio, só com muita destreza visual conseguimos distinguir o abibe-comum (Vanellus vanellus), a petinha-dos-prados (Anthus pratensis), a alvéola-branca-comum (Motacilla alba alba), o estorninho-preto (Sturnos unicolor) e a escrevedeira-dos-caniços (Emberiza schoeniclus).
A ilha da Morraceira: entre salinas e viveiros

Guarda-rios empoleirado em arbustos (cortesia de Nelson Afonso)
No segundo dia de jornada visitámos a ilha da Morraceira com as salinas e os viveiros de aquacultura. Assim que chegamos somos brindados com a presença do guincho-comum (Larus ridibundus) a sobrevoar as nossas cabeças. Entre salinas e viveiros de aquacultura encontramos o colorido guarda-rios-comum (Alcedo athis) empoleirado nos ramos de uma árvore, o borrelho-de-coleira-interrompida (Charadrius alexandrinus) e o borrelho-grande-de-coleira (Charadrius hiaticula) sempre acompanhados pelo pilrito-comum (Calidris alpina). Aparecem a andorinha-do-mar-anã (Sterna albifrons) rasando a água e a garça-branca-pequena (Egretta garzetta). Ao longo do dia, várias aves, desde os limícolas como o perna-vermelha-comum (Tringa totanus), passando pelos pernaltas como o perna-longa (Himantopus himantopus) e o alfaiate (Recurvirostra avosetta) com o seu curioso bico curvo, buscam alimento entre as parcelas da ilha. Porém, acabamos o dia sem conseguir avistar os flamingos-comuns (Phoenicopterus ruber).
O fim da Jornada
Os derradeiros pontos do nosso percurso situam-se na foz do Mondego. A norte, junto à cidade da Figueira da Foz, no porto comercial apenas avistamos a gaivota-de-asa-escura (Larus fuscus) e a gaivota-argêntea (Larus argentatus) e a actividade aérea da Morraceira; por isso, partimos para sul, onde junto à vila da Gala, o porto de pesca é alvo de constante frenesim entre gaivotas (Larus spp). Terminamos na praia do Cabedelo, onde acompanhados pelas sempre presentes gaivotas, vemos o pôr-do-sol. A jornada foi cansativa, mas o resultado impagável.

Gaivota-d' asa-escura junto ao porto comercial
Se por um lado a biodiversidade ao longo do percurso é riquíssima, por outro, a intervenção humana é bastante visível, sendo necessário proteger o ecossistema fluvial e estuarino. No ano de 2005, o estuário do Mondego, com os seus lodaçais, sapais e a ilha da Morraceira foi considerado Sítio Ramsar, no âmbito do tratado da Convenção sobre as Zonas Húmidas, sendo identificado pela SPEA como uma Área Importante para as Aves.
Arqueologia em Alcochete: Os Segredos que os acasos revelam
Registos do Paleolítico ao Período Romano
Por Scientificum vox
Foi através das palavras do Arqueólogo Miguel Correia que viajámos até ao passado da ocupação antrópica do concelho de Alcochete. Nas últimas três décadas, confirmou-se a ocupação do concelho em diferentes períodos da História da Humanidade através da descoberta de vestígios materiais em situações inesperadas.
No âmbito dos estudos de impacto ambiental da Ponte Vasco da Gama, em 1995, na zona prevista para a construção da estação de serviço, no sentido sul-norte, foram recolhidas “lascas e pedras talhadas”. Seguiu-se uma intervenção arqueológica “sobre as zonas de afetação”, no designado sítio da Conceição, a fim de “salvaguardar a informação”.
Os trabalhos realizados permitiram recolher vestígios da presença humana no local, que no passado seria “uma zona de praia” onde abundavam os seixos, “matéria-prima para a produção das ditas lascas e utensílios que serviam para cortar carne e peles, partir ossos e tudo o que fosse” relatou o arqueólogo.
Os instrumentos encontrados, “muito rudimentares e pouco desenvolvidos”, tinham assim funções básicas e pouco específicas no quotidiano do Homem de Neandertal. No entanto, dada a ausência de “estruturas associadas à ocupação”, tais como “pequenas cabanas e fogueiras”, não se conseguiu caracterizar o “modo de vida das populações da época”.
O arqueólogo acrescenta que “as características dos vestígios encontrados nas escavações” e o facto de se ter procedido “à datação através de termoluminescência” possibilitaram a confirmação da ocupação do concelho “no Paleolítico Médio, há 28 mil anos,” numa altura em que “o Homem era nómada e vivia da recoleção” pelo que “esta era uma região que teria abundância em bens alimentares”.
Mesmo sendo um sítio arqueológico de alguma importância, a construção da estação de serviço prosseguiu e este local está sob uma bomba de gasolina, situação que “não choca” Miguel Correia porque “está feito o trabalho necessário: este está caracterizado e registado. Se não pudermos dar uma nova funcionalidade aos espaços que eram usados antigamente estamos a ser um pouco fundamentalistas”.
“A Quinta da Praia, outro local de interesse arqueológico, foi identificado em 2004 aquando da actualização da carta arqueológica de Alcochete” informou-nos Miguel Correia. Os vestígios aqui encontrados diferem dos anteriores pois estão associados a “um tipo de tecnologia lítica bastante diferenciada”. Este processo de talhe da pedra, muito mais preciso e exato, está associado ao uso do sílex e remete para o Neolítico antigo, “período até então não identificado em Alcochete”.
Com o início da utilização dos novos e melhorados utensílios as populações ganharam “algum conhecimento sobre agricultura e pecuária, o que lhes permitia estabilizarem-se durante mais tempo num determinado sítio”, constituindo deste modo “comunidades sedentárias, que dominavam a natureza”.
A localização também foi importante na caracterização, já que “não é uma zona alta e está completamente desprotegida” logo “as comunidades eram pacíficas, pois não havia excedentes que levassem à criação de opulência, portanto não haveria conflitos entre populações” relatou o arqueólogo.
Desta vez menor quantidade de material foi recolhido e registado dado que não corre perigo de destruição, pois encontra-se soterrado num terreno agrícola.
Um outro local, denominado pelos populares por Porto dos Cacos, foi descoberto por um natural que, em 1983, informou a Câmara de Alcochete da existência de uma grande concentração de restos cerâmicos. O interesse arqueológico deste "estava perdido, esquecido, mas registado ainda na toponímia", porém “o sítio mereceu a intervenção do centro de arqueologia de Almada, tendo as campanhas decorrido entre 1984 e 1991”, contou-nos Miguel Correia.
“Alcochete deriva, nitidamente, do topónimo árabe al coçad - os fornos - pois uma produção oleira tão intensiva é sem dúvida caracterizadora e identificadora de uma região e fica, por isso, na memória durante séculos", disse-nos o entrevistado.
As escavações permitiram identificar “3 fornos romanos de produção de ânforas entre os séc. I e IV”. Estas eram depois “transportadas através da Ribeira das Enguias, hoje assoreada, até Cacilhas, Belém e outros locais da Baixa Pombalina, onde se produzia o Garum”, uma pasta de peixe que se armazenava dentro das ânforas para posterior distribuição pelo império. Facto já comprovado através da identificação da “marca do oleiro”, uma forma de assinatura, inscrita “na asa de ânforas encontradas em alguns pontos da Península Ibérica”.
A longa distribuição temporal e a produção em larga escala sugerem a ideia que este centro oleiro seria explorado por uma comunidade hierarquizada, em que os proprietários dos fornos chefiavam os operários, responsáveis por recolher madeira e argila, abundantes na zona, e fabricar as ânforas. Esta teoria assenta na “identificação de uma necrópole com 37 sepulturas” onde “se encontraram objectos associados a pessoas com alguma abastança” esclareceu o arqueólogo.
No entanto, algumas questões ficaram por esclarecer, de que é exemplo “um alinhamento de ânforas niveladas entre si em que o fundo está intencionalmente partido, mas para o qual não se conhece funcionalidade”. No sentido de garantir futuros estudos, o local foi “coberto com geotêxtil e tapado com terra”, método que o arqueólogo considera “o mais adequado para preservar estes sítios arqueológicos”.
No que diz respeito à proteção legal, o arqueólogo esclarece que “a Câmara de Alcochete e o centro de arqueologia de Almada solicitaram desde 1991 que Porto dos Cacos fosse legalmente classificado” o que se concretizou em junho passado. Classificado como sítio de interesse público está agora legalmente protegido, o que “é uma salvaguarda para um local que é uma referência no panorama da arqueologia romana em Portugal”.
Poderão mais acasos do presente desvendar outros segredos do passado?
Um Laboratório Chimico no Jardim
Exposição no Jardim Botânico
Mais de três mil peças, entre instrumentos científicos, material de professores, frascos e outras ferramentas laboratoriais na exposição denominada “Laboratório Chimico”, aberta ao público das 9h as 18h no Jardim Botânico (Museu de Ciência).
Visita Guiada
Exclusividade Lusitana
Portugal tem a extraordinária singularidade e privilégio de possuir, não um, mas três laboratórios químicos históricos, todos eles localizados em partes distintas do país: Laboratorio Chimico na Universidade de Coimbra (séc. XVIII),Laboratorio Chimico da Escola Politécnica, na Universidade de Lisboa (séc. XIX) e Laboratório Químico Ferreira da Silva, na Universidade do Porto (início século XX).
O laboratório e anfiteatro de Chimica da Escola Politécnica de Lisboa é, possivelmente, o único sobrevivente dos grandes laboratórios de ensino e de investigação das universidades europeias.Num primeiro impacto, o laboratório destaca-se pela sua beleza e atmosfera autêntica que invade os seus visitantes. Surpreende pela originalidade que tem, uma vez que apresenta não só um clássico espaço de ensino mas também uma extensa coleção de materiais e arquivos, possibilitando, assim, inúmeras abordagens da parte de quem o visita. Depois de uma análise mais aprofundada concluímos que a evolução deste magnífico espaço ao longo do tempo é muito relevante para a história da Química e do seu ensino, particularmente em Portugal.
Do Nylon ao Mar da Tranquilidade
Como chegou a bandeira à Lua?
Por Diário Atómico - Leonardo Moço; João Pandeirada; Diogo Tigeleiro; Professora Ana Cardoso

Sra. Maria Isilda, mostrando os jornais no qual apareceu devido à sua participação na elaboração da bandeira que foi colocada na Lua.
Desde tempos remotos que o Homem se interrogava sobre o para lá das nuvens, completamente inacessível. É certo que toda a gente tinha esta curiosidade e não apenas a classe erudita. Quando a história da ida à
Lua começou, toda a humanidade sentia que fazia parte desta aventura que iria marcar a História. De facto, houve muitas pessoas comuns que contribuíram para esta causa. Um exemplo disso é a
Sra. Maria Isilda, natural de Sosa, Vagos, que foi viver para New Jersey e trabalhou na Annin & Company (fábrica de bandeiras), na qual fez a maravilhosa tapeçaria que depois
Neil Armstrong e a sua tripulação colocaram na Lua, na missão
Apollo 11. “Só sabia que era para o governo; as coisas mais estranhas são para o governo” disse Maria Isilda, mas mesmo assim ligou o nosso país, de alguma forma, à empolgante aventura espacial.
A Ida à Lua em 16 linhas
A Sra. Maria Isilda, natural de Sosa, Vagos, fez a maravilhosa tapeçaria que depois Neil Armstrong e a sua tripulação colocaram na Lua, na missão Apollo 11. A evolução depende de todas as pessoas!“Um pequeno passo para o Homem, [e] um grande salto para a Humanidade”. Foi esta a frase que marcou a vida de toda a população mundial, e também a de Maria Isilda, que sentiu que fez parte dessa aventura magnífica.“Muita gente não sabe desta história! Nem sabem quem eu sou! Tudo bem!”
O Homem sempre se mostrou insatisfeito com o seu conhecimento; interessado naquilo que não sabia, no que lhe picava a curiosidade … com o objetivo de clarificar todas as suas dúvidas para perceber melhor a sua posição neste Mundo, com tudo para explicar. A evolução depende de todas as pessoas, pois a dúvida pode partir de qualquer um. E quem diz a dúvida, diz o trabalho porque, todos juntos, unindo ofícios e respetivas funções, é possível construir um novo mundo, escrevendo novas páginas de história. Por isso, o conhecimento é construção de toda a gente.
Foi para satisfazer esta curiosidade intelectual que o Homem, ao olhar para o céu, começou a interrogar-se! A ciência que tenta responder a essas questões é a astrogeologia, que é aquela que estuda outros corpos celestes, de forma a criar uma relação com o nosso planeta, e situá-lo neste vasto Universo, com um início especulativo, e um fim totalmente desconhecido. O Sistema Solar não é nem um átomo na ponta de um alfinete neste enorme espaço. Analogicamente, se o Universo fosse a nossa Galáxia, talvez o Sistema Solar seria um neutrão e a Terra um quark.
No século XX, é possível verificar grandes descobertas do espaço que permitiram a evolução do nosso conhecimento acerca do que nos rodeia e, por isso, da própria astrogeologia. Estas descobertas apenas se efetuaram pelos países com mais posses económicas. No período da Guerra Fria, os EUA e a URSS começaram a fazer pesquisas e a desenvolver o seu conhecimento científico e tecnológico, de forma a ganharem prestígio, ao serem pioneiros na descoberta do espaço. 3, 2, 1: que comece a corrida espacial!


É mais do que sabido que foi a tecnologia que permitiu a exploração espacial. No entanto a outra vertente é menos conhecida: também a exploração espacial permitiu o desenvolvimento de tecnologias. A Tecnologia é a Ciência em ação. A que é resultante da exploração espacial trouxe imensos benefícios para a Sociedade. Todavia não foram só esses instrumentos e as classes eruditas que participaram neste importante processo que continua e há-de continuar no futuro. Muitas pessoas contribuíram, nem que fosse unicamente para o gesto simbólico de colocar a bandeira dos EUA no Mar da Tranquilidade. Neste caso, a Sra. Maria Isilda é a premiada. “ Eu? Se contribuí para a conquista do espaço? [risos] Sinto, pelo menos, que participei nesta aventura e que, no mínimo, senti este processo de evolução do conhecimento científico do espaço.” Disse Maria Isilda, no decorrer da entrevista que lhe fizemos na sua casa de Sosa.No entanto, houve vários problemas neste processo e não foi mesmo um mar de rosas… Houve a morte de muitos aventureiros e o desperdício de investimentos milionários nesta aventura do espaço. Ficamos felizes por saber que, no meio de tanto desastre, a Sra. Maria Isilda está sã e salva! De todas as descobertas, destaca-se aquela que consideramos fulcral para o conhecimento do espaço: a chegada do Homem ao satélite natural do planeta terra, a Lua. De facto, os EUA decidiram apostar fortemente no conhecimento sobre o «cosmos» com um conjunto de iniciativas como o projeto Apollo. Mas afinal o que é o projeto Apollo? Um deus grego? Também, mas no século XX já é conhecido como o grande impulsionador da conquista do espaço. O projeto tinha como objetivo conhecer o solo lunar. Foi então que no dia 20 de Julho de 1969, Neil Armstrong e a sua tripulação pisaram o Mar da Tranquilidade, onde colocaram a bandeira americana feita por Maria Isilda. Lá estava ela nos EUA, quando se deu “um pequeno passo para o Homem, [e] um grande salto para a Humanidade”. Foi esta a frase que marcou a vida de toda a população mundial, e também a de Maria Isilda, que sentiu que fez parte dessa aventura magnífica, ao bordar … perdão, ao findar a bandeira norte-americana que era estampada. “Eu já expliquei isso! A bandeira não era bordada, mas sim estampada. Eu só a findei! [risos] ”.O seu trabalho é que permitiu que esse gesto simbólico ocorresse. Vejam lá, americanos, a Lua é de todos! Maria Isilda de Almeida Costa, que em Portugal fora professora de agricultura, emigrou para os EUA, aos 20 anos, sem ter conhecimentos de inglês. A Annin & Company “é uma das maiores empresas de bandeiras no estado de New Jersey. Fazia bandeiras para todo o Mundo e para o Governo.”. A bandeira foi feita de fibra de vidro, um material fino e maleável, com um lucro de 0.85€ por hora. Talvez quando chegarmos a Júpiter, as costureiras hão-de receber mais!A história já é velha, mas Maria Isilda, nada vaidosa desse trabalho, sente-se orgulhosa quando a relembram. No entanto “será que ela ainda lá está? Muita gente acha que tudo isto é mentira!”, mas nos dias de hoje, com a ciência tão evoluída como está, pensar dessa forma é algo ridículo que não encaixa no contexto científico atual. Qualquer dia, as nossas comunidades estão instaladas no planeta vermelho. Ninguém vai poder duvidar disso, a não ser que a vida seja totalmente um sonho!

Sra. Maria Isilda e Diário Atómico!
“Muita gente não sabe desta história! Nem sabem quem eu sou! Tudo bem!”
Um museu plural formado nos seus locais históricos
Por BioGaz
No passado dia 23 de novembro, a BioGaz- A Gazeta da Biologia efetuou uma privilegiada visita a dois núcleos do Ecomuseu Municipal do Seixal: ao núcleo central, a Mundet, e ao núcleo do Moinho de Maré de Corroios. Acompanhados pelos funcionários encarregues pelos núcleos a fim de realizar uma reportagem sobre o ordenamento de território e espaços históricos no conselho.
O Ecomuseu Municipal do Seixal é um museu polinucleado que preserva o património dos locais mais emblemáticos do concelho. É constituído por vários espaços:
- o Núcleo da Mundet,
- o Núcleo do Moinho de Maré de Corroios,
- o Núcleo Naval,
- as Embarcações Tradicionais do Tejo,
- o Núcleo da Olaria Romana da Quinta do Rouxinol,
- o Núcleo da Quinta da Trindade,
- a extensão do Ecomuseu na Antiga Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços,
- a extensão do Ecomuseu na Quinta de São Pedro
- e a recente extensão do Ecomuseu no Espaço Memória - Tipografia Popular do Seixal.
Selecionámos como objeto de trabalho a Mundet e o Moinho de Maré de Corroios.
CORTIÇA – DO SEIXAL ATÉ À NASA
A Mundet é uma antiga fábrica de cortiça que laborou entre 1905 e 1988. Adquirida pela Câmara Municipal, apresenta atualmente ao público duas exposições distintas:
- uma móvel que engloba máquinas e fotografias da antiga fábrica e uma explicação do processo utilizado na transformação da cortiça;
- uma fixa constituída, no Edifício das Caldeiras. Tivemos oportunidade de entrar neste espaço onde a cortiça era cozida e colocada no auto claves (fase de preparação). Este local serviu posteriormente para secar a cola das rolhas de cortiça das garrafas de champanhe. Aqui a cortiça chegava em vagonetes sobre carris e era colocada em tanques de água. As caldeiras aqueciam-na através de vapor conduzido por tubos, ficando assim pronta para ser cortada, escolhida e contada. Esta tinha vários fins: rolhas, papel de escrita, calendários, papel para filtro de cigarro, lã de cortiça (almofadas), marroquinarias (peças de vestuário, malas e sofás) e até revestimento para naves espaciais para a NASA (foi um dos clientes da Mundet durante o período laboral) devido às suas características especiais: é leve, um bom isolante térmico e um ótimo isolante sonoro. Tudo isto (imagine-se!) há 100 anos atrás, o que fazia da Mundet na altura uma das “joias da coroa”.
MARÉS (AINDA) VIVAS
Farinha, mas não só
A área envolvente do moinho, uma zona importante de fauna e flora, proporciona estudos sobre diversos tipos de aves: algumas chegam a percorrer milhares de quilómetros (viajam da Islândia até Portugal, o que traz especialistas estrangeiros até ao Moinho de Corroios), em menos de dois dias. Essas aves são capturadas apenas durante alguns minutos, para que seja possível fazer a sua identificação. Uma curiosidade: quando os especialistas procederam à sua identificação, encontraram uma ave que já tinham identificado há sete anos…na Irlanda.
O nosso itinerário estendeu-se até outro núcleo do Ecomuseu: o Núcleo do Moinho de Maré de Corroios, destinado a outro tipo de produção: a moagem de cereais para produção de diversos tipos de farinha e o descasque de arroz.
Com a sua construção em 1403, por iniciativa de Nuno Álvares Pereira, este moinho laborou desde então até ver terminada a sua vida de moinho ativo. A Câmara Municipal adquiriu-o, sendo hoje um edifício ligado à exposição e informação e é o único moinho de maré operacional na zona do Tejo. Após 600 anos de funcionamento e obras de conservação e reabilitação, integrou o Ecomuseu do Seixal, com localização no sapal mais húmido do concelho.
Esta localização única, com o objetivo essencial de aproveitar a energia das marés, mostra a importância deste espaço enquanto património raro e indissociável da história do concelho e, até mesmo, da história de Portugal, nomeadamente na época dos Descobrimentos.
Procurámos entender os princípios do seu funcionamento. No local, o funcionário José Meias auxiliou-nos, com a explicação de todo o método de trabalho com particular destaque para o papel do moleiro.
O moinho de maré é movido pela força das marés sendo que, na sua subida, a água abre espontaneamente a comporta, e é acumulada na caldeira. Ao contrário do que parece, é a descida das marés que proporciona as condições ideais para que se desenrole o processo de moagem, relativo a dois ciclos por dia (duas marés baixas e duas marés altas). A água é libertada, através de vários canais que promove o movimento das rodas hidráulicas, transmitido às mós, através de um sistema de engrenagens.
Cada engenho contém duas mós. O movimento contínuo da mó colocada por cima de uma outra, promove a moagem das sementes, como pudemos verificar no local. Estas reduzem as sementes a farinha e cascas que são posteriormente separadas pelo moleiro com uma peneira. O processo era finalizado com a recolha da farinha que era colocada em sacas a fim de ser distribuída.
Após a visita a dois dos principais núcleos do Ecomuseu, conseguimos compreender a importância que o Seixal teve e tem no nosso país, sendo a Mundet e o Moinho de Maré de Corroios apenas dois (bons) exemplos disso mesmo.
Nos núcleos visitados tivemos grande apoio de todos (Ana Isabel, na Mundet, José Meias, no Moinho e outros funcionários) que se mostraram sempre disponíveis e nos facultaram documentos que contribuíram para o nosso trabalho (folhetos, um vídeo e outro material informativo). Como a visita foi marcada previamente, todos eles sabiam qual o nosso objetivo, isto levou a, não só conseguirmos uma privilegiada visita (o facto de sermos só três também ajudou), como também a sermos tratados por “os jovens jornalistas”.
O que faz falta... é limpar a mata!
Por Marta Dinis, Rita Rosa e António Freire
António Ramos e Elisabete Constante iniciaram em 2007 a ideia Clean Biomass, um mecanismo inovador que aproveita a biomassa arbustiva para criação de energia. O projecto começou por nascer numa garagem e foi em Setembro o vencedor do prémioInovação EDP Richard Branson Visão.
“A ideia surgiu da necessidade de desenvolver um sistema de limpeza de zonas após incêndio ou em abandono, não existindo qualquer solução.”, explicou-nos António Ramos, engenheiro mecânico da Universidade de Aveiro. Esta máquina que o casal desenvolveu, a Clean-R, é um género de uma escavadora que permite não só a limpeza de arbustos (como silvas, tojos e giestas) e pequenas árvores, mas também o aproveitamento da biomassa recolhida, algo que não é contemplado nos sistemas existentes. Para além disso, é capaz de chegar a terrenos acidentados e com obstáculos, o que, a par com a questão do aproveitamento do “lixo” extraído, fazem da Clean-R um equipamento único e inovador.
O trabalho de um equipamento destes é semelhante ao arranque manual de ervas e o custo do serviço estima-se entre os 250 e os 300€ por hectar. A matéria resultante sofre então processos de uniformização e perda de tamanho, de modo a ser utilizada como fonte de calor e produtora de energia eléctrica renovável. Este processo é já bem conhecido: “a queima da biomassa gera calor, esse calor pode evaporar água e depois fazer rodar uma turbina a elevada velocidade”. No que diz respeito à rentabilidade, António Ramos esclareceu que “podemos considerar 98% renovável, pois vamos utilizar cerca de 2% dessa energia em todo o processo.”

António Ramos na entrega do prémio EDP Inovação 2020 Richard Branson Visão.
E como apenas nos parecem surgir vantagens desta invenção, perguntámo-nos: quando vamos ter Clean-R’s em acção? Ora, o casal começou por ter a ideia, em finais de 2007, o projecto arrancou e “o protótipo de conceito já está em funcionamento desde 2010, a realizar pequenos testes de funcionamento”, parecendo, por isso, bem encaminhado. E ainda que, por enquanto, Elisabete Constante e António Ramos não tenham apoios, como este nos explicou, “porque essas coisas não são fáceis quando se tem apenas a ideia…”, o prémio Inovação EDP de 50 mil euros já permitiu o arranque do projecto com a construção de uma ferramenta e deu também a conhecer ao público esta ideia e os temas subjacentes: a importância da limpeza dos matos para diminuir o risco de incêndios e a necessidade de recorrer a fontes de energia renováveis.
Numa perspectiva futura, António Ramos contou-nos que “o objectivo para 2012 é conseguir um número de dez equipamentos Clean-R em funcionamento, mas para isso teremos de ter o primeiro a funcionar até Março” e em 2013 esperam recolher o equivalente a 60 000 barris de fuel provenientes da biomassa arbustiva.
O projecto Clean Biomass distingue-se, pois, como uma ideia inteligente e com pernas para andar. Responde a necessidades económicas, energéticas e ecológicas, ou seja, é algo que faz falta.
A Figueira quer um pólo de Ciências do Mar?
Por Débora Monteiro, José Rodrigues e Rita Batista
Para o atual executivo camarário figueirense a criação de um pólo universitário orientado para as Ciências do Mar constitui um desígnio pelo qual se vai bater durante o mandato, por considerar ser uma mais-valia para o concelho e para os figueirenses.
A Figueira da Foz, terra de gentes desde sempre ligadas ao mar, tem agora a pretensão de criar um Pólo de Ciências do Mar, em associação com as Universidades de Coimbra e de Aveiro. Terá este projeto um futuro promissor? Quais serão as mais-valias para a cidade?
Os figueirenses, desejosos de que cidade que os viu nascer seja valorizada, apoiam esta ideia e anseiam por desenvolvimentos. No entanto, a crise não se mostra aliada deste projeto e preveem-se tempos difíceis para a Câmara Municipal, principal defensora do mesmo.
Desde sempre a História de Portugal esteve ligada ao mar, constituindo este o território nacional com maior expressão. Portugal possui soberania sobre uma extensíssima área marítima, correspondente a cerca de 18,7 vezes a área terrestre nacional. Paradoxalmente, se no passado os Portugueses, grandes navegadores, centralizaram o poder no domínio dos mares desconhecidos, no presente, o mar tem vindo a ser desvalorizado.
Como afirmou no dia 15 de novembro de 2011, no Casino Figueira, o Doutor Tiago Pitta e Cunha, numa conferência sobre “O uso do mar”:
“No Estado Novo, o mar foi um fator essencial ao seu desígnio político primordial: a manutenção do império ultramarino. Depois de afastado esse desígnio, com o 25 de Abril e com a adesão europeia, o mar foi dispensado das grandes opções políticas e económicas nacionais. Por isso, ainda hoje somos marcados pela ideia de que o mar é sinónimo de «passado» e, assim, continuamos a virar-lhe as costas”.
É neste contexto que a Figueira desempenha um papel determinante. Mantém a marca de "Rainha da Costa de Prata", graças às suas praias extensas e a ser um destino de férias bastante conceituado. Os desportos náuticos (surf, bodyboard, vela, remo, entre outros) revelam um crescendo de desenvolvimento no concelho, apresentando a Figueira a onda mais extensa da Europa. Já foi um dos principais portos nacionais, acolhendo embarcações vindas dos quatro cantos do mundo. Todas as madrugadas, os últimos pescadores da “nossa cidade” saem das nossas praias, rumo ao mar, numa tentativa de perpetuar a atividade piscatória figueirense.
Contudo, apesar de todas estas valências, não existe no momento nenhum suporte universitário nesta cidade - a Universidade Católica e a Universidade Internacional suspenderam indefinidamente as suas atividades letivas. No contexto nacional, apenas a Universidade do Algarve e a de Aveiro proporcionam aos estudantes o curso de Ciências do Mar. Também para a Universidade de Coimbra seria importante apresentar este curso.
Assim, consideram os figueirenses ser muito importante a existência de um ensino pós-secundário, orientado para o conhecimento do mar. Com esta aposta, a cidade pode voltar a ganhar vida e o seu potencial pode ser reconhecido.
A este propósito, o Presidente da Câmara, João Ataíde das Neves, defende que a Figueira, na qualidade de cidade altamente prestigiada pelo mar, é, sem dúvida, o local ideal para um Pólo das Ciências do Mar. Diz ser de “aproveitar o facto de a Figueira ter todas as potencialidades para a exploração das ciências do mar.” Acrescenta que “o objetivo é manter a população e a cidade com um nível de massa crítica, de forma a que os jovens figueirenses consigam encontrar aqui uma ocupação profissional.” Reforça a ideia de que “há sempre necessidade de ter aqui um entrosamento entre a potencialidade do concelho, a população de jovens em formação e as empresas.”
Quando questionado sobre o envolvimento de outras entidades, o Presidente afirmou estar a desenvolver este projeto em colaboração com a Universidade de Coimbra, salientando, contudo, que se outras Universidades ou Institutos Politécnicos apresentarem propostas que respondam a este objetivo, serão todas bem-vindas.
Está agendada para janeiro uma audiência entre o Presidente da Câmara e o Reitor da Universidade de Coimbra, que tem o objetivo de apresentar soluções práticas.
Por seu turno, o Coordenador Portuário do porto da Figueira da Foz, Joaquim Sotto Maior, quando questionado sobre o assunto, afirmou que o porto sairia beneficiado, contrapondo, no entanto, que a falta de verbas pode inviabilizar esta pretensão. Realçou ainda que o parceiro natural seria a Universidade de Coimbra.
Ouvidos alguns jovens da comunidade escolar, do ensino secundário, estes defendem que seria importante a criação de uma unidade universitária orientada para os estudos do mar, para que pudessem prosseguir o seu percurso universitário na sua cidade, já que esta apresenta inúmeras valências neste campo. Cursos como Biologia Marinha, Zootecnologia, Engenharia Zootécnica e Ciências do Mar, aparecem entre as preferências de alguns dos entrevistados.
E porque é que a Figueira quer um pólo das ciências do mar?
Segundo o Presidente da Câmara, João Ataíde: “Porque é aqui que faz sentido”.Coruche – Uma viagem à Pré-história
O vasto montado de sobro de Coruche, um paraíso ribatejano perfumado pela giesta e pelo alecrim, foi outrora habitado por civilizações antigas de agricultores e pastores, numa fase de sedentarismo, que nos legaram um valioso espólio.

Este espólio, localizado no extremo sudeste do concelho de Coruche, é composto por várias antas, orientadas para o nascer do sol e constituídas por um corredor e uma câmara funerária. Nestes monumentos funerários as pessoas eram enterradas em posição fetal e com alguns bens, que, segundo as suas crenças, simbolizava a passagem para uma nova vida. Estas antas são caracterizadas por possuírem uma configuração uterina, em que o defunto com o nível hierárquico superior era sepultado no centro, enquanto os familiares eram sepultados no seu corredor. Tudo isto era desempenhado pelo Homem devido às suas crenças na vida depois da morte. Ele acreditava que, tal como nascia da sua mãe biológica, iria depois de sepultado nascer para a Mãe Terra. Estas construções requeriam um enorme esforço físico exercido apenas por alguns homens, uma vez que nesta época se começaram a formar as diferenciações sociais. Era, em primeiro lugar, escavado um fosso, em seguida, eram colocadas lages de pedra a forrar, posteriormente, era tapado com uma pedra na horizontal e era construída a mamoa, uma cobertura em terra. Consoante a importância social de cada indivíduo, as antas eram construídas com diferentes tamanhos. Segundo a professora Nélia Gaspar, o concelho de Coruche foi escolhido por estes povos devido à sua densa rede hidrográfica, fator propício à agricultura. Nesta região também existem alguns afloramentos graníticos, fornecendo matéria-prima para as antas e cistas (pequenas sepulturas de pedra de forma retangular utilizadas para enterramentos individuais) mas, no entanto, muitas das pedras utilizadas foram deslocadas até ao terreno de locais distanciados entre 30 a 40 km.
O Museu Municipal de Coruche desenvolveu um estudo destes monumentos, estando em exposição grande parte do espólio recolhido, e elaborou um roteiro. No entanto, não é possível um exame muito aprofundado, visto que as escavações dos anos 30, dirigidas pelo Professor Manuel Heleno (à época diretor do Museu Nacional de Arqueologia), se apoiavam num método precário comparado com o atual, o que dificulta a interpretação de alguns achados e conduz à perda de informação. De acordo com o Doutor Dionísio Mendes, presidente da Câmara Municipal de Coruche e licenciado em História, as escavações atuais têm um grande rigor científico nas quais, inclusivamente, se fazem sondagens electromagnéticas, com o propósito de analisar o subsolo em redor das antas, de modo a descobrir os locais exatos onde se encontram os objectos. Em 1930, porém, o Professor Manuel Heleno contratava trabalhadores que cavavam o terreno ao acaso e sem qualquer cuidado, para depois retirarem os achados. Apenas pontualmente o diretor se deslocava a Coruche onde recolhia as peças mais significativas, sem acompanhar a escavação e, só após a análise dos objetos, tirava anotações e elaborava uma representação visual de cada um.
A exposição patente no Museu Municipal de Coruche exibe peças emprestadas pelo Museu Nacional de Arqueologia, que estiveram durante muitos anos encaixotadas. Na verdade, o Museu não tinha acesso aos cadernos do Professor Manuel Heleno, o que inviabilizava o conhecimento do local de onde tinham sido retiradas os achados, pois era neles que se encontravam os códigos que relacionavam cada peça com a respetiva informação. Segundo a Doutora Cristina Calais, diretora do Museu Municipal de Coruche e autora do livro “Monumentos megalíticos do concelho de Coruche”, só após um acordo oficial com a família do investigador se puderam aprofundar os estudos deste conjunto megalítico e, só então, foi possível a elaboração desta exposição, na qual o espólio se encontra dividido por cores, coincidentes com as que foram atribuídas a cada percurso do roteiro megalítico publicado pelo Museu.
Infelizmente, existem muitas dificuldades de acesso às diversas antas, uma vez que muitos destes monumentos têm apenas acessos em terra batida, alguns mesmo alagadiços, o que condiciona a realização de alguns percursos, sobretudo em condições climatéricas adversas. Por outro lado, as visitas apenas podem ser feitas com aviso prévio, pois é necessária a existência de coordenação entre os turistas, o Museu, os proprietários e a Fencaça, de modo a não perturbar o quotidiano das herdades e para que sejam abertos os vários portões que dão acesso às diferentes antas.
De acordo com a Doutora Cristina Calais e o Doutor Dionísio Mendes, o Museu e a Câmara Municipal irão ainda tentar construir uma vedação com acesso direto às antas de Coruche, para que estas possam ser visitadas pelos turistas sem ser necessário um controlo tão rígido por parte das entidades envolvidas. Estas vedações seriam construídas em parceria com os proprietários de modo a não causar incómodos na vida dos caçadores e proprietários.
O megalitismo em Coruche não é um conjunto de meras construções. O conjunto de placas de xisto, báculos e vasos decorados evidencia uma vertente social e religiosa muito marcante. Os monumentos servem de ligação entre o espaço dos mortos e dos vivos, em que os mortos representavam as raízes e a ligação ao mundo. Estas construções fazem parte integrante da paisagem que as envolve e constituem espaços de memória dos antepassados e locais de culto que podem recuar até há cerca de 6000 anos.
Este povo, para quem a Terra – Deusa Mãe – tinha um forte significado, ensina-nos a questionar e a refletir sobre as nossas atitudes perante a Mãe Natureza, conduzindo-nos ao desenvolvimento sustentável e a um mundo melhor!
Já existe Universidade Sénior em Vieira do Minho
Alunos do 10ªA da EB/S Vieira de Araújo saíram em visita de estudo para conhecê-la!
Por PaCiência'News

10ºA em visita à Universidade Sénior de Vieira do Minho

"Os visitantes" na sede da Universidade

A aula de TIC que os "jornalistas" interromperam...

O Grupo Coral da Universidade Sénior de Vieira do Minho
No passado dia 6 de Dezembro, os alunos do 10ºA da Escola Básica e Secundária Vieira de Araújo, acompanhados pelo director de turma e pelos professores de Matemática e Biologia e Geologia , percorreram a pé cerca de um quilometro,distância que separa a escola da Universidade Sénior de Vieira do Minho.
"População portuguesa a envelhecer..."
De acordo com os dados do INE
(Instituto Nacional de Estatística), o número de indivíduos com 65 e mais anos, por cada 100 indivíduos com idade dos 0 aos 14 anos – índice de envelhecimento – passou de 115, em 2008, para 118, no ano de 2009. Os Índices demográficos com base nas projeções da população (2010-2060) evidenciam, por um lado, a continuação do envelhecimento da população e, por outro, uma baixa no índice de renovação da população em idade ativa até 2040.
Perante um cenário em que a terceira idade se torna cada vez mais representativa e reconhecendo um conceito muito atual de educação ao longo da vida, as Universidades Sénior merecem especial destaque.
A Universidade Sénior de Vieira do Minho está sediada na
Casa Museu Adelino Ângelo (antiga
Casa de Lamas), assim denominada desde o passado dia 17 de Julho, em homenagem a um dos maiores artistas plásticos do mundo.
Num espaço acolhedor e decorado com grandes obras de pintura, incluindo a Exposição permanente do próprio Adelino Ângelo, a Vereadora da Educação esclareceu os visitantes, fornecendo inúmeros detalhes relevantes. Foi possível averiguar que esta Universidade dedica-se especificamente a seniores com mais de 50 anos, mas é ainda muito jovem em termos de existência. O projeto iniciou-se em Março de 2011, por iniciativa da própria Câmara Municipal, com o objetivo fundamental de valorizar uma aprendizagem ao longo de toda a vida, contribuindo para o bem-estar dos mais velhos, no sentido de se sentirem úteis à comunidade e, sobretudo, evitar o isolamento dos mesmos. Os custos são financiados pela Câmara, incumbindo aos alunos apenas o pagamento de um seguro escolar, no valor de 5 euros anuais. Os professores são todos voluntários.
Para frequentar esta Universidade, não são exigidas habilitações literárias mínimas, aceitando-se inclusive analfabetos. Atualmente, estão inscritos 70 alunos, organizados por disciplinas ou, em alguns casos, por turmas. O currículo disponível é diversificado, incluindo Matemática, Informática, Inglês, Alemão, Psicologia, Expressão Dramática, Expressão Musical, Artes Decorativas, Grupo Canto Coral, Danças, Musicoterapia e mesmo Alfabetização de Adultos. A Universidade vai atraindo gradualmente novos alunos, não só do concelho, mas também de áreas limítrofes.
A crise parece afetar também esta instituição, pois para disponibilizarem novas áreas no currículo escolar destes alunos, seria necessário mais recursos, inclusivamente espaço. A título de exemplo, a Vereadora referiu a possibilidade de abrir a disciplina de Expressão Plástica que, atendendo ao contexto da casa Museu Adelino Ângelo, faria todo o sentido. Não obstante, é uma área que exige materiais dispendiosos, para os quais seria necessário verbas adicionais e que, de momento, não dispõem.
No momento em que foi realizada esta visita, decorria uma aula de Informática. As novas tecnologias rejuvenesciam olhares direcionados no professor da disciplina. Nada parecia mais importante do que aquele momento frente a frente com um monitor…
Foi necessária uma dose adicional de coragem para interromper a aula. Contudo, auscultar diretamente os interessados neste projeto foi, sem dúvida, muito enriquecedor.
Rosa Figueiredo tem 61 anos e é natural de Lisboa. Após a reforma, veio viver para Vieira do Minho. Habituada ao dinamismo da capital, a paz do campo tranquilizava-a em demasia. Sentia necessidade de uma ocupação. Foi questionando a Câmara, até que surgiu esta oportunidade. Abraçou-a com enorme prazer.
Marino Henriques, 66 anos, residente em Braga, faz desta Universidade um bom passatempo. A residência em Braga não constitui qualquer entrave, pois, tal como diz, ao referir-se à Universidade, “ganhamos conhecimento, já temos um bocado de experiência, mas ninguém sabe tudo…”. Acrescenta, ainda, a importância dos novos amigos e a possibilidade de aprender Informática. Os convívios extra-aula, como piqueniques ou a visita a Fátima, são também um dos seus pontos de interesse. Refere-se de forma muito particular à Universidade, definindo-a como uma oportunidade que “nada mudou, mas acrescentou”.
Arminda Mangas, também com 66 anos, refere a divulgação via rádio e jornais da terra como forma de ter tomado conhecimento acerca desta Universidade. Salienta com entusiasmo “Adoro! Foi das melhores coisas que aconteceu na minha vida porque mudei de rotina, porque tenho muitos amigos, tenho outros saberes, aprendi coisas que nunca pensei saber, nunca tinha pegado num computador na vida e já sei enviar e-mails, criar pastas, pesquisar na internet…”
O Grupo Canto coral parece desafiar também o interesse dos seniores e, de facto, é a atividade que mais divulga esta instituição. Afinados, vão surgindo em público, dando voz a gerações que devemos valorizar, não só pela riqueza da experiência, como pela ternura que dissipam no ar.
Com iniciativas destas, é possível constatar que (citando Ribeiro Dias, 2009), a educação de adultos é apenas mais uma etapa de um processo contínuo, de educação ao longo da vida, assente no princípio de que nunca ninguém chegou a saber tudo e nunca ninguém ficou a saber nada…
O desenvolvimento da ciência e aspectos éticos
Duas faces da mesma moeda
Por Science in Move
No dia 15 de Dezembro, a equipa de reportagem do jornal “Science in move” deslocou-se até à Escola Superior de Saúde de Viseu (ESSV) com o intuito de divulgar a importância da Ética na investigação assim como a actuação das comissões éticas perante investigações realizadas pelos alunos que frequentam esse instituto de ensino. Um dos elementos mais importantes desta comissão é a Professora Ernestina Silva, doutorada em bioética e professora nesta escola, permitiu-nos conhecer de forma concreta o papel das comissões éticas nas investigações.
Acerca de Ernestina Silva
Ernestina Silva é doutora em bioética pela Universidade Católica Portuguesa e professora coordenadora na Escola Superior de Saúde de Viseu sendo Presidente da Comissão Ética da Escola. O seu contributo no discernimento em ética é notório, tendo tido um papel mais activo na formação dos estudantes ao nível da licenciatura e mestrados em enfermagem pois que é regente das disciplinas de Ética e Bioética destes cursos, mas também tem dado algum contributo para a reflexão ética em congressos e em publicações.
Ciência e Ética
No senso comum, a ciência é entendida como “a resolução de todos os problemas” e a ética como “um catálogo de proibições” conceitos algo antagónicos. No entanto, a Prof. Ernestina refere que não é essa a noção que justifica o interesse actual da ética. De facto, perante determinadas situações, em que a tomada de decisões ou atitudes impõem uma ponderada justificação, a ética ao evocar o respeito pela dignidade do ser humano, surge como um imperativo. Impõem-se, por exemplo, quando nos preocupamos com a liberdade e autonomia do outro em vez da sua manipulação: pela falha na informação ou esclarecimento; pela verdade em vez da dissimulação; pela honestidade em alternativa à corrupção; ao que é justo em vez do que é injusto; ou mesmo o respeito pela vida em oposição à morte. Talvez por isso alguns atendam que a ética condiciona, mas não estaremos todos de acordo em que são necessárias proibições quando os fins em vista ultrapassam os valores morais e direitos fundamentais? Lembremos as atrocidades cometidas ao longo da história da humanidade contra os indefesos, os pobres, os mais vulneráveis…por as mais variadas razões.

Science in Move e Prof.ª Ernestina Silva
As questões éticas alastram a vários domínios, muitas vezes, de difícil relação entre si. A solução passa pelo diálogo multidisciplinar que se observa, por exemplo, nas comissões de Ética.
Sendo o ser humano, favorecido no que toca à liberdade e à escolha na sua vida, pode optar pelo bom, conveniente para si, frente ao que parece ser mau ou inconveniente. Devemos ser prudentes e procurar adquirir um “saber viver”, tendo em conta não só a existência da nossa vontade mas de um conjunto de vontades e necessidades, essa arte de viver bem é aquilo a que se chama ética.
Existe uma complexidade de interesses envolvidos, os do investigador, do promotor, e mesmo da ciência, e para que, os interesses económicos ou de outra índole não prevaleçam sobre os interesses do sujeito envolvido na investigação, diz a Prof. entrevistada. O “desassossego” face aos potenciais riscos eleva a importância da ética.
A investigação científica poderá pôr em causa princípios universais, sendo que os riscos dessa mesma investigação poderão ser superiores aos seus benefícios. Neste sentido, importa consciencializar, alertar, debater e ajudar a formar opiniões suportadas por princípios éticos e, para o qual intervêm pessoas como Ernestina Silva que contudo afirma “Nem tudo o que é ciência é ética.”.
Os interesses e bem-estar dos indivíduos, sobrepõem-se aos interesses da ciência e os benefícios resultantes de uma investigação deverão ser partilhados, “Quem investiga procura, descobre e aumenta o conhecimento, mesmo se referente a um universo muito restrito e, só por si, a investigação é ética. Depois vem a divulgação dos resultados e conclusões da investigação e que é também um preceito ético pois que quem faz uma investigação e arruma na gaveta não respeita o outro.”, segundo a professora. Mas a professora lança ainda uma outra questão: “Será que toda a investigação é Ética?”
Será indispensável convocar a consciência do investigador e apelar a princípios como a igualdade, a justiça, a equidade e a solidariedade; uma vez que a ciência se desenvolve no contexto de uma sociedade é necessário ter em atenção os “meios de fazer ciência”. A professora nomeia alguns aspectos importantes para fazer investigação como sejam: “não diminuir ou prejudicar a liberdade e dignidade das pessoas, a originalidade em oposição ao plágio e que infelizmente tem ocorrido ao nível académico, a verdade e honestidade em oposição ao inventar ou falsear dados, entre outros.”
Relação Ciência/Ética

Science in Move e Prof.ª Ernestina Silva
Deve existir uma relação “saudável” entre Ética e Ciência para que uma complemente a outra por oposição à redução que muitas vezes se faz, da ciência à ética ou da ética à ciência.
Caberá à ética questionar os fins de determinada investigação e os meios utilizados para atingir esses fins. Será objectivo da ciência estudar, alargar o conhecimento e assegurar o avanço da ciência a todos os níveis: Biologia, Medicina, Farmacêutica, masorientando as suas investigações de forma a cumprir com os direitos dos indivíduos e da sociedade.
“Sensibilizar e contribuir para a construção de uma opinião esclarecida e preocupada em defender e respeitar a dignidade humana na investigação” são os principais objectivos não só de Ernestina Silva mas também da Ética e de muitas outras personalidades que com o seu contributo têm levado ao cumprimento da Ética.
UniPSa - Instituição Portuguesa Reconhecida Internacionalmente
Por SPA Informativo
Uma instituição, em que os portugueses são os melhores, tem como objetivo favorecer a sociedade.
A UniPSa – Unidade de Investigação em Psicologia e Saúde, existe desde 19 de Junho de 2007 e desenvolve a sua atividade no Instituto Superior de Ciências da Saúde – Norte, titulado pela CESPU (Cooperativa de Ensino Superior, Politécnico e Universitário).
A missão central com que a UniPSa surgiu foi a de desenvolver investigação na área da Psicologia e das Ciências da Saúde ao mais elevado nível internacional, durante um período de quatro anos. Como tal, desde o início, esta instituição de renome científico, tem tentado privilegiar a psicologia cognitiva, experimental, forense, da saúde e outras ciências, de forma a poder avaliar, prevenir e intervir em problemas daí derivados.
Neste momento, existem dois grandes grupos de trabalho, o grupo de “Psicobiologia” e o grupo de “Risco e Resiliência”. Dentro deles, exploram-se três grandes projetos: “Luto e Trauma”, “Cuidados Paliativos” e “Crianças com um Período Curto de Vida”.
Uma vez que também se pretende estabelecer novas relações internacionais, no sentido de aumentar a criatividade e promover o intercâmbio, há projetos que têm estado a ser cumpridos em parceria com outros países, inclusive Angola, sobretudo no que diz respeito ao apoio à depressão pós-natal.
A UniPSa envolve investigadores ligados à CESPU na área da Psicologia, doutorados e não doutorados, nomeadamente alunos, na sua maior parte de mestrado. Paralelamente, conta ainda com a colaboração de investigadores de outras Universidades europeias. Deste modo, desenvolvem-se competências de investigação através da inclusão de jovens investigadores na Unidade e difunde-se a cultura científica aqui produzida em contextos nacionais e internacionais, esperando transformar a UniPSa num centro de investigação atrativo para a comunidade científica, em geral.
Esta Unidade de Investigação tem perseguido os mais elevados padrões éticos, científicos e sociais, estando consciente da sua responsabilidade na promoção desses valores. Como tal, entende que a primeira e maior vantagem da sua existência se dirige à própria instituição e aos seus alunos, pois estes aumentam a sua produção científica, alcançam bons locais de estágio, vislumbram as implicações práticas e a aplicabilidade do seu trabalho, assim como o divulgam com maior eficácia. Por outro lado, quem muito fica a ganhar é a comunidade. Neste caso, pode-se referir que a região norte passou a ser ainda mais forte na área da saúde por influência da UniPSa, visto que de há quatro anos a esta parte foram introduzidos psicólogos nos centros de saúde, provando-se a sua mais-valia.
Que farei com esta trilobite?
Tão pequena e simultaneamente tão grande.
Por «Entropia News»
Mudando a visão da comunidade científica acerca do passado e promovendo a do futuro, a recente descoberta em Mação de uma nova espécie gigante de trilobite do género Panderia permitirá um maior conhecimento da história longínqua moldada na rocha, atuando como passaporte que possibilita uma viagem no tempo para um período da história da Terra ainda anterior à presença dos dinossauros: o Ordovícico.
Regredindo cerca de 450 milhões de anos deparar-nos-íamos com um mar primitivo repleto de seres primitivos, onde sobressaíam os artrópodes, animais invertebrados caracterizados por possuírem membros rígidos, articulados, com vários pares de pernas, muitos deles hoje extintos, como é o caso das trilobites, parentes afastados dos atuais crustáceos, que constituem um dos grupos com maior longevidade e diversidade de formas. Este fóssil possuía um corpo dividido em segmentos recoberto por uma carapaça quitinosa mineralizada, com débeis articulações na zona da caixa toráxica entre os seus diversos segmentos, que lhe permitiam enrolarem-se em resposta a alterações bruscas no ambiente ou face ao perigo.

Trilobite e respetivo exosqueleto (Créditos: cortesia do Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado no Vale do Tejo)
Ao longo do seu crescimento as trilobites sofriam várias mudas, descartando sucessivos exosqueletos, tal como sucede com os artrópodes atuais. Desta forma, um único organismo pode ter dado origem a vários fósseis. Em média, as trilobites atingiam entre 3 a 10 cm de comprimento, embora se conheçam restos fósseis com dimensões entre 2 mm e 86 cm.

Exemplar recolhido pela «Entropia News»
Com ampla distribuição geográfica e pequena repartição estratigráfica, diversas espécies de trilobites são usualmente conhecidas por serem bons fósseis de idade, sendo que cada espécie, de entre as cerca de 20 mil estimadas, teve um período de vida relativamente curto, permitindo datar as rochas em que se encontram. Embora não se tenha um conhecimento exato sobre as causas que, há cerca de 250 M.a., levaram à sua extinção, encontramos frequentemente em rochas do Paleozoico os seus restos fossilizados, ligação única do presente com esse período de tempo longínquo, compreendido entre os 540 e os 250 milhões de anos antes do presente.
Muitas das rochas que hoje constituem as serranias e os campos de Mação, concelho rural localizado no centro do país, seriam os sedimentos do fundo de um mar ordovícico gélido e pouco profundo por onde deambulavam trilobites das mais variadas espécies, de entre as quais aquelas cujos nomes específicos homenageiam respetivamente a riqueza do município e da região, Eoharpes macaoensis e Actinopeltis tejoensis.

Local onde foi encontrado o exemplar da Panderia n.sp. de 5 cm
A rocha, onde foi encontrado este exemplar de Panderia, em Mação, formou-se na plataforma marinha do antigo continente Gondwana, remetendo-nos para a realidade de muitas das rochas que hoje formam a Península Ibérica se terem formado muito próximo do Polo Sul.
Esta zona geográfica, núcleo de grande riqueza rupestre e paleontológica, recebe com frequência atividades de campo de grupos da Universidade de Trás-os-Montes (UTAD) e foi na sequência de uma destas visitas, em parceria com o Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado no Vale do Tejo, coordenada pelo Professor Artur Sá, que resultou a descoberta daquele que viria a ser um achado científico de relevância internacional - uma Panderia n.sp. de 5 cm.

Exemplar de trilobite Panderia (Créditos: cortesia Prof. Artur Sá)
As espécies de trilobite do género Panderia viviam preferencialmente em águas de temperaturas amenas, nas zonas equatoriais onde se formaram as rochas que hoje existem na Escandinávia e nos países bálticos e normalmente não excediam o centímetro de comprimento. Com uma morfologia que permite distingui-la da maioria das espécies encontradas na região de Mação, a trilobite agora encontrada, que atingiu em vida cinco vezes o comprimento tido como comum para a sua espécie, possui um cefalão (cabeça) e um pigídio (cauda) de tamanhos similares e uns olhos grandes.
Segundo o Professor Artur Sá, contactado por via eletrónica e telefónica, as razões para o anómalo tamanho do exemplar em questão são “essencialmente razões paleoambientais, que demonstram uma possível adaptação evolutiva”. Acomodando-se a temperaturas inferiores àquelas em que por norma os seus congéneres habitavam, este espécime poderá ter desenvolvido, em consequência do mesmo, uma maior dimensão. Este fenómeno está bem documentado entre os artrópodes marinhos e é conhecido por “gigantismo polar”.
Tendo em consideração o ambiente marinho compreende-se a relativa facilidade com que as trilobites fossilizaram. Depositando-se inertes, rapidamente eram seladas por camadas de sedimentos de grão fino. O afundimento dos estratos expôs os sedimentos e o seu conteúdo a pressões crescentes, permitindo a sua diagénese que culminou na formação de rochas sedimentares compactas. As trilobites fossilizaram de diversas formas nestas rochas, desde moldes a mineralizações de indivíduos completos. Tudo isto decorreu durante um longo tempo geológico, suficiente para expor que estas rochas tenham feito parte de uma cadeia montanhosa já desaparecida – Montanhas Variscas – e se tenha transformado nos xistos fossilíferos que abundam na região de Mação, mantendo assim aceso o “espírito” das trilobites.

Entrevista ao Prof. Oosterbek
Nas palavras do Professor Luiz Oosterbeek, diretor científico do Museu, “Esta é uma importante descoberta, a qual irá reverter informação científica sobre o conhecimento do passado”, e tem planos, como referiu à «Entropia News», “Trata-se de um exemplar único, merecedor de um espaço de destaque, com visibilidade no Museu. Iremos, com certeza, encontrar o local adequado para a expor.” Atualmente a trilobite encontra-se em estudo na UTAD, mas irá incluir-se no espólio do Museu, podendo ser fator de incremento de visitas, polo de interesse para o mesmo e até para o próprio concelho.

Na busca de trilobites
Percorrendo montes e vales, sujando as mãos na terra fértil do concelho aproxima-se passado e presente. Na busca constante do conhecimento da história insere-se a descoberta desta nova espécie do género Panderia. Ainda com reduzida projeção, perspetiva-se para breve um maior conhecimento desta espécie e de novas descobertas acerca do ambiente e das condições em que viveu. Embora dificilmente se obtenham respostas a partir da análise de um só fóssil, de um só táxon, resulta desde já que este é mais um grupo a ser integrado na paleodiversidade existente na época, colaborando assim para a perceção da vida na Terra nesses tempos tão longínquos.
IPATIMUP – Instituição Portuguesa na vanguarda da Europa
Enquanto indivíduo conhece a sua base genética? O IPATIMUP dir-lhe-á!
Por A voz da ciência
O Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) é uma associação privada, sem fins lucrativos, de utilidade pública, criada em 1989. Enquanto laboratório de investigação e pesquisa está associado ao Ministério da Ciência e do Ensino Superior desde 2000.
O seu grande objetivo passa pela tentativa de compreender as causas e a evolução de patologias humanas, especialmente na área da oncologia (cancro), de forma a aí se poder fazer um diagnóstico precoce; maximizar a eficiênia dos pacientes e reduzir a incidência destas anomalias nas populações. Na tentativa de concretização deste amplo objetivo, o IPATIMUP tem alargado a sua investigação da oncologia até à genética das populações. Como tal, tem interagido com diversos domínios científicos, desde a Medicina, a Biologia, a Genética, a Farmácia ou a Biofísica.
A genética das populações pode ser definida como o ramo da genética que lida com a descrição de valores observados ou inferidos através das características hereditárias das populações ao longo do espaço e do tempo. Assim, o grupo de investigadores, dentro do IPATIMUP, que lida com esta temática visa, especificamente, a compreensão da origem e evolução da diversidade genética humana, das suas consequências e aplicações, assim como a caracterização genética de populações ditas normais e dos seus perfis de suscetibilidade à doença. Isto requer o desenvolvimento de ferramentas de análise descritiva e formal e de técnicas adequadas a segmentos específicos do genoma.
Entre as populações estudadas tanto constam as humanas (portuguesas, sul-americanas e africanas), como as não humanas (fungos, nemátodes e animais domésticos).
Todas estas pesquisas levam, obrigatoriamente, a deslocações e parcerias internacionais. Todavia, não obstante esse esforço, o IPATIMUP foi considerado um dos mais notáveis laboratórios de investigação de Portugal e da Europa.
Para divulgar a instituição e o que nela é feito, o IPATIMUP tem desenvolvido o intercâmbio com outros países europeus, americanos e com os PALOP. Paralelamente, tem mantido uma relação forte com o Brasil. Para além disso, também desenvolve a Portugaliae Genetica há já quinze edições.
No domínio da educação e formação, o IPATIMUP tem encontrado parceiros em conjunto com o IBMC e o INEB, assim como com várias faculdades da Universidade do Porto, com o Hospital de S. João, O IPO (Porto) e alguns Centros de Pesquisa/Institutos das Universidades do Minho, Aveiro e Coimbra.
Assim, quem mais pode usufruir de todo este labor é a comunidade científica e educativa, pois explora os seus conhecimentos teóricos e ganha lugares de estágio para a sua aplicação prática. Paralelamente, qualquer cidadão ou a saúde pública, em geral, e os doentes e seus familiares, em particular, também beneficiam dos resultados alcançados pelo IPATIMUP.
Do meio de um frenesim urbanístico, do ponto alto da industrialização mundial, nasceu um sonho. O sonho de algo diferente e inovador. Um grito de revolta contra a desvalorização de espaços verdes em detrimento das grandes obras da indústria. Nasceu o Parque da Paz.
A ideia surgiu num movimento pós 25 de Abril em 1975, sem quaisquer fins lucrativos, o que torna esta iniciativa ainda mais nobre. Um grande esforço económico e uma enorme dedicação tornaram assim possível este local de convívio e lazer que continua a atrair pessoas das mais variadas idades. As opiniões são unânimes: “Maravilhoso”, “Espectacular”, “Faz-me lembrar os meus tempos de criança”. Estas foram as palavras mais ouvidas por nós, quando interrogámos os visitantes, muitos deles quase “habitantes permanentes” do parque, numa das nossas visitas ao local.
Trata-se de um espaço descodificado, ou seja, não tem qualquer restrição nem objetivo. Cada pessoa escolhe o que quer fazer dentro das normas de segurança e preservação do espaço.
Encontra-se em construção desde 1995, tendo neste ano sido recebidos 1 milhão de metros cúbicos com vista à modelação do talude da auto-estrada, e a conclusão das obras ainda não está prevista: tal como mencionado pelo Professor Doutor Sidónio Pardal (arquitecto paisagista) “Pode demorar cerca de 40/50 anos, pois é este o tempo aproximado do crescimento das árvores”.
Estão, nesta altura, a ser adicionados mais 8 hectares aos actuais 60 já cobertos pelo “grande pulmão de Almada”.
Apesar de ser um espaço verde, a zona do parque foi paga como zona de cariz urbanizável. Isto, adicionado ao acréscimo causado pelas alterações ao código de expropriações, equacionou um total de 5 milhões de contos (25 milhões de euros), um valor que, apesar de extremamente inflacionado em relação ao que originalmente se pensava, não levou a um abandono do projecto. O executivo municipal permaneceu lutador, sonhador e determinado em concretizar esta magnífica obra que hoje se apresenta perante nós. A construção do Fórum Almada veio, depois, amortizar grande parte do montante inicial.
A Diversidade
Uma das atitudes louváveis da gerência do parque é que a mesma escolhe não explorar os fins económicos que poderiam provir da venda dos bens produzidos naturalmente neste espaço, como ficou bem claro na entrevista que tivemos com a engenheira Cristina Glória.
A fauna e flora do Parque da Paz consistem, maioritariamente, em arbustos, árvores e animais característicos da zona mediterrânica.
No que toca às espécies arbóreas, observam-se essencialmente pinheiros, sobreiros e oliveiras. No estrato herbáceo destaca-se a abundância de papoilas, jacinto-dos-campos e trevos-dos-prados, enquanto que nos arbustos são predominantes os medronheiros, cujo fruto é fortemente apreciado, a aroeira e as estevas.
Um facto curioso é que a mata do Vale do Chegadinho, devido à sua beleza e consistência natural, não foi alvo de remodelações por parte da equipa de arquitectos paisagistas do Parque da Paz, sendo assim apresentada integralmente como existia antes da inauguração do espaço.
Em termos de fauna, é importante salientar o facto de que todos os animais que podem ser observados no parque foram atraídos naturalmente pelo grandioso espaço verde. Não foram inseridas quaisquer espécies que não existissem já naquele ambiente, visto que qualquer desequilíbrio no ecossistema poderia causar distúrbios incontornáveis nos animais que actualmente partilham uma vida harmoniosa neste habitat. Esta foi mais uma das ideias reforçadas pela dedicada engenheira Cristina Glória durante a nossa reunião.
O local onde se pode observar uma maior diversidade de espécies de todo o parque é o lago: desde aves como patos, gansos e cisnes, passando por répteis como lagartos, tartarugas e cobras, até insectos como abelhas, mosquitos e vespas; a zona do lago é incontornavelmente bela e apelativa. Além da beleza inerente a este espaço, o lago serve também como bacia de retenção. Isto permitiu evitar cheias que anteriormente afectavam a região de Almada de uma forma eficaz e económica.
A determinação dos constituintes geológicos do parque foi dificultada pelos inúmeros movimentos de terra que tiveram lugar, podendo neste capítulo destacar-se apenas os pórticos de xisto e granito espalhados por todo o parque.
Um lugar acolhedor, cheio de vida e de luz, onde temos sempre vontade de voltar, seja para passear, meditar, correr, pensar, ou simplesmente… estar.
Paixão, determinação, esperança. São estes os valores que se encontram por detrás da construção do Parque da Paz. Com amor nasceu, e com amor ele vive. Este amor é intemporal.
A voz do (Zé) Povinho
TV Caldas, um reflexo da cidade via Web
Por O Núcleo Informa

Logótipo da TV Caldas
“A ideia não surgiu, já existia, estava era guardada na gaveta. Pegou-se na ideia e começou-se a desenvolvê-la”, disse Patrícia Santos, que coordena a TV Caldas em parceria com Rogério Rebelo, responsável pelo Centro da Juventude das Caldas da Rainha. Este projeto é uma aposta da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, cujo principal intuito é dar a conhecer a um público cada vez maior e mais diferenciado, através de uma plataforma Web, eventos culturais, personalidades locais e novos projetos.
O que é?
A equipa é constituída por onze colaboradores, dos quais apenas dois, Patrícia Santos e Mara Pereira, trabalham a tempo inteiro. Os restantes elementos trabalham como freelancers, dos quais fazem parte um motion designer, responsável pelo grafismo e genéricos, dois repórteres de imagem e seis repórteres que também fazem a redação das notícias. Segundo Patrícia, a TV Caldas criou parcerias com várias escolas da região "de forma a procurar a colaboração das camadas jovens"
Com pouco mais de dois anos de existência, a TV Caldas criou parcerias com algumas associações e comerciantes, de forma a divulgar os seus produtos. Além disso, estabeleceu protocolos com várias escolas da Região, como a Escola Secundária c/3ºCiclo de Raul Proença, a Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste e a Escola Superior de Artes e Design.
Apesar de a TV Caldas ser ainda um projeto local e em expansão, tem um programa de apoio a jovens até 35 anos de idade, contribuindo com um valor de 100€ mensais para a realização de vídeos que serão posteriormente exibidos no seu site. Esta iniciativa é extremamente importante, pois ajuda jovens, em início de carreira ou com uma paixão por jornalismo e tecnologias, na sua formação prática e revelação ao público.
O que faz?
Além das reportagens informativas, a sua grelha de programação conta ainda com projetos semanais ou quinzenais, alguns dos quais são realizados por alunos das escolas mencionadas anteriormente. “São todos programas pensados por nós e somos nós que os realizamos”, realçou Patrícia.
Por exemplo, “Cozinha Comigo!” é um programa no qual todas as semanas se convida uma personalidade caldense para confecionar um prato numa das cozinhas da Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste. Além de dar a conhecer personalidades da nossa cidade à população imigrante, ajuda a dinamizar o comércio tradicional, devido ao facto de os ingredientes serem comprados apenas em lojas deste tipo de comércio. Em parceria com esta escola existe ainda outro programa, “Brinda Comigo”, no qual são feitos dois cocktails, um alcoólico e outro não alcoólico, por um convidado da TV Caldas.
Para divulgar os eventos desportivos da região neste espaço online, criou-se “Caldas Desportiva”, um programa que surgiu devido à grande procura de exposição por parte das associações e grupos desportivos, através de entrevistas com os atletas e o público. De forma a destacar aqueles que se distinguem no panorama nacional e internacional, é exibido um programa mensal intitulado “Caldas Talentos”.
Num outro formato, a TV Caldas desenvolveu “Histórias da Minha Terra”, um programa em forma de documentário que visa dar voz à pessoa mais velha ou mais carismática de cada freguesia, a partir de um desafio colocado pelo Vereador da Juventude da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, Dr. Hugo Oliveira, e no âmbito do projeto Agenda 21. Ambiciona-se assim conhecer as freguesias junto às “gentes da terra”.
Quanta tecnologia está por detrás?

Ana Rita Pancada e Kenny Augusto "em acção"
A tecnologia envolvida no projeto, tanto em relação às filmagens, como a nível da edição e divulgação, é muito simples. Munidos apenas de uma câmara de filmar HD e um microfone, foi assim que encontrámos dois dos repórteres freelancer da equipa, Ana Rita Pancada e Kenny Augusto, durante uma entrevista a uma banda feminina das Caldas. “Trabalho como repórter freelancer, o que quer dizer que, sempre que precisam de mim, telefonam e eu, se tiver disponibilidade, apareço para ajudar”, explicou Ana Rita, jornalista e redatora da TV Caldas.
Depois das filmagens, os vídeos gravados em cartão SxS são convertidos, através de um leitor de cartões, para o computador. Segundo Patrícia Santos, para o corte, colagem e montagem dos vídeos, que é feita “conforme a peça é indicada pelo jornalista”, é utilizado o AdobePremiere, um programa relativamente simples de edição.
Posteriormente, os vídeos são exportados em formato FLV, tendo como destino a plataforma Web. Uma vez que são colocados no site TV Caldas, o tamanho das reportagens vídeo tem de ser reduzido, “com três ou quatro minutos no máximo, e dentro desse tempo temos de dizer tudo o que queremos dizer ao público”, esclareceu Patrícia, acrescentando que “a tecnologia é essa, não tem quase nada que saber”.
A voz do (Zé) Povinho
TV Caldas, um reflexo da cidade via Web
Patrícia afirmou que “a plataforma Web era a única maneira possível na altura de fazer a divulgação dos acontecimentos e eventos da nossa cidade, e continua a ser”
Além de ser o mais visto da região, contando com cerca de 200 visitas diariamente (dados Google Analytics), em pouco mais de três meses, o site da TV Caldas subiu no ranking mundial em mais de quatro milhões de lugares, sendo a maior subida registada de sempre. Assim, tornou-se cada vez uma melhor aposta no que diz respeito à publicidade de diversas associações comerciais, sendo esta uma das suas maiores fontes de financiamento, além do apoio da Câmara Municipal das Caldas da Rainha.
Assim, apesar de ainda ser um projeto em expansão e que dispõe de modestas instalações e tecnologia, a TV Caldas está a ganhar cada vez mais visibilidade a nível nacional, pretendendo atingir novos horizontes.

Centro da Juventude das Caldas da Rainha, onde se localiza o pequeno escritório de que a TV Caldas dispõe
PROFORBIOMED
Produção de energia a partir da biomassa
Por Astrolábio estudantil
«A equipa de investigadores do Centro de Investigação em Ciências do Ambiente e Empresariais (CICAE) do Instituto Superior Dom Afonso III (INUAF) trabalha há já algum tempo nas áreas de energias alternativas, recuperação de áreas degradadas e, entre outras, emconservação da natureza. Neste âmbito, quando fomos convidados a integrar o grupo de parceiros internacionais, que se estava a constituir, para formalizar este projecto na Bacia do Mediterrâneo, ficámos muito entusiasmados, pois teria muita relação com os objectivos do CICAE.». E foi assim que o INUAF, sediado em Loulé, se juntou a mais cinco países mediterrânicos (Espanha, França, Itália, Grécia e Eslovénia) para em conjunto formar o projeto PROFORBIOMED. Este projecto visa «desenvolver e valorizar a biomassa florestal residual para a produção de energia», segunda as palavras de Inês Duarte, coordenadora deste projeto em terras algarvias. O projeto foi elaborado durante o ano de 2010, mas o seu início foi em Março de 2011, pois era necessária a aprovação de financiamento do Programa MED, que no total cobre 75% das despesas do PROFORBIOMED. Os outros 25% são de origem privada e pública, na medida em que os parceiros do projecto sejam entidades privadas ou públicas, respectivamente. Os parceiros em Portugal são o Instituto Superior Dom Afonso III, a ALGAR- Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos, SA - e a Autoridade Florestal Nacional (do Algarve). Foram criados seis grupos de trabalho. Um faz a gestão e a coordenação geral do projecto, outro divulga os resultados através de conferências ou publicações. Um terceiro grupo ocupa-se de tentar identificar os constrangimentos legais, económicos e sociais que possam estar na origem do não aproveitamento da biomassa florestal (matéria viva, neste caso o material lenhoso que costuma ser retirado ao sistema florestal quando são feitas podas e limpezas). O estudo do potencial da biomassa (como a medição calorífica ou a aplicação na indústria farmacêutica ou na perfumaria) é o objectivo de outro dos grupos. Esta biomassa pode ser utilizada para a produção de energia térmica e eléctrica. A energia térmica para aquecimento de pequenas unidades e a energia eléctrica para utilização geral. A ideia é recolher o material lenhoso deixado nas florestas das regiões do Algarve e do Alentejo, proceder à sua incineração e, consequentemente criar energia elétrica a partir do calor produzido. Este processo trará grandes vantagens não só a níveis ambientais, mas também económicos. Haverá lucro para os para os proprietários das florestas, ou pelo menos não terão de pagar a despesa relativa à limpeza da sua zona. Segundo a investigadora Inês Duarte «Se houver lucro haverá interesse em gerir bem a floresta e será desenvolvido um mercado que ligue produtores e consumidores, com criação de empregos e novas actividades». A criação de emprego é um outro sumarento fruto que pode ser originado. Apesar de grandes vantagens, existem também alguns pontos negativos nomeadamente a emissão de gases poluentes para atmosfera aquando da queima dos resíduos. Interessa por isso, também referir que o projecto integra estudos de minimização dos potenciais impactes que possam ocorrer através da exploração deste recurso. «Pretende-se identificar qual é a quantidade que os sistemas regionais podem produzir de forma sustentável, as melhores épocas de recolha com vista à menor interferência na flora, na fauna e no solo, ou seja estamos muito interessados em encontrar um equilíbrio de exploração que permita a manutenção e saúde dos ecossistemas, sem que se caia no extremo da sobre-exploração. Estão também a ser desenvolvidos estudos acerca de usos alternativos para a biomassa florestal, de forma a alargar o leque de utilizações deste recurso e maximizar os impactes positivos no tecido sócio económico regional.», explica Inês Duarte. Embora, se pretenda «aproximar as horas de produção às de consumo e aproximar também a fonte geradora de energia do consumidor», Inês Duarte afirma que «A quantidade de energia térmica, ou eléctrica a produzir será insuficiente, mesmo com a ajuda das outras "energias limpas", para que possamos substituir os combustíveis fósseis.», dizendo ainda que«Desde há séculos que esta biomassa florestal é utilizada, individualmenteno quotidiano das famílias rurais. No entanto, os tempos modernos trouxeram outros meios confortáveis de aquecimento, cozinha, coberturas, etc. e os materiais de limpeza da floresta deixaram de ser necessários . A limpeza da floresta passou a ser feita apenas para salvaguarda da sua produção de madeira ou de cortiça... Os proprietários das florestas têm grandes despesas quando fazem a manutenção/limpeza florestal. Se houver um novo uso para estes materiais, então os proprietários podem ter alguma compensação pelo serviço que estão a prestar ao ambiente. Limpam a floresta, minimizam o risco de incêndios e podem vender os materiais resultantes destas operações. ».
O programa, a implantar apenas no Algarve e no Alentejo, será desenvolvido ao longo de três anos. Como se pode ver, apesar de alguns efeitos menos positivos, que se estão a tentar minimizar, há grandes vantagens que este projeto nos proporciona, como, a limpeza das nossas florestas, a prevenção de fogos, criação de emprego, gerar lucro aos proprietários, entre outras. Podemos assim verificar que este programa só nos vai beneficiar a todos, bem como ao nosso meio natural, que é a nossa casa e que temos de preservar a qualquer custo, caso contrário ficaremos sem espaço para viver e sem recursos naturais que permitem o nosso estilo de vida. Parabéns a todos os envolvidos neste projeto tão empreendedor e amigo do ambiente!
Patologia Social de Abel Botelho.
Por Botelhojornal
Abel Acácio de Almeida Botelho, nascido a 23 de Setembro de 1855 na vila de Tabuaço, foi um militar de excelência que muito fez pelo nosso país.
Devido à morte de seu pai, Abel Botelho deu entrada no Real Colégio Militar, onde obteve medalhas em todas as cadeiras de curso, e sendo no último ano comandante do Batalhão colegial.
Iniciando-se na carreira das armas como simples soldado raso foi galando os mais altos postos do exército, tendo chegado a coronel.
Em 16 de Abril de 1881, casa com D. Virgínia de Alcântara Pinto Guedes de Vasconcelos, não tendo havido filhos do matrimónio.
Abel Botelho foi também um ilustre pintor, possuindo uma paleta muito rica.
Dedicou-se à Patologia Social, que é um conjunto de cinco livros escritos por Abel Botelho. O primeiro é “Barão de Lavos”, é um romance que aborda explicitamente a homossexualidade, “O Livro de Alda”, um romance dedicado à juventude, “Amanhã”, um romance de carácter social, “Fatal Dilema” o quarto romance dedicado a D. Teodolinda Vieira e “Prospero Fortuna”, dedicado ao Dr. José Manuel Ribeiro.
Fora da série Patologia Social o autor também realizou as seguintes obras: “Mulheres da Beira”, dedicado a Delfim de Brito Guimarães (poeta e amigo), “Germano”, “Claudina”, “Os Vencidos Da Vida”, “Jucunda”, “A Imaculável”, “Sem Remédio”, “Os Lázaros” e “Amor Crioulo”.
Morreu na Argentina, durante a Primeira Guerra Mundial.
Realizámos cerca de 30 inquéritos no Concelho de Tabuaço sobre a sua vida e importância na terra em que nasceu.
Foram feitas as seguintes questões:
1. Conhece Abel Botelho?
a. Se sim, o que conhecia dele?
2. Sabia que ele está relacionado com a escolha das cores da bandeira portuguesa?
3. Sabe onde Abel Botelho está sepultado?
a. Se sim, onde?
4. Sabe qual foi a profissão de Abel Botelho?
a. Se sim, qual foi?
Depois de realizarmos o tratamento de dados, constatamos que na primeira questão 63.33% dos questionados conheciam Abel Botelho e 36.66% não.
Na segunda questão 20% sabia que o escritor estava relacionado com a escolha das cores da bandeira portuguesa, porém 80% não sabia.
Na terceira questão 100% da população não soube responder.
Na quarta questão 46.66% dos inquiridos tinham conhecimento da profissão de Abel Botelho e 53.33% não sabia a sua profissão.
Na última alínea foram dadas como respostas as seguintes profissões: escritor, diplomata e militar.
Concluímos que apenas uma pequena percentagem da população conhece a vida de Abel Botelho, e que afinal este filho da terra pouco fez pela mesma, no entanto, é um grande motivo de orgulho para todos os tabuacenses pelo trabalho dedicado ao país.
Instituto de Higiene e Medicina Tropical
Medicina das Viagens
Por Fórum da Química
O Instituto de Higiene e Medicina Tropical foi fundado a 24 de Abril de 1902 por ordem do Rei D. Carlos com o objectivo de investigar os problemas de saúde ligados ao meio tropical e intertropical. O IHMT situa-se na Rua da Junqueira em Lisboa, desde 1958. A partir de 1980, passou a pertencer à Universidade Nova de Lisboa, sendo responsável pela Formação Pós-Graduada, Cooperação para o Desenvolvimento e Investigação, tendo um nível de excelência reconhecido nacional e internacionalmente.
Especificidades do Trabalho
O IHMT é uma instituição que se centraliza nas áreas das Ciências Biomédicas, Medicina Tropical e Saúde Internacional, com o intuito de prestar serviços à comunidade, divulgar conhecimentos científicos, solucionar problemas vitais para a saúde e desenvolver investigações.
Dentro dos serviços à comunidade, existem duas vertentes: a saúde pública e da medicina tropical na qual se inserem a consulta do viajante, a consulta de medicina tropical e a unidade de vacinação; o campo das análises clínicas que são realizadas pelo Laboratório Central, cuja função é assegurar respostas às análises pedidas.
No campo da investigação explora-se a actividade de diversos agentes patogénicos, especialmente tropicais, como por exemplo os causadores da malária, leishmaniose e tuberculose. O resultado destas investigações, que podem levar à descoberta da cura de várias doenças, é divulgado através de congressos, publicações em revistas da especialidade e reportagens televisivas.
Consulta do Viajante
A Consulta do Viajante destina-se a pessoas que irão contactar com ambientes exóticos e sujeitar-se a agentes transmissores de doenças prejudiciais à sua saúde. Esta consulta tem como objectivo informar e prevenir os viajantes para que estes tomem as devidas precauções antes, durante e após a viagem.
O aconselhamento varia conforme o destino e as características da viagem, para além do estado de saúde do próprio indivíduo, e deve ser realizado 4 a 8 semanas antes da partida, citando Drª. Ana Lory: O ideal seria, no mínimo, um mês antes (...). Ainda assim, a consulta poderá ser bastante útil mesmo que dada na véspera.
O EUGÉNIO – “GÉNIO DAS PALAVRAS” E OUTROS “GÉNIOS” QUE FAZEM A DIFERENÇA

Laboratório de desenvolvimento do software

Logotipo do Eugénio
O Eugénio – “génio das palavras” é apenas uma das muitas ferramentas de software desenvolvidas pelo LABSI2 (laboratório de Sistemas informação e interatividade), integrado na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Politécnico de Beja, que têm vindo, desde 2004, a contribuir para a melhoria das aprendizagens e da qualidade de vida de cidadãos com limitações motoras.
Combate à exclusão social
Nós, alunos e cidadãos utilizadores da tecnologia, sentimos quase como “adquirido” o facto da tecnologia estar presente em todos os setores da nossa vida, satisfazer-nos desejos, aliviar-nos esforços e principalmente, permitir-nos pertencer a esta sociedade da informação globalizada. Mas, e se nós não pudéssemos clicar num rato de um computador? Ou teclar um texto? Ferramentas como estas são a porta de entrada para esta sociedade. Então para que serve tanta ciência e tecnologia se não permite que todos tenham acesso a ela e exclui um deficiente motor de lhe aceder? Se for mais um fator de exclusão social? É fundamental que o binómio Ciência-Tecnologia preste também um serviço social e humano, muitas vezes descurado em prol de outros economicamente mais atractivos.
Aplicação do programa
João Brissos tem 19 anos, sofre de distrofia muscular de Duchenne, uma doença hereditária que progride e lhe foi enfraquecendo os músculos, até à imobilidade completa. Resta-lhe apenas alguma mobilidade na mão direita, onde ainda tem força em dois dedos - o polegar e o indicador. Desde sempre bom aluno, conta com a ajuda de um rato de computador adaptado e ferramentas de software especiais.
Ana Grazina, funcionária da escola onde o João estudou até ao 12.º ano, que o acompanhou e sempre apoiou, incluindo escrever as respostas por ele ditadas em testes de avaliação, faz um balanço positivo de uma destas ferramentas que o aluno usava - “O Eugénio proporcionou uma maior autonomia ao João, permitindo que este conseguisse fazer os testes sozinho, em vez de ele ditar e eu escrever”. O João realça ainda o facto de em casa lhe permitir ter maior autonomia na execução dos trabalhos da escola.
André Guerreiro, outro aluno da mesma escola, tem 17 anos e sofre de paralisia cerebral que lhe afeta os membros, não conseguindo usar com muita facilidade os dedos para escrever num teclado de computador. Também neste caso um software como o Eugénio é uma grande ajuda, como o próprio relata – “Melhorou bastante a minha velocidade de escrita, pois basta carregar em duas que logo aparecem múltiplas palavras para eu escolher. Também me ajuda no vocabulário sugerindo palavras que eu nunca me lembraria”.
Descobrir formas para combater a exclusão social, possibilitando que o conhecimento tecnológico e científico beneficie todos, através de ferramentas tecnológicas usáveis por utilizadores com variadíssimas necessidades especiais é uma das razõesda existência do LABSI2.Nas palavras de um dos fundadores, o Eng.º Luis Garcia, “se um dia, hipoteticamente, o LABSI2 conseguisse as soluções certas para cada um dos casos, de modo a que cada um dos utilizadores com as suas especificidades tivesse, nestas ferramentas, as resposta adequadas que lhe permitissem a acessibilidade à informação, ao sucesso escolar, à não exclusão, então teria sido cumprida grande parte da sua missão”..
É assim que na capital do “Alentejo profundo”, como lhe chamam muitos dos seus habitantes, se produz tecnologia que oferece esperança.
Um pouco de história
Desde a sua criação que este laboratório vem desenvolvendo actividades de investigação, experimentação e suporte ao ensino em diferentes áreas dos sistemas interactivos. Têm sido realizados vários trabalhos, entre os quais se destacam, nesta área da acessibilidade e usabilidade por utilizadores com necessidades especiais, o Sistema Eugénio. Este projecto, que foi a iniciativa que deu origem ao LABSI2, surgiu da necessidade de dar resposta a uma série de situações com que o Eng.º Luís Garcia se deparou no seu trabalho no Centro de Paralisia Cerebral de Beja, onde tentava encontrar soluções informáticas para cada um dos casos com que se deparava, neste público onde as dificuldades motoras profundas constituem uma real limitação ao recurso a um simples teclado de computador.
Este programa, conhecido por o “Génio das Palavras”, é uma ferramenta de software de apoio à escrita vocacionado para pessoas com dificuldades motoras ou cognitivas. Sugere um número configurável de palavras relevantes no contexto, facilitando a escrita. Na versão 2, passou também a possuir um teclado virtual configurável, possibilitando a selecção de teclas através de um ou dois manípulos externos. Esta funcionalidade, em conjunto com um sintetizador de fala, permite ao utilizador ouvir o texto que escreveu, ou transmitir uma mensagem a outra pessoa. Esta versão permite ainda a utilização de abreviaturas para a aceleração da escrita, com configuração antecipada. Finalmente, e para poder cumprir a sua missão de inclusão, este sistema possui uma página internet a partir da qual pode ser obtido de forma gratuita.
Os autores deste trabalho receberam o Prémio de Mérito Científico “Maria Cândida Cunha 2004”, criado para galardoar projectos de investigação que contribuam para a melhoria da qualidade de vida e integração económica e social de pessoas com deficiência.
Encontra-se em desenvolvimento a versão 3 deste sistema, mais vocacionada para a comunicação oral e para a produção de mensagens através de símbolos, pretendendo-se assim chegar a mais utilizadores. Os responsáveis por este projeto pretendem, futuramente, internacionalizá-lo.
Ainda nesta área da inserção social, o LABSI2 continua o seu trabalho, encontrando-se em fase de experimentação o projecto do caderno electrónico de apoio a crianças e jovens com dificuldades na escrita.
Atualmente desenvolvem-se trabalhos em outras áreas, como é o caso da interação, a grande aposta para o futuro. Segundo o Eng.º Luis Bruno, um dos investigadores presente durante a nossa visita, “é aqui que está o amanhã. As interfaces tradicionais como ratos e teclados têm os dias contados; tendem a ser substituídos por interfaces mais intuitivas para fornecer e manipular informação no sistema”.
Ideias para uma Floresta de Futuro
A Floresta e a Biodiversidade
Por NAve - Notícias de Aveiro
“
O Homem depende da elevada biodiversidade”. Foi assim que começou a palestra de abertura do Professor Doutor Jorge Paiva, no I Encontro da Floresta, na Universidade de Aveiro, no dia 25 de novembro.
No âmbito do ano internacional da floresta e da Semana Aberta da Ciência e Tecnologia da Universidade de Aveiro, o Herbário do Departamento de Biologia da UA em parceria com o Núcleo de Estudantes de Biologia (NEB-AAUAv) e com a associação Aldeia, promoveu o I Encontro da Floresta para sensibilizar os demais para a importância da floresta e, tal como foi noticiado, desenvolver “ideias para uma floresta de futuro”.
Antes do decorrer do Encontro
Para ficarmos elucidados relativamente ao acontecimento, conversamos previamente com o Doutor Paulo Trincão (professor no Departamento de Geociências UA e ex-diretor da Fábrica da Ciência Viva), tendo-nos este encaminhado para a Doutora Rosa Pinho, a responsável pela organização (responsável pelo Herbário do Departamento de Biologia, Universidade de Aveiro).
"A floresta está condenada ao comércio.", Doutora Rosa Pinho.
A Doutora Rosa Pinho recebeu-nos no Herbário da Universidade, com muito agrado, falando-nos genericamente sobre os problemas da floresta atual e as soluções no terreno para uma floresta sustentável. Segundo a docente, “As pessoas não param para pensar que a biodiversidade tem valor (económico e lúdico).”.
No nosso país de influência mediterrânea e atlântica, as condições climatéricas permitem que este tenha cinco vezes mais biodiversidade que o resto da Europa e até dezasseis vezes mais fitodiversidade (diversidade de espécies vegetais) do que a Finlândia. No entanto, as alterações climáticas irão afetá-lo severamente. Dentro de vinte anos teremos um clima semelhante ao do Norte de África, o que não será tempo suficiente para que as nossas espécies se adaptem. Torna-se, portanto, urgente desenvolver ideias para o futuro da nossa floresta.
Durante o encontro
No dia do encontro, dirigimo-nos à sala de atos da reitoria da UA e, fazendo parte de uma plateia quase vazia, escutamos, entre diversos oradores, o Professor Doutor Jorge Paiva (investigador aposentado do Departamento de Botânica da Universidade de Coimbra), um excelente orador, dinâmico e intransigente, tal como nos havia descrito a Doutora Rosa Pinho. A sua palestra centrou-se sobre a importância da biodiversidade para a nossa espécie, concluindo, dizendo que “Portugal não sabe viver da floresta. Estamos a caminhar para o desastre!”.
Escutamos, também, a palestra do Mestre Engenheiro Pedro Bingre (engenheiro florestal, mestre em Planeamento Regional e Urbano, e docente do Ensino Superior), que se centrou no ordenamento do território, mais propriamente na resolução de conflitos e interesses entre este, a economia e a biodiversidade. "É necessário reservar território para área de floresta", segundo ele. No entanto, a nossa floresta autóctone é pouco rentável a curto prazo e os proprietários preferem outras espécies que tragam mais rendimento. Para além disto, há ainda o problema do direito de propriedade do solo, pois em Portugal existe liberdade, por vezes, usada de forma irresponsável por parte dos donos, acabando por ficar os terrenos ao abandono. "Use it or lose it" (Usa-o ou perde-o) é o princípio que o Mestre Engenheiro Pedro Bingre defende que se deve aplicar de forma a rentabilizar o solo, que atualmente não passa de um bem de ostentação.
Mais tarde, discursou ainda o Doutor Paulo Domingues (presidente do Núcleo Regional da QUERCUS de Aveiro) acerca do seu projeto de recuperação da floresta autóctone, floresta com as espécies características da região, em Cabeço Santo, na região de Águeda. Tendo conhecimento de que este trabalho era feito por voluntários, decidimos participar.
Trabalho de Voluntariado
Como tal, no dia 26 de novembro, após confirmação da nossa participação, deslocámo-nos de automotora até Águeda, onde fomos recebidas pelo próprio e outros voluntários. A caminho de Cabeço Santo, foi-nos explicado o plano de trabalho, bem como os problemas que mais afetam a zona florestal.
Os principais objetivos incidiram sobre o corte de plantas invasoras, plantas que não são próprias da região mas que proliferam e competem com as espécies autóctones por espaço, luz e nutrientes, e plantas exóticas, que não são características da região, mais concretamente o eucalipto (Eucalyptus globulus), a acácia (Acacia plumosa) e a háquea (Hakea sericea). Para além disto, semearam-se bolotas e castanhas, numa tentativa de repor as espécies autóctones, carvalho-roble (Quercus robur) e castanheiro (Castanea sativa).
Num esforço para aprofundar mais este tema, convidamos a Doutora Rosa Pinho a dar uma palestra na Escola Secundária José Estêvão, sobre a evolução, potencialidades e ameaças ao ecossistema florestal. Procurando o ponto de interseção das palestras do encontro, a oradora reforçou as suas ideias-chave, no que toca aos problemas, e apresentou algumas ideias para o futuro.
Procurar alcançar o equilíbrio entre economia, sociedade e biodiversidade é o primeiro passo para atingir a sustentabilidade na floresta. Segundo o Doutor Paulo Trincão, deve-se procurar aplicar as bases do passado na preservação das espécies autóctones, uma vez que desconhecemos os benefícios que a biodiversidade ainda nos pode trazer. Portanto, apostar na educação e formação, e na certificação florestal são perspetivas a considerar.
A floresta e a sua biodiversidade são essenciais à espécie humana e continuarão a sê-lo no futuro. Apesar de se viverem tempos difíceis, a sociedade é desafiada a encontrar um estado de equilíbrio entre as suas necessidades e as da floresta, pois só assim se alcança a tão desejada sustentabilidade. Existem ideias, projetos, medidas que podem ser tomadas com vista a tornar tudo isto numa realidade num futuro relativamente próximo. No entanto, dar este passo, passar da palavra à ação, está a demorar demasiado tempo. Entretanto, a biodiversidade perde-se, a floresta degrada-se e a sociedade desconhece aquilo que pode estar a perder.
Surge o objectivo de, tendo consciência da necessidade destas medidas, querer, a cima de tudo, que a floresta volte a ter o estatuto de omnipotência que outrora teve; surge o objectivo de agir.
Aquela manhã haveria de revelar-se surpreendente! Situadas à beira do Rio Douro, as Termas das Caldas de Aregos, além das vantagens terapêuticas proporcionam a quem as visita, uma agradável e acolhedora paisagem!
Entramos no edifício das Termas onde dois senhores prontamente perguntaram se podiam ajudar. Tatiana, uma das repórteres de serviço, respondeu: - Não obrigada, estamos à espera do Dr. Brito. Após uma intrigante risada um deles respondeu: - Dr. Brito, não conheço... se quiserem falar com o Dr. Brites, esse sou eu!
Sorrimos, pedimos desculpa e fomos conduzidas a uma sala com uma piscina que “fumegava” continuamente!
- Trata-se de uma piscina termal - começou o Dr. Brites - com turbinas que possibilitam hidromassagens. O banho de 38 ºC é indicado para relaxamento e recuperação das afeções músculo-esqueléticas, neurológicas, dermatológicas, mobilidade reduzida, e alterações do equilíbrio.
Nesta altura nós, repórteres em ação, registávamos apressadamente o que ouvíamos (rapidamente concluímos que escrever rápido tem que se lhe diga!)
Foi-nos explicado que, geologicamente, é uma água com muitos bicarbonatos que lhe conferem um PH alcalino de aprox. 9,2. Possui também muito enxofre sob a forma de radicais que vão permitir, na pele e mucosas, a realização de reações ácidas aumentando a permeabilidade destas estruturas. Esse PH, letal para as bactérias conspurcadoras explica não ser necessária a utilização de desinfetante e/ou lixívia.
São indicadas no tratamento de doenças na pele (alergias, eczemas), doenças imunitárias como psoríase, osteoartroses, modificações morfológicas das articulações, recuperação de fraturas, fibromialgia e tratamento de doenças respiratórias (sinusite, rinite, bronquite...) entre outras.

Dr. Brites no local onde se extrai a água
Quando questionado se os colegas de profissão têm conhecimento dos benefícios destas águas e se as recomendam, responde prontamente que não, argumentando falta de conhecimento e a existência de entraves de várias ordens na avaliação destes tratamentos.
Referiu que estas águas não seriam indicadas, pelo facto de serem hipermineralizadas, para tratamento de doenças gastrointestinais. Acrescentou ainda serem inadequadas para quem sofre de ácido úrico (poderia agravar a característica inflamatória), quem tem varizes, próteses ou aparelhos cardíacos (pacemaker).
Tivemos curiosidade em saber a proveniência destas águas. O médico começou por explicar a existência de terrenos porosos que podem originar aquíferos (reservatórios de água). Estes são alimentados, na zona de recarga, pela precipitação que, muito lentamente, se dirige para o aquífero. Disse mesmo que é possível pensar que a água da piscina poderia ter sido chovida há 20 ou 30 anos! (olhamos umas para as outras... estávamos numa aula de Geologia!) Tornou-se evidente que falávamos com a pessoa indicada...um especialista na matéria! - Facto que viemos a confirmar quando nos disse ter feito uma especialização em "hidrologia e climatologia médica".
- O que acontece, continuou o Dr. Brites, é que a velocidade da água desde a recarga ao aquífero é lenta percorrendo falhas e fraturas existentes nos maciços graníticos sendo conduzidas para zonas do aquífero mais profundas onde aumenta a temperatura e a pressão. Das reações químicas resultantes da interação da água com as rochas que lhe servem de leito, surgem os minerais que aqui encontramos (enxofre, bicarbonatos, o flúor, magnésio e zinco) havendo também libertação de calor.
Nesta altura a Tatiana referiu o facto de algumas pessoas mais velhas falarem da existência de uma veia vulcânica nesta zona. O médico responde que se pensa que terá existido, possivelmente no Cretácico, tendo originado as falhas. Atualmente a libertação do calor deve-se à desintegração radioativa de minerais. - Os quatro fatores importantes na génese destas águas - diz em jeito de resumo - são o aumento da pressão, ocorrência de reações químicas, decaimento radioativo e eventos vulcânicos.

Pensão mais antiga da região
Interessante foi também o que descobrimos acerca do passado histórico das termas. Há indícios da sua utilização por D. Mafalda, esposa de D. Afonso Henriques que enviava para aqui os proscritos da sociedade para serem curados!
Num passado mais recente, na famosa "belle epoque" (anos 20) eram frequentes bailes de fraque - burgueses endinheirados do Porto vinham passar aqui as férias!

Sra. Glória na banheira de hidromassagem
Nas instalações que visitámos existiam várias salas destinadas a diferentes tratamentos como, duche e banheira de hidromassagem. Nesta encontramos a Sra. Glória Pires, 70 anos, de Amarante. Falou-nos dos seus problemas nos ossos, que já frequenta as termas há quatro anos e quando lhe perguntamos se sentia diferença antes e depois dos tratamentos prontamente responde: - Claro, se não, não voltava!
Conhecemos a sala de tratamento com argilas mergulhadas em tanques durante meses a uma temperatura de 62ºC e soubemos que as suas características de acumulação térmica, viscosidade e condutibilidade permitem condições ótimas de aplicação.
Entramos ainda na sala do duche escocês (alternância de frio/quente, provocando espasmos na pele e tonificando artérias e veias), na de utilização parcial de vapores, inalação, irrigação, banho turco e, por fim, o banho Vichy (jatos de água e massagem simultânea!).

Tiago no ginásio
Vimos ainda o ginásio onde encontramos o Tiago a recuperar de um traumatismo com hemorragia sofrido há dois anos.
Tivemos oportunidade de conversar com a D. Paula, D. Maria da Luz e D. Georgina Pereira, funcionárias nas termas, acerca da formação obtida em técnicas de termalismo.
Já no final da nossa conversa somos informadas da importância do Rio Douro na génese destas termas - impede que a sua água se misture com a termal possibilitando o trajeto desta última em profundidade onde ganha caraterísticas ímpares...
Só assim é possível usufruirmos destas águas termais! Será caso para dizer...águas D´ouro!
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Loja de Chineses - um mercado que invadiu o nosso país